Uso de veneno: o feitiço vira-se contra o feiticeiro

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Certo dia, o sr. António ficou danado porque uma raposa, mais uma vez, assaltou-lhe o galinheiro. Revoltado com a maldita, decide acabar de vez com o problema e envenená-la. No dia seguinte, vai ver ansioso se o plano resultou. Ao aproximar-se do local onde deixou o veneno, observa a bonita pelagem da raposa, que se encontra estendida no chão, e enche-se de satisfação. Entretanto, ao chegar mais perto do animal, verifica que este não foi o único a morrer. Um abutre, um britango e o cão da sua filha também foram vítimas do veneno. O sr. António percebeu, desta forma, que o veneno é “cego” e não atua de forma seletiva, podendo matar vários animais, inclusive os seus. O “feitiço” que lançou virou-se contra ele.

GIF | Juliette Verduzier Texto | Luís Queirós, Uliana de Castro e Juliette Verduzier

VENENO

 O que é?

Qualquer substância com características tóxicas que, dependendo da dose e do modo de utilização, seja capaz de causar danos e/ou a morte de um organismo vivo.

O uso de venenos está completamente proibido pelas legislações nacional e europeia e é uma prática irresponsável que pode ter consequências muito graves para a biodiversidade e para a saúde pública.

Porquê e para quê se utiliza?

A principal motivação para o uso de venenos é a eliminação de animais considerados prejudiciais a atividades humanas como a caça, a pecuária ou a agricultura. No entanto, o uso de venenos é um método não seletivo, que pode afetar muitas espécies para as quais não é dirigido, incluindo animais domésticos e espécies ameaçadas de extinção.

VENENO: uma ameaça à Biodiversidade.

O uso ilegal de iscos envenenados, associado à falta de controlo sobre a venda de venenos e à utilização de muitas substâncias tóxicas, comercializadas legalmente no mercado, são fatores que geram um forte impacto negativo na fauna.

As espécies mais vulneráveis ao uso de venenos são aquelas que têm hábitos alimentares necrófagos e que, por se alimentarem de animais mortos, acabam por serem vítimas de envenenamento em cadeia. Os abutres são o grupo de espécies potencialmente mais afetado pelo uso destas substâncias.

O envenenamento constitui um fator de mortalidade não natural de grande relevância, dado que produz um impacto dentro da área de distribuição regular das espécies afetadas e pode contribuir de forma significativa para a diminuição das suas populações no nosso território ou mesmo para o seu desaparecimento.

VENENO: um risco para a Saúde Pública.

A falta de controlo eficaz e a facilidade com que é possível adquirir venenos que já foram proibidos em Portugal há vários anos podem provocar consequências nefastas que vão muito além da fauna silvestre.

Muitas das substâncias utilizadas em venenos podem persistir no meio ambiente por meses ou anos e assim entrar na cadeia alimentar por via indireta. A contaminação de fontes de água utilizadas para consumo humano ou rega também é uma ameaça muito real.

Os venenos também afetam espécies de caça que são consumidas habitualmente pelos humanos, como os javalis. Corremos, portanto, o risco de incluir na nossa alimentação estas substâncias altamente tóxicas, o que pode provocar sérios problemas de saúde a quem as consome.

O Programa Antídoto

O Programa Antídoto é uma iniciativa que pretende combater o uso ilegal de venenos, procurando conhecer a dimensão do problema e as suas consequências, de forma a implementar medidas para as solucionar ou minimizar.

 Os objetivos do Programa Antídoto são:

· Conhecer a dimensão real do uso de venenos em Portugal;

· Conhecer as causas, motivações e problemas que estão na origem do uso de venenos;

· Contribuir para a resolução do problema, promovendo boas práticas agropecuárias e cinegéticas;

· Avaliar o impacto do uso de venenos nas populações de animais silvestres;

· Estabelecer medidas de controlo do uso de substâncias tóxicas;

· Combater a atual impunidade face a casos de envenenamento;

· Contribuir para a educação acerca do uso de venenos;

· Promover a conservação de várias espécies e respetivos ecossistemas.

 O que fazer quando encontrar um animal envenenado?

1. Contacte imediatamente as autoridades competentes. Mesmo que o animal já se encontre morto, a utilização de venenos constitui um crime que deve ser reportado. SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana – 21 750 30 80 Linha SOS Ambiente – 808 200 520

2. Permaneça no local até as autoridades chegarem.

3. Não toque no animal e não deixe que outras pessoas se aproximem. Os cadáveres e amostras devem ser recolhidos apenas pelas autoridades.

AR diz não à proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias e deixa decisão nas mãos da DGAV

Portugal perdeu esta sexta-feira, 11 de janeiro, uma oportunidade de dar o exemplo em matéria de conservação da natureza e salvaguarda da saúde pública. A Assembleia da República (AR) decidiu hoje não proibir o diclofenac, um medicamento veterinário fatal para abutres e águias.

Com esta decisão, que contraria uma resolução da própria Assembleia em abril de 2018, mantém-se viva uma séria de ameaça a várias espécies protegidas e à saúde pública no país. Evitar o sério risco que este fármaco representa continua, assim, nas mãos da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que tem em apreciação um pedido de comercialização já há mais de dois anos.

Grifo ( Gyps fulvus )

Grifo (Gyps fulvus)

José Pereira, presidente da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, considera que "a decisão de não proibir a comercialização do diclofenac para uso veterinário é incompreensível, tendo em conta que já existem evidências científicas robustas de que este medicamento é fatal para abutres e águias" e salienta "que os procedimentos mitigadores do seu impacto nas aves necrófagas são falíveis".

"Esta decisão pode colocar em causa todo o trabalho que tem sido desenvolvido por diversas associações e entidades em prol da conservação das aves necrófagas com estatuto de conservação desfavorável em Portugal, porque continua a colocar em risco estas aves que são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas", acrescenta ainda.

“Não se percebe como é que não é proibida uma substância que é perigosa e para a qual existem alternativas seguras”, diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). “Infelizmente, contra o bom senso e a precaução valeram os interesses políticos e a força dos números”, acrescenta.

A DGAV está desde 2016 a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac. Exige-se agora à DGAV que, tendo em consideração o melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, não aprove este pedido de comercialização, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas e o consequente impacto na saúde pública em Portugal.

Ao não proibir o diclofenac, os deputados falharam nas suas obrigações para com o povo português e descuraram os compromissos assumidos a nível internacional, de conservação da natureza. Ao não proibir este fármaco perigoso, Portugal arrisca-se – caso a DGAV autorize medicamentos contendo diclofenac - a deixar de ser um refúgio para espécies protegidas como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial-ibérica, que estão ameaçadas a nível europeu e mundial, e das quais existem populações importantes no nosso país.

Existem outros anti-inflamatórios e analgésicos que são inócuos para estas aves, e que poderiam ser usados mesmo que o diclofenac fosse proibido.

“O resultado da votação de hoje deixa-nos perplexos e muito entristecidos. Portugal acabou de perder uma excelente oportunidade para dar um exemplo a toda a Europa”, diz Iván Ramírez, diretor de Conservação da BirdLife Europe & Central Asia.

Desde 2014 que as Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac. A decisão de hoje contraria esta resolução, abrindo a porta a que o diclofenac venha a ser usado na atividade pecuária nacional.

“Estamos desiludidos com esta decisão, que não serve nem as aves nem as pessoas, e pela qual podemos todos vir a pagar caro. Os abutres têm um papel importantíssimo no controlo de doenças nos nossos campos – sem eles, corremos o risco de enfrentar graves problemas de saúde pública”, diz Joaquim Teodósio. “Resta-nos agora esperar que a DGAV decida a favor da saúde dos nossos campos", conclui.

Mais informações:

Nota de imprensa da BirdLife International alertando para os perigos do diclofenac.

Peritos em abutres pedem proibição global do diclofenac veterinário:.

Moção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) apelando à proibição do diclofenac para uso veterinário.

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Assembleia da República debate proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias

A Assembleia da República vai discutir, no próximo dia 10 de janeiro, duas propostas de projeto de Lei, submetidas pelo Partido Ecologista Os Verdes (Projeto de Lei n.º 885/XIII/3.ª) e pelo PAN - Pessoas, Animais e Natureza (Projeto de Lei n.º 1056/XIII/4.ª), no sentido de proibir a comercialização e uso em Portugal de medicamentos veterinários que utilizem na sua formulação o diclofenac. Caso esta substância – à qual existem alternativas seguras – seja autorizada e utilizada em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador em várias espécies protegidas de aves necrófagas e também nos ecossistemas onde desempenham um importante papel de controlo de doenças.

Britango ( Neophron percnopterus ) e grifo ( Gyps fulvus ).

Britango (Neophron percnopterus) e grifo (Gyps fulvus).

O diclofenac, que na pecuária é usado essencialmente como anti-inflamatório e analgésico, foi responsável pelo declínio dramático e abrupto dos abutres do sub-continente Indiano, que quase os levou à extinção. Em Portugal, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está atualmente a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac.

As Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA) portuguesas consideram que, face ao melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, o pedido de comercialização não pode ser aprovado, e a comercialização e uso destes medicamentos deve ser definitivamente proibida, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas em Portugal. De salientar, ainda, a existência de várias alternativas eficazes a este fármaco que têm muito menor impacto nas aves, pelo que o tratamento dos animais domésticos é perfeitamente possível sem recorrer ao uso do diclofenac e pôr em risco os ecossistemas nacionais.

Desde 2014 que ONGA nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac.

De acordo com a ampla informação científica existente e como referem os alertas já feitos por diversas organizações nacionais e internacionais, o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias, ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac. Em abutres do género Gyps (como o grifo) e em algumas espécies de águia do género Aquila, a substância provoca insuficiência renal aguda que rapidamente leva à morte. Na Índia, bastou que menos de 1% das carcaças disponíveis para os abutres tivessem sido tratadas com diclofenac para causar a redução das populações de três espécies de abutres em mais de 97%, o que levou a que este fármaco tenha sido banido no subcontinente indiano no ano de 2006. Daí para cá tem-se registado uma notável recuperação das populações indianas de abutres.

Portugal possui importantes populações de abutres e de grandes águias com hábitos necrófagos: o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Os abutres em particular desempenham um papel único nos nossos ecossistemas, limpando as nossas paisagens de cadáveres de animais mortos, e por isso limitando a transmissão de doenças.  A maioria destas espécies tem efetivos muito reduzidos, tendo algumas delas estatutos de conservação muito desfavoráveis em Portugal e no resto do mundo. E todas elas estão protegidas por lei em Portugal e na Europa. Tendo em conta os potenciais impactos do diclofenac nestas espécies, os seus hábitos alimentares e a suas reduzidas populações, caso o diclofenac seja autorizado e utilizado em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador nestas aves e também nos ecossistemas onde ocorrem, em consequência do seu importante papel ecológico.

Abutre-preto ( Aegypius monachus )

Abutre-preto (Aegypius monachus)

A autorização do diclofenac em Portugal para uso pecuário poderá também colocar em causa de forma irremediável o compromisso e esforço nacionais de conservação das aves necrófagas, desperdiçando uma oportunidade de o Estado Português reiterar o seu empenho relativamente aos objetivos de conservação da natureza e sustentabilidade ambiental a nível nacional e da União Europeia.

Recorde-se que a Convenção Sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem (CMS ou Convenção de Bona), adotou uma resolução na Conferência das Partes em 2014 (Resolução 11.15 da COP11 da CMS), com o voto favorável de Portugal, que inclui a recomendação legislativa de “proibir o uso do diclofenac veterinário para o tratamento pecuário e substitui-lo por alternativas seguras e já disponíveis, tais como o meloxicam”.

A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) aprovou também uma moção no âmbito do Congresso Mundial de Conservação realizado em setembro de 2016, em que “Apela aos Governos que implementem urgentemente as recomendações da resolução 11.15 da CMS”, incluindo a referente à proibição do uso do diclofenac veterinário.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), parceiro nos vários projetos de conservação de aves necrófagas em Portugal, reconheceu já a sua preocupação face à potencial utilização do diclofenac ao nível da pecuária, assim como os riscos que daí advêm para a conservação das populações nacionais de aves necrófagas. A preocupação de todas as organizações envolvidas na preservação destas espécies está evidente na proposta de Plano Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas em Portugal, que aguarda ainda aprovação final e implementação.

As organizações subscritoras ficam na expectativa de que as propostas em discussão no dia 10 sejam aprovadas na Assembleia da República, fazendo deste dia um marco positivo para as aves, ecossistemas e saúde pública nacional.

Mais informações

Nota de imprensa da BirdLife International alertando para os perigos do diclofenac.

Peritos em abutres pedem proibição global do diclofenac veterinário.

Moção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) apelando à proibição do diclofenac para uso veterinário.

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"Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais" aprovada pela ONU é passo histórico para proteção e preservação das comunidades rurais

A Terceira Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, no dia 17 de dezembro de 2018, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a "Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais".

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural congratula-se com a aprovação desta declaração, que constitui um passo histórico para a proteção e preservação das comunidades rurais e das suas formas de vida.

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A associação tem precisamente como missão dinamizar o mundo rural, assegurando a proteção e a preservação do seu património natural e construído, com foco na transmissão do conhecimento e numa abordagem pedagógica e de cooperação.

José Pereira, presidente da Palombar, considera que a aprovação desta Declaração “tem uma importância histórica porque defende, a nível internacional e nas mais altas instâncias, os direitos dos camponeses e das populações rurais, bem como a conservação e a proteção da sua identidade e cultura, ao mesmo tempo que reconhece o papel fulcral das comunidades rurais para a promoção da biodiversidade, para a soberania alimentar, para a coesão territorial e para o desenvolvimento dos países”.

A nova Declaração assume-se como uma ferramenta crucial para a defesa dos direitos dos camponeses e das populações rurais e reconhece a contribuição das comunidades rurais e dos povos indígenas para o desenvolvimento sustentável e para a biodiversidade.

Os direitos específicos reconhecidos pela Declaração incluem o direito à alimentação adequada, à terra e à água. O documento também defende a necessidade de respeitar a identidade cultural e o conhecimento tradicional da população rural, bem como de assegurar a proteção social e garantir a igualdade de género nas áreas rurais.

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A Declaração obteve 119 votos a favor, 7 votos contra e 49 abstenções e recebeu apoio principalmente dos países africanos, da América Latina e da Ásia. Países como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e o Reino Unido, entre outros, votaram contra. Os Estados da Europa, na sua maioria, abstiveram-se. Portugal foi um dos países que votou a favor da "Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais".

A declaração está disponível na íntegra aqui.

Palombar contribui para censo europeu de inverno do milhafre-real

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai contribuir para a realização do censo europeu do milhafre-real (Milvus milvus) invernante, que decorre entre os dias 1 de janeiro e 3 de fevereiro.

O objetivo do censo é realizar a contagem dos dormitórios conhecidos de maior dimensão e promover a recolha de mais dados sobre dormitórios e outras concentrações de milhafre-real em todo o país. 

Milhafre-real ( Milvus milvus )

Milhafre-real (Milvus milvus)

O censo é realizado em diversos países da Europa, sob a coordenação da Liga para a Proteção das Aves (LPO, na sigla em francês), em França. Em Portugal, é organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), em parceria com outras associações e entidades, e decorre no território continental.

Os primeiros censos de milhafres-reais invernantes foram realizados em janeiro de 2015, tendo contado, já nesse primeiro ano, com o contributo da Palombar.

O milhafre-real (Milvus milvus) é uma ave de rapina pouco abundante no território nacional. Está presente sobretudo na faixa fronteiriça oriental, distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. A população invernante ocorre nessas mesmas áreas, mas também de uma forma dispersa por todo o sul do país.

A sua população residente em Portugal tem um estatuto de conservação "Criticamente em Perigo", já a população invernante tem um estatuto "Vulnerável", segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

É uma ave que prefere habitats florestais associados a zonas agro-silvo-pastoris. A espécie é monogâmica e nidifica em árvores, normalmente de grande porte, e coloca entre um a três ovos. Ambos os progenitores cuidam das crias. Pode ocupar ninhos de outras aves de rapina florestais e também reutiliza ninhos de anos anteriores.

Relativamente à sua alimentação, tanto caça presas vivas, como também tem hábitos necrófagos. Animais silvestres de pequeno porte (micromamíferos, aves, peixes e invertebrados), cadáveres de animais e os restos e desperdícios urbanos integram a sua dieta.

Atualmente, o milhafre-real está sujeito a várias ameaçadas no território nacional, como o abate a tiro, o uso de veneno e a redução da disponibilidade alimentar, entre outras.

Esta é uma das espécies-alvo de conservação do projeto ConnectNatura da Palombar.

LIFE Rupis: populações das principais presas da águia-perdigueira mantêm-se estáveis no período 2016-2017

As populações das principais presas da águia-perdigueira (Aquila fasciata), mantiveram-se relativamente estáveis entre o período 2016-2017, de acordo com dados provisórios do Relatório de Progresso da Ação D3 do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, relativa à monitorização das populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), perdiz-vermelha (Alectoris rufa) e pombo-das-rochas (Columba livia).

Águia-perdigueira ( Aquila fasciata)

Águia-perdigueira (Aquila fasciata)

Os resultados das campanhas de monitorização já realizadas no âmbito da Ação D3, bem como os dados de comparação com os resultados obtidos no contexto da Ação A4 (estudo de base realizado em 2016 para estimar a abundância inicial de presas da águia-perdigueira na área de intervenção do projeto LIFE Rupis), mostram que a situação populacional geral das principais espécies de presas da Aquila fasciata no Parque Natural do Douro Internacional está estável, embora o tamanho das suas populações ainda seja atualmente reduzido. No entanto, estão já a ser implementadas medidas na área do projeto para tentar reverter este cenário pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, pela ATNatureza – Associação Transumância e Natureza, pela Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León e pela JCyL - Junta de Castilla y León, parceiros do LIFE Rupis, para aumentar as populações dessas espécies presas, nomeadamente a gestão do habitat da perdiz-vermelha e do coelho-bravo (parcelas com sementeiras e clareiras) e o repovoamento de pombais tradicionais com pombos-das-rochas, cujos efeitos ainda não foram passíveis de avaliar no âmbito deste relatório.

Os dados indicam também que a abundância do coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas não é homogénea em toda a área do Parque Natural do Douro Internacional e do Parque Natural Arribes del Duero, bem como dentro dos territórios da águia-perdigueira. Essas espécies estão relativamente bem distribuídas em toda a área do projeto, estando presentes em níveis sub-ótimos de abundância em vários locais e/ou possuem um padrão de distribuição fragmentado (por exemplo, o coelho-bravo).

Ficha de campo utilizada na monitorização das populações de lagomorfos.

Ficha de campo utilizada na monitorização das populações de lagomorfos.

A abundância relativa de latrinas de coelho-bravo (usada como indicador da abundância de coelhos) foi muito baixa na maioria das áreas amostradas, sugerindo uma reduzida disponibilidade desta espécie para a águia-perdigueira na área do projeto.

No que se refere à perdiz-vermelha, foi registada a sua presença em todos os territórios amostrados, porém a sua abundância relativa foi sobretudo baixa no Parque Natural do Douro Internacional. No geral, os resultados obtidos no lado português foram semelhantes aos reportados pelo parceiro espanhol no Parque Natural Arribes del Duero.

Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).

Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).

Relativamente ao pombo-das-rochas, cujos censos avaliaram tanto a sua população selvagem quanto a feral, também esteve presente em todos os territórios monitorizados, mas a sua abundância foi muito variável em toda a área do Douro Internacional. Esta espécie mostrou ser relativamente abundante em determinados territórios, enquanto noutros a sua presença foi escassa.

No geral, as populações de coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas permaneceram relativamente estáveis entre os anos de amostragem (ações A4 e D3) nos Parques Naturais do Douro Internacional e Arribes del Duero, apesar das flutuações interanuais e de algumas alterações locais na sua abundância. É necessário, contudo, dar continuidade, nos próximos anos, à realização de censos para avaliar de forma mais robusta e aprofundada o tamanho e a dinâmica das suas populações.

A situação atual das principais espécies de presas da águia-perdigueira em alguns territórios indicam que há necessidade de continuar a implementar ações específicas no terreno, nomeadamente promover a recuperação e a gestão de pombais tradicionais, a fim de aumentar a abundância de pombos-das-rochas (ação C4) e assegurar a gestão de habitats para a recuperação de populações de perdiz e coelho-bravo (ação C5), bem como fomentar uma adequada gestão cinegética dessas espécies.

Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

O relatório mostrou ainda que é preciso implementar medidas para avaliar 1) o efeito das ações de gestão do habitat já implementadas sobre a abundância de presas selvagens e 2) o efeito da disponibilidade de presas para a população, a dinâmica e o desempenho reprodutivo da águia-perdigueira na área do projeto. Tais análises devem integrar dados tanto do lado português quanto espanhol. No que se refere ao ponto 1), as amostragens para estimar a abundância de coelho-bravo e perdiz no ano de 2018 (ou seja, segundo ano de implementação da ação D3) foram delineadas com esse propósito. Os resultados estarão disponíveis em breve e farão parte de um relatório futuro. Relativamente ao ponto 2), a avaliação da disponibilidade de presas também deve incluir a abundância de outras espécies relevantes na dieta da águia-perdigueira, como a pega-azul (Cyanopica cyanus), o pombo-torcaz (Columba palumbus), o estorninho-malhado (Sturnus vulgaris) e várias espécies da família Turdidae.

O “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, entre Portugal e Espanha, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região do Parque Natural do Douro Internacional, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto LIFE Rupis tem como parceiros: a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a ATNatureza - Associação Transumância e Natureza, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Na região transfronteiriça do vale do Douro, área de intervenção do projeto LIFE Rupis, o número de casais de águia-perdigueira permaneceu estável na última década (13–14 casais reprodutores desde 2006), no entanto, o seu sucesso reprodutor diminuiu de 8 crias voadoras, em 2006, para apenas 4, em 2013. Um dos principais objetivos do projeto LIFE Rupis é inverter esta tendência.

Os baixos valores de sucesso reprodutor da espécie verificados na região têm sido associados, em parte, à reduzida disponibilidade de espécies como o coelho-bravo, a perdiz-vermelha e o pombo-das-rochas. Estas são as principais espécies de presas da águia-perdigueira na Península Ibérica, tanto durante a época de reprodução, como no período não reprodutivo, como atestam vários estudos já realizados.

As populações dessas espécies de presas diminuíram drasticamente em muitas regiões da Península Ibérica como resultado de mudanças no uso do solo, surtos de doenças e/ou gestão inadequada da caça, gerando consequências negativas para uma grande comunidade de predadores vertebrados, incluindo a águia-perdigueira.

A relativa escassez das suas principais presas em muitas áreas do vale do Douro forçou as águia-perdigueira a diversificaram a sua alimentação e a procurarem outras fontes de alimento como passeriformes de médio a grande porte e répteis (as quais poderão representar presas sub-ótimas em termos energéticos).

A gestão e a conservação eficazes das principais presas da águia-perdigueira são, portanto, cruciais para a viabilidade populacional desta ave de rapina no vale do Douro. Diversas ações focadas na recuperação e no reforço das populações dessas espécies na região são de importância fulcral no contexto do projeto LIFE Rupis, com vista a aumentar a disponibilidade de presas para a águia-perdigueira.

As ações direcionadas para assegurar a melhoria da qualidade do habitat do coelho-bravo e da perdiz-vermelha (ações C5 e C6), por um lado, e para promover a recuperação de pombais tradicionais e repovoamento com pombo-das-rochas (ação C4), por outro, são algumas das ações de conservação/gestão que já estão a ser implementadas.

Adicionalmente, será realizada ainda uma avaliação da distribuição e abundância das principais presas da águia-perdigueira (ações A4 e D3) e a monitorização das suas tendências populacionais (ação D3), medidas que são fundamentais para aferir sobre o estado dessas populações na área do projeto, bem como para avaliar o sucesso das ações de conservação/gestão realizadas.

O Relatório de Progresso completo da Ação D3 do projeto ‘LIFE Rupis’ pode ser consultado aqui.

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Voluntariado internacional recupera e descobre património arquitetónico e arqueológico do Nordeste Transmontano

O que um povo constrói e transmite de geração em geração está intrinsecamente ligado às artes e ofícios, são artefactos da História que marcam um território, a sua cultura e as suas gentes. É isto que importa conservar e manter vivo. E esta é exatamente uma das missões da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural: preservar o património edificado e as técnicas tradicionais de construção, assegurando a conservação dos recursos e a transmissão do conhecimento, através de uma abordagem pedagógica e de cooperação que resulte no enriquecimento dos indivíduos e na dinamização do mundo rural.

Para cumprir esse desígnio, a Palombar organizou, ao longo de 2018, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, os Campos de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI), que tiveram como objetivo principal promover o restauro e a conservação do património construído e a descoberta da riqueza arqueológica da região do Nordeste Transmontano.

Durante o ano de 2018, foram realizados os 51.º, 52.º, 53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional, que decorreram em Algoso (concelho de Vimioso), Uva (concelho de Vimioso) e Aldeia Nova (concelho de Miranda do Douro), respetivamente.

O 51.º CTVI teve como objetivo recuperar o telhado de uma curriça nas encostas do Rio Angueira, em Algoso, e decorreu entre os dias 16 e 27 de abril de 2018. Neste campo de trabalho, que resultou de uma parceira realizada com a Union Rempart, em França, e a União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, participaram oito jovens voluntários franceses, estudantes dos 2.º e 3.º anos do curso de Arquitetura.

A curriça é uma estrutura simples construída com pedras e que se localiza sobretudo no meio dos montes. Servia outrora para guardar o gado pequeno ou para a pernoita de animais e/ou pessoas. É um ícone arquitetónico que está associado ao mundo rural e às suas atividades. 

No âmbito da participação nesta iniciativa, os (as) voluntários (as) tiveram a oportunidade de aprender com o formador Manuel Gomes o processo de reparação de um telhado, desde a recolha, seleção e limpeza das madeiras e telhas à construção e colocação da estrutura de madeira de suporte ao telhado e posterior assentamento das vigas, dos caibros, das ripas e, finalmente, das telhas.

O grupo de voluntários foi sempre acompanhado e coordenado no terreno por três monitores da Palombar. Os participantes puderam também desfrutar de momentos de lazer, durante os quais conheceram e exploraram de forma mais ampla as paisagens, cultura e tradições transmontanas.

O 52.º CTVI, que se realizou entre os dias 2 e 13 de julho de 2018, foi dedicado à recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva. Este campo de trabalho também foi realizado em parceria com a Union Rempart e com a União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva.

Participaram no campo de trabalho cinco voluntários, quatro de França e um de Itália. Nuno Martins foi o formador que transmitiu aos participantes as técnicas tradicionais de construção de um pombal tradicional.

Durante a atividade, foi recuperada a parede de um pombal, tendo sido rebocada também uma parede externa do quintal da casa dos voluntários, também na aldeia de Uva, com a técnica do reboco tradicional feito à base de areia e cal. Os voluntários pintaram ainda o exterior de um pombal tradicional.

Os pombais tradicionais são um património emblemático da região do Nordeste Transmontano. Pontilham a paisagem com a sua alva singeleza e estão fortemente associados à comunidade rural, que outrora usava os pombos juvenis (borrachos) para alimentação, sendo esta uma fonte adicional de proteína para os habitantes locais. Já o estrume dos pombos, considerado de elevado valor fertilizante e denominado por “pombinho” pelos aldeões, era usado para fertilizar os solos agrícolas.

Os pombais são também estruturas que contribuem para a proteção da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte, por exemplo, da dieta da águia-perdigueira ou águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que tem um estatuto de conservação “Em perigo”, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Ao promover a sua reconstrução e conservação, estamos a contribuir não só para manter vivo o património ancestral construído, como também para proteger a biodiversidade local.

Os 53.º e 54.º CTVI realizaram-se em simultâneo, entre os dias 20 de agosto a 14 de setembro, no Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova. Estes CTVI tiveram como parceiros a Câmara Municipal de Miranda do Douro, a Junta de Freguesia de Miranda do Douro e também a Union Rempart.

No total, participaram nestes CTVI 14 voluntários de cinco nacionalidades: argelina, brasileira, francesa, italiana e portuguesa. Os trabalhos de escavação arqueológica realizados no Castro de São João das Arribas foram coordenados por Susana Cosme e dirigidos por Mónica Salgado e Pedro Pereira. Integraram o grupo de voluntários estudantes de arqueologia e outros voluntários sem experiência em arqueologia, mas com interesse na área. 

Durante estes CTVI, os participantes aprenderam os procedimentos e técnicas associados às escavações arqueológicas, como limpeza das zonas a escavar; decapagem: escavação, remoção de terras e recolha de espólio arqueológico; lavagem de espólio arqueológico; montagem de quadrículas e aprendizagem e levantamento do sistema de cotas.

O Castro de São João das Arribas está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910, e DG n.º 136, de 23-06-1910. A zona deste Castro consiste num “povoado fortificado assente sobre um promontório, cujo sistema defensivo é composto por duas linhas de muralha e um torreão, o colo de acesso é protegido por muralha e provavelmente um fosso. Os vestígios de romanização são abundantes e incluem um elevado número de epígrafes. Corresponde ao local onde ergue atualmente o pequeno santuário de São João das Arribas”, descreve o site Rota da Terra Fria Transmontana. Esta é uma zona de elevado interesse arqueológico e de uma riqueza paisagística única em Portugal, com vista para o Rio Douro e o desenho íngreme e vertiginoso das suas arribas.   

Em todos os campos de trabalho, além das atividades associadas à reconstrução/recuperação do património arquitetónico e arqueológico, os voluntários também estiveram envolvidos na manutenção e logística dos campos de trabalho, momentos que visaram fomentar o sentimento de partilha e entreajuda, essenciais à vida comunitária.

No âmbito da realização dos CTVI, foram ainda organizadas visitas a centros, museus e locais icónicos do Nordeste Transmontano, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a região e o seu património natural, cultural e edificado, e ainda de enriquecer esta experiência única, proporcionando aos voluntários o contacto direto com as comunidades locais e o intercâmbio geracional e cultural.

Assim, foram realizadas visitas ao Centro Interpretativo dos Pombais Tradicionais (na sede da Palombar, em Uva, Vimioso); Centro de Valorização do Burro de Miranda (AEPGA- Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, em Atenor, Miranda do Douro); Centro de Acolhimento do Burro de Miranda (AEPGA, em Pena Branca, Miranda do Douro); Museu da Terra de Miranda, Concatedral e centro histórico de Miranda do Douro; Ecomuseu Terra Mater e Fraga de l Puio (em Picote, Miranda do Douro); Castelo de Algoso (em Algoso, Vimioso) e Minas de Santo Adrião (em Vimioso/Miranda do Douro).

Os voluntários puderam ainda participar na Feira do Naso (Santuário do Naso, na Póvoa, Miranda do Douro), em sessões de observação de aves, banhos no Rio Angueira, entre outras atividades.

A Palombar agradece a todos os parceiros e formadores que estiveram envolvidos na organização dos CTVI e, principalmente, aos (às) voluntários (as) que participaram nos campos, que são quem lhes dão vida e sentido. Acreditamos que só com a participação e envolvimento de todos (as) seremos capazes de manter vivo e dinâmico a nosso património cultural, natural e construído.

Palombar destaca importância de aliar o turismo à conservação da Natureza e à valorização das comunidades rurais em seminário sobre Turismo Sustentável

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural participou, no dia 13 de novembro, no seminário “Turismo Sustentável ao Serviço da Conservação da Natureza e das Comunidades Rurais”, organizado pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino e pelo Centro de Acolhimento do Burro.

José Pereira, presidente da Palombar, falou, no âmbito da participação da associação neste evento, sobre a importância de promover um turismo sustentável e ético que esteja intrinsecamente relacionado com a conservação da Natureza e do património rural.

José Pereira - presidente da Palombar

José Pereira - presidente da Palombar

Destacou também que o turismo não pode ser visto apenas a partir de uma ótica economicista, mas, acima de tudo, tem de ser estruturado com base na valorização, proteção e conservação dos ecossistemas e das comunidades locais.

“O turismo ético e responsável deve estar ao serviço das comunidades e da biodiversidade, criando uma relação frutífera que contribua não apenas para gerar riqueza, mas, sobretudo, para promover e preservar as culturas e tradições locais e o património natural, sem os quais a própria atividade turística deixa de ter sentido”, afirmou o presidente Palombar.

José Pereira sublinhou o papel da Palombar enquanto agente dinamizador da proteção da biodiversidade no Nordeste Transmontano e da conservação do património rural edificado. Através da atuação dos seus técnicos especializados em fauna selvagem, a Palombar, no âmbito de vários projetos de conservação da Natureza e da sua missão, tem promovido a preservação de várias espécies com estatuto de conservação delicado em Portugal, como é o caso do britango (Neophron percnopterus) e da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), bem como contribuído para a preservação de técnicas tradicionais de construção, nomeadamente através da recuperação de pombais tradicionais.

José Pereira - presidente da Palombar

José Pereira - presidente da Palombar

A Palombar também é responsável pela criação, em parceria com a Câmara Municipal de Vimioso, do Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT), em 2014, ano em que a Antiga Escola Primária de Uva (Vimioso) foi reaproveitada e transformada no CIPT e sede da associação. O CIPT foi criado com o objetivo de dar a conhecer os pombais tradicionais existentes na região e, ao mesmo tempo, ser um espaço de partilha de conhecimento das técnicas de construção do património rural. O CIPT visa disseminar o conhecimento sobre este tipo de construção e ser o ponto de partida para a descoberta dos pombais e do seu valor cultural, arquitetónico e ecológico. Durante a visita, é também possível fazer um percurso pela aldeia de Uva, que possui mais de 40 pombais tradicionais, de modo a conhecer de perto estas estruturas arquitetónicas únicas que pontilham a paisagem com a sua alva singeleza, bem como saber mais sobre a sua utilidade.

A atividade da Palombar, que se cruza com o turismo de Natureza e rural, pretende também contribuir para promover o turismo sustentável, ético e responsável, em prol da Natureza e das comunidades locais.

O seminário “Turismo Sustentável ao Serviço da Conservação da Natureza e das Comunidades Rurais”, que decorreu no Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), em São Joanico, Vimioso, realizou-se no âmbito do projeto ‘Melhores Práticas para um Futuro Ético e Sustentável através do Turismo Rural´, promovido pelo Centro de Acolhimento do Burro e pela AEPGA.

Este projeto de intercâmbio sobre boas práticas de turismo ético e sustentável é financiado pelo programa Erasmus+ Juventude em Ação e tem como parceiros o Linking Tourism & Conservation (Noruega) e a Cryosanabria (Espanha).

O seminário de entrada livre pretendeu “ser um espaço de reflexão sobre os desafios e oportunidades do turismo ao serviço das comunidades rurais”, tendo contado com a participação de instituições dinâmicas no setor do turismo no Nordeste Transmontano.

Mixomatose: registados primeiros casos da doença em lebres em Portugal

A mixomatose, uma doença viral que tem contribuído para dizimar milhares de coelhos selvagens em Portugal nos últimos anos, ameaça agora também as populações de lebres no território nacional.

Em novembro deste ano, foram registados os primeiros dois casos de mixomatose em lebres em Portugal, confirmados por análise laboratorial, segundo indicou o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária em boletins informativos publicados no seu website.

Lebre-ibérica ( Lepus granatensis )

Lebre-ibérica (Lepus granatensis)

A doença já tinha sido amplamente reportada nos últimos meses na lebre-ibérica (Lepus granatensis) em várias Comunidades Autónomas em Espanha, sobretudo em zonas de caça na Andaluzia, Castilla-La Mancha, Extremadura, Madrid e Múrcia. Mais de 140 casos de lebres com mixomatose foram já confirmados no país vizinho. A doença tem afetado ainda a lebre-europeia (Lepus europaeus), especialmente no Reino Unido.

“No âmbito da vigilância sanitária do Projeto +Coelho, que decorre desde agosto de 2017, foi confirmado no Laboratório de Virologia do INIAV, em Oeiras, por testes moleculares, o diagnóstico de mixomatose numa lebre caçada no dia 28 de outubro de 2018, em zona de caça do concelho de Évora”, informou o instituto num boletim informativo. O animal, uma fêmea adulta com boa condição corporal, apresentava conjuntivite purulenta, edema das pálpebras e das regiões anal e vulvar. Este é o primeiro caso de mixomatose registado em lebre-ibérica em Portugal, confirmado em laboratório.

Segundo indicou o INIAV, a doença nesta lebre foi notificada à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), autoridade nacional para as doenças dos animais. Apesar de não ter importância para a saúde pública, a mixomatose é uma doença de declaração obrigatória.

O segundo caso de mixomatose em lebre-ibérica em Portugal foi também confirmado pelo INIAV, através de análise laboratorial. Os técnicos do instituto deram um diagnóstico positivo para mixomatose a uma lebre encontrada morta em zona de caça do concelho de Beja, no dia 3 de novembro de 2018. Tratou-se de um macho adulto, com boa condição corporal, que apresentava conjuntivite e lesões nodulares nas pálpebras e focinho.

A mixomatose é uma doença típica de coelhos selvagens, podendo também afetar coelhos domésticos, causada pelo vírus myxoma, que é transmitido por contacto direto, indireto ou por vetores, como insetos ou parasitas, os quais, quando entram em contacto com um coelho infetado, tornam-se agentes de transmissão viral.

Pulgas e mosquitos são normalmente os principais vetores da patologia, que regista picos sobretudo durante o verão, quando a população de vetores é maior e está mais ativa.

A eliminação de milhares de coelhos selvagens pela mixomatose, mas também pela doença hemorrágica viral, gerou um forte impacto sobre populações de espécies predadoras que se alimentam destes lagomorfos, como aves de rapina com estatuto de conservação delicado, nomeadamente a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), e o caso emblemático do lince-ibérico (Lynx pardinus). Agora, a doença ameaça também as populações de lebre-ibérica, que é igualmente uma espécie-presa de muitos animais selvagens com estatuto de conservação delicado no território nacional.

Para fazer face à incidência e à prevalência desta doença viral e fatal, é fundamental promover a monitorização das populações de lagomorfos de modo a detetar a existência de animais doentes e travar os processos de contaminação, assegurando, desta forma, condições higieno-sanitárias para as espécies afetadas por esta patologia e outras.

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural tem desenvolvido, nos últimos anos, ações de monitorização de populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) na região de Trás-os-Montes, através, por exemplo, da sua participação no projeto SOS Coelho coordenado pelo CIBIO-InBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e pela ANPC - Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça.

Este projeto teve como objetivo principal combater a doença hemorrágica viral (DHV) dos coelhos e estudar as suas causas e mecanismos de ação, mas também outras doenças víricas que afetam a espécie, como é o caso da mixomatose, através da criação de uma rede de epidemiovigilâcia para assegurar o controlo sanitário das populações de coelho-bravo.

 Também no âmbito do projeto LIFE Rupis (www.rupis.pt) e do Grupo Nordeste, a Palombar monitoriza populações de lagomorfos (coelho-bravo e lebres) em várias zonas do Nordeste Transmontano, bem como implementa medidas que visam assegurar o aumento das suas populações, com indivíduos saudáveis, através da criação de sementeiras, clareiras e pontos de água.

Atividade ‘Novembro pela Floresta´ sensibiliza para importância das árvores autóctones

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceria com a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, organizou, nos dias 17 e 18 de novembro, a atividade ‘Novembro pela Floresta’, que teve como objetivo promover a sensibilização da comunidade para a importância das árvores autóctones, nomeadamente para a recolha e preservação das suas sementes.

Bolotas

Bolotas

Participaram na atividade 17 voluntários de sete nacionalidades diferentes (portuguesa, francesa, espanhola, norueguesa, alemã, polaca e salvadorenha). De destacar que o mais jovem participante tinha 5 anos e o mais velho 66 anos, o que é revelador do caráter intergeracional desta iniciativa, que promoveu a educação ambiental com foco na importância das árvores e arbustos típicos de Portugal. Durante a atividade, os voluntários tiveram a oportunidade de recolher sementes de espécies arbustivas e de árvores ribeirinhas.

Grupo de participantes

Grupo de participantes

Saída para recolha de sementes.

Saída para recolha de sementes.

Foi explicado aos participantes os cuidados a ter na recolha e acondicionamento de sementes, tendo sido também realizado um pequeno percurso pela emblemática aldeia de Uva, ladeada por pombais tradicionais.

Explicação sobre árvores autóctones.

Explicação sobre árvores autóctones.

Durante o percurso, algumas árvores autóctones foram apresentadas ao grupo e foi ainda explicado o método mais adequado para a recolha de sementes. Os participantes também puderam fazer uma visita ao viveiro florestal da Palombar.

Percurso na aldeia de Uva.

Percurso na aldeia de Uva.

Sementes de sobreiro (Quercus suber), azinheira (Quercus rotundifolia), carvalho-negral (Quercus pyrenaica), freixo (Fraxinus angustifolia), pilriteiro (Crataegus monogyna), abrunho (Prunus spinosa) e roseira brava (Rosa canina) foram recolhidas pelos voluntários no âmbito desta atividade.

Essas sementes serão plantadas no viveiro da Palombar e, posteriormente, as plântulas vão ser usadas em diversas atividades de educação ambiental e reflorestamento, em escolas e em várias zonas da região.

Queremos agradecer a todos os (as) voluntários (as) que participaram nesta atividade em prol da floresta autóctone. Só com o contributo de todos (as) conseguimos preservar de forma eficaz e sustentada a biodiversidade e os ecossistemas locais.

Fruto da roseira brava.

Fruto da roseira brava.

Abrunho.

Abrunho.

O que são as árvores autóctones e por que são tão importantes?

As árvores autóctones são árvores originárias do próprio território. Assim, a floresta autóctone portuguesa é toda a floresta formada por árvores originárias do nosso país. Carvalhos, medronheiros, castanheiros, azinheiras e sobreiros são exemplos de algumas árvores autóctones de Portugal.

Bosque de carvalho-negral.

Bosque de carvalho-negral.

As florestas autóctones estão mais adaptadas às condições do solo e do clima do território, sendo mais resistentes a pragas, doenças, longos períodos de seca ou de chuva intensa, em comparação com espécies introduzidas.

São também importantes lugares de refúgio e reprodução para um grande número de espécies de animais autóctones que estão em risco de extinção; ajudam ainda a manter a fertilidade do solo e o equilíbrio ecológico.

As florestas autóctones são fundamentais para regular melhor o ciclo hidrológico e a qualidade da água e, apesar de registarem um crescimento mais lento, quando bem desenvolvidas, são normalmente mais resistentes aos incêndios florestais.

As florestas autóctones são, por isso, essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas locais!

Plante árvores e arbustos autóctones, contribua para a preservação da biodiversidade!

REN apoia projeto LIFE Rupis com concessão de gestão de terrenos e pombais tradicionais

A REN – Rede Elétrica Nacional SA passou a apoiar o projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), e do qual a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é parceira.

A REN assinou um acordo de cooperação com a SPEA e com a Palombar, no âmbito do qual terrenos e pombais tradicionais pertencentes à REN serão geridos por aquelas duas entidades, de forma a aumentar o alimento disponível para aves ameaçadas como é o caso da águia-perdigueira.

Pombal tradicional

Pombal tradicional

Na última década, a população de águia-perdigueira registou um declínio de 40% no norte do país. Para inverter esta tendência, o projeto LIFE Rupis que tem como objetivo principal reforçar as populações de águia-perdigueira (e também de britango), através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor. 

A REN vai disponibilizar, desta forma, seis pombais tradicionais e terrenos na zona do Douro Internacional, nomeadamente em Lagoaça e Bruçó, de forma a que a SPEA e a Palombar possam assegurar a implementação de medidas de gestão de habitat e de fomento de espécies presa da águia-perdigueira, nomeadamente pombos, perdizes e coelhos.

Francisco Parada, responsável da área de Qualidade, Ambiente e Segurança da REN, afirma, citado num comunicado, que “esta parceria é mais um exemplo da estratégia que a REN tem vindo a desenvolver em matéria de biodiversidade, articulando com diferentes parceiros a implementação das melhores práticas na preservação e gestão de habitats, em particular quando estão associadas a espécies de aves ameaçadas”.

Pombal tradicional repovoado com pombos.

Pombal tradicional repovoado com pombos.

José Pereira, presidente da Palombar, sublinha a importância deste acordo de cooperação firmado com a REN e destaca que “os ativos cedidos estão localizados em áreas de presença das espécies-alvo do projeto bastante sensíveis, e que as ações de conservação do LIFE Rupis que aí serão implementadas, nomeadamente a gestão e o repovoamento dos pombais tradicionais com populações de pombos saudáveis, assim como a gestão do habitat através da instalação de sementeiras e limpeza de matos, irão fomentar o aumento das espécies-presa e consequentemente a disponiblidade alimentar para a águia-perdigueira e para o britango”.

Já Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA e do projeto LIFE Rupis, citado numa nota de imprensa, considera que “é imprescindível que empresas como a REN assumam um papel proativo na conservação da natureza, e é fundamental que conservacionistas e empresas trabalhem juntos em prol do desenvolvimento sustentável que é do interesse de todos”.

O LIFE Rupis (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço entre Portugal e Espanha, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela SPEA, o projeto LIFE Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a Associação Transumância e Natureza (ATN), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Douro Internacional

Douro Internacional

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Projeto POR UMA GOTA apresenta concurso de ideias "Uso eficiente da água numa exploração agrícola" na EPA Carvalhais/Mirandela  

O consórcio SACR – Sensibilização Activa da Comunidade Rural, composto pela AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, apresentou esta terça-feira, 30 de outubro, na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela (EPADRCM), no distrito de Bragança, o concurso de ideias "Uso eficiente da água numa exploração agrícola".

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

 O concurso é uma iniciativa que integra o projeto "POR UMA GOTA - Pelo uso eficiente da água" (www.porumagota.pt | www.facebook.com/projetoporumagota), desenvolvido pelo consórcio SACR e financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente, e tem como público-alvo os estudantes dos cursos profissionais Técnico/a de Produção Agropecuária e Técnico/a Vitivinícola da EPADRCM. O projeto segue as recomendações do Programa Nacional Para o Uso Eficiente da Água (PNUEA).

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, destacou “a importância estratégica deste concurso para a sensibilização dos futuros agricultores das comunidades rurais do Nordeste Transmontano no que se refere à relevância e valor fulcral dos recursos hídricos”.

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, apresenta o concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, apresenta o concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

“O concurso será preponderante para que os jovens possam desenvolver o seu espírito crítico, descobrir e utilizar ferramentas que contribuam para um uso eficiente da água, poupança energética e sustentabilidade ambiental”, sublinhou o responsável.

O concurso tem como objetivo sensibilizar a comunidade estudantil local para o uso e a gestão eficiente da água e estimular a sua criatividade na busca de soluções inovadoras nesta área.

Para participar no concurso, os estudantes deverão desenvolver um plano original e inovador de gestão eficiente dos recursos hídricos numa exploração agrícola e que tenha potencial para ser implementado num projeto-piloto. O prazo para a apresentação de candidaturas ao concurso decorre entre os dias 25 de outubro e 25 de novembro.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

A água é um recurso natural estratégico para a região de Trás-os-Montes, do qual dependem fortemente os setores produtivos, especialmente o setor primário (agricultura e pecuária), a população, os ecossistemas, a fauna e a flora. O Nordeste Transmontano é uma zona do país eminentemente rural, florestal e agrícola, sendo que o setor agrícola é o que mais água gasta e desperdiça em Portugal.

A água é fundamental ao desenvolvimento económico e social, bem como à sustentabilidade do mundo rural, que está centrado sobretudo na exploração dos recursos naturais. Os recursos hídricos são também essenciais para assegurar a proteção da biodiversidade e o necessário equilíbrio entre as atividades humanas e a conservação da Natureza.

A água é um recurso natural limitado, por isso esgotável. As alterações climáticas, assim como o uso ineficiente e o desperdício, estão a afetar negativamente os recursos hídricos e a promover a escassez de água e a seca severa em Portugal, com forte impacto no setor agrícola.

Trás-os-Montes é uma das regiões mais afetadas pela falta de água no país. O uso desregrado, insustentável e ineficiente da água promove o seu rápido esgotamento, por isso é fundamental assegurar a utilização eficiente da água no setor agrícola, bem como a sua gestão eficaz.

Implementar medidas que promovam a sensibilização para o uso e a gestão eficiente deste recurso natural na agricultura, como também no meio doméstico, é, desta forma, não só uma necessidade estratégica, como um imperativo ambiental. 

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Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai avançar em breve com a implementação do projeto “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000”.

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O projeto da Palombar ConnectNatura é financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e tem como parceiro o ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O seu objetivo é criar condições para recuperar e reforçar as populações de aves necrófagas em duas Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000, classificadas ao abrigo da Diretiva Aves, e que estão localizadas no norte de Portugal, nomeadamente as ZPE ‘Serra do Gerês’ e ‘Montesinho/Nogueira’. Estas duas ZPE estão também inseridas em Sítios de Importância Comunitária (SIC).

As ZPE abrangidas pelo projeto ConnectNatura integram ainda a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP), apresentando o estatuto de Parque Nacional, no caso da Serra do Gerês, e Parque Natural, no que se refere a Montesinho.

Parque Natural de Montesinho

Parque Natural de Montesinho

O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado em maio de 1971, foi a primeira área protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional, reconhecido internacionalmente com idêntica classificação, desde a sua criação, por parte da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido à riqueza do seu património natural e cultural, sendo um dos últimos redutos do país onde se encontram ecossistemas no seu estado natural, com reduzida ou nula influência humana, integrados numa paisagem humanizada.

A natureza e a orientação do seu relevo, as variações de altitude e as influências atlântica, mediterrânica e continental traduzem-se na variedade e riqueza do coberto vegetal, nomeadamente, matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, abundante vegetação bordejando as linhas de água, campos de cultivo e pastagens.

As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal algo de comparável.

O PNPG é território de espécies emblemáticas como o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Micromamíferos diversos, como a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), diversidade de répteis e anfíbios e uma fauna ictiológica que inclui a truta-do-rio (Salmo truta) e outras espécies de peixes enriquecem também o quadro zoológico.

O Parque Natural de Montesinho (PNM) foi classificado pela primeira vez em agosto de 1979. Este Parque possui uma elevada diversidade biológica, resultante da diversidade de habitats que ocorrem nesta área de montanha. Com mais de 110 espécies de aves nidificantes, é uma área importante para as aves de rapina, como a águia-real (Aquila chrysaetos).

Estão referenciadas para o PNM 70% das espécies de mamíferos terrestres ocorrentes em território nacional, apresentando cerca de 10% destas espécies um estatuto de conservação desfavorável, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

De destacar ainda a presença de uma das mais importantes populações de lobo-ibérico (Canis lupus signatus) em Portugal. As principais presas silvestres deste grande carnívoro, nomeadamente o veado (Cervus elaphus), o corço (Capreolus capreolus) e o javali (Sus scrofa) são também mamíferos abundantes nesta região.

Este parque possui também uma diversidade de vegetação que pode ser observada em percursos de poucos quilómetros, encontrando-se carvalhais, soutos, sardoais (bosques de azinheira), bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais, lameiros, etc.

As medidas a implementar no âmbito deste projeto serão dirigidas a espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos).

Tendo como base a experiência e o trabalho desenvolvido pela Palombar no âmbito do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, as ações previstas têm como objetivo melhorar as condições de alimentação e de aceitação social, de forma a reverter as tendências populacionais negativas e a promover o retorno e/ou a fixação dessas aves nesses territórios, os quais constituem áreas de presença histórica.

Para além disto, o projeto contribuirá para reforçar a conectividade entre populações/núcleos populacionais, através de corredores entre áreas da Rede Natura 2000, e para restaurar cadeias tróficas ancestrais.

No âmbito do projeto ConnectNatura, a Palombar vai aumentar a disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, através da reativação e/ou construção de campos de alimentação, bem como através da criação de áreas de alimentação no interior de explorações pecuárias. Estas medidas contribuirão para expandir a rede de campos/áreas de alimentação para aves necrófagas no norte de Portugal, favorecendo, desta forma, a existência de um continuum espacial (ou espaços de conectividade) com disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, criando, assim, condições para o seu retorno e/ou fixação em novos territórios, em particular nas áreas de implementação do projeto.

É também um dos objetivos específicos do projeto ConnectNatura desenvolver ações de educação e sensibilização em escolas e para o público em geral, de modo a melhorar o seu conhecimento sobre as espécies-alvo, bem como ações direcionadas a grupos de interesse relevantes (caçadores, criadores de gado, agricultores, setor turístico), de forma a torná-los agentes ativos na conservação das espécies.

Adicionalmente, pretende-se valorizar os territórios, criando e disseminando o conhecimento e a experiência adquirida na aplicação de boas práticas ao nível da conservação da natureza.

Outras espécies de aves parcialmente necrófagas, como o milhafre-real (Milvus milvus), que também apresenta um estatuto de conservação desfavorável no nosso país (sobretudo a sua população residente) e o milhafre-preto (Milvus migrans) também serão beneficiadas pelas ações que serão implementadas no terreno.

Em Portugal, as espécies de aves necrófagas, em particular as espécies-alvo deste projeto, apresentam, no geral, um estatuto de conservação delicado, encontrando-se numa situação populacional desfavorável, o que reflete a importância da implementação deste projeto de conservação da Palombar.

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Ciclo “À Descoberta do Nordeste Transmontano” revela riqueza natural do “Reino Maravilhoso”

Afloramentos rochosos, fragas, rios, ribeiras, urzes, carqueja, giestas, estevas, oliveiras, carvalhos, castanheiros, veados, corços, lobos, aves de rapina, paisagens deslumbrantes com um horizonte sem fim… assim é o “Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes”, como denominou teluricamente o poeta Miguel Torga, que desvendámos no ciclo “À Descoberta do Nordeste Transmontano”.

O ciclo, organizado pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceria com a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, mostrou aos participantes, em três percursos, a riqueza da fauna, da flora e paisagística de três áreas emblemáticas do Nordeste Transmontano:  Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maçãs, que inclui também o Rio Angueira (7 de julho); Parque Natural do Douro Internacional (18 de agosto) e Parque Natural de Montesinho (13 de outubro). As áreas visitadas estão incluídas na Rede Natura 2000 e na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica. Em todos os percursos realizados, os participantes foram acompanhados por burros de Miranda, grandes companheiros de viagem.

Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira | 7 de julho de 2018

A ZPE Rios Sabor e Maçãs, que também inclui o Rio Angueira, foi classificada em setembro de 1999. Predominam, na paisagem desta zona, os vales encaixados do Rio Sabor e dos seus principais afluentes, os rios Maçãs e Angueira. Trata-se de uma área de relevo montanhoso, na qual alternam troços de vales de diferentes declives. Vastas encostas estão cobertas por maciços de vegetação autóctone, nomeadamente sobreirais, azinhais e zimbrais. Esta é uma zona de nidificação de aves rupícolas como o britango (Neophron percnopterus), a águia-real (Aquila chrysaetos) e o bufo-real (Bubo bubo), sendo de destacar a população nidificante de águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que corresponde a um dos mais significativos do nosso país.

Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - percurso | 7 de julho de 2018

Zona de Proteção Especial (ZPE) Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - percurso | 7 de julho de 2018

O percurso realizado nesta zona teve uma duração de cerca de 4-5 horas, tendo sido seguida a rota Uva, Vale de Algoso, Algoso, numa adaptação da Pequena Rota 3 – Vimioso (PR3 VMS) – Dos pombais de Uva ao Castelo de Algoso. Os 22 participantes que integraram esta atividade foram acompanhados por quatro guias da Palombar, o burro Escalhão da AEPGA e um monitor desta associação.

A descoberta da emblemática aldeia de Uva, ladeada por dezenas de pombais tradicionais, foi o ponto de partida deste percurso, durante o qual se percorreram lameiros, campos de cultivo, pequenos vales e zonas ribeirinhas do Rio Angueira, zonas que são também habitat de corço (Capreolus capreolus), javali (Sus scrofa) e raposa (Vulpes vulpes).

ZPE Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - observação de aves | 7 de julho de 2018

ZPE Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - observação de aves | 7 de julho de 2018

Burro Escalhão da AEPGA e grupo de participantes | 7 de julho de 2018

Burro Escalhão da AEPGA e grupo de participantes | 7 de julho de 2018

Foram avistadas, durante o passeio, 40 espécies de aves: andorinhão-preto (Apus apus), pombo-das-rochas (Columba livia), abrute-do-Egipto (Neophron percnopterus), grifo (Gyps fulvus), águia-calçada (Hieraaetus pennatus), tartaranhão-caçador (Circus pygargus), milhafre-preto (Milvus migrans), poupa (Upupa epops), abelharuco (Merops apiaster), papa-figos (Oriolus oriolus), gaio (Garrulus glandarius), pega-rabuda (Pica pica), calhandrinha-comum (Calandrella brachydactyla), andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris), andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), andorinha-dáurica (Cecropis daurica), andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum), chapim-azul (Cyanistes caeruleus), trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), carriça (Troglodytes troglodytes), rouxinol-bravo (Cettia cetti), felosa-de-bonelli (Phylloscopus bonelli), felosa-poliglota (Hippolais polyglotta), toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapila), toutinegra-real (Sylvia hortensis), toutinegra-carrasqueira (Sylvia cantillans), toutinegra-de-cabeça-preta (Sylvia melanocephala), rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros), melro-preto (Turdus merula), estorninho-preto (Sturnus unicolor), alvéola-branca (Motacilla alba), tentilhão-comum (Fringilla coelebs), verdilhão (Carduelis chloris), pintassilgo (Carduelis carduelis), chamariz (Serinus serinus), trigueirão (Emberiza calandra), escrevedeira-de-garganta-cinzenta (Emberiza cia), escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus), pardal-comum (Passer domesticus) e pardal-francês (Petronia petronia).

ZPE Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - observação de aves | 7 de julho de 2018

ZPE Rios Sabor e Maçãs e Rio Angueira - observação de aves | 7 de julho de 2018

O passeio terminou no majestoso Castelo de Algoso, com o seu despenhadeiro de cortar a respiração e a imponência das suas escarpas, com uma paisagem bucólica e telúrica como pano de fundo.

Percurso com o Castelo de Algoso ao fundo | 7 de julho de 2018

Percurso com o Castelo de Algoso ao fundo | 7 de julho de 2018

Grupo de participantes | 7 de julho de 2018

Grupo de participantes | 7 de julho de 2018

Parque Natural do Douro Internacional | 18 de agosto de 2018

O Parque Natural do Douro Internacional foi classificado em maio de 1998. “De rio de águas turbulentas, o Douro, devido às barragens, fez-se um vasto e tranquilo espelho de água aprisionado entre muralhas a prumo, sendo notório o contraste entre a estreita garganta por onde corre e o ondulado das superfícies adjacentes. A área do Parque abrange o troço fronteiriço do Rio Douro, incluindo o seu vale e superfícies planálticas adjacentes, e prolonga-se para sul através do vale do seu afluente, o Rio Águeda, numa extensão de cerca de 120 km”, descreve o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A parte norte do parque é a que tem menor influência atlântica de Trás-os-Montes, sendo composta por um extenso planalto, com altitudes que variam entre os 700 e os 800 metros. Aqui, o vale do Douro é bastante encaixado, com margens escarpadas essencialmente graníticas, as "arribas". À medida que se avança para sul, o vale apresenta-se mais aberto, com fundos de vales aplanados, permanecendo as vertentes escarpadas; há ainda pequenas áreas planálticas e relevos residuais encimados por quartzitos. 

A fauna presente neste Parque Natural distingue-se pelo elevado número de espécies e pelo seu estatuto de conservação, como o chasco-preto (Oenanthe leucura) e o milhafre-real (Milvus milvus) - população residente -, que estão “Criticamente Em Perigo”, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal; e o abutre-do-egito (Neophron percnopterus), o tartaranhão-caçador (Circus pygargus), a águia-real (Aquila chrysaetos), a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata) e a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), que estão classificadas como “Em Perigo”.

Nota: este percurso não foi realizado devido ao número insuficiente de participantes inscritos.

Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro de 2018

O Parque Natural de Montesinho, classificado pela primeira vez em agosto de 1979, é constituído por uma sucessão de elevações arredondadas e vales profundamente encaixados. Situado na Terra Fria transmontana, os xistos são as rochas dominantes, mas podem ainda ser encontrados granitos, rochas ultrabásicas e pequenas manchas calcárias. A enorme diversidade da vegetação pode ser observada em percursos de poucos quilómetros, encontrando-se carvalhais, soutos, sardoais (bosques de azinheira), bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais, lameiros, etc.

Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro

Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro

Parque Natural de Montesinho - Barragem de Serra Serrada | 13 de outubro 2018

Parque Natural de Montesinho - Barragem de Serra Serrada | 13 de outubro 2018

Este Parque possui uma elevada diversidade biológica, resultante da diversidade de habitats que ocorrem nesta área de montanha. Com mais de 110 espécies de aves nidificantes, é uma área importante para as aves de rapina, como a águia-real (Aquila chrysaetos).

Estão referenciadas para o Parque Natural de Montesinho 70% das espécies de mamíferos terrestres ocorrentes em território nacional, apresentando cerca de 10% destas espécies um estatuto de conservação desfavorável, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

De destacar ainda a presença de uma das mais importantes populações de lobo-ibérico (Canis lupus signatus) em Portugal. As principais presas silvestres deste grande carnívoro, nomeadamente o veado (Cervus elaphus), o corço (Capreolus capreolus) e o javali (Sus scrofa) são também mamíferos abundantes nesta região.

O passeio no Parque Natural de Montesinho seguiu um percurso circular, com início na tradicional e encantadora aldeia de Montesinho, passando pela Barragem de Serra Serrada e terminando novamente naquela aldeia. A duração do percurso foi de cerca de seis horas.

Aldeia de Montesinho | 13 de outubro de 2018

Aldeia de Montesinho | 13 de outubro de 2018

Os 11 participantes que fizeram o percurso foram acompanhados por dois guias da Palombar, os burros Atenor e Lourenço da AEPGA e um monitor desta associação.

Parque Natural de Montesinho - percurso | 13 de outubro de 2018

Parque Natural de Montesinho - percurso | 13 de outubro de 2018

Parque Natural de Montesinho - percurso | 13 de outubro de 2018

Parque Natural de Montesinho - percurso | 13 de outubro de 2018

Na companhia de um burro mirandês | 13 de outubro de 2018

Na companhia de um burro mirandês | 13 de outubro de 2018

Por entre afloramentos rochosos, fragas dispersas a compor a paisagem com a sua geometria peculiar, ribeiros e paisagens deslumbrantes, foram avistados indícios de presença de fuinha (Martes foina), ouriço (Erinaceus europaeus), lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e corço (Capreolus capreolus).

Excremento de fuinha ( Martes foina ) | 13 de outubro de 2018

Excremento de fuinha (Martes foina) | 13 de outubro de 2018

Excremento de lobo-ibérico ( Canis lupus signatus ) | 13 de outubro de 2018

Excremento de lobo-ibérico (Canis lupus signatus) | 13 de outubro de 2018

Vinte e nove espécies de aves também surpreenderam os participantes: perdiz (Alectoris rufa), corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo), garça-real (Ardea cinerea), grifo (Gyps fulvus), pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major), gaio (Garrulus glandarius), gralha-preta (Corvus corone), corvo (Corvus corax), cotovia-arbórea (Lullula arborea), chapim-azul (Cyanistes caeruleus), chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus), trepadeira-azul (Sitta europaea), trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), carriça (Troglodytes troglodytes), toutinegra-do-mato (Sylvia undata), pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca), rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros), cartaxo-comum (Saxicola rubicola), melro-preto (Turdus merula), estornino-preto (Sturnus unicolor), ferreirinha-comum (Prunella modularis), alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea), alvéola-branca (Motacilla alba), petinha-dos-prados (Anthus pratensis), tentilhão-comum (Fringilla coelebs), chamariz (Serinus serinus), escrevedeira-de-garganta-cinzenta (Emberiza cia) e pardal-comum (Passer domesticus).

Parque Natural de Montesinho - observação de aves | 13 de outubro de 2018

Parque Natural de Montesinho - observação de aves | 13 de outubro de 2018

Identificação de aves observadas | 13 de outubro de 2018

Identificação de aves observadas | 13 de outubro de 2018

Merendera montana . Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro de 2018

Merendera montana. Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro de 2018

Já ao cair da tarde, quando o crepúsculo faz o seu chamamento misterioso aos animais, e depois de terminado o percurso, no regresso a casa, duas cervas e uma cria com olhar curioso e desconfiado, surpreenderam o grupo na zona de Deilão, a rematar em grande o passeio no “Reino Maravilhoso” que ficará na memória.

O ciclo “À Descoberta do Nordeste Transmontano” contou ainda com o apoio do PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, Vales do Vimioso, Câmara Municipal de Vimioso, Câmara Municipal de Bragança e Câmara Municipal de Mogadouro.

Cerva adulta e cria de veado ( Cervus elaphus ) - Deilão, Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro de 2018

Cerva adulta e cria de veado (Cervus elaphus) - Deilão, Parque Natural de Montesinho | 13 de outubro de 2018

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Observadas 39 espécies no 4.° ano de participação da Palombar no Eurobirdwatch

Foram observadas 39 espécies de aves durante um Percurso Pedestre de Observação de Aves no Parque Natural do Douro Internacional organizado pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito do Projeto LIFE Rupis (www.rupis.pt), no dia 6 de outubro.

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

Águia-real (Aquila chrysaetos), grifo (Gyps fulvus), cuja espécie soma mais de 1 000 casais nas arribas do Douro, chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe), picanço-real (Lanius meridionalis) e perdiz (Alectoris rufa) foram algumas das espécies avistadas.

Eurobirdwatch´18 | Arribas do Douro

Eurobirdwatch´18 | Arribas do Douro

Eurobirdwatch´18

Eurobirdwatch´18

Esta atividade esteve integrada no EuroBirdwatch´18 (www.eurobirdwatch.eu), o maior evento anual europeu dedicado à observação de aves, que, em 2018, celebra 25 anos. Este é o quarto ano de participação da Palombar no Eurobirdwatch.

O EuroBirdwatch, criado em 1993, tem como objetivo chamar a atenção da comunidade para a importância das aves migradoras e dos seus habitats.

Eurobirdwatch´18

Eurobirdwatch´18

Durante os seus 25 anos de existência, o EuroBirdwatch contou com a participação de mais de um milhão de pessoas, de 41 países, que marcaram presença em quase 40 mil eventos de observação de aves para admirar e aprender mais sobre a impressionante migração de aves para o Sul.

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

O EuroBirdwatch é organizado pela BirdLife International e coordenado, em Portugal, pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Esta iniciativa internacional juntou este ano cerca de 40 países que estiveram com os olhos postos no céu.

Eurobirdwatch´18

Eurobirdwatch´18

A atividade organizada pela Palombar no âmbito do EuroBirdwatch´18 contou com a participação de uma dezena de pessoas de várias nacionalidades, entre as quais francesa, italiana e belga.

O percurso, com uma distância de 4 km e uma duração de sete horas, teve início em Algosinho, tendo terminado no Miradouro de Peredo de Bemposta, no concelho de Mogadouro.

Eurobirdwatch´18 | Percurso

Eurobirdwatch´18 | Percurso

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

Eurobirdwatch´18 | Pála dos Mouros (Peredo de Bemposta)

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Projeto de voluntariado da Palombar proporciona experiências polivalentes

A Palombar, através do seu projeto de voluntariado “Heritage: a common good, a common responsibility”, integrado no Serviço Voluntário Europeu (SVE) do Programa Erasmus + Juventude em Ação (JA) – Agência Nacional Portuguesa (juventude.pt), acolheu a voluntária francesa Constance Faucher, que veio para Portugal, nomeadamente para a aldeia de Uva, concelho de Vimioso, distrito de Bragança, através de uma colaboração realizada com a Associação Avril (www.associationavril.org), em França. Este projeto de voluntariado da Palombar foi financiado pelo Programa Erasmus + JA.

Constance Faucher, voluntária SVE.

Constance Faucher, voluntária SVE.

A voluntária Constance Faucher tem 24 anos e é natural de Aixe sur Vienne, França. É licenciada em Cultura e Património Cultural, tendo também realizado um Mestrado em Turismo e Desenvolvimento do Território. As suas áreas de interesse são sobretudo a ruralidade, o património e a natureza.

No âmbito do “Heritage: a common good, a common responsibility”, a voluntária integrou vários projetos, iniciativas e atividades de proteção e conservação do património natural, cultural e construído desenvolvidos pela Palombar e pelos seus parceiros no Nordeste Transmontano.

A conservação e a proteção da natureza e da biodiversidade são uma das áreas centrais de ação da Palombar. Neste âmbito, a voluntaria pôde participar em vários projetos/atividades desenvolvidos pela associação, nomeadamente em censos de coelho e perdiz, monitorização de populações de aves, manutenção de campos de alimentação para aves necrófagas, vigilância e prevenção de incêndios florestais e manutenção/reconstrução de pombais.

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Os pombais, assim como os muros de pedra são ícones arquitetónicos que marcam fortemente a paisagem no Nordeste Transmontano e estão intrinsecamente ligados à comunidade rural. São também estruturas que contribuem para a proteção da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte, por exemplo, da dieta da águia-perdigueira ou águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que tem um estatuto de conservação “Em perigo”, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Já os muros de pedra são zonas de refúgio para algumas espécies, como osgas e lagartixas. Promover a sua valorização e recuperação faz parte da missão da Palombar, que pretende, através da promoção de atividades neste âmbito, permitir que os voluntários que trabalham com a associação aprendam a valorizar e preservar esse património.

Durante uma atividade de reconstrução de um pombal tradicional em Uva, no âmbito do 52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI), e da Oficina de Construção de Muros de Pedra, a voluntária Constance Faucher teve a oportunidade de aprender com formadores especializados as técnicas usadas na construção e preservação dessas estruturas.

Oficina de Construção de Muros de Pedra. Maio de 2018.

Oficina de Construção de Muros de Pedra. Maio de 2018.

52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional dedicado à reconstrução de um pombal tradicional em Uva. Julho de 2018.

52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional dedicado à reconstrução de um pombal tradicional em Uva. Julho de 2018.

Adicionalmente, ao participar nos 53.º e 54.º CTVI dedicados à Arqueologia, durante os quais ocorreram escavações arqueológicas no Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova, Miranda do Douro, a voluntária contactou com a riqueza arqueológica da região, ficando mais sensibilizada para a necessidade de promover mais estudos e investigação nesta área, bem como para a preservação deste património ancestral.

53.º e 54.º Campos de Trabalho Internacionais Voluntário dedicados à Arqueologia. Limpeza de espólio arqueológico. Agosto de 2018.

53.º e 54.º Campos de Trabalho Internacionais Voluntário dedicados à Arqueologia. Limpeza de espólio arqueológico. Agosto de 2018.

Constance Faucher participou ainda na atividade de observação de aves Eurobirdwatch´18 e ajudou na organização de eventos culturais como o Festival  L Burro i L Gueiteiro e o Sons&Ruralidades, tendo ainda participado de campos de trabalho enquanto monitora.

Divulgar a região do Nordeste Transmontano, através de visitas à sua rede de museus e património natural, foi também um dos objetivos do projeto, tendo sido realizado com a voluntária um passeio de barco no Rio Douro e visitas guiadas a museus e centros de interpretação da região.

Passeio de Barco no Douro. Equipa e voluntários do Cesc-project da Palombar. Atividade integrada no CTVI Juvenil dinamizado em Peredo de Bemposta. Maio de 2018.

Passeio de Barco no Douro. Equipa e voluntários do Cesc-project da Palombar. Atividade integrada no CTVI Juvenil dinamizado em Peredo de Bemposta. Maio de 2018.

A Palombar, no âmbito do seu projeto de voluntariado, visa ainda promover relações de proximidade com a comunidade local e estimular atitudes de partilha e entreajuda. Ao estar alojada na aldeia de Uva, a voluntária teve a oportunidade de contactar com os habitantes da aldeia, na sua maioria idosos, e conhecer a sua cultura, costumes e tradições, criando, desta forma, laços e estabelecendo uma relação intergeracional e intercultural enriquecedora. 

Constance Faucher conta-nos, na primeira pessoa, a sua experiência como voluntária neste projeto polivalente da Palombar:

“Desde o dia 10 de maio de 2018 que estou a fazer Serviço Voluntário Europeu (SVE) na Palombar -  Associação de Preservação da Natureza e do Património Rural, na aldeia de Uva. Eu sempre tive a intenção de, no final dos meus estudos, viajar para o exterior. Viajar sim, mas de uma forma que fosse "útil". Entre os vários programas de mobilidade que pesquisei, descobri o SVE.

O SVE oferece aos jovens com idades entre os 17 e os 30 anos a oportunidade de participar em programas de mobilidade e ter a experiência de viver noutro país, através do serviço voluntário prestado para uma organização sem fins lucrativos (seja uma associação, comunidade, etc.). A missão voluntária pode durar de dois a 12 meses. O SVE permite descobrir outras culturas e adquirir competências úteis para a integração social e profissional.

O SVE pareceu-me ser a ferramenta que mais se adequava aos meus objetivos e à minha vontade de conhecer outros lugares, com gastos reduzidos, uma vez que a participação no SVE é gratuita para os voluntários, que têm assegurados o alojado, a alimentação e um seguro durante a sua missão.

Em França, eu fiz os meus estudos na área da cultura e do património, em estreita ligação com o desenvolvimento e a valorização das áreas rurais. Enquanto procurava uma missão do SVE na qual participar, encontrei um projeto de voluntariado com a duração de seis meses na Palombar, em Trás-os-Montes, Portugal. Integrar uma missão de voluntariado na Palombar pareceu-me imediatamente óbvio, uma vez que correspondia às minhas principais áreas de interesse (ruralidade, património, natureza, etc.) e estava ligada à minha formação universitária, além disso, iria permitir que eu descobrisse um novo país e uma outra cultura.

Assim, viajei para Portugal, para a região de Trás-os-Montes, mais especificamente para Uva, uma pequena aldeia com cerca de 50 habitantes e 60 pombais. Imediatamente gostei deste lugar, da natureza, do mosaico das paisagens, das antigas casas de pedra, dos pombais, da cultura local muito marcante e da receção calorosa dos seus habitantes.

No começo, o mais difícil foi o idioma. Eu não falava português, sabia dizer apenas "Bom dia" e "Obrigada". Foi muito frustrante não poder entender o que as pessoas diziam ou falavam. Mas, pouco a pouco, graças aos meus "professores" (amigos, moradores de Uva, etc.) aprendi português em poucos meses.

Embora o meu português ainda esteja longe de ser perfeito, o mais importante para mim foi conseguir desenrascar-me no dia-a-dia e falar com as pessoas. Aqui, eu também descobri, com grande interesse, uma cultura local forte e viva, com as suas tradições, a sua língua própria (o Mirandês), as suas danças e a sua música (especialmente a gaita de fole).

A minha experiência na Palombar deu-me a oportunidade de descobrir muitas coisas novas. Em primeiro lugar, pude conhecer parte da região de Trás-os-Montes. O território de ação da Palombar é realmente bastante extenso e permite contactar e conhecer diferentes aldeias e paisagens da região. Os lugares onde vamos trabalhar são às vezes de difícil acesso, mas também é por isso que me sinto "privilegiada" por lá estar.

Entre as muitas atividades desenvolvidas pela Palombar, tive a oportunidade de participar, nomeadamente, em ações de manutenção dos Campos de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN). É sempre muito impressionante ver essas grandes aves a voar logo acima de nós!

Por outro lado, pude aprender mais sobre as técnicas de construção e restauração do património rural, em particular durante uma oficina de construção de muros de pedra organizada pela associação. Num Campo de Trabalho Voluntário Internacional em Uva, participei numa atividade de recuperação de um pombal tradicional. Estes são trabalhos muito físicos, mas que dão muita satisfação quando se vê o resultado do nosso trabalho depois.

Através desta experiência, desenvolvi também uma maior consciência sobre a ligação que existe entre o património natural e cultural e as diferentes questões que surgem relativamente à sua preservação e conservação. Por exemplo, no que se refere ao pombal, além de ser um elemento do património rural e da identidade do território, a sua conservação e restauro tem também como objetivo promover a preservação da fauna local, como a águia-de-Bonelli, que se alimenta principalmente de pombos.

Agora, resta-me apenas um mês de voluntariado aqui, que eu sinto que está a passar muito rapidamente. Estes últimos cinco meses foram meses marcados por muitas descobertas, aprendizagem e também reuniões. Esta experiência de voluntariado deu-me a oportunidade de descobrir um novo território, a sua cultura, língua e pessoas, mas também, e mais importante, de ser parte ativa na vida local num ambiente rural.

Esta é uma aventura muito gratificante do ponto de vista profissional, mas também pessoal, que eu recomendo a todos aqueles que tenham a oportunidade de participar!”

Constance Faucher

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

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Palombar adere à Plataforma Transgénicos Fora

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural aderiu, no dia 30 de setembro de 2018, à Plataforma Transgénicos Fora (PTF). O processo de integração da Palombar na PTF foi formalizado durante uma reunião que teve lugar na Herdade da Tapada da Tojeira, em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

 O que é a Plataforma Transgénicos Fora?

A Plataforma Transgénicos Fora (www.stopogm.net) “defende uma agricultura sustentável orientada para a proteção da biodiversidade e do direito dos povos à soberania sobre o seu património genético comum”, refere a entidade no seu website oficial. A PTF é composta por várias associações e inúmeros voluntários.

Integram a PTF pessoas que, em nome individual ou enquanto representantes de associações e outras entidades, querem contribuir ativamente para a luta contra os transgénicos, uma luta que deve ser de todos.

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O que são os transgénicos?

Os transgénicos são organismos geneticamente modificados (OGM) com recurso à engenharia genética, num processo em que se adiciona um ou mais genes a determinado organismo/estrutura orgânica provenientes de outras espécies. O organismo transgénico vai adquirir novas características e transmiti-las a toda a sua descendência.

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“Os transgénicos são, desta forma, organismos criados artificialmente em laboratório e que estão associados, segundo vários estudos científicos já realizados, a vários perigos desnecessários em várias áreas: perigos de saúde para as pessoas, desequilíbrios para a Natureza e impactos para a agricultura convencional e biológica devido à contaminação e aparecimento de novas pragas, além de prejuízos para a economia pelo aumento do controlo corporativo sobre a alimentação – entre outros. Muitos são os riscos e impactos que já se conhecem sem que haja qualquer vantagem para a saúde ou o ambiente”, alerta a PTF.

“Ao longo de mais de uma década de intervenção, a PTF conseguiu trazer para a opinião pública portuguesa a informação especializada e sistemática que faltava sobre os riscos dos transgénicos, sobretudo através de ações públicas, debates, seminários e trabalho de intervenção política. Também por isso, a Plataforma impôs-se como parceiro credível e incontornável junto de órgãos de decisão públicos e privados. Nestes anos, foram muitas as iniciativas e vitórias”, destaca ainda a organização.

Por que aderimos à PTF?

A Palombar, no âmbito da sua missão de preservar o património rural e natural e as práticas agrícolas ancestrais assentes na agricultura tradicional, sustentável e biológica, e de promover e conservar a biodiversidade, tomou a decisão de aderir à PTF por considerar que os organismos transgénicos são uma ameaça às práticas agrícolas tradicionais, nomeadamente às variedades de espécies de culturas locais, à sustentabilidade da agricultura no meio rural, aos ecossistemas e à biodiversidade. Os transgénicos representam ainda um risco para a saúde humana e animal.

Como os transgénicos ameaçam a biodiversidade, os ecossistemas, a agricultura tradicional e a saúde humana e animal?

Os organismos transgénicos, nomeadamente as sementes geneticamente modificadas com o objetivo de produzir culturas alegadamente mais produtivas e rentáveis, estão a afetar, de forma progressiva e significativa, a agricultura em vários países, gerando um impacto em toda a cadeia trófica, bem como nos ecossistemas e na biodiversidade.

De acordo com vários peritos nacionais e internacionais, um dos principais perigos da agricultura transgénica é a redução da diversidade das sementes naturais.

Através do vento, da chuva, da ação das aves e dos insetos, o pólen das plantas transgénicas é transportado para culturas convencionais. Devido a esse processo de contaminação, as sementes naturais convencionais podem desaparecer por causa do seu cruzamento com as transgénicas.

O possível desaparecimento de sementes naturais pode provocar grandes prejuízos para a Natureza, os animais e os humanos, visto que só as variedades de sementes naturais permitem poupar o solo do desgaste ao longo do tempo, ao mesmo tempo que podem ser cultivadas durante longos períodos temporais, sem afetar o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade.

Essas sementes são também indispensáveis à soberania dos agricultores e levam anos e até gerações a serem aprimoradas geneticamente pela Natureza. São ainda seguras para o consumo humano, assegurando, desta forma, a segurança alimentar.

Por outro lado, as sementes geneticamente modificadas exigem o uso de uma grande quantidade de fertilizantes químicos para poderem prosperar, bem como de pesticidas e agrotóxicos, que prejudicam a saúde humana e animal, tendo ainda consequências nefastas para o ambiente, contaminando, por exemplo, os recursos hídricos, os solos e vários outros ecossistemas.

Protegidas por patentes de grandes indústrias, como a Monsanto, as sementes transgénicas são mais caras e controladas por essas indústrias que as desenvolvem e vendem aos agricultores tradicionais. Muitas vezes, os agricultores têm de recorrer a empréstimos financeiros para adquirir tais sementes, o que condiciona a sua autonomia económica e produtiva.

Além disso, muitos dos fertilizantes, agrotóxicos e pesticidas usados nas culturas com sementes transgénicas só podem ser comprados a produtores específicos de determinadas sementes, devido às patentes e aos processos de produção altamente controlados e condicionados.

Os efeitos do uso de fertilizantes químicos, pesticidas e agrotóxicos sobre a saúde humana e animal estão já bem documentados, existindo evidência científica robusta dos danos que podem causar aos organismos.

O caso do glifosato

Um dos exemplos mais mediáticos e conhecidos em Portugal é o do glifosato, o herbicida mais usado no país, sobretudo na agricultura. O glifosato está classificado, desde 2015, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como “potencialmente cancerígeno” para humanos, tendo sido comprovado que causa cancro em animais de laboratório.

Um estudo que contou com a participação de 26 voluntários portugueses, das regiões Norte e Centro do país, detetou a presença do herbicida glifosato na urina de todos os participantes, sendo que a concentração média foi de 26,2 mg/l por pessoa, cerca de "20 vezes superior" às que são encontradas, por exemplo, em cidadãos na Suíça e na Alemanha. As conclusões deste estudo foram apresentadas na reportagem transmitida pela RTP 1 intitulada “Erva Daninha”.

A presença de níveis tão elevados de glifosato na urina daqueles voluntários é um indicador de que quer a cadeia trófica, quer os ecossistemas, nomeadamente os sistemas aquíferos, em Portugal, estarão fortemente contaminados por este herbicida.

O glifosato foi desenvolvido pela multinacional Monsanto nos anos 70 e é um herbicida não seletivo, por isso mata qualquer tipo de planta.

Os transgénicos são resistentes ao glifosato. Uma plantação transgénica pode ser, desta forma, pulverizada com herbicidas como o glifosato sem que a cultura morra, só as ervas, o que se traduz nas altas concentrações de herbicidas, prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, nestes produtos, nomeadamente em alimentos como a soja e o milho, por exemplo. O uso intensivo de herbicidas também contamina os solos e os sistemas aquíferos.

No nosso país, os transgénicos são usados sobretudo para produzir ração para animais, mas também há alimentos para consumo humano que contêm transgénicos, como alguns óleos vegetais e bolachas. Os transgénicos acabam, de uma forma ou de outra, por serem consumidos pela população portuguesa, nomeadamente através da ingestão de carne. Além disso, há também algumas sementes transgénicas cujo cultivo é autorizado em Portugal.

Atualmente, a comunidade científica ainda tem muitas dúvidas sobre a segurança do consumo de alimentos transgénicos pelo ser humano e pelos animais, havendo mais indícios de que podem ser prejudiciais. Vários estudos, documentários e análises já realizados apontam nesse sentido.

Há alternativas

O uso de transgénicos representa, desta forma, uma ameaça, a vários níveis, para a Natureza, os animais e as pessoas. Os transgénicos ameaçam a biodiversidade porque contaminam as sementes naturais, podendo levar à sua alteração irreversível e extinção enquanto produtos da Natureza; contaminam os ecossistemas, por serem culturas cujo cultivo exige o uso de grandes quantidades de produtos químicos prejudiciais, afetando também a saúde humana e animal e retiram ainda soberania e autonomia aos agricultores locais, pelo facto de as empresas que produzem sementes transgénicas assumirem o controlo sobre a sua produção, venda e práticas de cultivo.

A Palombar considera, por isso, que dizer não aos transgénicos e preservar e fomentar a agricultura tradicional e biológica é fundamental para proteger o património rural e natural, para assegurar a sustentabilidade e a conservação da biodiversidade, dos ecossistemas, bem como a segurança alimentar, a saúde humana e animal e ainda a autonomia dos agricultores locais.

É fundamental também promover diferentes práticas agrícolas sustentáveis e protetoras da biodiversidade como, por exemplo, a agroecologia, que se refere à uma abordagem da agricultura desde uma perspetiva ecológica, e a permacultura, que consiste no planeamento e gestão de comunidades humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos de várias áreas, principalmente, das ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia.

A Palombar, além de ter uma horta que segue os princípios da agricultura biológica, promove a plantação de espécies autóctones e também tem a preocupação de contribuir para o desenvolvimento do meio rural e da agricultura tradicional e sustentável, através da compra de sementes a agricultores locais que seguem práticas de cultivo com foco na sustentabilidade e proteção da biodiversidade. Essas sementes são usadas, por exemplo, para fazer sementeiras, criadas no âmbito de projetos de conservação da Natureza, e que servem de alimento a vários animais selvagens.

Por tudo isso, a Palombar considera que é preciso dizer: Transgénicos Fora!

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Grifo com 22 anos beneficia de campos de alimentação do Projeto LIFE Rupis

Um grifo (Gyps fulvus) com 22 anos de idade tem beneficiado, nos últimos anos, dos Campos de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN) geridos pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) e do “Grupo Nordeste” – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável. O avistamento de um exemplar tão velho desta espécie é surpreendente e, ao mesmo tempo, fascinante.

O grifo tem um estatuto de conservação “Quase Ameaçado” em território nacional, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.  A idade máxima conhecida que esta espécie já atingiu foi de 41 anos, em cativeiro. Contudo, a sua idade máxima registada no meio natural é bastante inferior: 25 anos. O grifo tem ainda uma Generation Length (GL) ou “Duração de uma geração”, em tradução livre, de 17,8 anos.

A GL é uma informação fundamental para a ecologia populacional, bem como para avaliar o estado de ameaça das espécies e refere-se à idade média dos progenitores da coorte atual (i.e. dos indivíduos acabados de nascer). A duração do tempo geracional reflete, portanto, a taxa de renovação dos indivíduos reprodutores numa população.

Só no mês de setembro, este grifo foi captado duas vezes, nos dias 10 e 19, pelas câmaras de foto-armadilhagem colocadas pelos técnicos de monitorização de fauna selvagem da Palombar num CAAN localizado no concelho de Bragança. O mesmo animal visitou ainda os CAAN geridos pela Palombar, nos concelhos de Mogadouro e Alfândega da Fé, em 2016, por três vezes, nos meses de agosto, outubro e novembro.

A visita deste animal aos CAAN é reveladora da importância destes campos para a conservação desta espécie e do amplo impacto que o projeto LIFE Rupis tem tido, desde que foi implementado, em 2015, na preservação de várias aves de rapina e necrófagas ameaçadas não só na Península Ibérica, como também na Europa.

O seguimento deste grifo só tem sido possível graças ao recurso à anilhagem da ave. Este grifo foi anilhado em 1996, quando tinha 1 ano de vida, em Montes de Jerez de la Frontera, em Cádis, Espanha. A entidade responsável pelo anilhamento e por centralizar as informações relativas à monitorização deste animal é a Estação Biológica de Doñana, em Sevilha, Espanha.

A Palombar, no âmbito do projeto LIFE Rupis, monitoriza aves anilhadas, partilhando informação sobre estas com várias entidades nacionais e internacionais, bem como faz a anilhagem de aves de modo a assegurar o seu seguimento e avaliação.

A anilhagem é uma ferramenta indispensável para o estudo científico das aves e dos seus movimentos e migrações. A análise das deslocações de aves anilhadas permite definir as suas rotas migratórias e conhecer as áreas de repouso ou paragem, bem como obter informação crucial para orientar medidas de conservação efetivas e para guiar o planeamento de sistemas integrados de áreas protegidas para defesa da avifauna.

Adicionalmente, a informação recolhida através da recaptura de aves anilhadas permite obter um conjunto de parâmetros populacionais importantes, tais como a taxa de sobrevivência e o sucesso reprodutor. Estes dados são essenciais para determinar as causas de variações numéricas observadas nas populações de aves e para delinear estratégias de conservação das espécies.

Em Portugal, nidificam algumas centenas de casais de grifos, mas a sua distribuição é fortemente assimétrica. O grifo distribui-se sobretudo pelo interior do território nacional, sendo mais comum junto à fronteira com Espanha. As principais zonas de reprodução situam-se no Nordeste Transmontano, que alberga mais de metade da população portuguesa desta espécie. O grifo está presente no nosso país ao longo de todo o ano, mas efetua movimentos amplos fora da época de reprodução, surgindo então noutras zonas do território.

Sobre o projeto LIFE Rupis

O “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, com a duração de quatro anos (2015 – 2019), cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia.

 O projeto “LIFE Rupis” é coordenado pela Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves (SPEA) e conta com vários parceiros nacionais e internacionais, entre os quais a Palombar.

O projeto, que decorre em território português e espanhol, mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) Douro Internacional e Vale do Águeda e na Zona de Especial Protección para las Aves (ZEPA) Arribes del Duero, pretende implementar ações que visam reforçar as populações de duas espécies prioritárias da Diretiva Aves nesta região, nomeadamente o britango (Neophron percnopterus) e a águia-perdigueira (Aquila fasciata), através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor.

As ações do “LIFE Rupis” beneficiam também outras espécies com estatuto de conservação igualmente desfavorável como é o caso do abutre-preto (Aegypius monachus) e do milhafre-real (Milvus milvus). As populações de todas estas espécies encontram-se em declínio, estando globalmente ameaçadas, em particular na Península Ibérica.

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AEPGA e Palombar lançam projeto de sensibilização para o uso eficiente da água

A AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural anunciam, no âmbito do Dia Nacional da Água, 1 de outubro, o lançamento do projeto POR UMA GOTA – Pelo uso eficiente da água, que visa promover a sensibilização ativa da comunidade rural no Nordeste Transmontano para o uso eficiente deste recurso hídrico vital.

O projeto POR UMA GOTA - Pelo uso eficiente da água, financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente, segue as recomendações do Programa Nacional Para o Uso Eficiente da Água (PNUEA) e tem como objetivo geral desenvolver um programa de educação ambiental que promova o uso e a gestão eficiente da água no Nordeste Transmontano, uma região do país altamente vulnerável aos fenómenos meteorológicos extremos, nomeadamente à seca, e que está também ameaçada pela desertificação.

O Nordeste Transmontano é uma zona do país eminentemente rural e agrícola e, sendo o setor agrícola o que mais água gasta e desperdiça em Portugal, torna-se uma necessidade premente assegurar a eficiência hídrica nesta região, não só na agricultura, como também no meio doméstico e no setor industrial.   

O projeto visa, desta forma, promover uma nova cultura de utilização da água, a qual está em constante risco de esgotamento devido ao seu uso ineficiente, ao desperdício e às alterações climáticas.

No âmbito deste projeto, as duas associações vão desenvolver diversos materiais didáticos e informativos sobre o uso eficiente da água no meio agrícola, doméstico e industrial, organizar sessões de esclarecimento nas escolas da região, bem como promover a capacitação dos agentes agrícolas para o uso e a gestão eficiente da água, entre outras atividades.

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Ave de rapina ameaçada na Europa avistada no Nordeste Transmontano

Uma águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) juvenil foi avistada recentemente no Nordeste Transmontano, o que poderá ser um sinal do seu possível retorno a esta região do país. Esta espécie está restrita como nidificante em Portugal e em Espanha, constituindo um endemismo da Península Ibérica e é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, estando igualmente entre as mais raras do mundo.

A águia-imperial-ibérica foi captada a 4 de setembro por uma das câmaras de foto-armadilhagem colocadas pelos técnicos de monitorização de fauna selvagem da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, num dos Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN) geridos pela associação no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, no âmbito do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt).

 O biólogo e presidente da Palombar, José Pereira, sublinha a importância do avistamento desta espécie no norte do país, bem como a importância dos CAAN para a preservação de várias aves necrófagas em risco não só na Península Ibérica, como também na Europa. “O registo desta espécie a norte do país demonstra que os esforços de conservação da águia-imperial-ibérica que estão a desenvolver no sul do país estão a produzir resultados, a população está a crescer e a aumentar a sua área de dispersão. Ficamos muito satisfeitos e motivados com o trabalho que a Palombar está a desenvolver, nomeadamente ao nível do reforço da rede de campos de alimentação para aves necrófagas, que tem vindo a crescer e que permite um aumento da disponiblidade alimentar para estas espécies e promove a conectividade entre as áreas protegidas”, destacou.

Nos finais da década de 70 e inícios dos anos 80, a população reprodutora da espécie Aquila adalberti desapareceu em Portugal e a nidificação só voltou a ser confirmada em 2003 na região do Tejo Internacional.

Fruto de vários esforços de conservação que têm vindo a ser dedicados a esta espécie, ela tem vindo a colonizar lentamente o território nacional. Em 2018, a população nacional nidificante totalizou 17 casais distribuídos pelas regiões da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo, sendo que esta espécie ainda apresenta, em território nacional, o estatuto de conservação mais preocupante: “Criticamente em Perigo”, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Está também atualmente classificada como “Em Perigo” no Livro Vermelho das Aves de Espanha e ainda como “Vulnerável” pela Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza.

O tamanho da sua população reprodutora é tão reduzido que existe um elevado risco de extinção da espécie face ao aparecimento, por exemplo, de uma doença, por redução significativa da população devido a alta mortalidade e períodos consecutivos de baixa produtividade e/ou por deterioração genética (devido à possível reprodução entre indivíduos da mesma “linhagem”, diminuindo a viabilidade e a diversidade genética da espécie), de acordo com dados do projeto “LIFE Imperial Conservação da Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) em Portugal” (www.lifeimperial.lpn.pt).

Segundo destacaram os especialistas do projeto “LIFE Imperial” numa publicação na rede social Facebook, a propósito do avistamento desta águia juvenil, “é muito raro receber dados de observações da espécie tão a norte do país”.

“Este registo demonstra também a elevada importância destes locais [CAAN] para a conservação das aves necrófagas, mesmo que ocasionais, como é o caso da águia-imperial (particularmente os indivíduos imaturos)”, acrescentaram ainda.

Sobre o projeto LIFE Rupis

O “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, com a duração de quatro anos (2015 – 2019), cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia.

O projeto “LIFE Rupis” é coordenado pela Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves (SPEA) e conta com vários parceiros nacionais e internacionais, entre os quais a Palombar.

O projeto, que decorre em território português e espanhol, mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) Douro Internacional e Vale do Águeda e na Zona de Especial Protección para las Aves (ZEPA) Arribes del Duero, pretende implementar ações que visam reforçar as populações de duas espécies prioritárias da Diretiva Aves nesta região, nomeadamente o britango (Neophron percnopterus) e a águia-perdigueira (Aquila fasciata), através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor.

As ações do “LIFE Rupis” beneficiam também outras espécies com estatuto de conservação igualmente desfavorável, como é o caso agora registado da águia-imperial-ibérica, e ainda o abutre-preto (Aegypius monachus) e o milhafre-real (Milvus milvus). As populações de todas estas espécies encontram-se em declínio, estando globalmente ameaçadas, em particular na Península Ibérica.

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