Voluntariado multinacional recupera pombal tradicional de aldeia transmontana e descobre riqueza cultural, natural e humana da região

Oito voluntários/as oriundos de países como Marrocos, França, Bélgica e Holanda, com idades compreendidas entre os 19 e os 57 anos, participaram no 56.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI) organizado pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceira com a União das Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva e a associação francesa Union Rempart, e que teve lugar entre os dias 1 e 12 de julho, na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança.

Pombal tradicional.

Pombal tradicional.

Durante este CTVI, os/as voluntários/as participaram nos trabalhos de recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva e tiveram a oportunidade de contactar com as técnicas tradicionais de construção dessas estruturas. Os trabalhos de restauro envolveram picar reboco; fazer rebocos de cal; recuperar estruturas de madeira e realizar a colocação de telha antiga, entre outras tarefas.

Os CTVI também têm como objetivo dinamizar e dar mais vida ao mundo rural, promovendo aos participantes o convívio com a comunidade local e a descoberta do território e da sua riqueza cultural, natural e humana.

Pombal tradicional recuperado durante o 56.º CTVI.

Pombal tradicional recuperado durante o 56.º CTVI.

Técnicas tradicionais de construção.

Técnicas tradicionais de construção.

O Parque Ibérico de Natureza e Aventura - PINTA (Vimioso), as Termas de Vimioso, o Castelo de Algoso, o miradouro, o museu e a aldeia de Picote, o Museu da Terra de Miranda (Miranda do Douro), as Arribas do Douro, no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino - AEPGA foram locais visitados pelos/as voluntários/as.

Os/as participantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer a riqueza do património rural, cultural e social da aldeia de Uva, através de visitas ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais, localizado na Antiga Escola Primária da aldeia e sede da Palombar, à forja e à carpitaria de habitantes locais.

As margens dos rios Douro, Maçãs e Angueira também foram palco para a descoberta do território e o contacto com a natura e a biodiversidade.

Equipa de voluntários/as.

Equipa de voluntários/as.

Sobre os Campos de Trabalho Voluntário Internacionais

Os Campos de Trabalho Voluntário Internacionais (CTVI) foram criados em 2004 e consistem em atividades organizadas especialmente para voluntários/as, que se propõem a contribuir com horas de trabalho para a realização de uma determinada tarefa útil para a comunidade.

Os CTVI organizados pela Palombar, em colaboração com vários parceiros, têm como principal objetivo promover a recuperação do património rural edificado, utilizando técnicas de construção tradicionais e ecológicas, mas também a realização de ações em prol da conservação da natureza; em ambos os casos, associa-se-lhes a criação de um espaço de aprendizagem informal, tanto a nível técnico como pessoal e de desenvolvimento do sentido de cidadania.

Sessão de esclarecimento informa população de Ifanes e Paradela sobre funcionamento de campo de alimentação para aves necrófagas

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e a Junta da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, organizou, no dia 30 de junho, uma sessão de esclarecimento para explicar à população de Ifanes e Paradela, no concelho de Miranda do Douro, o modo de funcionamento do campo de alimentação para aves necrófagas (CAAN) instalado na zona, bem como a importância destas espécies.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

A sessão de esclarecimento, realizada no salão da Junta de Freguesia de Ifanes e Paradela, contou com a participação de cerca de 30 pessoas da comunidade, entre as quais representantes de associações de caça/setor cinegético, agricultores e produtores de gado. Estiveram também presentes o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, o presidente da Junta da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, o veterinário municipal de Miranda do Douro e técnicos e vigilantes da Natureza do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Durante este encontro, os presentes puderam informar-se sobre como funciona o CAAN instalado em 2018 em Ifanes e gerido pela Palombar no âmbito do projeto LIFE Rupis de conservação do britango (Neophron percnopterus) e da águia-perdigueira (Aquila fasciata) no Vale do Rio Douro.

Foram também apresentadas aos presentes as linhas orientadoras da Estratégia Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas.

A população também terá a oportunidade de visitar o CAAN de Ifanes para conhecer de perto esta instalação e a sua forma de funcionamento.

As aves necrófagas, principalmente os abutres, são fundamentais para promover o equilíbrio dos ecossistemas, ao assegurar a limpeza dos habitats, ao mesmo tempo que evitam a propagação de doenças entre espécies, através, por exemplo, do consumo de animais mortos devido a doenças contagiosas. Estas aves especiais têm um organismo adaptado, que permite que sejam imunes a muitos agentes causadores de doenças, como bactérias e vírus.

I Fórum Público sobre as BioRegiões debate ideias para dinamizar um modelo inovador de desenvolvimento rural sustentável

A AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e a INNER - International Network of Eco Regions organizam o I Fórum Público sobre as BioRegiões, no dia 29 de junho, entre as 14h00 e as 17h00, no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, em Vimioso, no distrito de Bragança. A entrada é livre, mas sujeita e inscrição prévia. Este evento conta com o apoio do Município de Vimioso e a parceria da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes.

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Esta iniciativa visa abraçar uma oportunidade de desenvolvimento sustentável na região de alto valor natural e paisagístico de Trás-os-Montes, promovendo um fórum público sobre as BioRegiões, dando assim início a um processo de sensibilização e envolvimento da comunidade local para esta dinâmica. Mais informações, bem como o formulário de inscrição podem ser consultados em www.aepga.pt.

Este Fórum antecede o Fórum Internacional “Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis”, que se realiza em Idanha-a-Nova, Portugal, entre os dias 17 a 21 de julho de 2019.

Contextualização

Em 2014, foi criada a INNER - International Network of Eco Regions (Rede Internacional das BioRegiões), com o objetivo de dinamizar um modelo inovador de desenvolvimento sustentável rural, através da implementação de uma rede de produção agrícola biológica, processamento e distribuição dos produtos resultantes pela comunidade onde se insere, fornecendo cantinas públicas, restaurantes e população em geral. Através desta forma de gestão de recursos, todos beneficiam de uma melhoria da qualidade de vida, biodiversidade e preservação do ambiente.

Portugal inclui-se nos países envolvidos no desenvolvimento das BioRegiões onde foram realizados fóruns e encontros internacionais em diversas regiões.

O facto de se enquadrar nos objetivos da agenda 21 local é um fator relevante para a realização de uma primeira análise das potencialidades e dos problemas do território na implementação deste modelo e como proposta a debater neste processo.

África: mais de 500 abutres ameaçados de extinção morrem depois de comerem carcaças de elefantes envenenados

Mais de 500 abutres ameaçados de extinção morreram depois de comerem três elefantes mortos cujas carcaças foram envenenadas por caçadores furtivos, anunciou o governo de Botswana, em África, num comunicado esta quinta-feira, 20 de junho. Os 537 abutres e duas águias foram encontrados mortos numa das áreas de gestão de vida selvagem no país, no leste do Distrito Central.

Entre os animais mortos estavam 468 grifos-africanos (Gyps africanus), 28 abutres-de-capuz (Necrosyrtes monachus), 17 abutres-de-cabeça-branca (Trigonoceps occipitalis), 14 abutres-reais (Torgos tracheliotus), 10 abutres-do-cabo (Gyps coprotheres) e duas águias-rapace (Aquila rapax).

Todas estas espécies estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Grifo-africano (Yathin sk/WikiCommons)

Grifo-africano (Yathin sk/WikiCommons)

"Acredita-se que o envenenamento tenha sido causado pelo consumo de três carcaças de elefantes contaminados com uma substância química venenosa que provoca uma mortalidade significativa em abutres e águias", disse o governo no comunicado.

O problema do envenenamento de animais levado a cabo por caçadores ilegais é de longa data, tornando as aves particularmente vulneráveis ao envenenamento, afirmou a African Wildlife Foundation (AWF).

"Como as aves se deslocam para procurar as carcaças de animais, elas também contribuem para identificar zonas onde ocorrem atividades ilegais de caça", disse a fundação no seu site. Os abutres e águias com hábitos alimentares necrófagos são vistos pelos caçadores furtivos como “denunciadores”.

Estas espécies ameaçadas são vitais para assegurar um ecossistema saudável e funcional, afirma a AWF. Ao alimentarem-se de cadáveres de animais em decomposição, os abutres desempenham um papel fundamental para manter o ambiente limpo e minimizar a propagação de doenças contagiosas.

Comunicado: PALOMBAR tomou a decisão de não concretizar organização do L Burro I L Gueiteiro – Festival Itinerante da Cultura Tradicional

19 de Junho de 2019

A PALOMBAR, Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, entidade organizadora do L Burro I L Gueiteiro – Festival Itinerante da Cultura Tradicional, informa com grande tristeza que lhe foram retiradas as condições para concretizar o festival do L Burro I L Gueiteiro.

A edição de 2019, com data prevista entre 24 e 28 de Julho, marcaria o retorno do evento às aldeias de Fonte de Aldeia e Picote.

Este regresso - especialmente a Picote - tinha como principais objectivos envolver novamente a população da aldeia na realização do Festival que, na edição de 2011, tão bem soube acolher e servir os visitantes - numa partilha especial entre quem recebe e quem visita, proporcionando uma vivência única de um evento cultural - e assegurar que todos os participantes voltassem a desfrutar de uma edição com duração de 5 dias, plena de entretenimento e, à semelhança das edições anteriores, a pensar em todos - miúdos e graúdos - os que gostam de caminhadas por percursos bonitos, de refeições apetitosas, de sestas burriqueiras, de oficinas instrutivas, de boa música e de muita festa. Contudo, apesar de todos os esforços realizados, é neste momento impossível garantir os pressupostos necessários à realização do que projectámos para esta edição.

Devido a diversas posições assumidas pela Galandum Galundaina - Associação Cultural deixou de existir uma partilha de valores e objectivos comuns, o que torna inviável o processo de produção do festival, não restando outra alternativa à PALOMBAR senão admitir que a parceria com a Galandum Galundaina – Associação Cultural na organização do festival de L Burro I L Gueiteiro chegou ao fim. A Associação PALOMBAR lamenta profundamente o afastamento da organização do L Burro I L Gueiteiro a que foi forçada, já que desde 2012 se assume como parceiro na organização deste festival único, mas sem condições de trabalho não é possível alcançar bons resultados.

Face a esta tomada de decisão, iremos projectar um outro evento, individualmente ou com os nossos parceiros habituais que dê resposta à missão e objectivos da Palombar.

Apresentamos a todos as nossas mais sinceras desculpas pelos inconvenientes subjacentes à não participação da PALOMBAR na edição de 2019, mas fiquem certos que organizaremos outras actividades para dinamizar o Planalto Mirandês.

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9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra promove recuperação de pombal tradicional de aldeia transmontana

A 9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra organizada pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, que teve lugar nos dias 15 e 16 de junho, promoveu a recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança. Durante esta oficina, os participantes tiveram a oportunidade de trabalhar o xisto.

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As construções em pedra são um ícone do património rural e da paisagem transmontana. Possuem um grande valor, quer para as comunidades, quer para a conservação da biodiversidade. Além de servirem as necessidades das populações, os muros de pedra são um abrigo e refúgio para várias espécies de plantas e animais.

Apesar da sua elevada importância, atualmente, são já poucas as pessoas que sabem como construí-las ou repará-las. Foi no sentido de tentar combater esse esquecimento e de transmitir a riqueza e o potencial destas técnicas construtivas que a Palombar organizou esta oficina.

POMBAIS TRADICIONAIS: um património rural único, um promotor da biodiversidade

Os pombais tradicionais são um ícone rural omnipresente na região de Trás-os-Montes que pontilham a paisagem, despertando a curiosidade de quem percorre as terras transmontanas. Estas estruturas têm um valor cultural, arquitetónico e ecológico fundamentais e o seu restauro e manutenção são essenciais para assegurar a conservação do património rural e natural desta região.

Os pombais tradicionais são um património emblemático desta região e estão fortemente associados à comunidade rural, que outrora usava os pombos juvenis (borrachos) para alimentação, sendo esta uma fonte adicional de proteína para os habitantes locais. Já o estrume dos pombos, considerado de elevado valor fertilizante e denominado por “pombinho”, era/é usado para fertilizar os solos agrícolas. Ter muitos pombais também era sinónimo de riqueza. Os pombais assumem um papel fundamental no sistema sócio-ecológico.

Estas são também estruturas que contribuem de forma significativa para a conservação da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte da dieta de várias espécies de aves de rapina ameaçadas em Portugal, como é o caso da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), do açor (Accipiter gentilis) e do falcão-peregrino (Falco peregrinus), entre outras. Asseguram, assim, o sucesso reprodutor destas espécies e o aumento das suas populações.

“Teatro de lameiro” e jogo didático sensibilizam crianças para a conservação da águia-de-Bonelli e do britango

Um grupo de 54 alunos/as do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico e cinco professores do Colégio da Nossa Senhora do Amparo, em Mirandela, participaram, no dia 6 de junho, em atividades de educação ambiental desenvolvidas pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural para promover a sensibilização das novas gerações para a importância e conservação da águia-de-Bonelli ou águia-perdigueira (Aquila fasciata) e do britango (Neophron percnopterus ).

Encenação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli".

Encenação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli".

As atividades consistiram na apresentação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli" e do jogo "A Vida Secreta da Família Bonelli", que foram dinamizados em pleno contacto com a natureza, num lameiro na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso. 

Durante estas atividades, as crianças puderam apreender de forma lúdica, num contexto pedagógico e de partilha, como ocorre o processo reprodutivo e de sobrevivência da águia-de-Bonelli, bem como   reconhecer e compreender a importância da biodiversidade, ao mesmo tempo em que foram sensibilizadas para as ameaças que existem para esta espécie e para o ecossistema.

Os/as alunos/as também tiveram a oportunidade de visitar o Pombal Pedagógico da Palombar em Uva, onde aprenderam mais sobre a ecologia, funcionalidade e arquitetura dos Pombais Tradicionais do Nordeste Transmontano.

Visita ao Pombal Pedagógico da Palombar em Uva.

Visita ao Pombal Pedagógico da Palombar em Uva.

Estas ações de educação ambiental foram desenvolvidas no âmbito do Programa Educativo do consórcio SACR - Sensibilização Ativa das Comunidades Rurais desenvolvido pela Palombar e pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino e do projeto LIFE Rupis de conservação da águia-de-Bonelli e do britango (Neophron percnopterus) no vale do Rio Douro. A AEPGA também dinamizou duas atividades para os/as alunos/as: a “Aula de Burro” e "Hoje sou veterinário".

Esta atividade teve como principais objetivos despertar e estimular para a consciência ecológica, através de atividades lúdico-pedagógicas de proximidade com o património natural e rural do Nordeste Transmontano; sensibilizar para a importância da ecologia dos Pombais Tradicionais; sensibilizar para a necessidade de proteger e conservar o Burro de Miranda e disseminar informação e conhecimento acerca do bem-estar animal e conservação de espécies ameaçadas.

Esta quinta-feira, 13 de junho, um novo grupo de crianças do Pré-escolar do Colégio da Nossa Senhora do Amparo irá participar nas mesmas atividades de educação ambiental.

Sobre a águia-de-Bonelli/águia-perdigueira

O nome águia-perdigueira deve-se ao facto desta ave de rapina ser uma exímia caçadora, capaz de capturar as suas presas em pleno voo, desde perdizes a pombos domésticos.

A espécie é monogâmica e ambos os adultos cuidam das crias (uma a duas por ninho). Habitualmente, o casal tem vários ninhos que vão ocupando alternadamente em diferentes anos.

Os adultos distinguem-se pelo corpo claro e asas escuras e pela singular mancha branca no dorso, enquanto os juvenis têm uma plumagem distinta dominada por tons ruivos.

Esta espécie está classificada como "Em Perigo" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e, em 2011, foi estimada a existência de 116 a 123 casais reprodutores em Portugal.

O projeto LIFE Rupis, no qual a Palombar é parceira, tem como objetivo promover a conservação da águia-perdigueira no vale do Rio Douro.

Festival Ibérico ObservArribas: três dias para descobrir as aves, paisagens e cultura únicas do Douro Internacional

A 3.ª edição do ObservArribas – Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro decorre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. Este ano, o festival mudou-se para pleno centro de Miranda do Douro, onde haverá, entre outras novidades, uma mostra de cinema de ambiente.

Na sexta-feira, 31 de maio, será apresentado o documentário Portugal, Património Natural. E até 2 de junho, haverá dezenas de oportunidades de explorar as Arribas do Douro, descobrir águias e abutres, e conhecer de perto a cultura desta região ímpar.

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Durante três dias, centenas de observadores de aves e amantes de natureza virão descobrir as aves, paisagens e tradições desta região esculpida pela natureza. Desde observar abutres e águias – as maiores aves da Europa – e fazer passeios e piqueniques no Parque Natural do Douro Internacional ao contacto com os burros mirandeses e danças tradicionais, o ObservArribas terá atividades para todos os gostos.

As principais protagonistas do festival serão, sem dúvida, as aves. Os participantes poderão aprender a identificar espécies pelo canto, ver as aves das arribas em cruzeiros pelo Douro, ou mesmo descobrir como as observações de cada um podem ajudar os cientistas que estudam e protegem as aves selvagens.

Britango.

Britango.

Na feira dedicada aos produtos e serviços ligados à natureza e à região no Largo do Castelo, bem no centro de Miranda do Douro, miúdos e graúdos terão oportunidade de pôr mãos à obra: os adultos podem fazer película aderente sem plásticos, a partir de cera de abelha, enquanto os mais novos reutilizam materiais do dia a dia para fazer binóculos. E todos vibrarão com os “Cães CSI” na demonstração do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR.

Com dezenas de atividades a decorrer ao longo dos três dias, não só em Miranda do Douro, mas também nos outros concelhos do Parque Natural do Douro Internacional (Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo), e no Parque Natural Arribes del Duero, do lado espanhol, o III ObservArribas convida os amantes de natureza a explorar a beleza natural e cultural das Arribas do Douro.

Mais informações podem ser consultadas em www.observarribas.com.

Palombar adere à Manifestação Faz pelo Clima porque não há Planeta B

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural marcou presença na Manifestação Faz pelo Clima que decorreu na passada sexta-feira, 24 de maio, em Bragança, na praça Cavaleiro de Ferreira.

Dezenas de alunos/as de vários agrupamentos de escolas exigiram ao Governo uma ação mais eficaz e medidas concretas que visem combater as alterações climáticas e preservar a Natureza, a biodiversidade e os ecossistemas. Na manifestação, também estiveram presentes várias organizações e a população em defesa desta causa.

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

A Palombar, enquanto associação de conservação da Natureza, considera ser fundamental a mobilização dos jovens e da sociedade em geral para as questões relacionadas com as alterações climáticas e a preservação da Natureza, pois só com a intervenção ativa de todos/as será possível avançar com medidas efetivas para travar o atual processo de degradação do nosso Planeta Terra.

A Avaliação Global realizada pela Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Ambiente, mostra que a agricultura e a pesca são os maiores fatores de destruição dos ecossistemas, conseguindo uma taxa de extinção de espécies que é entre dezenas a centenas de vezes superior às médias dos últimos dez milhões de anos. Os efeitos das alterações climáticas causadas pela queima do carvão, petróleo e gás produzido pela indústria de combustíveis fósseis é outro fator determinante para a ameaça à biodiversidade e ao meio ambiente.

Devido à degradação dos ecossistemas, atualmente, existe um milhão de espécies em risco de desaparecer, num universo de oito milhões de plantas, insetos e outros animais.

Não há Planeta B. Depois de décadas e décadas de alertas, dados, relatórios e estudos que apontam todos no mesmo sentido, agora, mais do que nunca, é urgente agir, e agir rapidamente. E é com foco na ação pela conservação do nosso Planeta Terra que trabalhamos todos os dias.

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Festival Sons & Ruralidades comemora Dia Europeu da Rede Natura 2000 e Dia Internacional da Biodiversidade junto da comunidade escolar de Vimioso

Inserido nas atividades do Sons & Ruralidades - Festival de Ecologia, Artes e Tradições Populares, o Dia Europeu da Rede Natura 2000 e o Dia Internacional da Biodiversidade foram comemorados junto da comunidade escolar de Vimioso, com a realização de várias iniciativas por parte da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e da AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino.

O festival Sons & Ruralidades também pretende ser uma ferramenta de sensibilização da comunidade e das novas gerações para a importância de preservar a Natureza e a Biodiversidade e prover o necessário equilíbrio entre as atividades humanas e a conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais.

Comemoração do Dia Europeu da Rede Natura 2000. Alunos/as do 4.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Comemoração do Dia Europeu da Rede Natura 2000. Alunos/as do 4.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Na terça-feira, 21 de maio, Dia Europeu da Rede Natura 2000, estivemos no Agrupamento de Escolas de Vimioso, onde foi realizada uma apresentação a alunos/as do 4.º ano de escolaridade, com o objetivo de explicar o que é a Rede Natura 2000 e a sua importância.

Os/as alunos/as foram igualmente informados sobre quantas tipologias de áreas protegidas existem e onde estão localizadas, tanto no território nacional, como europeu. Foi também explicado aos alunos/as o enquadramento histórico da implementação da Rede.

Os/as estudantes também participaram num jogo didático sobre a Teia Alimentar. Durante este jogo, foram convidados/as a representar um ser vivo inserido numa das seguintes categorias: produtores, decompositores, consumidores primários, secundário ou finais.

A seguir, foram criadas ligações com fios entre os diferentes seres vivos, criando uma teia para que se percebesse de que forma estamos todos interligados e conectados, direta ou indiretamente.

Posteriormente, os participantes introduziram elementos que afetavam o equilíbrio dos ecossistemas e que iam quebrando as ligações existentes. O objetivo era fazer com que estes percebessem que, ao interferir no equilíbrio dos ecossistemas, todos ficam prejudicados. O jogo terminou com uma reflexão sobre os impactos das ações humanas nos ecossistemas e sobre as medidas que podem ser adotadas para minimizar ou anular esses impactos.

Já no dia 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, alunos/as do 8.º ano de escolaridade tiveram a oportunidades de ver três documentários: 5 Reinos - Parque Natural do Douro Internacional, de Bárbara Cruz, Joaquim Betenano, Carlos Sousa e Paulo Fontes, um Documentário da Palombar e o Portugal - The wild side, da Wildstep Productions.

Comemoração do Dia Internacional da Biodiversidade. Alunos/as do 8.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Comemoração do Dia Internacional da Biodiversidade. Alunos/as do 8.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

O objetivo foi proporcionar momentos de reflexão sobre a biodiversidade e a sua importância. Os/as alunos/as também participaram no jogo da Teia Alimentar e foram sensibilizados para a necessidade de proteger os processos ecológicos e a importância do papel do associativismo e das organizações não governamentais (ONG) na conservação da natureza e das estratégias e medidas de mitigação de impactos na biodiversidade.

Foi igualmente apresentada aos alunos/as uma contextualização do território onde estamos inseridos e das diferentes regiões biogeográficas, diferentes habitats, espécies e ecossistemas e principais grupos faunísticos presentes na Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maças e no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

O Sons & Ruralidades - Festival de Ecologia, Artes e Tradições Populares realizou-se nos dias 17, 18 e 19 e 21 e 22 de maio de 2019, no Parque Ibérico de Natureza e Aventura PINTA - Vales de Vimioso, no Concelho de Vimioso, organizado pela AEPGA, pela Palombar e pelo Município de Vimioso.

Intercâmbio de Recuperação de Património Rural em França: Palombar recruta 6 voluntários/as

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito de uma parceria realizada com a associação francesa Rempart, está a recrutar 6 voluntários/as para integrar um intercâmbio do programa Erasmus + sobre Recuperação do Património Rural, o qual irá decorrer no sul de França, na aldeia de Périllos, entre os dias 30 de junho e 13 de julho de 2019, dinamizado pela associação Terre de Pierres.

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Durante duas semanas, voluntários/as de Portugal, França e Itália vão unir-se neste intercâmbio para ajudar a reconstruir a pequena aldeia francesa de Périllos, com recurso a técnicas de construção tradicional. Esta será uma experiência única de partilha de conhecimentos, intercâmbio cultural e vida comunitária. O programa inclui ateliers práticos sobre recuperação do património rural, atividades culturais, visitas e debates sobre o património, entre outras ações.

A aldeia de Périllos é um local isolado e encantador. Trata-se de uma aldeia que se encontra atualmente em ruínas e onde não há habitantes, nem comércio, nem sistema de água canalizada. A antiga escola da aldeia foi transformada numa casa comunitária onde são acolhidos os/as voluntários que participam nas obras de reconstrução.

Périllos, França. Fotografia | Terre de Pierres

Périllos, França. Fotografia | Terre de Pierres

INSCRIÇÃO

Quem pode inscrever-se?

Jovens com idades entre os 18 e os 30 anos.

Os/as jovens da região de Trás-os-Montes terão prioridade no processo de seleção dos/as voluntários/as.

Para participar neste intercâmbio, deverá tornar-se sócio/a da Palombar. Poderá fazê-lo aqui.

Como?

Envia uma mensagem de e-mail com o assunto "Inscrição no Intercâmbio Périllos" para palombar@palombar.pt, com o teu nome completo, idade e contactos, a indicar a tua intenção de participar neste intercâmbio, bem como os motivos que te levam a querer integrar esta iniciativa. Ao demonstrares a tua intenção em participar neste intercâmbio, irás receber toda a informação necessária.

Qual é o período de inscrição?

O período de inscrição decorre entre os dias 22 de maio e 10 de junho.

Vou ter alguma despesa financeira?

As despesas das viagens (através de reembolso do valor pago previamente pelos voluntários/as), das refeições e do alojamento serão todas asseguradas pela associação Rempart. Os voluntários terão de pagar apenas o valor de 30 euros para ativação de um seguro de participação no evento.

Como vou para França?

O grupo de 6 voluntários recrutados pela Palombar vai para França de avião acompanhado por um monitor da Palombar, que estará também presente durante todo o intercâmbio a acompanhar os trabalhos e atividades desenvolvidos.

Dia Internacional da Biodiversidade: há um milhão de espécies em risco de extinção e é urgente agir agora

O Dia Internacional da Biodiversidade é assinalado esta quarta-feira, 22 de maio. Neste dia, enaltecemos o esforço e a dedicação de todas as pessoas, entidades, associações, organizações, comunidades e países que trabalham ininterruptamente para proteger e preservar a biodiversidade a nível local, regional e global. O esforço é hercúleo e as ameaças crescentes.

Neste dia, deixamos um grito de alerta para o mundo e apelamos à ação: há um milhão de espécies em risco de extinção que não podem esperar. Se não houver uma revolução que altere a nosso modo de vida atual e trave as alterações climáticas, estas espécies vão mesmo extinguir-se. Elas e nós.

Águia-real. Fotografia | Pedro Rego

Águia-real. Fotografia | Pedro Rego

De acordo com o relatório internacional divulgado pela Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Ambiente, atualmente, existe um milhão de espécies em risco de desaparecer, num universo de oito milhões de plantas, insetos e outros animais.

O documento, apresentado no dia 6 de maio em Paris, França, por 145 cientistas de 50 países e que foi aprovado por 130 Estados, afirma perentoriamente que as atividades humanas e, consequentemente, as alterações climáticas, estão a ter um impacto brutal e sem precedentes na Natureza. Segundo referem os peritos, nunca a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas foi tanta e tão rápida.

O estudo realizado mostra que a agricultura e a pesca são os maiores fatores de destruição dos ecossistemas, conseguindo uma taxa de extinção de espécies que é entre dezenas a centenas de vezes superior às médias dos últimos dez milhões de anos. Os efeitos das alterações climáticas causadas pela queima do carvão, petróleo e gás produzido pela indústria de combustíveis fósseis é outro fator determinante para a ameaça à biodiversidade e ao meio ambiente.

O relatório, que consiste na primeira Avaliação Global sobre o estado atual da Terra em termos de biodiversidade e sanidade, aponta também o caminho a seguir: só uma rápida e profunda transformação do sistema económico, social e financeiro poderá salvar-nos do colapso dos ecossistemas e do Planta Terra.

Fotografia | Roberto Covirno

Fotografia | Roberto Covirno

O alerta é claro: ou mudamos rapidamente o nosso sistema económico para um sistema que não tenha como meta o crescimento sem limites, ou os males provocados pela poluição, pela destruição de habitats e pelas emissões de carbono serão irreversíveis e afetarão todas as formas de vida na Terra.

O presidente do IPBES, Robert Watson, refere, num comunicado, que é possível começar a conservar, restaurar e usar a Natureza de forma sustentável, mas só se as sociedades estiverem preparadas para enfrentar os “interesses instalados” que parecem comprometidos a manter tudo como está.

“O relatório também nos diz que não é tarde de mais para fazer a diferença, mas somente se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”, frisa Robert Watson. A transformação tem de passar necessariamente por uma reorganização de todo o sistema que nos governa, “através de fatores tecnológicos, económicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores”.

Em causa está uma nova forma de viver e estar no Planeta. E a mudança tem de começar imediatamente porque já perdemos demasiado tempo. Depois de décadas e décadas de alertas, dados, relatórios e estudos que apontam todos no mesmo sentido, agora, mais do que nunca, é urgente agir, e agir rapidamente.

Bosque.

Bosque.

O relatório em números: um alerta para a ação

 Cenário global

• 75%: ambiente terrestre “severamente alterado” até hoje por ações humanas (ambientes marinhos 66%);

• 47%: redução dos indicadores globais de extensão e condição ótimas dos ecossistemas, esses indicadores continuam a diminuir num valor de pelo menos 4% por década;

• 28%: área terrestre global mantida e/ou gerida por Povos Indígenas, incluindo 40% de áreas oficialmente protegidas e 37% de todas as áreas terrestres remanescentes com intervenção humana muito reduzida;

• +/- 60 biliões: toneladas de recursos renováveis e não renováveis extraídos globalmente a cada ano, quase 100% desde 1980;

• 15%: aumento do consumo global de materiais per capita desde 1980;

• > 85%: percentagem de zonas húmidas existentes em 1700 que desapareceram em 2000, a perda de zonas húmidas é atualmente três vezes mais rápida, em termos percentuais, do que a perda de floresta.

Corvo. Fotografia | Pedro Rego

Corvo. Fotografia | Pedro Rego

Espécies, Populações e Variedades de Plantas e Animais

• 8 milhões: número total estimado de espécies animais e vegetais na Terra (incluindo 5,5 milhões de espécies de insetos);

• Dez a centenas de vezes: a medida em que a taxa atual de extinção de espécies a nível mundial é maior em comparação com a média dos últimos 10 milhões de anos, e o aumento da taxa está a acelerar;

• Até 1 milhão: espécies ameaçadas de extinção, muitas poderão estar extintas em apenas algumas décadas;

• > 500 000 (+/- 9%): parte dos 5,9 milhões de espécies terrestres estimadas no mundo com habitat insuficiente para sobrevivência a longo prazo se não houver restauração de habitats;

• > 40%: espécies de anfíbios ameaçadas de extinção;

• Quase 33%: corais formadores de recifes, tubarões e outras espécies relacionadas ameaçados de extinção e > 33% de mamíferos marinhos em risco de desaparecer;

• 25%: proporção média de espécies ameaçadas de extinção nos grupos terrestres, de água doce e vertebrados marinhos, invertebrados e plantas que foram avaliadas com dados suficientes;

• Pelo menos 680: espécies de vertebrados extintos devido a ações humanas desde o século XVI;

• +/- 10%: estimativa preliminar da proporção de espécies de insetos ameaçadas de extinção;

• > 20%: declínio na abundância média de espécies nativas na maioria dos principais biomas terrestres, principalmente desde 1900;

• +/- 560 (+/- 10%): raças domesticadas de mamíferos que foram extintas em 2016, com pelo menos mais 1 000 ameaçadas;

• 3,5%: raças domesticadas de aves extinta até 2016;

• 70%: aumento desde 1970 no número de espécies exóticas invasoras em 21 países com registos detalhados;

• 30%: redução na integridade do habitat terrestre global causada pela perda de habitat e deterioração;

• 47%: proporção de mamíferos terrestres não voadores e 23% de aves ameaçadas cujas distribuições podem já ter sido afetadas negativamente pelas mudanças climáticas;

• > 6: espécies de ungulados que provavelmente estariam extintas ou a sobreviver apenas em cativeiro se, atualmente, não existissem medidas de conservação.

Bosque de carvalho-negral.

Bosque de carvalho-negral.

Florestas

• 45%: aumento da produção de madeira bruta desde 1970 (4 biliões de metros cúbicos em 2017);

• +/- 13 milhões: empregos na indústria florestal;

• 50%: expansão agrícola que ocorreu à custa da destruição de florestas;

• 50%: redução na taxa líquida de perda florestal desde os anos 90 (excluindo aqueles utilizados para extração de madeira ou agrícola);

• 68%: área florestal global atual comparada com o nível pré-industrial estimado;

• 7%: redução de florestas intactas (> 500 km2 sem pressão humana) de 2000-2013 em países desenvolvidos e em desenvolvimento;

• 290 milhões de hectares (+/- 6%): cobertura florestal nativa perdida de 1990-2015 devido ao desmatamento e extração de madeira;

• 110 milhões de hectares: aumento da área de florestas plantadas de 1990-2015;

• 10-15%: fornecimento global de madeira obtida pela silvicultura ilegal (até 50% em algumas áreas);

• > 2 biliões: pessoas que dependem de combustível de madeira para atender às suas necessidades de energia primária.

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Alterações climáticas

• 1 grau Celsius: diferença média de temperatura global em 2017, em comparação com os níveis pré-industriais, aumento de cerca de +/- 0,2 (+/- 0,1) graus Celsius por década;

• > 3 mm: aumento médio anual do nível do mar nas últimas duas décadas;

• 16-21 cm: aumento da média global do nível do mar desde 1900;

• aumento de 100% desde 1980 nas emissões de gases de efeito estufa, elevando a temperatura média global em pelo menos 0,7 graus Celsius;

• 40%: aumento da pegada de carbono do turismo (para 4,5 Gt de dióxido de carbono) de 2009 a 2013;

• 8%: das emissões totais de gases de efeito estufa são provenientes do transporte e do consumo de alimentos relacionados com o turismo;

• 5%: percentagem estimada de espécies em risco de extinção com um aumento da temperatura de 2°C, essa percentagem sobe para 16%, se a temperatura aumentar 4,3°C;

• Mesmo que o aquecimento global seja de apenas 1,5 a 2ºC, a maioria das populações de espécies terrestres deverá sofrer uma redução drástica.

Consulte o relatório em:

https://www.ipbes.net/news/Media-Release-Global-Assessment

https://www.ipbes.net/news/ipbes-global-assessment-summary-policymakers-pdf

Hoje assinala-se o Dia Europeu da Rede Natura 2000, o principal instrumento de conservação da Natureza e da Biodiversidade na UE

O Dia Europeu da Rede Natura 2000, o principal instrumento de conservação da Natureza e da Biodiversidade na União Europeia (UE), é assinalado esta terça-feira, 21 de maio.

Para comemorar esta data especial, a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai estar presente no Agrupamento de Escolas de Vimioso a desenvolver ações de educação ambiental para sensibilizar as novas gerações para a importância da preservação da Biodiversidade e da Natureza, sobretudo numa altura em que a degradação dos habitats e a extinção de espécies avançam a uma velocidade extremamente preocupante à escala europeia e planetária.

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

As intervenções que cada um de nós, em nome individual ou coletivo, faz em prol da conservação da Natureza e da Biodiversidade são contributos essenciais que geram benefícios não só localmente, como globalmente. São ações cruciais e estratégicas para evitar a extinção de espécies, para a sustentabilidade dos ecossistemas e para o desenvolvimento saudável das sociedades.

No âmbito da sua missão de promover a conservação da Natureza, a Palombar desenvolve e/ou participa em vários projetos cujos territórios de intervenção estão abrangidos pela Rede Natura 2000, nomeadamente o ConnectNatura, o Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável e o Life Rupis.

Britango e grifo.

Britango e grifo.

Projetos e ações da Palombar em território da Rede Natura 2000

ConnectNatura

O “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000” é um projeto da Palombar que tem como objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). 

Grupo Nordeste

O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável é constituído pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, pela APFNT - Associação dos Produtores Florestais do Nordeste Transmontano e pela Palombar e pretende dar vida a um modelo de intervenção que, unindo a conservação da Natureza à agricultura e à exploração florestal sustentável, promova o envolvimento das comunidades locais e dinamize o desenvolvimento integrado do espaço rural nos vales dos rios Sabor e Maçãs, que estão inseridos na ZPE Rios Sabor e Maças. 

Life Rupis

O 'Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’ é um projeto de conservação transfronteiriço, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto Life Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar, a Associação Transumância e Natureza (ATNatureza), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

O que é a Rede Natura 2000?

A Rede ecológica Natura 2000 da União Europeia é a maior rede de áreas protegidas do mundo. A Rede Natura 2000 resulta da aplicação da Diretiva Aves (de 1979 e depois alterada e atualizada em 2009) e da Diretiva Habitats, de 1992.

Estas Diretivas têm, no geral, como objetivo assegurar a conservação, a longo prazo, das espécies selvagens de fauna e flora e dos habitats mais ameaçados da Europa, contribuindo para travar a perda de Biodiversidade. A Rede Natura 2000 constitui o principal instrumento para a promoção da conservação da Natureza e da Biodiversidade na União Europeia.

Esta Rede também deve permitir alcançar os objetivos estabelecidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica, aprovada na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, no Brasil, em 1992.

Milhafre-real. Fotografia | Pedro Rego

Milhafre-real. Fotografia | Pedro Rego

Como é constituída a Rede Natura 2000?

A Rede Natura 2000 é composta por:

Zonas de Proteção Especial (ZPE) - estabelecidas ao abrigo da Diretiva Aves, têm como principal objetivo garantir a conservação das espécies de aves, e dos seus habitats, listadas no seu Anexo I, e das espécies de aves migratórias não referidas no Anexo I e cuja ocorrência seja regular no território europeu;

Zonas Especiais de Conservação (ZEC) - criadas ao abrigo da Diretiva Habitats, visa contribuir para assegurar a Biodiversidade, através da conservação dos habitats naturais (Anexo I) e dos habitats de espécies da flora e da fauna selvagens (Anexo II), considerados ameaçados no espaço da União Europeia.

Sítio de Importância Comunitária (SIC) - é definido pela Diretiva Habitats como um sítio que, na região ou regiões biogeográficas a que pertence, contribui de forma significativa para a manutenção ou recuperação de um estado de conservação favorável de um tipo de habitat natural ou de uma espécie, podendo também promover a coesão da Rede Natura 2000 e/ou a manutenção da biodiversidade nessa região ou regiões.

Nas áreas definidas como ZPE, ZEC e SIC de conservação de determinados habitats e espécies, as atividades humanas deverão ser compatíveis com a preservação da biodiversidade, visando uma gestão sustentável do ponto de vista ecológico, económico e social.

Para assegurar essa compatibilização, é necessário promover uma articulação da política de conservação da Natureza com as restantes políticas setoriais, nomeadamente, agrossilvopastoril, turística ou de obras públicas, com vista a encontrar os mecanismos para que os espaços incluídos na Rede Natura 2000 sejam espaços vividos e geridos de uma forma sustentável.

Barómetro Natura 2000: acompanhe a evolução da Rede

O barómetro Natura 2000 foi criado para informar a comunidade sobre a evolução da implementação desta rede.

O barómetro fornece uma visão geral da rede Natura 2000 e das zonas abrangidas pelas Diretivas Aves e Habitats, apresentado informação sobre as áreas e o número de locais classificados.

Grifo encaminhado para recuperação pela Palombar é devolvido à Natureza em Torre de Moncorvo

Um grifo (Gyps fulvus) encontrado ferido no campo no concelho de Mogadouro pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no dia 21 de março, e encaminhado para recuperação no Centro de Interpretação Ambiental e de Recuperação Animal (CIARA), em Felgar (Torre de Moncorvo), foi devolvido à Natureza esta segunda-feira, 13 de maio, no âmbito de atividades de comemoração do segundo aniversário do CIARA.

O animal, que esteve quase dois meses em processo de recuperação, voltou a abraçar a liberdade, tendo sido libertado pelos técnicos do CIARA numa zona próxima à Capela de São Lourenço, em Felgar, numa iniciativa que contou com a participação de dezenas de crianças que assistiram à libertação do animal.

Em Portugal, esta espécie está classificada como “Quase Ameaçada”. A utilização de iscos envenenados, a redução da disponibilidade de alimentos, a diminuição do aproveitamento pecuário extensivo, a perturbação humana, a eletrocussão, a degradação dos habitats, a perseguição humana e a instalação de parques eólicos são as principais ameaças para esta espécie.

O grifo é uma das espécies alvo de conservação do projeto ConnectNatura da Palombar. O “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000” tem como objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Saiba mais em www.connectnatura.pt.

Grupo Nordeste participa nas comemorações do 2.º aniversário do CIARA com jogo didático sobre a cadeia trófica

O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável, que integra a Palombar, também marcou presença nas atividades de comemoração do 2.º aniversário do CIARA, com a apresentação de um jogo didático sobre a cadeia trófica.

Durante este jogo, os participantes foram convidados a representar um ser vivo inserido numa das seguintes categorias: produtores, decompositores, consumidores primários, secundário ou finais.

A seguir, foram criadas ligações com fios entre os diferentes seres vivos, criando uma teia para que se percebesse de que forma estamos todos interligados e conectados, direta ou indiretamente.

Posteriormente, os participantes introduziram elementos que afetavam o equilíbrio dos ecossistemas e que iam quebrando as ligações existentes. O objetivo era fazer com que estes percebessem que, ao interferir no equilíbrio dos ecossistemas, todos ficam prejudicados. O jogo terminou com uma reflexão sobre os impactos das ações humanas nos ecossistemas e sobre as medidas que podem ser adotadas para minimizar ou anular esses impactos.

55.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional junta voluntários, gerações, culturas e saberes em prol da conservação do património rural de aldeia transmontana   

Recuperar o património rural construído é uma das missões da Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural. As construções típicas dos territórios rurais transmontanos, onde a pedra assume um papel central, têm sido alvo de várias intervenções de restauro por parte da associação, principalmente no âmbito dos seus Campos de Trabalho Voluntário Internacionais (CTVI).

Entre os dias 22 de abril e 3 de maio, a Palombar, em parceria com a União das Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, o Município de Vimioso e a associação francesa Union Rempart, organizou o seu 55.º CTVI, em Vale de Algoso, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança, que teve como objetivo recuperar uma zona de muros de pedra que delimitam uma horta localizada no centro da aldeia e um bebedouro comunitário, com recurso à técnica tradicional de construção em pedra seca.

Neste CTVI, participaram cinco voluntários/as, dos quais quatro de nacionalidade francesa e uma de nacionalidade portuguesa, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, os quais foram acompanhados no terreno pela equipa de monitores da Palombar. Os voluntários franceses foram encaminhados para participar neste CTVI através de uma colaboração de décadas realizada com a associação Rempart. Os trabalhos de recuperação do património rural foram orientados pelo formador Nuno Martins.

Os CTVI são organizados de modo a envolver de forma ativa a comunidade local, a qual é fonte de conhecimento e cujo contributo é essencial para a concretização dos trabalhos desenvolvidos no âmbito dos campos de trabalho para recuperação do património.

Fomentamos, desta forma, a valorização do património rural por via da cidadania ativa, de modo a promover a aprendizagem de técnicas de construção tradicional, neste caso, a técnica de construção em pedra seca. Proporcionamos também a criação de espaços e momentos de partilha marcados pelo intercâmbio multicultural e intergeracional que dão vida à aldeia.

Um desses momentos foi o Jantar Comunitário, que decorreu no dia 27 de abril e que contou com a participação de cerca de 40 pessoas. A realização deste jantar não teria sido possível sem o envolvimento e a contribuição exemplar e fundamental da comunidade local e o apoio da União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva.

A Palombar faz uma agradecimento especial a toda a comunidade de Vale de Algoso, bem como à com a União das Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, pela recetividade e pela participação neste CTVI. O seu envolvimento criou uma dinâmica e um ambiente únicos, através da partilha de saberes, experiências e conhecimento sobre o património da aldeia.

Agradecemos igualmente o grupo de alunos da Escola de Música da Associação Lérias que também marcou presença em Vale de Algoso neste CTVI e encantou os voluntários e a comunidade com o som e a melodia da gaita de foles e do bombo, proporcionando momentos de música, dança e convívio. A musicalidade da gaita e a batida do bombo marcaram o final deste campo de trabalho, que uniu gerações, culturas, saberes e ofícios em prol da conservação do património rural e também cultural e humano do nordeste transmontano.

ICNF confirma presença de urso-pardo no Parque Natural de Montesinho

A presença de um urso-pardo (Ursus arctos) dispersante no Parque Natural de Montesinho (PNM), no distrito de Bragança, foi confirmada esta quarta-feira, 8 de maio, pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) no seu site oficial.

Urso-pardo | Fotografia APG

Urso-pardo | Fotografia APG

Segundo indica o ICNF, "pelo menos um indivíduo dispersante da população do Norte de Espanha, muito provavelmente oriundo da subpopulação ocidental da Cordilheira Cantábrica" tem sido avistado e monitorizado no PNM pelo instituto.

"Em Espanha, nas últimas duas décadas, foram registados movimentos de indivíduos em áreas próximas do distrito de Bragança, em concreto do PNM. Estas incursões dizem respeito a machos jovens em dispersão em torno das populações estáveis existentes a norte, na Cordilheira Cantábrica", explica o ICNF.

O ICNF refere ainda que "está, em articulação com as autoridades homólogas de Espanha, a acompanhar neste território de fronteira a presença deste indivíduo".

Atualmente, o urso-pardo está dado como extinto no território nacional. Os últimos registos que evidenciam a presença desta espécie em Portugal são do séc. XVIII até finais do séc. XIX. O último exemplar da espécie de que havia registo até agora fora abatido na Serra do Gerês, em 1843.

Sobre o urso-pardo

O urso-pardo mede entre 1,5 e 2,0 metros e tem cerca de 8 a 10 cm de cauda, que está oculta sob o pêlo. A sua pelagem é de cor pardo-clara até quase ao negro e as crias exibem, por vezes, uma espécie de colarinho branco.

Regista atividade diurna e noturna. É um animal solitário, mas sociável para com os seus congéneres, se o alimento for abundante. A fêmea tem as crias no interior da gruta onde hiberna. A gestação dura entre 6 a 7 meses e, normalmente, nascem entre 2 a 3 crias. Estas nascem surdas e cegas e durante 2 anos são acompanhadas pela progenitora.

É uma espécie omnívara, come bagas, frutos, raízes, caules, rebentos, mel, formigas, larvas, entre outros alimentos.

Diretiva Aves: 40 anos a assegurar que milhares de aves selvagens continuam a voar nos céus da Europa

Uma águia-real (Aquila chrysaetos) no Parque Natural do Douro Internacional, um milhafre-preto (Milvus migrans) no Baixo Mondego, uma águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) no Tejo, uma cegonha-preta (Ciconia nigra) no Alentejo, uma laverca (Alauda arvensis) no campo... Já teve a oportunidade de ver algumas destas aves? Estas e muitas outras espécies de avifauna da Europa poderiam estar extintas no espaço europeu se, há 40 anos, não tivesse sido criada a Diretiva Aves pela então Comunidade Económica Europeia (CEE), no dia 2 de abril de 1979.

Águia-real

Águia-real

A Diretiva Aves é uma das primeiras leis ambientais da Europa e protege mais de 500 espécies de aves. Esta Diretiva é tão relevante hoje como em 1979, quando os Estados-membros da CEE se reuniram para enfrentar o declínio acentuado das populações de aves selvagens na Europa.

Foi graças a este documento comunitário de caráter transfronteiriço que foi possível criar legislação comunitária transposta para as legislações nacionais dos Estados-membros da atual União Europeia (UE), bem como um conjunto de medidas e projetos para proteger e conservar as aves selvagens que habitam no território europeu.

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural congratula-se com as comemorações dos 40 anos da Diretiva Aves, um documento que, desde a sua criação, representa uma ferramenta-chave fulcral para assegurar a proteção de todas as espécies de avifauna que tem o território europeu como o seu habitat.

“Numa altura em que a extinção de espécies no Planeta Terra avança a uma velocidade extremamente preocupante, a existência de Diretivas como esta torna-se fundamental para garantir que, no contexto europeu, as espécies de avifauna selvagem estejam protegidas e que há um esforço conjunto e concertado para reduzir os fatores de ameaça que colocam em causa a sua existência, com o propósito de assegurar que milhares de espécies de aves continuem a voar nos céus da Europa, em total liberdade e com segurança”, sublinha o presidente da Palombar, José Pereira.

O que é e para que serve a Diretiva Aves?

A Diretiva Aves de 1979 (Diretiva 79/409/CEE) foi revogada e atualizada em 2009 pela Diretiva 2009/47/CE do Parlamento e do Conselho europeus.

Esta diretiva diz respeito à conservação de todas as espécies de aves que vivem naturalmente em estado selvagem no território europeu dos Estados-membros. Tem por objetivo a proteção, a gestão e o controlo dessas espécies e regula a sua exploração.

Para a concretização deste objetivo, cada um dos Estados-membros fica obrigado a adotar as medidas necessárias para garantir a proteção das populações selvagens das várias espécies de aves no seu território da UE, estabelecendo um regime geral para a sua proteção e gestão.

Milhafre-real

Milhafre-real

“Esta Diretiva, que se aplica tanto às aves como aos seus habitats, ovos e ninhos, impõe a necessidade de proteger áreas suficientemente vastas de cada um dos diferentes habitats utilizados pelas diversas espécies, regulamenta o comércio de aves selvagens, limita a atividade da caça a um conjunto de espécies e em determinadas condições e períodos e proíbe certos métodos de captura e abate”, explica o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O documento inclui ainda uma lista com espécies de aves que, conjuntamente com as espécies migradoras de ocorrência regular, requerem a designação de Zonas de Proteção Especial (ZPE), isto é, as espécies para as quais cada Estado-membro da UE deverá classificar as extensões e os habitats do seu território que se revelem de maior importância para a sua conservação (Anexo 1).

Graças à Diretiva Aves, existem, atualmente, mais de 5 650 ZPE para aves, cobrindo mais de 843 000 km2 de terra e mares da UE. As ZPE integram a rede ecológica Natura 2000 da UE, a maior rede de áreas protegidas do mundo.

Esta Diretiva reconhece também a importância de implementar atividades humanas sustentáveis, como a caça, a pesca e a agricultura, coexistindo com a Natureza em terras privadas e públicas. A Diretiva ajudou igualmente a aumentar o conhecimento sobre as aves selvagens e os seus habitats, o que constituiu a base para ações orientadas para a sua conservação, incluindo através de projetos LIFE da UE, como o LIFE Rupis (www.rupis.pt), do qual a Palombar é parceira, e de outros fundos.

A Diretiva Aves ajuda ainda a cumprir os compromissos internacionais da UE para proteger as aves migratórias. Como muitas espécies de aves passam parte das suas vidas fora da Europa, é essencial trabalhar com outros países abrangidos pelas suas rotas migratórias para garantir a existência de populações saudáveis de várias espécies de aves.

É preciso continuar os esforços de conservação

“Apesar do progresso já alcançado, as populações de aves selvagens da UE enfrentam ainda sérias pressões. Segundo os últimos estudos científicos, apenas 52% das espécies de aves da Europa possuem hoje um estatuto de conservação seguro. Há uma necessidade de assegurar uma maior proteção das aves que dependem de territórios campestres e rurais”, afirma a Comissão Europeia (CE) num comunicado.  

“As práticas agrícolas insustentáveis levaram a um declínio preocupante das aves terrestres, cujos números caíram cerca de 50% desde 1980. Portanto, é necessário mais trabalho para integrar melhor os requisitos de proteção das aves nas práticas agrícolas para conservar espécies importantes como a laverca (Alauda arvensis) e a perdiz-cinzenta (Perdix perdix)”, sublinha ainda a CE.

Britango

Britango

Descubra as ZPE da região de Trás-os-Montes e Alto Douro e as principais aves que nelas poderá encontrar

 ZPE Montesinho/Nogueira

 Abrange os concelhos de Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros e Vinhais. Mais de metade da área do Parque Natural de Montesinho está inserida nesta ZPE.

 Apresenta uma grande variedade de ecossistemas e mosaico de habitats. A sua diversidade natural foi mantida ou beneficiada pela agricultura de montanha, baseada na exploração pecuária extensiva de ovinos e bovinos, que normalmente tem contribuído para a manutenção dos valores naturais existentes.

A ZPE Montesinho/Nogueira tem uma especificidade que se caracteriza pelo contacto entre várias comunidades de avifauna e pelo bom estado de conservação dos seus ecossistemas.

Esta ZPE contribui significativamente para a manutenção de populações viáveis em Portugal, com o carácter de nidificantes, das seguintes espécies: águia-real (Aquila chrysaetos), tartaranhão-azulado (Circus cyaneus), cotovia-comum (Alauda arvenses), petinha-das-árvores (Anthus trivialis), melro-de-água (Cinclus cinclus), rabirruivo-de-testa-branca (Phoenichuros phoenichuros), chasco-comum (Oenanthe oenanthe), melro-das-rochas (Monticola saxatilis), tordo-comum (Turdus philomelos), felosa-de-Bonelli (Phylloscopus bonelli), picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio), dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula) e sombria (Emberiza hortulana).

ZPE Rios Sabor e Maçãs

Envolve os concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vimioso.

Os vales encaixados do Rio Sabor e dos seus principais afluentes (Maçãs e Angueira) marcam fortemente a paisagem desta ZPE. Apresenta relevo montanhoso e troços de vales de diferentes declives. Possui uma grande diversidade de vegetação e tipos de ocupação humana.

As características naturais destes vales, aliada às dificuldades de acesso e à distância a que se situam em relação às zonas urbanas, proporcionam as condições necessárias à nidificação de aves rupícolas, como o britango (Neophron percnopterus), a águia-real (Aquila chrysaetos) e o bufo-real (Bubo bubo). Esta ZPE possui também um dos mais significativos núcleos de águia-perdigueira (Aquila fasciata) nidificantes.

Espécies como a cegonha-preta (Ciconia nigra), melro-de-água (Cinclus cinclus), chasco-preto (Oenanthe leucura), melro-azul (Monticola solitarius), toutinegra-real (Sylvia hortensis) também podem ser vistas nesta ZPE, entre muitas outras.

ZPE Douro Internacional e Vale do Águeda

Integra os concelhos de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa. Grande parte (90%) do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) está abrangido por esta ZPE.

Possui terrenos e paisagens que acompanham os percursos fronteiriços dos rios Douro e Águeda. Os vales escarpados e arribas são a principal característica do relevo desta zona, onde também existem planaltos, cerros montanhosos e encostas suaves. Apresenta uma grande diversidade de formações vegetais.

A existência de arribas e planaltos, bem como a predominância da atividade agropecuária fazem com que esta zona seja particularmente favorável à ocorrência de aves rupícolas, como a águia-perdigueira (Aquila fasciata), o britango (Neophron percnopterus) e o grifo (Gyps fulvus), que beneficiam destas características únicas. Esta ZPE, juntamente com a sua área gémea em Espanha, a ZEPA Arribes del Duero, constituem um dos principais santuários para estas aves no continente Europeu.

Esta área é também muito importante para diversas aves estepárias, entre as quais o alcaravão e o sisão; para as aves de rapina florestais, como o milhafre-real (Milvus milvus), águia-calçada (Aquila pennata) e águia-cobreira (Circaetus gallicus), e para os passeriformes florestais ou dependentes dos matos, como a toutinegra-tomilheira (Sylvia conspicillata), a toutinegra-de-bigodes (Sylvis cantillans) e a toutinegra-real (Sylvia hortensis).

ZPE Vale do Côa

Engloba os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo, Meda, Pinhel e Vila Nova de Foz Côa. Regista um relevo montanhoso marcado pela bacia do troço terminal do Rio Côa, parcialmente inserida na região do Douro Vinhateiro. A paisagem desta ZPE caracteriza-se sobretudo pelas encostas rochosas e escarpadas que se estendem ao longo dos rios Côa e Massueime.

Apesar de constituir uma zona maioritariamente desprovida de vegetação natural, há vários enclaves de matos diversos, assim como sobreirais, azinhais e zimbrais. É uma zona predominantemente rural.

Constitui uma área importante para a avifauna rupícola, sendo de destacar a população nidificante de britango (Neophron percnopterus), que corresponde a um dos mais significativos núcleos do nosso país e também para o chasco-preto (Oenanthe leucura), que é frequente nas zonas mais áridas desta ZPE.

A área assume igualmente relevância para a águia-real (Aquila chrysaetos), grifo (Gyps fulvus) e a águia-perdigueira (Aquila fasciata). A grande extensão de matos proporciona ainda a ocorrência e uma certa abundância de diversos passeriformes como a toutinegra-tomilheira (Sylvia canspicillata), a toutinegra-de-bigodes (Sylvia cantillans) e a toutinegra-dos-valados (Sylvia melanocephala), entre outras espécies.

Projeto ‘Junto à Terra’ alarga atividades ao Vale do Tua e sensibiliza novas gerações a valorizar e preservar a Biodiversidade dos seus territórios

As atividades de campo da 3.ª edição do projeto ‘Junto à Terra’ (JaT) no território do Baixo Sabor (JaT Sabor) arrancaram no dia 19 de março, em Macedo de Cavaleiros, com uma visita de alunos/as do 8.º ano de escolaridade ao Geossítio Gnaisses de Lagoa, localizado na margem direita do Rio Sabor, muito próximo da aldeia de Lagoa. O ciclo de atividades de campo do JaT Sabor irá decorrer ainda nos dias 3 de abril, em Alfândega da Fé; 4 de abril, em Mogadouro, e 5 de abril, em Torre de Moncorvo.

Oficina Palombar JaT Sabor

Oficina Palombar JaT Sabor

Neste ano letivo 2018/2019, o projeto JaT alargou a sua área de intervenção, e realiza também, pela primeira vez, atividades no território do Foz Tua (JaT Tua), nos cinco concelhos por ele abrangidos, durante os meses de março e abril, nomeadamente nos dias 25, 26 e 27 de março, em Mirandela; 28 de março, em Carrazeda de Ansiães; 29 de março, em Vila Flor; 1 de abril, em Murça, e 2 de abril, em Alijó.

No âmbito das atividades de campo do JaT, estão envolvidas várias entidades locais, com uma ação territorial abrangente nos concelhos mencionados, promovendo, desta forma, o contacto direto daqueles jovens com profissionais de diferentes áreas de especialização e que trabalham para a proteção e conservação da biodiversidade nesses territórios.  Esta interação pretende também promover a orientação destes jovens e futuros profissionais para o desenvolvimento de atividades económicas que visem a valorização desses recursos, numa perspetiva que assegure a sua sustentabilidade, conservação, proteção e fomento.

O JaT Sabor e o JaT Tua contam, na implementação das suas componentes práticas, que estão inseridas num projeto mais abrangente de educação ambiental promovido pela EDP e que decorre durante todo o ano letivo, com a parceria de várias entidades, entre as quais a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a APFNT – Associação de Produtores Florestais do Nordeste Transmontano, o Grupo Lobo – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema, a Associação GeoPark Terras de Cavaleiros,  a Zasnet - Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, o SEPNA-GNR – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana, o PNRVT – Parque Natural Regional do Vale do Tua, o Grupo Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável, a Silvidouro – Associação Agro-Florestal, a Aflodounorte - Associação Florestal do Vale do Douro Norte e o IPB-CIMO – Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança.

Kit Junto à Terra

Kit Junto à Terra

Cada uma das entidades mencionadas é responsável por uma Oficina dinamizada durante os vários dias de atividades de campo com os/as alunos/as. As várias entidades trabalham, junto da comunidade escolar, temas bastante diversificados, escolhidos tendo em conta as especificidades de cada território, que estão inseridos nas Oficinas de campo.

 No Jat Sabor, os temas das Oficinas são:

Oficina 1 - "Pastorícia e Biodiversidade"  | Promotor: AEPGA

Oficina 2 - "Biodiversidade Florestal" | Promotor: APFNT

Oficina 3 - "Os Minerais e a Biodiversidade" | Promotor: GeoPark Terras de Cavaleiros

Oficina 4 - "À Descoberta do Lobo" | Promotor: Grupo Lobo

Oficina 5 - "Biodiversidade Agrícola e Selvagem" | Promotor: Palombar

Oficina 6 - "Proteção da Natureza e do Ambiente" | Promotor: GNR - SEPNA

Oficina 7 - "Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica" | Promotor: ZASNET

 Já as Oficinas do JaT Tua são dedicadas aos seguintes temas:

Oficina 1 - "A avifauna do Vale do Tua"  | Promotor: Grupo Nordeste

Oficina 2 - "As náiades do Tua e a biodiversidade de rios" | Promotor: IPB-CIMO

Oficina 3 - "Morcegos no Vale do Tua" | Promotor: PNRVT

Oficina 4 - "Proteção da Natureza e do Ambiente" | Promotor: GNR - SEPNA

Oficina 5 - "Microrreservas e Habitats" | Promotor: Silvidouro/Aflodounorte

Oficina 6 - "Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica" | Promotor: ZASNET

Oficina Grupo Nordeste Jat Tua

Oficina Grupo Nordeste Jat Tua

Durante as oficinas, os jovens participantes recebem um kit composto por um saco de pano, um “Passaporte”, uma t-shirt e uma caneca.  O “Passaporte JaT Sabor” e o “Passaporte JaT Tua” são cadernos didáticos com conteúdos de educação ambiental que são também um guia para as Oficinas temáticas integradas nas atividades de campo, com uma componente vincada na valorização do território, e fomentando uma cultura cívica que considere o ordenamento do território e a conservação e respeito pelo património - natural, paisagístico e cultural - que nos permita viver em harmonia e conscientes sobre os limites do Planeta, incluindo a adaptação às alterações climáticas.

A componente prática do projeto JaT pretende sensibilizar as novas gerações, através da realização de atividades junto à terra, ou seja, in loco, para a importância do seu contexto ecológico e ambiental, bem como dos recursos e património naturais. O grande objetivo é ensinar os mais novos a valorizar e a preservar a Natureza e a Biodiversidade dos territórios onde vivem.

Oficina Grupo Nordeste Jat Tua

Oficina Grupo Nordeste Jat Tua

José Pereira, presidente da Palombar e membro da direção do Grupo Nordeste, sublinha a importância deste projeto para “potenciar, num futuro próximo, a fixação destes jovens no seu território e incutir-lhes um olhar diferenciador sobre os recursos endógenos e o seu potencial como motor do desenvolvimento regional e rural, desenvolvimento este baseado em conceitos de sustentabilidade mais amplos que integrem a vertente ambiental, mas que considerem também as vertentes económica, social e cultural, numa perspetiva de manutenção do desenvolvimento e dos padrões de vida atuais e da sua necessária evolução com maior responsabilidade, ética e eficiência”.

Nuno Portal, diretor de sustentabilidade da EDP Produção, manifestou estar “muito satisfeito com a aceitação do Junto à Terra pela comunidade escolar” e “acredita que os jovens, depois de beneficiarem destas iniciativas, passam a valorizar o seu património natural como fator de desenvolvimento socioeconómico e, assim, a compreender a necessidade de respeitar e proteger este valor endógeno”.

O JaT Sabor é dirigido a alunos/as do 8.º ano de escolaridade dos Agrupamentos Escolares dos concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Torre de Moncorvo. Já o JaT Tua é direcionado para alunos/as do 8.º ano de escolaridade dos Agrupamentos Escolares dos concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor, e ainda a alunos/as da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais e da ESPROARTE – Escola Profissional de Arte de Mirandela.

A rede de parceiros, além dos agrupamentos escolares e escolas profissionais, estende-se ainda a todos os Municípios abrangidos pelo projeto, bem como à Associação de Municípios do Baixo Sabor.

Vale do Sabor

Vale do Sabor

O projeto Jat

O JaT é um projeto de educação ambiental dirigido para a Comunidade Escolar, “onde a importância da biodiversidade é comunicada numa linha concetual que parte do pensamento global para a ação local. É um processo que procura criar, nos jovens, uma abordagem de Sustentabilidade feita de atitudes, de mudança comportamental e de uma (re)valorização do território por força do contributo do património natural e dos serviços dos ecossistemas para a economia local e bem-estar da sua comunidade e população em geral”, explica Rui Manuel Rodrigues Lopes Teixeira, do Conselho de Administração Executivo da EDP.

O JaT nasceu da estratégia definida pela EDP para mitigar o impacte na biodiversidade decorrente dos aproveitamentos hidroelétricos do Baixo Sabor e Foz Tua. Assume-se como o instrumento de envolvimento da comunidade local capaz de trazer o Homem e a atividade humana à equação da conservação da natureza e da biodiversidade. Pois o sucesso das medidas compensatórias, como esforço de mitigação de impacte de médio-longo prazo, depende da capacidade de inverter uma tendência natural de degradação ambiental e perda de biodiversidade nestes territórios, provocada em grande parte pelo êxodo rural e do decorrente abandono das atividades agro-silvo-pastoris tradicionais.

“O JaT, enquanto projeto de educação ambiental, diferencia-se pelo alinhamento estratégico transversal e de médio-longo prazo, de opção pela Capacitação como fator de retenção do Capital Humano no território, pelo envolvimento e liderança local ativa e pela abordagem bottom-up construída no fórum de participação da rede de parceiros locais envolvidos”, destaca a EDP.

O JaT é uma ferramenta de educação para a sustentabilidade que pretende contribuir para a construção de um perfil de competências nos jovens, assente na valorização do território e na riqueza do património natural como fator de desenvolvimento socioeconómico.

Um perfil que contrarie a tendência natural de degradação ambiental e de perda de biodiversidade verificada nestes territórios do interior, provocada, em grande parte, pelo êxodo rural e pelo consequente abandono das atividades agro-silvo-pastoris tradicionais.

O JaT é, desta forma, um processo que procura criar, nos jovens, uma abordagem de Sustentabilidade feita de atitudes, de mudança comportamental e de uma (re)valorização do território por força do contributo do património natural e dos serviços dos ecossistemas para a economia local e bem-estar da sua comunidade e população em geral.

O JaT teve a sua fase piloto no território do Baixo Sabor (JaT Sabor), onde, ao longo dos anos letivos 2016/2017 e 2017/2018, foi construído, testado e maturado em todas as ações didático-pedagógicas das três vertentes/etapas (prática, teórica e patilha), num envolvimento ativo de todos os parceiros de projeto (escolas, autarquias, e outras organizações públicas, privadas ou da sociedade civil). No corrente ano letivo, 2018/2019, para além de ser a sua 3.ª edição no território do Baixo Sabor, é a 1.ª edição na expansão para o território do Foz Tua (JaT Tua).

Território do Vale do Sabor

Território do Vale do Sabor

As atividades do Jat

 As atividades do Jat estão organizadas em três etapas que, percorridas sequencialmente, fecham um ciclo anual, coincidente com um ano letivo: Etapa I -componente teórica; Etapa II - componente prática e Etapa III – componente partilha.

A atividade da Componente Teórica decorre numa dinâmica ensino-aprendizagem em modo e-learning e em contexto de sala de aula, com recurso a uma ferramenta eletrónica didático-pedagógicas (site e e-learning) construída para o efeito, disponibilizada em juntoaterra.edp.pt. Estes conteúdos estão configurados para serem acedidos via computador ou via dispositivos móveis.

A Componente Prática, por sua vez, tem como objetivo levar os/as alunos/as para um contexto de campo próximo dos valores naturais do seu território e, através do contacto direto com as particularidades e os conhecimentos da biodiversidade local, transmitir-lhes todo o potencial valor socioeconómico associado e a importância que representa para o desenvolvimento das comunidades locais. Através de oficinas temáticas, e tendo como “guia” o “Passaporte JaT”, os/as alunos/as percebem a biodiversidade que lhes pertence, que lhes é útil e que deve ser protegida como legado das gerações futuras.

Para além das atividades de campo, a componente prática prevê ainda atividades de desenvolvimento de competências técnicas e pessoais nos/as alunos/as, indutoras e facilitadoras da execução do trabalho final, um vídeo, candidato a um concurso e prémio.

Cada ciclo anual do projeto JaT termina com a atividade ‘Partilha’, designada por ‘Workshop Final JaT’. Esta etapa procura gerar uma dinâmica de intercâmbio entre os/as alunos/as dos diferentes agrupamentos e os demais parceiros de projeto. É neste contexto que os trabalhos da lista final, selecionados pela votação do público, são apreciados por um júri independente constituído para o efeito.

Este é o momento onde os/as alunos/as autores dos trabalhos têm oportunidade de apresentar os seus trabalhos ao júri e ao restante público para, no final, serem anunciados os 3 vencedores premiados.

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Palombar enriquece formação na área do voluntariado dedicado à conservação do património

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural participou, entre os dias 10 e 16 de março, na formação internacional 'Erasmus Heritage Leaders Training', que decorreu em Villandraut, em França, organizada pela Union Rempart, no âmbito do programa Erasmus +, e que teve como entidade de acolhimento a Associação Adichats.

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Esta foi uma semana dedicada à partilha de conhecimentos e de boas práticas na área da conservação do património construído em vários países da Europa que envolve voluntários/as. A participação da Palombar nesta ação de formação internacional teve como objetivo enriquecer as competências e otimizar os procedimentos da associação na área do voluntariado dedicado à conservação do património rural edificado.  

A associação francesa Union Rempart é parceira da Palombar na área do voluntariado em prol da conservação do património construído, nomeadamente na realização dos Campos de Trabalho Voluntário Internacionais (CTVI), acolhimento e acompanhamento de voluntários do Serviço Cívico Francês, participação em formações e intercâmbios internacionais no âmbito da preservação do património e ainda em outras ações no Programa Erasmus +.

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Durante a formação, estiveram presentes participantes de várias nacionalidades, como Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Bulgária, Roménia, Croácia, entre outras.

Esta formação, financiada pelo Programa Erasmus + da União Europeia, teve como principais objetivos promover a capacitação de jovens e melhorar as ações de voluntariado no âmbito de projetos de restauro do património; partilhar as melhores práticas e recursos sobre como gerir um projeto de conservação e restauro do património com voluntários; desenvolver estratégias e guidelines que serão implementadas por organizações sem fins lucrativos com o objetivo de promover a preservação do património de países europeus; garantir que os responsáveis por projetos de gestão de voluntariado e património ganhem e desenvolvam o conhecimento e as habilidades necessárias para planear e implementar ações de conservação do património junto das comunidades e a nível individual, bem como para receber apoios institucionais locais e nacionais; contribuir para estabelecer práticas e padrões comuns para os participantes aplicarem, a nível local e organizacional, o processo de capacitação e disseminar o impacto e o alcance dos projetos e ainda promover novas parcerias entre organizações de voluntariado europeias semelhantes.

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Esta foi, "sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora que possibilitará uma crescente melhoria da ação da nossa associação a esse nível, permitindo dotar a equipa da Palombar de novas ferramentas de trabalho e de gestão. Com uma componente teórica e prática, esta formação foi muito interativa, baseando-se em metodologias de educação não formal, permitindo uma aprendizagem sólida que se inicia nos conhecimentos que os e as participantes já têm acerca dos temas em debate", sublinhou Gaëlle Carvalho, responsável pela gestão de projetos e recursos na área do voluntariado na Palombar.

"Para além de uma oportunidade de melhorar os nossos conhecimentos e práticas, esta ação permitiu estabelecer novos laços com entidades que desenvolvem um trabalho semelhante ao nosso no resto da europa, bem como estreitar relações com associações com as quais a Palombar tem vindo a desenvolver um trabalho de parceria e/ou com as quais participou em projetos conjuntos em anos anteriores", conclui.

Ninho artificial atrai abutres ameaçados para o Douro Internacional em tempo record

Um dos ninhos artificiais instalados no Douro Internacional em janeiro deste ano já tem ocupantes: um casal de abutres-pretos (Aegypius monachus ). Os ninhos foram instalados no âmbito do projeto Life Rupis, do qual a Palombar é parceira, uma vez que o incêndio que devastou a região de Lagoaça em 2017 destruiu o ninho do casal já existente, bem como muitas das árvores altas com boas condições para estas aves fazerem o ninho.

O casal de abutres-pretos que se instalou agora num destes ninhos artificiais duplica o número de pares reprodutores no Parque Natural do Douro Internacional, reforçando as probabilidades de instalação, no nordeste de Portugal, de uma nova colónia desta espécie globalmente ameaçada, destaca a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), num comunicado.

Abutre-preto

Abutre-preto

“O facto de este ninho ter sido ocupado tão rapidamente mostra a importância de providenciar locais seguros onde estas aves ameaçadas possam fazer o ninho, sobretudo na sequência de eventos devastadores como o incêndio de 2017”, diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA e do projeto Life Rupis.

Os ninhos artificiais são plataformas elevadas instaladas no topo da copa de árvores selecionadas, onde os abutres-pretos podem fazer o ninho e manter as crias em segurança. No âmbito do projeto Life Rupis, este trabalho especializado foi realizado pela empresa Oriolus, com apoio dos Vigilantes de Natureza e técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, tendo sido construídas quatro destas plataformas em locais estratégicos no Parque Natural do Douro Internacional. Pouco tempo depois, o novo casal instalou-se numa delas.

Estes novos habitantes das Arribas do Douro juntam-se ao outro casal de abutres-pretos da região, que vem sendo acompanhado, desde que se fixou na área há 7 anos, pelas equipas dos dois parques abrangidos pelo Life Rupis: o Parque Natural do Douro Internacional (ICNF) e o Parque Natural  Arribes del Duero (Junta de Castilla y León).

Quando esse primeiro casal fez do Douro a sua morada em 2012, surpreendeu os biólogos ao instalar-se a cerca de 100 km das colónias mais próximas, localizadas em Espanha. As maiores aves que percorrem os céus portugueses, os abutres-pretos vivem normalmente em colónias com dezenas de indivíduos. Por vezes, casais recém-formados afastam-se de uma colónia, começando um novo núcleo – foi o que sucedeu em Barrancos, por exemplo. Mas, normalmente, estes novos núcleos formam-se a 10 ou 20 km da colónia de origem – não a 100 km.

A esperança da equipa do Life Rupis é que ambos os casais se reproduzam com sucesso e que este verão se juntem, assim, mais duas crias àquela que teve sucesso o ano passado, depois de os pais terem perdido a cria de 2017 no incêndio. A longo prazo, a equipa tem esperança que esta nova geração, quando atingir a maturidade, venha também a fixar-se na região. E que a ela se juntem aves de outras origens que, por vezes, dispersam até ao Douro, para que, aos poucos, se instale uma colónia de abutres-pretos no nordeste de Portugal. Para esta espécie ameaçada, uma nova população em Portugal seria uma excelente notícia e um contributo significativo para a recuperação da espécie na Europa.

Sobre o Life Rupis

O 'Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’ é um projeto de conservação transfronteiriço, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela SPEA, o projeto Life Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural Associação, a Transumância e Natureza (ATNatureza), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR). Saiba mais www.rupis.pt.

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