Terminou o primeiro ano escolar do Life Rupis

Chegou ao fim o primeiro ano escolar do Life Rupis e este acabou em grande com o lançamento de exposições em que foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano sobre o projecto e as espécies alvo.

O Programa Escolar do Rupis 2016/2017 começou com uma formação para os professores dos respectivos agrupamentos escolares. Com os alunos, o programa foi dividido em três momentos, tendo o primeiro sido em sala de aula, onde foram apresentadas as espécies alvo do projecto e outras aves da região, bem como as ameaças a elas associadas e algumas das medidas de conservação a serem implementadas. O segundo momento consistiu numa saída de campo para observação de aves e contacto com material óptico; e, finalmente, o terceiro consistiu na apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano.

Este programa de educação ambiental foi desenvolvido nos agrupamentos de escolas de Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira Castelo Rodrigo pelos parceiros do Life Rupis. A Palombar, juntamente com a SPEA, foi responsável pelos trabalhos nos concelhos a norte do PNDI, que envolveram cerca de 275 alunos; já na parte Sul do parque os trabalhos estiveram a cargo da ATN e da SPEA.

Um dos pontos altos deste ano foram as saídas de campo, onde os alunos do 3º, 5º, 8º e 11º puderam sair da sala de aula para manusear binóculos e serem guiados numa sessão de observação de aves. Durante estas saídas (uma por turma), os alunos foram surpreendidos com a diversidade de aves existente nos arredores da escola, incluindo uma das espécies alvo do projecto, o britango (Neophron percnopterus).

De realçar que os trabalhos seleccionados serão apresentados durante o festival de natureza #observArribas, que irá decorrer de 23 a 25 de Junho em Miranda do Douro.

O projecto Rupis vai voltar às escolas nos próximos anos lectivos - esteja atento!

Ivo4All, um projecto europeu de inclusão

No dia 6 de Junho, a Palombar marcou presença na sessão de encerramento do projecto Ivo4All - International Volunteering Opportunities for All, no qual participou entre 2015 e 2016 com o acolhimento de 6 voluntários vindos de França e Itália. A apresentação decorreu no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas. Participámos a convite do Dipartimento della Gioventù e del Servizio Civile Nazionale, juntamente com a representante dos nossos parceiros italianos, bem como de uma das voluntárias que connosco colaborou.

O projecto europeu, desenvolvido no âmbito do programa Erasmus+, foi promovido por entidades governamentais e ONGs francesas, italianas e inglesas, e envolveu directamente 250 voluntários. O objectivo? Testar fórmulas de inclusão de jovens com menos oportunidades em iniciativas de voluntariado internacional, na perspectiva de influenciar as políticas europeias na área.

Durante o período de implementação do projecto, a Palombar recebeu duas voluntárias francesas, enviadas pela Union Rempart, e 4 voluntários italianos, através do CESC Project, tendo sido a única entidade a estabelecer parcerias com organizações de dois dos três países envolvidos. A esta colaboração com Itália juntou-se também a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA), que recebeu de igual modo 4 voluntárias, no âmbito de um mesmo projecto conjunto.

Ainda que os relatórios do projecto dêem conta do seu sucesso, medimo-lo antes pelas experiências positivas vividas pelos jovens que recebemos e pela sua inserção posterior no mercado de trabalho.

Obrigado aos parceiros (CESC Project e Union Rempart) e a todos os jovens envolvidos (Lila Magnac, Maëva Cruz, Alberto Siracusano, Gilda Campana, Roberto Talloru e Michela di Meo)!

Saiba mais sobre o projecto aqui

Donativo em géneros

A Gracilmor, fornecedora de um dos revendedores da região com que a Palombar tem vindo a trabalhar, fez um donativo em géneros: ofereceu-nos material variado, em pequenas quantidades para uma empresa de tamanha dimensão, mas de uma imensa utilidade para uma associação como a nossa.

Cordas, níveis, luvas, fitas métricas, entre muitos outros produtos, que servirão não só as nossas tarefas diárias, mas também actividades que contam com participantes externos, como oficinas e campos de trabalho voluntário internacional.

Agradecemos à Gracilmor e aproveitamos para fazer um apelo a empresas deste e de outros ramos (construção, tecnologia, hotelaria, restauração, …): a oferta de produtos antigos, em fundo de stock, desuso ou semelhante, muitas vezes esquecidos em armazém, são bens preciosos para entidades sem fins lucrativos como a Palombar – doe-os e contribua para um projecto relevante com o qual se identifica!

Caso pretenda fazer um donativo em géneros à Palombar, pedimos-lhe que nos escreva um e-mail para palombar@palombar.pt .

A natureza e o património rural agradecem!

A Comunidade Escolar Junto à Terra

Entre os dias 28 de Março e 5 de Abril a Palombar uniu-se ao Projecto Junto à Terra (JaT) que envolveu a comunidade escolar de 4 municípios do Baixo Sabor: Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Torre de Moncorvo.

Esta iniciativa, enquadrada no programa escolar anual, promoveu o contacto de 267 alunos do 9º ano de escolaridade e de 32 professores com os valores da sustentabilidade e da conservação da natureza. O JaT surge assim como um programa de sensibilização e divulgação do património natural do Baixo Sabor, onde a biodiversidade é comunicada pela sua importância no bem-estar humano e como factor de desenvolvimento sustentável do território. Este projecto tem três componentes que se desenvolvem ao longo do calendário escolar: a primeira, realizada em sala de aula e através do recurso a conteúdos on-line e ferramentas de e-learning; a segunda, dinamizada pelo Grupo Nordeste, conta com cinco parceiros operacionais que de uma forma prática e pedagógica, convidam os alunos a passar um dia no campo, em plena Rede Natura/ SIC Rios Sabor e Maçãs.

As entidades que assumiram o compromisso de o dinamizar são associações locais que desenvolvem o seu trabalho para a salvaguarda deste património, entre as quais: Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, Associação dos Produtores Florestais do Nordeste Transmontano, GeoPark Terras de Cavaleiros, Grupo Lobo e Palombar.


As suas distintas valências permitem uma abordagem holística, englobando múltiplas concepções da biodiversidade e conservação da natureza. Desta forma, os alunos tiveram a oportunidade de participar em 5 oficinas promovidas por cada associação, com mensagens distintas e igualmente importantes: Pastorícia e Biodiversidade, Biodiversidade Florestal, Os Minerais e a Biodiversidade, À Descoberta do Lobo, Biodiversidade Agrícola e Selvagem.

Em dias pautados pela sustentabilidade ambiental, a comida consumida foi produzida localmente e nenhum tipo de material descartável foi utilizado. Cada aluno recebeu um kit composto por um saco de pano, uma t-shirt, uma caneca e um passaporte. Este último comunica de forma escrita as mensagens transmitidas durante as oficinas.



A terceira componente do projecto desafia os alunos a participar num concurso, sob o tema “A biodiversidade e o desenvolvimento rural”, convidando-os a realizar um vídeo cujo objectivo será a divulgação e a valorização da relação interdependente entre a biodiversidade e as actividades humanas locais/regionais. Esta componente culminará numa cerimónia de entrega de prémios.

O JaT é um projecto que complementa as matérias curriculares obrigatórias e que irá certamente contribuir para que os jovens dos concelhos do Baixo Sabor valorizem o seu território numa óptica empreendedora e contemporânea, em que a biodiversidade é entendida como um factor-chave para o seu desenvolvimento profissional e pessoal.

O JaT e os seus promotores e parceiros agradecem aos Municípios do Baixo Sabor todo o envolvimento e apoio prestados e congratulam ainda os agrupamentos das escolas participantes por aderirem a um projeto ambicioso e que os une num objetivo comum de desenvolvimento regional sustentável e em coexistência com o meio natural.

Projeto SVE sobre património natural e cultural

(English version below)

Pela primeira vez, a Palombar participa num projecto de Serviço Voluntário Europeu (SVE). É a entidade coordenadora e de acolhimento de “Heritage: a Common Good, a Common Responsibility”, numa parceria com a AVRIL Association, organização de envio, francesa.

O objectivo principal? Dar a oportunidade a dois jovens franceses (entre os 18 e os 30 anos; preferencialmente, com residência na Normandia) de trabalharem o conceito de património e de contribuírem para a sua conservação, através da sua integração na nossa equipa de trabalho; acompanharão as nossas tarefas diárias, ajudando e aprendendo, durante dois períodos consecutivos de 6 meses – de Maio a Novembro de 2017 e de Novembro de 2017 a Maio de 2018.

Se estiveres interessado e tiveres disponibilidade, descarrega o documento de apresentação do projecto aqui e escreve para a Agi Musset da AVRIL Association através do e-mail international@associationavril.org .

Junta-te a nós!

* * *

Palombar is participating, for the first time, in a European Voluntary Service (EVS) project. It is the coordinating and hosting organisation for “Heritage: a Common Good, a Common Responsibility”, in a partnership with French AVRIL Association, the sending entity.

What’s the main goal? To give two French youngsters (between 18 and 30 years of age; preferably, residing in Normandy) the opportunity to work on the heritage concept and to contribute to its preservation, through their integration in our work team; they will accompany our daily tasks, helping and learning, during two consecutive 6 months’ periods – from May to November 2017 and from November 2017 to May 2018.

If you’re interested and available, download the project’s presentation document here and write to Agi Musset from AVRIL Association through international@associationavril.org .

Do join us!

Jornadas Técnicas Dedicadas ao Corço

No passado dia 18 de Março, teve lugar, na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues em Alfândega da Fé, as segundas Jornadas Técnicas dedicadas à conservação da natureza aliada à gestão cinegética, organizadas pela Palombar no âmbito do Grupo Nordeste. A ocasião reuniu cerca de 45 pessoas.

Desta vez, a sessão foi dedicada à “Conservação e gestão cinegética do corço (Capreolus capreolus): perspectivas, oportunidades e desafios”, uma matéria que pede uma abordagem abrangente e exaustiva dada a recente expansão deste ungulado no Nordeste Transmontano, bem como a falta de informação no que diz respeito à sua gestão e protecção.

Com um painel de oradores de excelência, que contou com alguns dos maiores especialistas e investigadores da área, permitiu-se o contacto directo e um diálogo construtivo entre os diferentes agentes do território: a administração pública representada pela autarquia local (Munícipio de Alfândega da Fé) e pela autoridade nacional para a conservação da natureza (ICNF), a comunidade ciêntifica (Universidade de Aveiro, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Instituto Politécnico de Bragança), associações de conservação da natureza, defesa do ambiente e desenvolvimento sustentável, entidades gestoras de zonas de caça e a comunidade local.

Ao longo da manhã, foram expostas várias palestras sobre a ecologia e a biologia da espécie, a importância da monitorização das populações de corço, a gestão de prejuízos, das populações e do ecossistema do corço, e ainda os desafios relacionados com o consumo e a comercialização de carne de caça. Finalizou-se com uma mesa redonda e debate participativo, comunicativo e dinâmico.

Pela tarde, realizou-se uma visita ao terreno, que possibilitou o contacto directo dos participantes com algumas das técnicas mais actuais de monitorização de ungulados silvestres, e que permitem estimar as densidades das populações, aspecto essencial e básico para uma boa gestão da espécie.

Como conclusões essenciais destas Jornadas, ficam a importância da monitorização das populações de corço como ferramenta base para a sua gestão e a importância da criação de redes de contactos e de trabalho colaborativo entre as diferentes partes envolvidas.

O sucesso, e participação desta 1ª edição das "Jornadas Técnicas: A conservação da natureza aliada à gestão cinegética", abrem as portas para o trabalho conjunto, colaborativo, participativo e fundamentado dos diferentes agentes envolvidos para uma melhor gestão dos recursos naturais e motiva-nos para continuar a trabalhar neste sentido e promover o desenvolvimento sustentável do Nordeste Trasmontano.

Descarregue o livro de resumos aqui

Criação de equipa cinotécnica de detecção de venenos no Douro Internacional

Foram apresentados esta semana, em Miranda do Douro, os dois binómios cinotécnicos especializados na detecção de venenos (com um cão pastor Belga Mallinois e um cão pastor Alemão) criados juntamente com o coordenador, em conjunto com militares do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA), que irão intervir nas Zona de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda.

A criação de binómios detectores de venenos irá aumentar a capacidade de vigia e controlo da ameaça, onde o despiste de casos de envenenamento na natureza será efetuado por patrulhas cinotécnicas regulares nas áreas de intervenção do Projeto que terão um carácter:

* Preventivo: com o intuito de detectar situações de uso ilegal de venenos, nomeadamente a presença de iscos envenenados. Nestas situações, a utilização de cães permite fiscalizar áreas muito extensas e, por vezes, de difícil acesso;

* Reactivo: com o intuito de verificar situações com cadáveres ou animais selvagens ou domésticos, com indícios de envenenamento;

* Criminal: facilitando a abertura de processos criminais com uma maior quantidade e qualidade de provas obtidas, num processo conduzido pelo mesmo órgão (detecção, recolha e processamento, investigação), aumentando a probabilidade de determinação e culpabilização dos responsáveis.

A este patrulhamento intensivo, concretamente direccionado à proteção da águia perdigueira e do britango, está associado um efeito preventivo e dissuasor decorrente desta presença constante e regular no terreno.

A Guarda Nacional Republicana participa, até maio de 2019, no projeto Life Rupis: Conservação da águia perdigueira e britango, através do patrulhamento especialmente direccionado para a detecção de venenos com a criação de uma equipa cinotécnica de deteção de venenos, no Douro Internacional.

Primeiras Jornadas Técnicas, dedicadas ao coelho-bravo

No Sábado passado, dia 4 de Março, teve lugar o primeiro de vários eventos que irão desenvolver-se no âmbito das Jornadas Técnicas: A conservação da natureza aliada à gestão cinegética. Desta vez, o tema escolhido foi a "A nova doença hemorrágica e os seus efeitos nas populações naturais de Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus)”, um assunto preponderante e actual, dado que as populações naturais de coelho-bravo enfrentam neste momento uma situação difícil no que respeita a epidemias e doenças.

Reuniram-se todas as condições para um excelente momento de formação, aprendizagem e partilha, com a presença de cerca de 40 pessoas que compuseram um público bastante diversificado: gestores e representantes das Associativas de Caçadores e Zonas de Caça locais, associações de conservação da natureza e desenvolvimento sustentável, a comunidade científica e a administração pública, esta última representada pelo ICNF e pelo Município de Bragança e freguesias locais.

Contou-se com a presença de um painel de oradores de excelência, composto por alguns dos investigadores nacionais que desenvolveram trabalhos mais relevantes e de ponta sobre esta temática, todos eles pertencentes ao CIBIO/InBio. Foram apresentadas as últimas evoluções relativas à nova doença hemorrágica viral, abordaram-se as melhores práticas e recomendações para o seu controlo e apresentaram-se os dados das monitorizações realizadas no âmbito do Projecto SOS Coelho durante o ano de 2016, em Santulhão (Vimioso) e na Granja (Miranda do Douro). Houve ainda um momento de debate e uma mesa redonda, onde oportunamente se esclareceram algumas das dúvidas e inquietações dos presentes.

As Jornadas terminaram com uma visita ao terreno, à estação de monitorização das populações de coelho-bravo, instalada na zona de caça de Santulhão, onde os participantes puderam estar em contacto com as metodologias de monitorização utilizadas no Projecto SOS Coelho e com as intervenções de gestão de habitat que têm vindo a ser implementadas nesse local.

Estas Jornadas, muito bem sucedidas, abriram as portas à colaboração entre os distintos colectivos interessados na proteção e recuperação das populações de coelho-bravo.

Faça o download do livro de resumos aqui. (link pdf)

Medicamento veterinário ameaça Abutres em Portugal

Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA) nacionais obtiveram recentemente confirmação de que está atualmente a ser avaliada na Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo a sustância ativa diclofenac. Esta substância foi responsável pelo dramático e abrupto declínio dos abutres do sub-continente Indiano, que quase os levou à extinção. A  ATN *1, LPN *2, Palombar *3 Quercus*4 e a SPEA*5 já alertaram as autoridades competentes para os seus impactos sobre as aves necrófagas, tendo apelado ao Governo Português para que não permita a autorização e utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.
 
De acordo com a ampla informação científica existente e como referem os alertas anteriormente feitos por diversas organizações nacionais e internacionais, o diclofenac, um anti-inflamatório não esteroide, provoca insuficiência renal aguda nos abutres e também em águias do género Aquila, que culmina na sua morte num curto espaço de tempo. Estas aves morrem de colapso renal até dois dias após a ingestão de tecidos de animais tratados com diclofenac. Na Índia, bastou que menos de 1% das carcaças disponíveis para os abutres contivessem um nível letal de diclofenac para causar a redução das suas populações em mais de 97%, o que levou a que este fármaco tenha sido banido no subcontinente indiano.
 
De salientar, por outro lado, a existência em Portugal de várias alternativas a este fármaco, e com muito menor impacto, pelo que o tratamento de espécies pecuárias é atualmente perfeitamente possível sem recorrer ao uso do diclofenac e de uma forma segura para as aves necrófagas.
 
Portugal possui importantes populações de abutres e de grandes águias com hábitos necrófagos e com estatuto de ameaça elevado: o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos), a maioria delas com efetivos muito reduzidos. Todas estas espécies estão legalmente protegidas em Portugal no âmbito da Diretiva Aves da União Europeia. Tendo em conta os impactos provados do diclofenac nestas espécies, os seus hábitos alimentares e a suas reduzidas populações, a autorização e utilização do diclofenac em Portugal terá um impacto potencialmente devastador nestas aves e também nos ecossistemas onde ocorrem, em consequência do papel ecológico fundamental que possuem.
 
A autorização do diclofenac em Portugal para uso pecuário poderá colocar em causa de forma irremediável o compromisso e esforço nacionais de conservação das aves necrófagas, desperdiçando uma oportunidade do Estado Português reiterar o seu empenho relativamente aos objetivos de conservação da natureza e sustentabilidade ambiental a nível nacional e da União Europeia.
 
Recorde-se que a Convenção Sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem (CMS ou Convenção de Bona), adotou uma resolução na Conferência das Partes em 2014 (Resolução 11.15 da COP11 da CMS), com o voto favorável de Portugal, que inclui a recomendação legislativa de “proibir o uso do diclofenac veterinário para o tratamento pecuário e substitui-lo por alternativas seguras e já disponíveis, tais como o meloxicam”.
 
A BirdLife Internacional *5 (da qual a SPEA é a representante em Portugal) e a Vulture Conservation Foundation (VCF), organizações internacionais de referência na conservação da natureza, demonstraram nos últimos dias a sua preocupação e expectativa com o que possa suceder em Portugal referindo *6 que “a Europa é atualmente o reservatório dos abutres do velho mundo, assim como líder nas melhores práticas de conservação dos abutres. Esperamos que o diclofenac não coloque isso em risco – como tal apelamos a que as autoridades Portuguesas considerem todas as evidências científicas existentes, as recomendações produzidas pela Agência Europeia do Medicamento, os seus compromissos ao abrigo da resolução 11.15 da CMS e recuse a autorização de comercialização no país”. Estas declarações surgem na sequência de um encontro internacional para a preparação de um plano de conservação global para os abutres da Eurásia e África.
 
A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) anunciou também *7 uma moção aprovada no âmbito do Congresso Mundial de Conservação realizado em Setembro de 2016, em que “Apela aos Governos que implementem urgentemente as recomendações da resolução 11.15 da CMS”, incluindo a referente à proibição do uso do diclofenac veterinário.
 
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), parceiro nos vários projetos de conservação de aves necrófagas em Portugal, reconheceu já a sua preocupação face à potencial utilização do diclofenac ao nível da pecuária, assim como os riscos que daí advêm para a conservação das populações nacionais de aves necrófagas. A preocupação de todas as organizações envolvidas na preservação destas espécies está evidente na proposta de Plano Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas em Portugal, que aguarda aprovação final e implementação.
 
As ONGA envolvidas consideram que a utilização do melhor conhecimento científico existente e o respeito pelo princípio da precaução impõe que o Estado Português não autorize o diclofenac para uso pecuário, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação das aves necrófagas em Portugal.
 
Associação Transumância e Natureza (ATN)
BirdLife Europe and Central Asia
European Environmental Bureau (EEB)
Liga para a Protecção da Natureza (LPN)
Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA)
Vulture Conservation Foundation (VCF)

* * *

NOTAS:
 
*1 ATN - Associação Transumância e Natureza
*2 LPN – Liga para a Proteção da Natureza, membro do EEB em Portugal
*3 Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural
*4 Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
*5 SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
*6 Birdlife
*7 VCF – Vulture Conservation Foundation
*8 Moção 19 - págs. 61 a 63

Milhafre-real ou rabo-de-bacalhau, uma espécie emblemática do Nordeste Transmontano, é alvo do primeiro censo da sua população invernante

O milhafre-real (Milvus milvus) está classificado como uma das aves de rapina mais ameaçadas de Portugal: a sua população reprodutora tem um estatuto de conservação Criticamente Em Perigo e a população invernante tem estatuto Vulnerável (Cabral 2005). É uma espécie residente e parcialmente migratória em Portugal continental, cuja população invernante é substancialmente superior à população reprodutora devido à presença dos indivíduos oriundos do norte da Europa (Cabral 2005).

Com um estatuto de conservação tão desfavorável e sendo esta uma espécie beneficiária do projecto Life Rupis (LIFE14 NAT/PT/000855), é urgente e fundamental acompanhar a sua evolução em território nacional e em especial na região do Nordeste Transmontano.

Desta forma, desde 2015 que a Palombar assumiu o compromisso e tem colaborado activamente no censo da população invernante de milhafre-real, promovido e coordenado a nível nacional pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e que conta com a colaboração de várias entidades nacionais e voluntários que têm reunido esforços para a sua concretização. O censo é feito anualmente, durante o mês de Janeiro, através da prospecção e detecção de dormitórios da espécie e da respectiva contagem de indivíduos. Os objectivos são estimar a população invernante de milhafre-real em Portugal continental e recolher dados sobre dormitórios e outras concentrações que permitam identificar as áreas mais importantes para a espécie durante o Inverno.

O milhafre-real tem presença assídua no Nordeste Transmontano e tem por hábito agrupar-se em dormitórios comunais durante o Inverno, que podem reunir apenas alguns indivíduos ou chegar a ter algumas centenas de aves. Normalmente estão próximos das fontes de alimento disponíveis durante esta época do ano, em árvores grandes isoladas ou pequenos bosques ou florestas, frequentemente próximos de povoações e caminhos rurais.

A identificação destes locais de aglomeração de indivíduos é fundamental e de muita utilidade para definir diferentes acções de conservação. No entanto, e apesar desta espécie ocorrer na região durante todo o ano, o conhecimento sobre estes locais é limitado devido à baixa densidade populacional da espécie e à grande extensão da região, o que aumenta consideravelmente a dificuldade em localizar os dormitórios.

É de realçar a importância de colaborações activas entre diferentes agentes e entidades da região na detecção destes dormitórios. A estreita cooperação e troca de informações entre os técnicos da Palombar e os técnicos do ICNF do Parque Natural do Douro Internacional foi fulcral para o sucesso do trabalho desenvolvido durante a época de censo. Nestes três anos (2015 a 2017) foram identificados e contabilizados no planalto mirandês três dormitórios com cerca de 20 a 25 indivíduos cada, mais um possível dormitório onde apenas se contou um animal. A detecção destes locais é feita através da realização de percursos exploratórios e de observação em pontos estacionários. No mapa, estão reflectidos os resultados obtidos até ao momento:

A Palombar continuará a fomentar e a valorizar a cooperação entre as diferentes entidades da região e a desenvolver um esforço contínuo de censo e monitorização de milhafre-real nos próximos anos, no sentido de conhecer cada vez melhor a situação actual da população desta espécie em território nacional. Comprometemo-nos a desenvolver um trabalho contínuo e dedicado em prol desta e de outras espécies emblemáticas.

Consulte aqui o relatório do primeiro censo de milhafre-real desenvolvido em 2015. 

Um tractor ao serviço da conservação da natureza

Chegou à Palombar o novo tractor de rodas, que tem pela frente muitos desafios e tarefas...!

Foi através do projecto Rupis, co-financiado pela União Europeia ao abrigo do Programa Life + para a conservação da natureza, que fizemos a aquisição desta ferramenta fundamental para a prossecução dos objectivos a que nos propusemos e que possibilitará à associação a realização de diferentes acções de gestão de habitat de forma independente.

É de salientar a multifuncionalidade deste tractor e das alfaias que lhe estão associadas, que nos possibilitam a realização de diferentes actividades agrícolas e florestais. Desde que chegou, o tractor ainda não parou: ao longo das margens do Douro Internacional tem implementado sementeiras para promover a dispersão de espécies-presa (coelho-bravo e perdiz-vermelha, entre outros) através do aumento da disponibilidade alimentar e de áreas de ecótono (zonas de transição entre ecossistemas). A instalação de morouços, a desmatação e o apoio à gestão florestal são apenas algumas das tarefas que lhe estão destinadas.

Este tractor terá uma vida dedicada ao serviço da conservação da natureza!

A maior ave de rapina da Europa volta a alimentar-se no Nordeste Transmontano

O abutre-preto (Aegypius monachus) é a maior ave de rapina da Europa (pode alcançar os 3 m de envergadura) e está numa situação vulnerável a nível europeu, e a nível nacional tem o estatuto de Criticamente em Perigo (CR). É uma ave necrófaga, associada a biótopos arborizados e procura alimento principalmente em terrenos abertos de cerealicultura e pastoreio extensivos, mas também em zonas semi-abertas e em florestas de espécies autóctones. Atinge a maturidade sexual aos 5-6 anos de idade e pode viver até aos 20-25, formando casais estáveis que podem durar muitos anos. Apresenta um período reprodutor longo que dura quase 9 meses e faz uma postura anual quase sempre composta por um ovo.

Em meados da década de 70, extinguiram-se os casais reprodutores desta espécie em Portugal, tendo sido confirmada pela primeira vez em 2010 a nidificação de 2 casais no Tejo Internacional, passados quase 40 anos. Desde então, a população nidificante tem vindo a aumentar e, em 2012, fixou-se um casal reprodutor no Douro Internacional - inédito para a espécie cuja colónia mais próxima está a cerca de 100 Km na Sierra de Gata e Arca em Espanha. Este casal nidificou com sucesso por três anos consecutivos (2014/16) tendo criado 1 cria em cada um desses anos. Em 2015, estimava-se a presença de cerca de 13 casais em território nacional.

3 abutres-negros, 4 britangos e alguns grifos em alimentação no CAAN de Mogadouro

3 abutres-negros, 4 britangos e alguns grifos em alimentação no CAAN de Mogadouro

Um dos maiores entraves à conservação desta espécie é a mortalidade por envenenamento através da ingestão de iscos ou carcaças envenenadas muitas vezes usados no controlo de predadores de espécies cinegéticas ou pecuárias. A mortalidade associada a este fenómeno é muito elevada, principalmente devido ao comportamento colonial destes animais. Só em Maio de 2015, num caso em particular, morreram 4 abutres-pretos e um britango (Neophron percnopterus) em simultâneo, na Zona de Proteção Especial (ZPE) dos Rios Sabor e Maçãs, junto ao rio Angueira, em Algoso – neste contexto, e se fossem animais reprodutores, corresponderia a 15% da população reprodutora, mas felizmente não foi esse o caso.

Por outro lado, e para agravar a situação, o aparecimento da encefalopatia espongiforme bovina (EEB) ou “doença das vacas loucas”, assim como de outras doenças infectocontagiosas em gado doméstico, originou um problema sanitário e de saúde pública a nível da Europa no final da década dos anos 90, que levou à aplicação de medidas de recolha de carcaças de gado que implicam uma progressiva diminuição da disponibilidade trófica para as aves necrófagas. Este declínio de disponibilidade de alimento aliado à mortalidade por envenenamento constitui um dos maiores problemas de conservação para as aves necrófagas.

No sentido de minimizar os episódios de envenenamento e aumentar a disponibilidade de alimento, é fornecido regularmente alimento em Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN) – áreas vedadas de aproximadamente 1 ha – onde se garante uma fonte de alimento regular, segura e livre de venenos.

Neste momento, a Palombar encontra-se a gerir 4 CAANs, 3 deles na ZPE dos Rios Sabor e Maçãs no âmbito do Grupo Nordeste, implementados ao abrigo de um projeto em parceria com a EDP, bem como 1 na ZPE do Douro Internacional e Vale do Águeda onde, em 2017, prevê iniciar o funcionamento de mais 2 CAANs no âmbito do projeto Life Rupis. Estes CAAN integram uma rede de alimentadores para aves necrófagas e contribuem para a implementação do Plano Nacional para a Conservação de Aves Necrófagas de Portugal publicado pelo ICNF e com contribuição de várias entidades de protecção de ambiente e conservação da natureza. Ao abrigo do projecto Life Rupis, está a ser definida uma estratégia de alimentação transfronteiriça para as aves necrófagas.

Abutre-preto e vários grifos em alimentação no CAAN de Alfândega da Fé

Abutre-preto e vários grifos em alimentação no CAAN de Alfândega da Fé

O trabalho que tem sido desenvolvido faz-nos acreditar que estas medidas são um sucesso e fundamentais para a conservação destas aves.

A par de notícias de abutres-pretos que viajam do Sul de França ao Norte de Portugal ou de abutres-pretos observados na costa galega (Nigrán), são cada vez mais frequentes os registos e observações desta espécie no Norte de Portugal, particularmente nas áreas protegidas fronteiriças, como o Parque Nacional Peneda-Gerês, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Douro Internacional, conforme se pode confirmar na plataforma ebird ou nos registos de observadores particulares que nos fazem chegar esses dados. São indícios que corresponderão a uma potencial ampliação da área de distribuição da espécie para norte.

De destacar que nos CAANs monitorizados pela Palombar tem sido frequente e regular a observação de abutres-pretos a alimentar-se. Podemos confirmar com certeza a presença de pelo menos 5 indivíduos diferentes no território, podendo até ser mais, tendo em conta que os CAANs em funcionamento distam entre 40 a 100 km entre si. O fornecimento de alimento é regular, bissemanal nas épocas de maior carência e de maior necessidade trófica (fase de reprodução) e semanal durante o resto do ano. A par de todo este trabalho, a Palombar mantém um plano de monitorização regular dos CAANs e dos territórios de aves necrófagas, que permite aferir o estado das populações e delinear estratégias de acção.

Gráfico de frequência e uso dos CAANs pelo abutre-preto

Gráfico de frequência e uso dos CAANs pelo abutre-preto

Crias a nascer, juvenis a aprender e adultos de abutre-preto a projectar as suas sombras nas escarpas do Douro Internacional, nas serras de Montesinho, nos vales dos Rios Sabor e Maçãs, e nos cumes da Serra do Gerês é um imaginário cada vez mais próximo de se tornar realidade e que a Palombar está empenhada em concretizar.

Noite das Criaturas das Trevas 2016

A Noite das Criaturas das Trevas é um evento realizado a nível nacional e ao qual a Palombar e a AEPGA se uniram para proporcionar uma noite especial. O objectivo é promover a divulgação científica de uma forma descontraída, desmistificando muitos dos mitos e crenças que estão associadas aos animais nocturnos como, lobos, sapos, mochos, corujas e morcegos, entre outros.

Aproveitando a temática do Dia das Bruxas, entre vampiros, lobisomens e teias de aranha, criaturas às quais muitos destes animais estão associados, os cerca de 30 participantes foram conduzidos até ao Centro de Valorização do Burro de Miranda. Apenas com recurso à luz das lanternas, criou-se o cenário ideal para uma noite de partilha e divulgação de ciência com especial enfoque no lobo e nas aves de rapina nocturnas, esclarecendo-se muitas das curiosidades e dúvidas acerca dessas espécies.

A actividade culminou com a teatralização de um conto tradicional de terror, “A estória da menina Filomena”, que a companhia de teatro T.R.E.T.A.S. dinamizou entre fardos, burros e pessoas.

Um especial agradecimento a Miguel Shreck, Daniela Andrade, Duarte Pereira e Sara Pinto.

BaSuF em e-book

Em Maio, teve início Building a Sustainable Future (BaSuF), um projecto de intercâmbio jovem co-financiado pelo programa Juventude em Acção/ Erasmus+ que uniu a Palombar a três associações parceiras – 4GRADA DRAGODID (Croácia), DALA Foundation (Roménia) e Union REMPART (França).

Ao intercâmbio, que trouxe até Uva 23 jovens, em Julho, seguiu-se um período de balanço e avaliação, que culmina agora com a edição deste e-book – que, por sua vez, marca o final do projecto, sete meses depois do seu início.

Aqui, o leitor encontrará um resumo dos trabalhos realizados e um “aperitivo” de uma publicação mais completa que, assim esperamos, virá a público no primeiro trimestre do próximo ano.

Por enquanto, temos o maior prazer em partilhar com todos os interessados os resultados daquele que foi um projecto incrivelmente enriquecedor para todos aqueles que nele participaram.

Poderá consultar ou descarregar o ficheiro em dois formatos diferentes:
PDF
ePub

Seguimento de aves no Nordeste Transmontano

A gestão, manutenção e monitorização regular dos Campos de Alimentação para Aves Necrófagas que tem sido desenvolvida pela Palombar no Parque Natural do Douro Internacional e na Zona de Protecção Especial (ZPE) dos Rios Sabor e Maçãs, permite-nos ter uma percepção da dispersão de indivíduos pela Península Ibérica que contribui para o conhecimento e protecção destes animais-chave no equilíbrio dos ecossistemas.

Durante as sessões de alimentação realizadas neste Verão foram observados três grifos (Gyps fulvus) com marcas alares e anilhas colocadas por diferentes organizações. Neste caso, os indivíduos identificados foram reabilitados em centros de recuperação de vida selvagem. Destes, um foi marcado no P.N. Serra de Mariola em Alcoi – Alicante, Espanha - e observado nos campos de alimentação de Mogadouro e de Alfândega da Fé, na margem da albufeira do Rio Sabor, a uma distância de mais de 800 km do local onde foram marcados, o que nos dá uma ideia da capacidade de dispersão destas aves.

Estes resultados confirmam que estamos no caminho certo e motiva-nos a continuar este trabalho para que estas espécies emblemáticas voltem a reinar nos céus da nossa península.

Formação para professores e educação ambiental para alunos

Um dos eixos fundamentais dos projectos Life é a sensibilização e divulgação, junto das comunidades e actores locais, dos problemas inerentes à conservação de espécies. Neste âmbito, a equipa do Rupis tem prevista a realização de diversas iniciativas dirigidas ao público escolar.

Os primeiros passos foram dados em Setembro quando a ATN , a Palombar e a SPEA apresentaram oficialmente o projecto e o respectivo Programa Escolar 2016/2017 nas escolas aderentes.

Nos passados dias 22 e 29 de Outubro, a Palombar, em parceria com a SPEA e com a ATN, concretizou a formação aos professores “Introdução à observação de aves e à conservação de espécies prioritárias”: cerca de 20 professores dos Agrupamentos de Escolas de Miranda do Douro e Mogadouro participaram numa apresentação teórica e numa saída de campo para observação e identificação de aves. 

Na semana de 14 a 18 de Novembro, a Palombar e a SPEA voltam às escolas de Miranda do Douro e de Mogadouro, desta vez para dinamizar actividades com os alunos das turmas de 3º ano, 5º ano, 8º ano e 11º ano, chegando a um total de 280 estudantes. 

As mesmas actividades estão previstas para as escolas dos concelhos de Freixo de Espada-à-Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.

Captura, marcação e seguimento do “Rupis”

O ‘’Rupis’’ é um britango que foi capturado, marcado e libertado em meados de Julho de 2016, no Parque Natural de los Arribes del Duero (Zamora, Espanha), como parte das acções do projecto LIFE Rupis. Este indivíduo com aproximadamente 3 anos (subadulto) foi marcado, pelos parceiros espanhóis, com um emissor GPS/GSM/UHF, que nos permitirá seguir o seu percurso diariamente durante mais de dois anos. O objectivo principal é aprofundar o conhecimento existente sobre esta espécie, tanto no que diz respeito ao seu comportamento (áreas de preferência para alimentação e refúgio) como aos seus movimentos migratórios, permitindo também aferir potenciais ameaças existentes na sua área vital. Esta primeira ave foi batizada de “Rupis”, homónima do projeto.

Desde a sua marcação que a equipa do Life Rupis tem seguido os seus movimentos para perceber melhor o seu comportamento. O animal tem efectuado a maior parte dos seus movimentos pelos habitats típicos da região (dominados por uma paisagem fortemente marcada pelo mosaico agro-silvo-pastoril), particularmente na província de Salamanca, em Espanha, prospectando em procura de alimento por áreas de produção extensiva de gado, alternando pelas arribas do Douro Internacional e por alguns dos seus afluentes.

Sendo o britango uma ave migratória estival, também nos permite seguir a sua migração e identificar quais os percursos escolhidos pelos indivíduos para chegarem até às suas áreas de invernada na África Subsariana. É o mais pequeno dos abutres portugueses e é uma das primeiras espécies migradoras a chegar ao território continental, permanecendo nas zonas de nidificação a partir de finais de Fevereiro até Setembro.

O britango ‘’Rupis” estará prestes a chegar ao seu destino em África: no sábado atravessou a cordilheira do Atlas, a leste de Marraquexe e no domingo atravessou a fronteira de Marrocos com a Argélia, encontrando-se actualmente em pleno Sahara. Vai agora fazer a travessia do maior deserto do Mundo.

Pode acompanhar a sua longa viagem até ao seu destino aqui.

Mais informações sobre o projecto aqui

BaSuF: Intercâmbio Jovem

Este foi um Verão de estreias para a Palombar, que começou com a realização do seu primeiro intercâmbio jovem co-financiado pelo programa europeu Erasmus+/Juventude em Acção. O projecto, intitulado Building a Sustainable Future (BaSuF), terá uma duração total de 7 meses e conta com a colaboração de três outras entidades estrangeiras - a Union Rempart, de França, a Dragodid, da Croácia, e a DALA Foundation, da Roménia – que se uniram no sentido de partilhar as técnicas de construção tradicionais com as quais trabalham e de reflectir sobre o seu potencial para construir, hoje, de uma forma mais sustentável.

À fase inicial de preparação, feita à distância, seguiu-se o intercâmbio propriamente dito, que decorreu entre 28 de Junho e 12 de Julho, na aldeia de Uva, e que contou com a participação de 23 jovens dos países acima referidos. Durante este período, as actividades foram variadas e enriquecedoras: investigação e documentação da arquitectura tradicional do Nordeste Transmontano, sessões de discussão e planeamento, visitas à região, e trabalhos de recuperação numa antiga curralada.

Foram 15 dias de partilha e aprendizagem que, além de incrivelmente produtivos, abriram portas a projectos futuros. Antes de passarmos ao próximo, no entanto, espera-nos ainda a edição de um e-book que conterá um apanhado de todo o conhecimento produzido no âmbito do BaSuF.

A Palombar no projecto Life Rupis

A Palombar é uma das entidades parceiras envolvidas no projecto transfronteiriço "Life Rupis", confinanciado pela União Europeia e coordenado pela SPEA. O seu principal objectivo é a conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro, através da implementação de medidas que pretendem reduzir a mortalidade destas espécies e aumentar o seu sucesso reprodutor.

A seu lado, trabalham ainda a Associação Transumância e Natureza, o ICNF, a GNR/SEPNA, a Junta de Castilla y Léon, a Fundación Patrimonio Natural Castilla y Léon, a EDP Distribuição e, por fim, a Vulture Conservation Foundation.

Siga este projecto ao longo dos próximos três anos aqui.

Curso de estuques de gesso

Ainda que Luis Prieto tivesse já orientado uma oficina de gesso marmorado no Encontro de Arquitectura Tradicional e Sustentabilidade do ano passado, esta foi a primeira vez que a Palombar dedicou um curso mais aprofundado a este material.

Durante 5 dias, de 6 a 10 de Abril, estivemos na casa comunitária Rés-da-Rua, no Porto, para recuperar os estuques de gesso de uma divisão que, devido à sua degradação, estava inutilizada. Os 8 participantes do curso aprenderam a preparar e a aplicar vários tipos de argamassa, a construir perfis e a reconstruir frisos – em peças independentes e directamente na parede.

Juntos, cumprimos o objectivo desta formação-acção: transmitir e, assim, dar continuidade a estas técnicas tão incrivelmente ricas, e contribuir, simultaneamente, para a recuperação efectiva do património.