Descoberta de vasos (quase) intactos com sementes revela o que cultivavam povos antigos

Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas - Miranda do Douro

São minúsculos pontinhos pretos, com aparência petrificada, e carregam muita história: as sementes que Luís Seabra, aluno de doutoramento da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigador no CIBIO-InBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, está a estudar foram encontradas em vasos (e também fora deles) nas escavações realizadas no âmbito do Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas - Aldeia Nova (Miranda do Douro), coordenado pela equipa de arqueólogos Mónica Salgado e Pedro Pereira. Este projeto conta com a parceria da Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural.

Vaso com sementes. Fotografia | Luís Seabra

Vaso com sementes. Fotografia | Luís Seabra

Vasos (quase) intactos com sementes: a descoberta do “pequeno tesouro”

O que despertou a atenção de Luís Seabra e dos orientadores da sua tese de doutoramento na área da Arqueobotânica/Carpologia para estas escavações foi a descoberta, pela equipa de arqueólogos, nas campanhas de prospeção arqueológicas de 2016 e 2017, de vasos bem preservados, quase intactos, com sementes, um achado raro, um “pequeno tesouro” que poderá agora revelar muito sobre o que cultivavam os povos que ali viveram há centenas de anos e como o faziam.

“É raro encontrar estes vasos. Acaba por ser um pequeno tesouro para nós e é importante realizar as devidas análises para, depois, fazermos então as interpretações. A descoberta destes vasos foi o ponto fulcral”, destaca o investigador, acrescentado que, com base na sua experiência de trabalho no Norte de Portugal, não tem conhecimento de achados semelhantes. “Penso que é excecional terem sido encontrados estes vasos quase intactos”, remata.

Para já, dentro destes vasos, e também fora deles, nas escavações arqueológicas, foram encontradas sementes de cevada, trigo e centeio, este em muito maior quantidade, representando cerca de 80 por cento da amostra. Este material será, posteriormente, analisado ao pormenor em laboratório, para, depois, em conjunto com a equipa de arqueólogos, ser possível determinar o período cronológico a que pertencem e fazer as devidas interpretações históricas.

Sementes. Fotografia | Uliana de Castro

Sementes. Fotografia | Uliana de Castro

O estudo das sementes

Do sítio arqueológico para o laboratório, tudo é escavado, descoberto e analisado ao pormenor. “Na zona das escavações, nas diferentes camadas, nós fazemos a recolha de sedimentos para posterior estudo. O processo é bastante simples. Fazemos a recolha de uma amostra, normalmente usando um balde de terra e depois fazemos um processo chamado flutuação, que consiste em colocar água sobre o sedimento, agitar, e, deste modo, todo o material orgânico sobe. Dentro desse material orgânico, encontram-se os carvões, as sementes e, a partir daí, fazemos as identificações e as nossas interpretações, sempre tendo em conta o contexto arqueológico”, explicou Luís Seabra.

Já em laboratório, com o auxílio de uma lupa, é feita a avaliação de todos os macrorrestos, quer daqueles encontrados dentro dos vasos, quer noutros locais durante as escavações, e a sua análise morfológica para identificação. Poderá ainda ser feito um estudo biométrico, “para compreender as dimensões dos cereais encontrados e, posteriormente, compará-los com os que já foram encontrados noutros sítios arqueológicos, de diferentes cronologias, e, assim, tentarmos perceber se existem diferenças com o avançar do tempo”, disse.

Os responsáveis pelos trabalhos arqueológicos do Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas já tinham recolhido vários materiais, incluindo vasos e sementes, em anos anteriores, desde 2016, e cedo perceberam o potencial e a riqueza dos achados, tendo iniciado então uma colaboração com a equipa do CIBIO-InBIO para integrar estudos de Arqueobotânica/Carpologia naquele projeto.

Para já, “conseguimos identificar a presença de centeio, de cevada e de trigo. No entanto, vamos precisar agora de mais tempo, nos próximos anos, no âmbito do meu doutoramento, para fazer a análise das restantes amostras e depois conjugar os resultados”, disse Luís Seabra.

O período histórico em análise

Uma primeira análise feita à antiguidade dos achados, vasos e sementes, indica que “estes deverão pertencer ao período cronológico Alto-Medieval, e poderão ter cerca de 1 000 a 1 500 anos. Mas é algo que necessita de maior aprofundamento”, revela o aluno de doutoramento.

Com base no estudo de todas as amostras que será levado a cabo nos próximos meses e no parecer dos arqueólogos, será possível determinar com maior precisão o período histórico ao qual pertencem as amostras recolhidas, bem como interpretar as práticas e contextos em que esses materiais foram encontrados e como eram usados por povos antigos.

“Vamos tentar perceber os cultivos da altura, e também o contexto arqueológico. Será muito importante para nós compreender o contexto de todas essas amostras, saber porque as sementes se encontravam nesses vasos, qual é o seu significado, para depois fazermos as devidas interpretações”, explicou Luís Seabra.

A importância da Arqueobotânica/Carpologia e do trabalho multidisciplinar

A Arqueobotânica é o estudo de vestígios botânicos antigos recolhidos em jazidas arqueológicas e a Carpologia um ramo de estudo mais específico focado nas sementes e frutos. Quando recolhidos em sítios arqueológicos, estes macrorrestos vegetais fornecem importantes informações acerca da economia e dos hábitos alimentares das comunidades humanas antigas. Estes estudos não devem ser separados, mas sim complementares e integrantes dos trabalhos arqueológicos.

“Os estudos arqueobotânicos têm ainda pouca expressão em Portugal, mas são bastante importantes porque nos dão informações vitais para a compreensão do que e como cultivavam os nossos antepassados. Esta cooperação que temos com a equipa de arqueologia é muito importante, é uma forma de realçarmos este tipo de trabalho”, frisou a aluno de doutoramento.

“Esta ligação, este trabalho multidisciplinar entre a equipa de arqueologia e especialistas de outras áreas de estudo permite obter um trabalho mais completo, com mais informação e isso é fundamental”, conclui.

Segundo Luís Seabra, o objetivo é que, nos próximos dois anos, sejam desenvolvidos e publicados artigos científicos com os resultados dos estudos que estão a ser realizados, em conjunto com a equipa de arqueologia.

Luís Seabra tem como orientador principal, no âmbito da sua tese de doutoramento, João Tereso (investigador do CIBIO-InBIO) e ainda dois coorientadores: Rubim Almeida da Silva (Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e María Martin-Seijo (Grupo de Estudos para a Prehistoria do NW Ibérico-Arqueoloxía, Antigüidade e Territorio, Departamento de Historia, Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha).

O que é o Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas?

O Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova, no concelho de Miranda do Douro, é um projeto de investigação arqueológica que teve início em 2016 e que, através de operações de baixo impacto, como prospeções e sondagens, pretende trazer à luz novos dados sobre a romanização e a ocupação humana no território do planalto mirandês. No âmbito deste Projeto, são realizadas escavações e estudos arqueológicos no Castro de São João das Arribas. O Projeto é coordenado pela equipa de arqueólogos Mónica Salgado e Pedro Pereira e tem como parceiros a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a associação francesa Rempart, a Junta de Freguesia de Miranda do Douro e o Município de Miranda do Douro.

Este Projeto conta ainda com o apoio científico de Pedro Pereira, co-diretor da escavação e tem como coordenadores científicos: Armando Redentor, Susana Cosme, Nelson Rebanda, Hermínio Bernardo, Javier Sanchez-Palencia, Francisco Queiroga, Hortensia Larren Izquierdo, Rudolph Nicot e Inês Elias.

A colaboração com a Palombar

Preservar o património rural edificado é uma missão da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, que considera fundamental a realização de estudos mais aprofundados que visem aumentar o conhecimento sobre a riqueza arqueológica da região do Nordeste Transmontano e sobre os antecedentes das técnicas de construção tradicionais, com o propósito de traçar a sua evolução histórica. Desde a sua criação, em 2016, que o Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas conta com a colaboração da Palombar, que assegura toda a componente logística das campanhas de intervenção/prospeção arqueológica, bem como o recrutamento de voluntários, em parceria com a associação francesa Rempart, para integrar essas campanhas, que são enquadradas nos Campos de Trabalho Voluntários Internacionais (CTVI) da associação dedicados à Arqueologia. A Palombar considera este Projeto um grande contributo para o estudo e conhecimento arqueológicos sobre o Planalto Mirandês e quer continuar a ser um ator ativo e interveniente nesta área de conhecimento.

Por Uliana de Castro/Palombar

Dia Internacional dos Abutres: sensibilizar a comunidade internacional para a conservação destas espécies e para a sua importância ecológica

Hoje, 7 de setembro, é o Dia Internacional dos Abutres (www.vultureday.org), uma data celebrada todos os anos no primeiro sábado do mês de setembro. Os abutres são um grupo de aves com uma importância ecológica vital e enfrentam, atualmente, uma série de ameaças em muitas áreas onde ocorrem. Diversas populações de muitas espécies de aves com hábitos alimentares necrófagos estão sob pressão e algumas estão mesmo em risco de extinção.

IVAD-logo-2019-ENGLISH.jpg

O Dia Internacional dos Abutres surgiu no âmbito da iniciativa “Vulture Awareness Days”, promovida pelo Birds of Prey Programme of the Endangered Wildlife Trust, na África do Sul, e pela Hawk Conservancy Trust, em Inglaterra, que decidiram trabalhar em conjunto para tornar esta ação num evento internacional e com abrangência global.

Atualmente, o Dia Internacional dos Abutres tem como objetivo sensibilizar a comunidade internacional para a conservação dos abutres e para a sua importância ecológica e destacar o trabalho fundamental desenvolvido por conservacionistas em todo o mundo em prol da preservação destas espécies.

As aves necrófagas são aquelas que têm a sua alimentação baseada em cadáveres de animais. Estas espécies cumprem uma função essencial e contribuem para o equilíbrio dos vários ecossistemas, visto que, ao consumirem animais mortos, eliminam, de forma rápida e eficaz, as carcaças desses animais no campo, evitando, assim, a propagação de doenças contagiosas e assegurando o bom funcionamento da rede trófica na Natureza.

 

Conservação de abutres: projetos e ações da Palombar

Saiba quais são, atualmente, os projetos e ações desenvolvidos pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural em prol da conservação dos abutres.

 

ConnectNatura

O “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000” é um projeto da Palombar que tem como objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos).

Saiba mais em connectnatura.pt

 

Life Rupis

O 'Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’ é um projeto de conservação transfronteiriço, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto Life Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar, a Associação Transumância e Natureza (ATNatureza), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Saiba mais em rupis.pt

 

Grupo Nordeste

O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável é constituído pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, pela APFNT - Associação dos Produtores Florestais do Nordeste Transmontano e pela Palombar e pretende dar vida a um modelo de intervenção que, unindo a conservação da Natureza à agricultura e à exploração florestal sustentável, promova o envolvimento das comunidades locais e dinamize o desenvolvimento integrado do espaço rural nos vales dos rios Sabor e Maçãs, que estão inseridos na ZPE Rios Sabor e Maças. No âmbito deste projeto, são desenvolvidas várias ações de conservação dos abutres no Nordeste Transmontano.

Saiba mais em nordeste.eu

Será que conhece bem os abutres? …há mitos que estará a disseminar e verdades que desconhece. Fique esclarecido/a!

Os relatos sobre alegados ataques de abutres a animais como vacas, ovelhas, cabras, etc. têm ganhado cada vez mais espaço na comunicação social não só em Portugal, como também na vizinha Espanha. Na grande maioria dos casos, as notícias sobre esses alegados ataques apenas abordam uma versão da história: a do criador, que culpa os abutres pela morte dos animais num discurso inflamado e não raras vezes sensacionalista.

Grifo.

Grifo.

É natural que os criadores de animais não tenham conhecimentos sobre a biologia/fisiologia/etologia dos abutres e contem histórias que não correspondem totalmente à realidade, revelando perceções erradas sobre estas aves. Contudo, menos natural é que a comunicação social não dê o direito do contraditório e não consulte, muitas vezes, especialistas sobre os abutres para esclarecer as populações sobre o comportamento e hábitos destas espécies, em nome da verdade dos factos e para não criar um alarme social infundado sobre este tema.

Com o objetivo de desmistificar várias ideias incorretas que existem sobre os abutres, selecionámos os cinco principais mitos acerca destes animais, com o objetivo de esclarecer e revelar a verdade sobre aspetos relacionados com a sua biologia, fisiologia e etologia. Fique esclarecido/a!

Britango e grifo.

Britango e grifo.

 

Mitos & Verdades sobre os Abutres

 MITO 1

Os abutres são predadores e atacam animais vivos.

Os abutres não são animais predadores. A sua anatomia (estrutura do corpo) e morfologia (forma) não estão adaptadas para caçar animais vivos. Por exemplo, os abutres possuem movimentos lentos no solo, as suas garras são curtas e não têm força suficiente para imobilizar uma presa em fuga, o seu pescoço é longo e/ou verticalizado, o que o torna menos hábil em terra, e o seu bico, apesar de robusto, não está desenhado para conseguir matar, mas sim para rasgar animais já mortos e comer o maior pedaço de carne possível. Ou seja, morfologicamente e biologicamente, um abutre não se pode comportar como um predador. A dieta dos abutres é baseada essencialmente em carne morta. É muito raro os abutres alimentarem-se de presas vivas. Isso só ocorre de forma excecional em situações de falta de alimento e, mesmo assim, quando acontece, estas aves procuram animais frágeis ou debilitados, que já iriam morrer de qualquer forma.

 

MITO 2

Os abutres atacam animais em trabalho de parto.

Os abutres, por não serem animais predadores, não atacam animais saudáveis em trabalho de parto de forma sistemática. O que ocorre, muitas vezes, é que alguns animais podem ter partos malsucedidos e não acompanhados e, quando isso acontece, os abutres podem aproximar-se para tentar alimentar-se da cria e/ou da progenitora já moribundas/débeis. Os abutres poderão ainda acercar-se de fêmeas parturientes para comerem, após o nascimento da cria, os resíduos do parto, como, por exemplo, a placenta. Atualmente, muitos produtores de gado não estão constantemente a vigiar os seus animais e a acompanhar as fêmeas em trabalho de parto (sobretudo o primeiro parto, normalmente mais difícil), pelo que, quando encontram um animal morto e veem abutres à sua volta, afirmam, erradamente, que foram estas aves que o mataram. Na grande maioria dos casos, esses animais morreram de outras causas, como partos complicados ou ataques de animais assilvestrados ou selvagens, e os abutres só apareceram posteriormente para se alimentarem, dando a falsa ideia de que os teriam predado. Na esmagadora maioria dos casos relatados de alegados ataques de abutres a animais em trabalho de parto, ficou provado, após análise por parte de peritos, que não foram estas aves a causa da morte dos animais.

 

MITO 3

Os abutres agem em bando para atacar presas vivas.

Os abutres, apesar de, muitas vezes, se alimentarem em bando, não atuam de forma coordenada/estratégica em bando para atacar presas vivas, visto que não são aves predadoras, nem possuem habilidades para tal. Normalmente, quando uma carcaça ou um animal moribundo é detetado por um abutre, atrai a atenção de outros, que, através da sua excelente visão, identificam o local e juntam-se a este para comerem diferentes partes de animais mortos/débeis. Excecionalmente, devido à falta de alimento, os abutres podem tentar alimentar-se de animais moribundos ainda vivos. Quando isso ocorre, o facto de um abutre estar próximo de um animal em terra, faz com que outras aves se juntem a este, dando a falsa impressão de que estariam a agir em conjunto para o matar.

MITO 4

Os abutres são atraídos pelo cheiro a sangue.

Os abutres do “Velho Mundo” (Europa, Ásia e África) têm uma capacidade olfativa muito reduzida, ou seja, não apresentam aptidão para detetar odores, seja de carne morta, sangue ou outros cheiros. Os abutres do “Velho Mundo” localizam o seu alimento através da sua excelente visão.

 

MITO 5

Os abutres transmitem doenças para outros animais.

Os abutres não transmitem doenças para outros animais, pelo contrário, são fundamentais para combater a propagação de doenças contagiosas entre a fauna silvestre e doméstica. Os abutres têm um organismo adaptado, que permite que sejam imunes a muitos agentes causadores de doenças, como bactérias e vírus. O estômago de um abutre é, no mínimo, 10 vezes mais ácido do que o de um humano, por isso, é capaz de eliminar com eficácia uma grande quantidade de agentes patogénicos causadores de doenças como o botulismo, peste suína e anthrax. Estas espécies cumprem, desta forma, uma função essencial e contribuem para o equilíbrio dos vários ecossistemas, visto que, ao consumirem animais mortos, eliminam, de forma rápida e eficaz, as carcaças desses animais no campo, evitando, assim, a propagação de doenças contagiosas e assegurando o bom funcionamento da rede alimentar na Natureza.

“Estou a apaixonar-me por esta causa… porque faz sentido, porque o fim do trabalho aqui é simplesmente a Vida”

PALOMBAR | Colaboradores CESC Project – Serviço Civil Italiano

Testemunho de Salvatore Bossa

O jovem italiano Salvatore Bossa, de 29 anos, está há seis meses a viver na aldeia transmontana de Uva, no concelho de Vimioso, e conta-nos, na primeira pessoa, a sua experiência de vida em Portugal e de trabalho na Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural.

Salvatore Bossa é um dos quatro jovens italianos que estão a colaborar com a Palombar este ano no âmbito de uma parceira da associação com o CESC Project – Serviço Civil italiano (www.cescproject.org). O CESC Project pretende promover e desenvolver o serviço civil tanto em Itália, como noutros países, e atividades com foco na construção de uma cidadania consciente. Visa também contribuir para o desenvolvimento de uma convivência civil solidária e pacífica. O CESC Project desenvolve e implementa programas de cooperação internacional, voluntariado internacional e local.

Salvatore Bossa.

Salvatore Bossa.

O voluntariado e os valores a ele associados são essenciais para a Palombar. Os/as voluntários/as enriquecem e dão vida e dinâmica à associação, contribuindo de forma significativa, frequente e continuada para assegurar as seus ações, projetos e atividades nas áreas da conservação da Natureza e preservação do Património Rural. Todos os anos, a Palombar acolhe vários/as voluntários/as e colaboradores nacionais e internacionais que contribuem de forma ativa para a sua missão. 

Trabalho de campo.

Trabalho de campo.

Sede da Palombar em Uva.

Sede da Palombar em Uva.

“Uva é a minha casa há seis meses, o Português a minha língua”

Uva é a minha casa há seis meses, o Português a minha língua. No início, eu estava muito confuso por causa desta mudança para Portugal. Eu venho de Itália, de uma cidade com 60 000 habitantes, com muito trânsito e ruído de carros, mas, ao mesmo tempo, com uma paisagem riquíssima: por um lado, o mar, no meio do deslumbrante golfo de Napoli – com a ilha de Capri à frente; por outro, o Vesúvio, vulcão temível, gigante adormecido que nos preocupa há muitas gerações e cuja influência, talvez, torne o nosso povo explosivo e os nossos ritmos de vida frenéticos.

Quando cheguei a Portugal, eu senti o contraste com tudo o que tinha vivido até àquele momento. Estávamos no mês de fevereiro. Antes de conhecer bem a equipa da nossa associação Palombar e o território Transmontano, eu conheci o frio e o silêncio da minha viela, com apenas o mocho-de-orelhas a cantar. Sempre estive habituado – e também protegido e ameaçado ao mesmo tempo -, a viver ao pé do Vesúvio, aqui não há um ponto mais elevado para onde olhar... é uma sensação estranha estar sempre no topo, mas se calhar os que vivem no Planalto não a conhecem. E ainda mais estranho para mim foi observar um céu geralmente “vazio”, sem os pombos e as gaivotas que via na minha cidade, até identificar, num ponto longínquo, um abutre, uma águia! Quem nasce aqui não deve ter o mesmo entusiasmo, é normal.

Tenho reparado, durante as sessões de Educação Ambiental com crianças, que elas não se dão conta desta riqueza em termos de ambiente e de espécies. E é aqui que a Palombar intervém, promovendo a sensibilização e a preservação da Natureza e da Biodiversidade locais. E eu estou a apaixonar-me por esta causa, quer pelo facto de ganhar conhecimentos que antes não tinha, quer por termos que executar vários trabalhos, ainda que sujeitos às adversidades do campo ou pesados; porque faz sentido, porque o fim do trabalho aqui é simplesmente a Vida, e este facto influencia profundamente a minha consciência.

Estou muito feliz por estar aqui no Nordeste Transmontano, apesar de gostar mais de Fado do que de gaitas e de os cães que desafiam os carros no meio da rua me assustarem um pouco. Nesta região, não vivem muitas pessoas, mas as poucas que ficam têm valores e são simpáticas. Uva é o melhor exemplo, pois é uma aldeia acolhedora com uma atitude internacional, desde os parentes franceses dos habitantes, que sempre vêm de férias, aos jovens de todo o mundo, que chegam cá durante os campos de trabalho internacionais. Nunca dá para se aborrecer, ao contrário, esta dinâmica acaba por ser uma grande oportunidade de enriquecimento para todos. E eu espero dar a este lugar uma contribuição pelo menos igual àquela que estou a receber. Obrigado.

Salvatore Bossa

 

A explorar o Planalto.

A explorar o Planalto.

Plano de Ação para a Conservação das Aves Necrófagas publicado em Diário da República

O Plano de Ação para a Conservação das Aves Necrófagas (PACAN) foi publicado esta segunda-feira, 12 de agosto, em Diário da República. O PACAN foi elaborado pelo ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, em articulação com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Este plano foi desenvolvido tendo também em conta os contributos de especialistas neste grupo de aves e de organizações não-governamentais envolvidas na sua conservação. O documento foi ainda sujeito a auscultação de várias entidades públicas e privadas no período compreendido entre os dias 11 e 30 de junho de 2015.

Abutre-preto. Fotografia | Pedro Rego

Abutre-preto. Fotografia | Pedro Rego

A elaboração do PACAN teve como base o diagnóstico da situação nacional de cada espécie de ave necrófaga e identifica as medidas necessárias para promover o seu estado de conservação favorável. Tem uma incidência particularmente relevante sobre as duas espécies de abutres com populações permanentes em Portugal que apresentam estatuto de ameaça: o britango (Neophron percnopterus), classificado como "Em Perigo", e o abutre-preto (Aegypius monachus), classificado como "Criticamente em Perigo".

Contudo, as medidas preconizadas devem ter repercussão noutras espécies com hábitos estrita ou parcialmente necrófagos, contribuindo para a recuperação ou manutenção do seu estado de conservação favorável, sendo de destacar a relevância da implementação destas medidas para inverter a tendência de regressão da população nidificante do milhafre-real (Milvus milvus), que, sendo parcialmente necrófago, apresenta um elevado estatuto de ameaça, estando classificado como "Criticamente em Perigo".

O PACAN tem como objetivo garantir a recuperação e conservação das aves necrófagas no território nacional, nomeadamenteatravés do aumento da área de distribuição da população nidificante de abutre-preto nas zonas do Tejo Internacional e em Moura/Mourão/Barrancos; manutenção do número de casais e da área de distribuição da população nacional de britango, assim como aumento da sua produtividade no nordeste do país; redução da mortalidade não-natural, da perturbação e da perda de habitat das aves necrófagas e redução da falta de conhecimento e de sensibilização da sociedade e dos agentes de interesse na conservação das aves necrófagas.

Nesse sentido, será promovido o fomento da nidificação e incremento do sucesso reprodutor das aves necrófagas ameaçadas; aumento da disponibilidade alimentar para as aves necrófagas; redução da mortalidade não natural das aves necrófagas; conhecimento e sensibilização sobre aves necrófagas; monitorização das populações das aves necrófagas e promoção da articulação de medidas de política.

Leia o documento na íntegra aqui.

Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico: Palombar fica responsável pelas ações no Nordeste

Os trabalhos para a realização do Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico arrancaram oficialmente no dia 25 de julho, com a realização da primeira reunião técnica preparatória, que decorreu em Vila Real, no Centro de Informação e Interpretação do Parque Natural do Alvão, sob a coordenação do ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural ficou responsável pelo 'Lote 3 - Nordeste' do Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico, um projeto considerado "como prioritário no Plano de Ação desta espécie e financiado pelo POSEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - Operação 03-2215-FC-000095)", refere o ICNF no seu site oficial.

Lobo-ibérico. Fotografia | Pedro Rego

Lobo-ibérico. Fotografia | Pedro Rego

O Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico visa determinar a presença, o número e a localização das alcateias existentes, a ocorrência de reprodução das alcateias identificadas, em duas épocas reprodutoras, bem como compilar toda a informação existente para cada alcateia/zona de presença da espécie, e ainda obter outras informações sobre o lobo-ibérico.

Assim, pretende-se, até final de 2021, conhecer a área de distribuição atual do lobo-ibérico em Portugal, bem como o número e situação das alcateias existentes.

Membros das equipas responsáveis pelos trabalhos do Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico.  Fotografia | ICNF

Membros das equipas responsáveis pelos trabalhos do Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico.

Fotografia | ICNF

"O último censo nacional de lobo decorreu em 2002/2003, pelo que a necessidade de atualizar o conhecimento sobre a situação populacional desta espécie a nível nacional, através da aplicação de uma metodologia uniforme para todo o território, num mesmo período de tempo, era desde há muito sentida. Por esse motivo, a realização de um novo censo nacional dirigido a esta espécie consta no Plano de Ação para a Conservação do Lobo-ibérico em Portugal (PACLOBO), como uma ação de prioridade máxima", sublinha o ICNF.

A área de estudo do Novo Censo Nacional de Lobo-ibérico foi dividida em 6 lotes geográficos, tendo os trabalhos a desenvolver em cada um destes sido adjudicados, através de um concurso público internacional, a 6 entidades que integram especialistas nesta espécie, entre as quais está a Palombar.

O lobo-ibérico (Canis lupus signatus, Cabrera 1907) possui em Portugal, desde 1990, o estatuto de ameaça de EM PERIGO, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

É uma espécie estritamente protegida no nosso país, quer ao abrigo de legislação europeia (Diretiva Habitats), quer ao abrigo de legislação nacional específica (Lei nº 90/88, de 13 de agosto, Lei de Proteção ao Lobo-ibérico, e o Decreto-Lei n.º 54/2016, de 25 de agosto que a regulamenta).

Voluntariado multinacional recupera pombal tradicional de aldeia transmontana e descobre riqueza cultural, natural e humana da região

Oito voluntários/as oriundos de países como Marrocos, França, Bélgica e Holanda, com idades compreendidas entre os 19 e os 57 anos, participaram no 56.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI) organizado pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceira com a União das Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva e a associação francesa Union Rempart, e que teve lugar entre os dias 1 e 12 de julho, na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança.

Pombal tradicional.

Pombal tradicional.

Durante este CTVI, os/as voluntários/as participaram nos trabalhos de recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva e tiveram a oportunidade de contactar com as técnicas tradicionais de construção dessas estruturas. Os trabalhos de restauro envolveram picar reboco; fazer rebocos de cal; recuperar estruturas de madeira e realizar a colocação de telha antiga, entre outras tarefas.

Os CTVI também têm como objetivo dinamizar e dar mais vida ao mundo rural, promovendo aos participantes o convívio com a comunidade local e a descoberta do território e da sua riqueza cultural, natural e humana.

Pombal tradicional recuperado durante o 56.º CTVI.

Pombal tradicional recuperado durante o 56.º CTVI.

Técnicas tradicionais de construção.

Técnicas tradicionais de construção.

O Parque Ibérico de Natureza e Aventura - PINTA (Vimioso), as Termas de Vimioso, o Castelo de Algoso, o miradouro, o museu e a aldeia de Picote, o Museu da Terra de Miranda (Miranda do Douro), as Arribas do Douro, no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino - AEPGA foram locais visitados pelos/as voluntários/as.

Os/as participantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer a riqueza do património rural, cultural e social da aldeia de Uva, através de visitas ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais, localizado na Antiga Escola Primária da aldeia e sede da Palombar, à forja e à carpitaria de habitantes locais.

As margens dos rios Douro, Maçãs e Angueira também foram palco para a descoberta do território e o contacto com a natura e a biodiversidade.

Equipa de voluntários/as.

Equipa de voluntários/as.

Sobre os Campos de Trabalho Voluntário Internacionais

Os Campos de Trabalho Voluntário Internacionais (CTVI) foram criados em 2004 e consistem em atividades organizadas especialmente para voluntários/as, que se propõem a contribuir com horas de trabalho para a realização de uma determinada tarefa útil para a comunidade.

Os CTVI organizados pela Palombar, em colaboração com vários parceiros, têm como principal objetivo promover a recuperação do património rural edificado, utilizando técnicas de construção tradicionais e ecológicas, mas também a realização de ações em prol da conservação da natureza; em ambos os casos, associa-se-lhes a criação de um espaço de aprendizagem informal, tanto a nível técnico como pessoal e de desenvolvimento do sentido de cidadania.

Sessão de esclarecimento informa população de Ifanes e Paradela sobre funcionamento de campo de alimentação para aves necrófagas

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e a Junta da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, organizou, no dia 30 de junho, uma sessão de esclarecimento para explicar à população de Ifanes e Paradela, no concelho de Miranda do Douro, o modo de funcionamento do campo de alimentação para aves necrófagas (CAAN) instalado na zona, bem como a importância destas espécies.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

A sessão de esclarecimento, realizada no salão da Junta de Freguesia de Ifanes e Paradela, contou com a participação de cerca de 30 pessoas da comunidade, entre as quais representantes de associações de caça/setor cinegético, agricultores e produtores de gado. Estiveram também presentes o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, o presidente da Junta da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, o veterinário municipal de Miranda do Douro e técnicos e vigilantes da Natureza do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Sessão de esclarecimento sobre o CAAN de Ifanes.

Durante este encontro, os presentes puderam informar-se sobre como funciona o CAAN instalado em 2018 em Ifanes e gerido pela Palombar no âmbito do projeto LIFE Rupis de conservação do britango (Neophron percnopterus) e da águia-perdigueira (Aquila fasciata) no Vale do Rio Douro.

Foram também apresentadas aos presentes as linhas orientadoras da Estratégia Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas.

A população também terá a oportunidade de visitar o CAAN de Ifanes para conhecer de perto esta instalação e a sua forma de funcionamento.

As aves necrófagas, principalmente os abutres, são fundamentais para promover o equilíbrio dos ecossistemas, ao assegurar a limpeza dos habitats, ao mesmo tempo que evitam a propagação de doenças entre espécies, através, por exemplo, do consumo de animais mortos devido a doenças contagiosas. Estas aves especiais têm um organismo adaptado, que permite que sejam imunes a muitos agentes causadores de doenças, como bactérias e vírus.

I Fórum Público sobre as BioRegiões debate ideias para dinamizar um modelo inovador de desenvolvimento rural sustentável

A AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e a INNER - International Network of Eco Regions organizam o I Fórum Público sobre as BioRegiões, no dia 29 de junho, entre as 14h00 e as 17h00, no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, em Vimioso, no distrito de Bragança. A entrada é livre, mas sujeita e inscrição prévia. Este evento conta com o apoio do Município de Vimioso e a parceria da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes.

bioregiões_jpg.jpg

Esta iniciativa visa abraçar uma oportunidade de desenvolvimento sustentável na região de alto valor natural e paisagístico de Trás-os-Montes, promovendo um fórum público sobre as BioRegiões, dando assim início a um processo de sensibilização e envolvimento da comunidade local para esta dinâmica. Mais informações, bem como o formulário de inscrição podem ser consultados em www.aepga.pt.

Este Fórum antecede o Fórum Internacional “Territórios Relevantes para Sistemas Alimentares Sustentáveis”, que se realiza em Idanha-a-Nova, Portugal, entre os dias 17 a 21 de julho de 2019.

Contextualização

Em 2014, foi criada a INNER - International Network of Eco Regions (Rede Internacional das BioRegiões), com o objetivo de dinamizar um modelo inovador de desenvolvimento sustentável rural, através da implementação de uma rede de produção agrícola biológica, processamento e distribuição dos produtos resultantes pela comunidade onde se insere, fornecendo cantinas públicas, restaurantes e população em geral. Através desta forma de gestão de recursos, todos beneficiam de uma melhoria da qualidade de vida, biodiversidade e preservação do ambiente.

Portugal inclui-se nos países envolvidos no desenvolvimento das BioRegiões onde foram realizados fóruns e encontros internacionais em diversas regiões.

O facto de se enquadrar nos objetivos da agenda 21 local é um fator relevante para a realização de uma primeira análise das potencialidades e dos problemas do território na implementação deste modelo e como proposta a debater neste processo.

África: mais de 500 abutres ameaçados de extinção morrem depois de comerem carcaças de elefantes envenenados

Mais de 500 abutres ameaçados de extinção morreram depois de comerem três elefantes mortos cujas carcaças foram envenenadas por caçadores furtivos, anunciou o governo de Botswana, em África, num comunicado esta quinta-feira, 20 de junho. Os 537 abutres e duas águias foram encontrados mortos numa das áreas de gestão de vida selvagem no país, no leste do Distrito Central.

Entre os animais mortos estavam 468 grifos-africanos (Gyps africanus), 28 abutres-de-capuz (Necrosyrtes monachus), 17 abutres-de-cabeça-branca (Trigonoceps occipitalis), 14 abutres-reais (Torgos tracheliotus), 10 abutres-do-cabo (Gyps coprotheres) e duas águias-rapace (Aquila rapax).

Todas estas espécies estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Grifo-africano (Yathin sk/WikiCommons)

Grifo-africano (Yathin sk/WikiCommons)

"Acredita-se que o envenenamento tenha sido causado pelo consumo de três carcaças de elefantes contaminados com uma substância química venenosa que provoca uma mortalidade significativa em abutres e águias", disse o governo no comunicado.

O problema do envenenamento de animais levado a cabo por caçadores ilegais é de longa data, tornando as aves particularmente vulneráveis ao envenenamento, afirmou a African Wildlife Foundation (AWF).

"Como as aves se deslocam para procurar as carcaças de animais, elas também contribuem para identificar zonas onde ocorrem atividades ilegais de caça", disse a fundação no seu site. Os abutres e águias com hábitos alimentares necrófagos são vistos pelos caçadores furtivos como “denunciadores”.

Estas espécies ameaçadas são vitais para assegurar um ecossistema saudável e funcional, afirma a AWF. Ao alimentarem-se de cadáveres de animais em decomposição, os abutres desempenham um papel fundamental para manter o ambiente limpo e minimizar a propagação de doenças contagiosas.

Comunicado: PALOMBAR tomou a decisão de não concretizar organização do L Burro I L Gueiteiro – Festival Itinerante da Cultura Tradicional

19 de Junho de 2019

A PALOMBAR, Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, entidade organizadora do L Burro I L Gueiteiro – Festival Itinerante da Cultura Tradicional, informa com grande tristeza que lhe foram retiradas as condições para concretizar o festival do L Burro I L Gueiteiro.

A edição de 2019, com data prevista entre 24 e 28 de Julho, marcaria o retorno do evento às aldeias de Fonte de Aldeia e Picote.

Este regresso - especialmente a Picote - tinha como principais objectivos envolver novamente a população da aldeia na realização do Festival que, na edição de 2011, tão bem soube acolher e servir os visitantes - numa partilha especial entre quem recebe e quem visita, proporcionando uma vivência única de um evento cultural - e assegurar que todos os participantes voltassem a desfrutar de uma edição com duração de 5 dias, plena de entretenimento e, à semelhança das edições anteriores, a pensar em todos - miúdos e graúdos - os que gostam de caminhadas por percursos bonitos, de refeições apetitosas, de sestas burriqueiras, de oficinas instrutivas, de boa música e de muita festa. Contudo, apesar de todos os esforços realizados, é neste momento impossível garantir os pressupostos necessários à realização do que projectámos para esta edição.

Devido a diversas posições assumidas pela Galandum Galundaina - Associação Cultural deixou de existir uma partilha de valores e objectivos comuns, o que torna inviável o processo de produção do festival, não restando outra alternativa à PALOMBAR senão admitir que a parceria com a Galandum Galundaina – Associação Cultural na organização do festival de L Burro I L Gueiteiro chegou ao fim. A Associação PALOMBAR lamenta profundamente o afastamento da organização do L Burro I L Gueiteiro a que foi forçada, já que desde 2012 se assume como parceiro na organização deste festival único, mas sem condições de trabalho não é possível alcançar bons resultados.

Face a esta tomada de decisão, iremos projectar um outro evento, individualmente ou com os nossos parceiros habituais que dê resposta à missão e objectivos da Palombar.

Apresentamos a todos as nossas mais sinceras desculpas pelos inconvenientes subjacentes à não participação da PALOMBAR na edição de 2019, mas fiquem certos que organizaremos outras actividades para dinamizar o Planalto Mirandês.

Logo Palombar.jpg

9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra promove recuperação de pombal tradicional de aldeia transmontana

A 9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra organizada pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, que teve lugar nos dias 15 e 16 de junho, promoveu a recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança. Durante esta oficina, os participantes tiveram a oportunidade de trabalhar o xisto.

IMG-20190617-WA0007.jpg

As construções em pedra são um ícone do património rural e da paisagem transmontana. Possuem um grande valor, quer para as comunidades, quer para a conservação da biodiversidade. Além de servirem as necessidades das populações, os muros de pedra são um abrigo e refúgio para várias espécies de plantas e animais.

Apesar da sua elevada importância, atualmente, são já poucas as pessoas que sabem como construí-las ou repará-las. Foi no sentido de tentar combater esse esquecimento e de transmitir a riqueza e o potencial destas técnicas construtivas que a Palombar organizou esta oficina.

POMBAIS TRADICIONAIS: um património rural único, um promotor da biodiversidade

Os pombais tradicionais são um ícone rural omnipresente na região de Trás-os-Montes que pontilham a paisagem, despertando a curiosidade de quem percorre as terras transmontanas. Estas estruturas têm um valor cultural, arquitetónico e ecológico fundamentais e o seu restauro e manutenção são essenciais para assegurar a conservação do património rural e natural desta região.

Os pombais tradicionais são um património emblemático desta região e estão fortemente associados à comunidade rural, que outrora usava os pombos juvenis (borrachos) para alimentação, sendo esta uma fonte adicional de proteína para os habitantes locais. Já o estrume dos pombos, considerado de elevado valor fertilizante e denominado por “pombinho”, era/é usado para fertilizar os solos agrícolas. Ter muitos pombais também era sinónimo de riqueza. Os pombais assumem um papel fundamental no sistema sócio-ecológico.

Estas são também estruturas que contribuem de forma significativa para a conservação da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte da dieta de várias espécies de aves de rapina ameaçadas em Portugal, como é o caso da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), do açor (Accipiter gentilis) e do falcão-peregrino (Falco peregrinus), entre outras. Asseguram, assim, o sucesso reprodutor destas espécies e o aumento das suas populações.

“Teatro de lameiro” e jogo didático sensibilizam crianças para a conservação da águia-de-Bonelli e do britango

Um grupo de 54 alunos/as do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico e cinco professores do Colégio da Nossa Senhora do Amparo, em Mirandela, participaram, no dia 6 de junho, em atividades de educação ambiental desenvolvidas pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural para promover a sensibilização das novas gerações para a importância e conservação da águia-de-Bonelli ou águia-perdigueira (Aquila fasciata) e do britango (Neophron percnopterus ).

Encenação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli".

Encenação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli".

As atividades consistiram na apresentação da peça de teatro "O Diário Secreto da Águia-de-Bonelli" e do jogo "A Vida Secreta da Família Bonelli", que foram dinamizados em pleno contacto com a natureza, num lameiro na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso. 

Durante estas atividades, as crianças puderam apreender de forma lúdica, num contexto pedagógico e de partilha, como ocorre o processo reprodutivo e de sobrevivência da águia-de-Bonelli, bem como   reconhecer e compreender a importância da biodiversidade, ao mesmo tempo em que foram sensibilizadas para as ameaças que existem para esta espécie e para o ecossistema.

Os/as alunos/as também tiveram a oportunidade de visitar o Pombal Pedagógico da Palombar em Uva, onde aprenderam mais sobre a ecologia, funcionalidade e arquitetura dos Pombais Tradicionais do Nordeste Transmontano.

Visita ao Pombal Pedagógico da Palombar em Uva.

Visita ao Pombal Pedagógico da Palombar em Uva.

Estas ações de educação ambiental foram desenvolvidas no âmbito do Programa Educativo do consórcio SACR - Sensibilização Ativa das Comunidades Rurais desenvolvido pela Palombar e pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino e do projeto LIFE Rupis de conservação da águia-de-Bonelli e do britango (Neophron percnopterus) no vale do Rio Douro. A AEPGA também dinamizou duas atividades para os/as alunos/as: a “Aula de Burro” e "Hoje sou veterinário".

Esta atividade teve como principais objetivos despertar e estimular para a consciência ecológica, através de atividades lúdico-pedagógicas de proximidade com o património natural e rural do Nordeste Transmontano; sensibilizar para a importância da ecologia dos Pombais Tradicionais; sensibilizar para a necessidade de proteger e conservar o Burro de Miranda e disseminar informação e conhecimento acerca do bem-estar animal e conservação de espécies ameaçadas.

Esta quinta-feira, 13 de junho, um novo grupo de crianças do Pré-escolar do Colégio da Nossa Senhora do Amparo irá participar nas mesmas atividades de educação ambiental.

Sobre a águia-de-Bonelli/águia-perdigueira

O nome águia-perdigueira deve-se ao facto desta ave de rapina ser uma exímia caçadora, capaz de capturar as suas presas em pleno voo, desde perdizes a pombos domésticos.

A espécie é monogâmica e ambos os adultos cuidam das crias (uma a duas por ninho). Habitualmente, o casal tem vários ninhos que vão ocupando alternadamente em diferentes anos.

Os adultos distinguem-se pelo corpo claro e asas escuras e pela singular mancha branca no dorso, enquanto os juvenis têm uma plumagem distinta dominada por tons ruivos.

Esta espécie está classificada como "Em Perigo" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e, em 2011, foi estimada a existência de 116 a 123 casais reprodutores em Portugal.

O projeto LIFE Rupis, no qual a Palombar é parceira, tem como objetivo promover a conservação da águia-perdigueira no vale do Rio Douro.

Festival Ibérico ObservArribas: três dias para descobrir as aves, paisagens e cultura únicas do Douro Internacional

A 3.ª edição do ObservArribas – Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro decorre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. Este ano, o festival mudou-se para pleno centro de Miranda do Douro, onde haverá, entre outras novidades, uma mostra de cinema de ambiente.

Na sexta-feira, 31 de maio, será apresentado o documentário Portugal, Património Natural. E até 2 de junho, haverá dezenas de oportunidades de explorar as Arribas do Douro, descobrir águias e abutres, e conhecer de perto a cultura desta região ímpar.

IMG_9079_JoaquimTeodosioSPEA.JPG

Durante três dias, centenas de observadores de aves e amantes de natureza virão descobrir as aves, paisagens e tradições desta região esculpida pela natureza. Desde observar abutres e águias – as maiores aves da Europa – e fazer passeios e piqueniques no Parque Natural do Douro Internacional ao contacto com os burros mirandeses e danças tradicionais, o ObservArribas terá atividades para todos os gostos.

As principais protagonistas do festival serão, sem dúvida, as aves. Os participantes poderão aprender a identificar espécies pelo canto, ver as aves das arribas em cruzeiros pelo Douro, ou mesmo descobrir como as observações de cada um podem ajudar os cientistas que estudam e protegem as aves selvagens.

Britango.

Britango.

Na feira dedicada aos produtos e serviços ligados à natureza e à região no Largo do Castelo, bem no centro de Miranda do Douro, miúdos e graúdos terão oportunidade de pôr mãos à obra: os adultos podem fazer película aderente sem plásticos, a partir de cera de abelha, enquanto os mais novos reutilizam materiais do dia a dia para fazer binóculos. E todos vibrarão com os “Cães CSI” na demonstração do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR.

Com dezenas de atividades a decorrer ao longo dos três dias, não só em Miranda do Douro, mas também nos outros concelhos do Parque Natural do Douro Internacional (Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo), e no Parque Natural Arribes del Duero, do lado espanhol, o III ObservArribas convida os amantes de natureza a explorar a beleza natural e cultural das Arribas do Douro.

Mais informações podem ser consultadas em www.observarribas.com.

Palombar adere à Manifestação Faz pelo Clima porque não há Planeta B

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural marcou presença na Manifestação Faz pelo Clima que decorreu na passada sexta-feira, 24 de maio, em Bragança, na praça Cavaleiro de Ferreira.

Dezenas de alunos/as de vários agrupamentos de escolas exigiram ao Governo uma ação mais eficaz e medidas concretas que visem combater as alterações climáticas e preservar a Natureza, a biodiversidade e os ecossistemas. Na manifestação, também estiveram presentes várias organizações e a população em defesa desta causa.

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

A Palombar, enquanto associação de conservação da Natureza, considera ser fundamental a mobilização dos jovens e da sociedade em geral para as questões relacionadas com as alterações climáticas e a preservação da Natureza, pois só com a intervenção ativa de todos/as será possível avançar com medidas efetivas para travar o atual processo de degradação do nosso Planeta Terra.

A Avaliação Global realizada pela Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Ambiente, mostra que a agricultura e a pesca são os maiores fatores de destruição dos ecossistemas, conseguindo uma taxa de extinção de espécies que é entre dezenas a centenas de vezes superior às médias dos últimos dez milhões de anos. Os efeitos das alterações climáticas causadas pela queima do carvão, petróleo e gás produzido pela indústria de combustíveis fósseis é outro fator determinante para a ameaça à biodiversidade e ao meio ambiente.

Devido à degradação dos ecossistemas, atualmente, existe um milhão de espécies em risco de desaparecer, num universo de oito milhões de plantas, insetos e outros animais.

Não há Planeta B. Depois de décadas e décadas de alertas, dados, relatórios e estudos que apontam todos no mesmo sentido, agora, mais do que nunca, é urgente agir, e agir rapidamente. E é com foco na ação pela conservação do nosso Planeta Terra que trabalhamos todos os dias.

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Manifestação Faz pelo Clima - Bragança

Festival Sons & Ruralidades comemora Dia Europeu da Rede Natura 2000 e Dia Internacional da Biodiversidade junto da comunidade escolar de Vimioso

Inserido nas atividades do Sons & Ruralidades - Festival de Ecologia, Artes e Tradições Populares, o Dia Europeu da Rede Natura 2000 e o Dia Internacional da Biodiversidade foram comemorados junto da comunidade escolar de Vimioso, com a realização de várias iniciativas por parte da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural e da AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino.

O festival Sons & Ruralidades também pretende ser uma ferramenta de sensibilização da comunidade e das novas gerações para a importância de preservar a Natureza e a Biodiversidade e prover o necessário equilíbrio entre as atividades humanas e a conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais.

Comemoração do Dia Europeu da Rede Natura 2000. Alunos/as do 4.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Comemoração do Dia Europeu da Rede Natura 2000. Alunos/as do 4.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Na terça-feira, 21 de maio, Dia Europeu da Rede Natura 2000, estivemos no Agrupamento de Escolas de Vimioso, onde foi realizada uma apresentação a alunos/as do 4.º ano de escolaridade, com o objetivo de explicar o que é a Rede Natura 2000 e a sua importância.

Os/as alunos/as foram igualmente informados sobre quantas tipologias de áreas protegidas existem e onde estão localizadas, tanto no território nacional, como europeu. Foi também explicado aos alunos/as o enquadramento histórico da implementação da Rede.

Os/as estudantes também participaram num jogo didático sobre a Teia Alimentar. Durante este jogo, foram convidados/as a representar um ser vivo inserido numa das seguintes categorias: produtores, decompositores, consumidores primários, secundário ou finais.

A seguir, foram criadas ligações com fios entre os diferentes seres vivos, criando uma teia para que se percebesse de que forma estamos todos interligados e conectados, direta ou indiretamente.

Posteriormente, os participantes introduziram elementos que afetavam o equilíbrio dos ecossistemas e que iam quebrando as ligações existentes. O objetivo era fazer com que estes percebessem que, ao interferir no equilíbrio dos ecossistemas, todos ficam prejudicados. O jogo terminou com uma reflexão sobre os impactos das ações humanas nos ecossistemas e sobre as medidas que podem ser adotadas para minimizar ou anular esses impactos.

Já no dia 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, alunos/as do 8.º ano de escolaridade tiveram a oportunidades de ver três documentários: 5 Reinos - Parque Natural do Douro Internacional, de Bárbara Cruz, Joaquim Betenano, Carlos Sousa e Paulo Fontes, um Documentário da Palombar e o Portugal - The wild side, da Wildstep Productions.

Comemoração do Dia Internacional da Biodiversidade. Alunos/as do 8.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

Comemoração do Dia Internacional da Biodiversidade. Alunos/as do 8.º ano - Agrupamento de Escolas de Vimioso.

O objetivo foi proporcionar momentos de reflexão sobre a biodiversidade e a sua importância. Os/as alunos/as também participaram no jogo da Teia Alimentar e foram sensibilizados para a necessidade de proteger os processos ecológicos e a importância do papel do associativismo e das organizações não governamentais (ONG) na conservação da natureza e das estratégias e medidas de mitigação de impactos na biodiversidade.

Foi igualmente apresentada aos alunos/as uma contextualização do território onde estamos inseridos e das diferentes regiões biogeográficas, diferentes habitats, espécies e ecossistemas e principais grupos faunísticos presentes na Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maças e no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

O Sons & Ruralidades - Festival de Ecologia, Artes e Tradições Populares realizou-se nos dias 17, 18 e 19 e 21 e 22 de maio de 2019, no Parque Ibérico de Natureza e Aventura PINTA - Vales de Vimioso, no Concelho de Vimioso, organizado pela AEPGA, pela Palombar e pelo Município de Vimioso.

Intercâmbio de Recuperação de Património Rural em França: Palombar recruta 6 voluntários/as

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito de uma parceria realizada com a associação francesa Rempart, está a recrutar 6 voluntários/as para integrar um intercâmbio do programa Erasmus + sobre Recuperação do Património Rural, o qual irá decorrer no sul de França, na aldeia de Périllos, entre os dias 30 de junho e 13 de julho de 2019, dinamizado pela associação Terre de Pierres.

Intercânbio Périllos.jpg

Durante duas semanas, voluntários/as de Portugal, França e Itália vão unir-se neste intercâmbio para ajudar a reconstruir a pequena aldeia francesa de Périllos, com recurso a técnicas de construção tradicional. Esta será uma experiência única de partilha de conhecimentos, intercâmbio cultural e vida comunitária. O programa inclui ateliers práticos sobre recuperação do património rural, atividades culturais, visitas e debates sobre o património, entre outras ações.

A aldeia de Périllos é um local isolado e encantador. Trata-se de uma aldeia que se encontra atualmente em ruínas e onde não há habitantes, nem comércio, nem sistema de água canalizada. A antiga escola da aldeia foi transformada numa casa comunitária onde são acolhidos os/as voluntários que participam nas obras de reconstrução.

Périllos, França. Fotografia | Terre de Pierres

Périllos, França. Fotografia | Terre de Pierres

INSCRIÇÃO

Quem pode inscrever-se?

Jovens com idades entre os 18 e os 30 anos.

Os/as jovens da região de Trás-os-Montes terão prioridade no processo de seleção dos/as voluntários/as.

Para participar neste intercâmbio, deverá tornar-se sócio/a da Palombar. Poderá fazê-lo aqui.

Como?

Envia uma mensagem de e-mail com o assunto "Inscrição no Intercâmbio Périllos" para palombar@palombar.pt, com o teu nome completo, idade e contactos, a indicar a tua intenção de participar neste intercâmbio, bem como os motivos que te levam a querer integrar esta iniciativa. Ao demonstrares a tua intenção em participar neste intercâmbio, irás receber toda a informação necessária.

Qual é o período de inscrição?

O período de inscrição decorre entre os dias 22 de maio e 10 de junho.

Vou ter alguma despesa financeira?

As despesas das viagens (através de reembolso do valor pago previamente pelos voluntários/as), das refeições e do alojamento serão todas asseguradas pela associação Rempart. Os voluntários terão de pagar apenas o valor de 30 euros para ativação de um seguro de participação no evento.

Como vou para França?

O grupo de 6 voluntários recrutados pela Palombar vai para França de avião acompanhado por um monitor da Palombar, que estará também presente durante todo o intercâmbio a acompanhar os trabalhos e atividades desenvolvidos.

Dia Internacional da Biodiversidade: há um milhão de espécies em risco de extinção e é urgente agir agora

O Dia Internacional da Biodiversidade é assinalado esta quarta-feira, 22 de maio. Neste dia, enaltecemos o esforço e a dedicação de todas as pessoas, entidades, associações, organizações, comunidades e países que trabalham ininterruptamente para proteger e preservar a biodiversidade a nível local, regional e global. O esforço é hercúleo e as ameaças crescentes.

Neste dia, deixamos um grito de alerta para o mundo e apelamos à ação: há um milhão de espécies em risco de extinção que não podem esperar. Se não houver uma revolução que altere a nosso modo de vida atual e trave as alterações climáticas, estas espécies vão mesmo extinguir-se. Elas e nós.

Águia-real. Fotografia | Pedro Rego

Águia-real. Fotografia | Pedro Rego

De acordo com o relatório internacional divulgado pela Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Ambiente, atualmente, existe um milhão de espécies em risco de desaparecer, num universo de oito milhões de plantas, insetos e outros animais.

O documento, apresentado no dia 6 de maio em Paris, França, por 145 cientistas de 50 países e que foi aprovado por 130 Estados, afirma perentoriamente que as atividades humanas e, consequentemente, as alterações climáticas, estão a ter um impacto brutal e sem precedentes na Natureza. Segundo referem os peritos, nunca a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas foi tanta e tão rápida.

O estudo realizado mostra que a agricultura e a pesca são os maiores fatores de destruição dos ecossistemas, conseguindo uma taxa de extinção de espécies que é entre dezenas a centenas de vezes superior às médias dos últimos dez milhões de anos. Os efeitos das alterações climáticas causadas pela queima do carvão, petróleo e gás produzido pela indústria de combustíveis fósseis é outro fator determinante para a ameaça à biodiversidade e ao meio ambiente.

O relatório, que consiste na primeira Avaliação Global sobre o estado atual da Terra em termos de biodiversidade e sanidade, aponta também o caminho a seguir: só uma rápida e profunda transformação do sistema económico, social e financeiro poderá salvar-nos do colapso dos ecossistemas e do Planta Terra.

Fotografia | Roberto Covirno

Fotografia | Roberto Covirno

O alerta é claro: ou mudamos rapidamente o nosso sistema económico para um sistema que não tenha como meta o crescimento sem limites, ou os males provocados pela poluição, pela destruição de habitats e pelas emissões de carbono serão irreversíveis e afetarão todas as formas de vida na Terra.

O presidente do IPBES, Robert Watson, refere, num comunicado, que é possível começar a conservar, restaurar e usar a Natureza de forma sustentável, mas só se as sociedades estiverem preparadas para enfrentar os “interesses instalados” que parecem comprometidos a manter tudo como está.

“O relatório também nos diz que não é tarde de mais para fazer a diferença, mas somente se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”, frisa Robert Watson. A transformação tem de passar necessariamente por uma reorganização de todo o sistema que nos governa, “através de fatores tecnológicos, económicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores”.

Em causa está uma nova forma de viver e estar no Planeta. E a mudança tem de começar imediatamente porque já perdemos demasiado tempo. Depois de décadas e décadas de alertas, dados, relatórios e estudos que apontam todos no mesmo sentido, agora, mais do que nunca, é urgente agir, e agir rapidamente.

Bosque.

Bosque.

O relatório em números: um alerta para a ação

 Cenário global

• 75%: ambiente terrestre “severamente alterado” até hoje por ações humanas (ambientes marinhos 66%);

• 47%: redução dos indicadores globais de extensão e condição ótimas dos ecossistemas, esses indicadores continuam a diminuir num valor de pelo menos 4% por década;

• 28%: área terrestre global mantida e/ou gerida por Povos Indígenas, incluindo 40% de áreas oficialmente protegidas e 37% de todas as áreas terrestres remanescentes com intervenção humana muito reduzida;

• +/- 60 biliões: toneladas de recursos renováveis e não renováveis extraídos globalmente a cada ano, quase 100% desde 1980;

• 15%: aumento do consumo global de materiais per capita desde 1980;

• > 85%: percentagem de zonas húmidas existentes em 1700 que desapareceram em 2000, a perda de zonas húmidas é atualmente três vezes mais rápida, em termos percentuais, do que a perda de floresta.

Corvo. Fotografia | Pedro Rego

Corvo. Fotografia | Pedro Rego

Espécies, Populações e Variedades de Plantas e Animais

• 8 milhões: número total estimado de espécies animais e vegetais na Terra (incluindo 5,5 milhões de espécies de insetos);

• Dez a centenas de vezes: a medida em que a taxa atual de extinção de espécies a nível mundial é maior em comparação com a média dos últimos 10 milhões de anos, e o aumento da taxa está a acelerar;

• Até 1 milhão: espécies ameaçadas de extinção, muitas poderão estar extintas em apenas algumas décadas;

• > 500 000 (+/- 9%): parte dos 5,9 milhões de espécies terrestres estimadas no mundo com habitat insuficiente para sobrevivência a longo prazo se não houver restauração de habitats;

• > 40%: espécies de anfíbios ameaçadas de extinção;

• Quase 33%: corais formadores de recifes, tubarões e outras espécies relacionadas ameaçados de extinção e > 33% de mamíferos marinhos em risco de desaparecer;

• 25%: proporção média de espécies ameaçadas de extinção nos grupos terrestres, de água doce e vertebrados marinhos, invertebrados e plantas que foram avaliadas com dados suficientes;

• Pelo menos 680: espécies de vertebrados extintos devido a ações humanas desde o século XVI;

• +/- 10%: estimativa preliminar da proporção de espécies de insetos ameaçadas de extinção;

• > 20%: declínio na abundância média de espécies nativas na maioria dos principais biomas terrestres, principalmente desde 1900;

• +/- 560 (+/- 10%): raças domesticadas de mamíferos que foram extintas em 2016, com pelo menos mais 1 000 ameaçadas;

• 3,5%: raças domesticadas de aves extinta até 2016;

• 70%: aumento desde 1970 no número de espécies exóticas invasoras em 21 países com registos detalhados;

• 30%: redução na integridade do habitat terrestre global causada pela perda de habitat e deterioração;

• 47%: proporção de mamíferos terrestres não voadores e 23% de aves ameaçadas cujas distribuições podem já ter sido afetadas negativamente pelas mudanças climáticas;

• > 6: espécies de ungulados que provavelmente estariam extintas ou a sobreviver apenas em cativeiro se, atualmente, não existissem medidas de conservação.

Bosque de carvalho-negral.

Bosque de carvalho-negral.

Florestas

• 45%: aumento da produção de madeira bruta desde 1970 (4 biliões de metros cúbicos em 2017);

• +/- 13 milhões: empregos na indústria florestal;

• 50%: expansão agrícola que ocorreu à custa da destruição de florestas;

• 50%: redução na taxa líquida de perda florestal desde os anos 90 (excluindo aqueles utilizados para extração de madeira ou agrícola);

• 68%: área florestal global atual comparada com o nível pré-industrial estimado;

• 7%: redução de florestas intactas (> 500 km2 sem pressão humana) de 2000-2013 em países desenvolvidos e em desenvolvimento;

• 290 milhões de hectares (+/- 6%): cobertura florestal nativa perdida de 1990-2015 devido ao desmatamento e extração de madeira;

• 110 milhões de hectares: aumento da área de florestas plantadas de 1990-2015;

• 10-15%: fornecimento global de madeira obtida pela silvicultura ilegal (até 50% em algumas áreas);

• > 2 biliões: pessoas que dependem de combustível de madeira para atender às suas necessidades de energia primária.

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Alterações climáticas

• 1 grau Celsius: diferença média de temperatura global em 2017, em comparação com os níveis pré-industriais, aumento de cerca de +/- 0,2 (+/- 0,1) graus Celsius por década;

• > 3 mm: aumento médio anual do nível do mar nas últimas duas décadas;

• 16-21 cm: aumento da média global do nível do mar desde 1900;

• aumento de 100% desde 1980 nas emissões de gases de efeito estufa, elevando a temperatura média global em pelo menos 0,7 graus Celsius;

• 40%: aumento da pegada de carbono do turismo (para 4,5 Gt de dióxido de carbono) de 2009 a 2013;

• 8%: das emissões totais de gases de efeito estufa são provenientes do transporte e do consumo de alimentos relacionados com o turismo;

• 5%: percentagem estimada de espécies em risco de extinção com um aumento da temperatura de 2°C, essa percentagem sobe para 16%, se a temperatura aumentar 4,3°C;

• Mesmo que o aquecimento global seja de apenas 1,5 a 2ºC, a maioria das populações de espécies terrestres deverá sofrer uma redução drástica.

Consulte o relatório em:

https://www.ipbes.net/news/Media-Release-Global-Assessment

https://www.ipbes.net/news/ipbes-global-assessment-summary-policymakers-pdf

Hoje assinala-se o Dia Europeu da Rede Natura 2000, o principal instrumento de conservação da Natureza e da Biodiversidade na UE

O Dia Europeu da Rede Natura 2000, o principal instrumento de conservação da Natureza e da Biodiversidade na União Europeia (UE), é assinalado esta terça-feira, 21 de maio.

Para comemorar esta data especial, a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai estar presente no Agrupamento de Escolas de Vimioso a desenvolver ações de educação ambiental para sensibilizar as novas gerações para a importância da preservação da Biodiversidade e da Natureza, sobretudo numa altura em que a degradação dos habitats e a extinção de espécies avançam a uma velocidade extremamente preocupante à escala europeia e planetária.

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

Parque Natural de Montesinho. Fotografia | Pedro Rego

As intervenções que cada um de nós, em nome individual ou coletivo, faz em prol da conservação da Natureza e da Biodiversidade são contributos essenciais que geram benefícios não só localmente, como globalmente. São ações cruciais e estratégicas para evitar a extinção de espécies, para a sustentabilidade dos ecossistemas e para o desenvolvimento saudável das sociedades.

No âmbito da sua missão de promover a conservação da Natureza, a Palombar desenvolve e/ou participa em vários projetos cujos territórios de intervenção estão abrangidos pela Rede Natura 2000, nomeadamente o ConnectNatura, o Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável e o Life Rupis.

Britango e grifo.

Britango e grifo.

Projetos e ações da Palombar em território da Rede Natura 2000

ConnectNatura

O “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000” é um projeto da Palombar que tem como objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). 

Grupo Nordeste

O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável é constituído pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, pela APFNT - Associação dos Produtores Florestais do Nordeste Transmontano e pela Palombar e pretende dar vida a um modelo de intervenção que, unindo a conservação da Natureza à agricultura e à exploração florestal sustentável, promova o envolvimento das comunidades locais e dinamize o desenvolvimento integrado do espaço rural nos vales dos rios Sabor e Maçãs, que estão inseridos na ZPE Rios Sabor e Maças. 

Life Rupis

O 'Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro’ é um projeto de conservação transfronteiriço, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto Life Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar, a Associação Transumância e Natureza (ATNatureza), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

O que é a Rede Natura 2000?

A Rede ecológica Natura 2000 da União Europeia é a maior rede de áreas protegidas do mundo. A Rede Natura 2000 resulta da aplicação da Diretiva Aves (de 1979 e depois alterada e atualizada em 2009) e da Diretiva Habitats, de 1992.

Estas Diretivas têm, no geral, como objetivo assegurar a conservação, a longo prazo, das espécies selvagens de fauna e flora e dos habitats mais ameaçados da Europa, contribuindo para travar a perda de Biodiversidade. A Rede Natura 2000 constitui o principal instrumento para a promoção da conservação da Natureza e da Biodiversidade na União Europeia.

Esta Rede também deve permitir alcançar os objetivos estabelecidos pela Convenção sobre Diversidade Biológica, aprovada na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, no Brasil, em 1992.

Milhafre-real. Fotografia | Pedro Rego

Milhafre-real. Fotografia | Pedro Rego

Como é constituída a Rede Natura 2000?

A Rede Natura 2000 é composta por:

Zonas de Proteção Especial (ZPE) - estabelecidas ao abrigo da Diretiva Aves, têm como principal objetivo garantir a conservação das espécies de aves, e dos seus habitats, listadas no seu Anexo I, e das espécies de aves migratórias não referidas no Anexo I e cuja ocorrência seja regular no território europeu;

Zonas Especiais de Conservação (ZEC) - criadas ao abrigo da Diretiva Habitats, visa contribuir para assegurar a Biodiversidade, através da conservação dos habitats naturais (Anexo I) e dos habitats de espécies da flora e da fauna selvagens (Anexo II), considerados ameaçados no espaço da União Europeia.

Sítio de Importância Comunitária (SIC) - é definido pela Diretiva Habitats como um sítio que, na região ou regiões biogeográficas a que pertence, contribui de forma significativa para a manutenção ou recuperação de um estado de conservação favorável de um tipo de habitat natural ou de uma espécie, podendo também promover a coesão da Rede Natura 2000 e/ou a manutenção da biodiversidade nessa região ou regiões.

Nas áreas definidas como ZPE, ZEC e SIC de conservação de determinados habitats e espécies, as atividades humanas deverão ser compatíveis com a preservação da biodiversidade, visando uma gestão sustentável do ponto de vista ecológico, económico e social.

Para assegurar essa compatibilização, é necessário promover uma articulação da política de conservação da Natureza com as restantes políticas setoriais, nomeadamente, agrossilvopastoril, turística ou de obras públicas, com vista a encontrar os mecanismos para que os espaços incluídos na Rede Natura 2000 sejam espaços vividos e geridos de uma forma sustentável.

Barómetro Natura 2000: acompanhe a evolução da Rede

O barómetro Natura 2000 foi criado para informar a comunidade sobre a evolução da implementação desta rede.

O barómetro fornece uma visão geral da rede Natura 2000 e das zonas abrangidas pelas Diretivas Aves e Habitats, apresentado informação sobre as áreas e o número de locais classificados.

Grifo encaminhado para recuperação pela Palombar é devolvido à Natureza em Torre de Moncorvo

Um grifo (Gyps fulvus) encontrado ferido no campo no concelho de Mogadouro pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no dia 21 de março, e encaminhado para recuperação no Centro de Interpretação Ambiental e de Recuperação Animal (CIARA), em Felgar (Torre de Moncorvo), foi devolvido à Natureza esta segunda-feira, 13 de maio, no âmbito de atividades de comemoração do segundo aniversário do CIARA.

O animal, que esteve quase dois meses em processo de recuperação, voltou a abraçar a liberdade, tendo sido libertado pelos técnicos do CIARA numa zona próxima à Capela de São Lourenço, em Felgar, numa iniciativa que contou com a participação de dezenas de crianças que assistiram à libertação do animal.

Em Portugal, esta espécie está classificada como “Quase Ameaçada”. A utilização de iscos envenenados, a redução da disponibilidade de alimentos, a diminuição do aproveitamento pecuário extensivo, a perturbação humana, a eletrocussão, a degradação dos habitats, a perseguição humana e a instalação de parques eólicos são as principais ameaças para esta espécie.

O grifo é uma das espécies alvo de conservação do projeto ConnectNatura da Palombar. O “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000” tem como objetivo a conservação de espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Saiba mais em www.connectnatura.pt.

Grupo Nordeste participa nas comemorações do 2.º aniversário do CIARA com jogo didático sobre a cadeia trófica

O Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável, que integra a Palombar, também marcou presença nas atividades de comemoração do 2.º aniversário do CIARA, com a apresentação de um jogo didático sobre a cadeia trófica.

Durante este jogo, os participantes foram convidados a representar um ser vivo inserido numa das seguintes categorias: produtores, decompositores, consumidores primários, secundário ou finais.

A seguir, foram criadas ligações com fios entre os diferentes seres vivos, criando uma teia para que se percebesse de que forma estamos todos interligados e conectados, direta ou indiretamente.

Posteriormente, os participantes introduziram elementos que afetavam o equilíbrio dos ecossistemas e que iam quebrando as ligações existentes. O objetivo era fazer com que estes percebessem que, ao interferir no equilíbrio dos ecossistemas, todos ficam prejudicados. O jogo terminou com uma reflexão sobre os impactos das ações humanas nos ecossistemas e sobre as medidas que podem ser adotadas para minimizar ou anular esses impactos.