1.ª Edição do Curso 'Uso e Potencialidades da Armadilhagem Fotográfica” teve todas as vagas preenchidas e contou com formandos de diversas áreas

A 1.ª Edição do curso ‘Uso e Potencialidades da Armadilhagem Fotográfica em Estudos de Ecologia e Monitorização de Fauna Silvestre’ teve todas as vagas preenchidas e contou com a participação de formandos de diversas áreas, de Portugal e Espanha.

Fotografia de grupo tirada com uma máquina de fotoarmadilhagem.

Fotografia de grupo tirada com uma máquina de fotoarmadilhagem.

O curso foi organizado pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceria com o Instituto de Investigación en Recursos Cinegéticos - Universidad de Castilla-La Mancha (IREC, CSIC-UCLM-JCCM) e a Unidad Mixta de Investigación en Biodiversidad - Universidad de Oviedo (UMIB, UO-CSIC-PA), ambos em Espanha. Contou ainda com o apoio da Câmara Municipal de Vimioso, Vales de Vimioso, PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso e dos Bombeiros Voluntários de Vimioso.

Fotografia de grupo

Fotografia de grupo

Inicialmente, a Palombar tinha disponibilizado 15 vagas para o curso, mas, devido à elevada procura, estas foram alargadas para 20, tendo sido todas preenchidas. Os formandos, de nacionalidade portuguesa e espanhola, eram de diversas áreas e níveis de ensino, desde alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento em biologia e ecologia até técnicos de conservação da natureza e biodiversidade e também professores do ensino superior.

João Santos, biólogo doutorado da equipa da Palombar, organizador e coordenador científico do curso, sublinhou que “este veio colmatar uma lacuna que existia nesta área de formação e que, devido à grande procura e à excelente qualidade dos formadores, o objetivo é organizar mais edições”.

“A armadilhagem fotográfica é uma ferramenta cuja utilização tem vindo a aumentar consideravelmente, sobretudo na última década, para estudar e monitorizar populações de fauna silvestre, principalmente mamíferos e aves. Apesar de muitos dos utilizadores desta técnica saberem manipular o equipamento e colocá-lo no terreno, existem sempre alguns princípios básicos que desconhecem e que os impedem de obter um melhor rendimento e melhores resultados. Depois, a maior limitação, a meu ver, surge quando é necessário tratar a informação recolhida pelas máquinas. A técnica apresenta um potencial enorme, as possibilidades de tratamento de informação são imensas e os tipos de estudo que se podem levar a cabo são muito variados. O objetivo deste curso foi, assim, tentar colmatar essas lacunas, dando aos participantes bases sólidas para compreender o funcionamento das máquinas de armadilhagem fotográfica e capacitá-los para poderem tratar e analisar os dados recolhidos no âmbito dos seus estudos, projetos e/ou programas de monitorização de espécies de fauna silvestre”, destacou ainda.

O módulo básico do curso foi ministrado por Pablo Palencia, do Instituto de Investigación en Recursos Cinegéticos (IREC, CSIC-UCLM-JCCM), Universidad de Castilla-La Mancha, Ciudad Real, Espanha, e os módulos avançados pelo Doutor Pelayo Acevedo, também do Instituto de Investigación en Recursos Cinegéticos (IREC, CSIC-UCLM-JCCM), e pela Doutora Patricia Mateo-Tomás, da Unidad Mixta de Investigación en Biodiversidad (UMIB, UO-CSIC-PA), Universidad de Oviedo, Oviedo, Espanha.

No último dia do curso, foi realizada uma visita ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT), localizado na sede da Palombar, na aldeia de Uva (Vimioso), e ainda ao Campo de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN) de Ifanes (Miranda do Douro) gerido pela associação no âmbito do projeto LIFE Rupis.

Visita ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT)

Visita ao Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT)

Visita a um pombal tradicional em Uva (Vimioso)

Visita a um pombal tradicional em Uva (Vimioso)

O curso decorreu  entre os dias 11 e 14 de fevereiro de 2019, no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, no distrito de Bragança. Teve como principal objetivo dotar os participantes de conhecimentos técnicos e científicos sobre o uso da armadilhagem fotográfica como ferramenta de estudo e monitorização de populações de fauna silvestre, em particular mamíferos e aves.

A Palombar faz um agradecimento especial a todos os formadores e formandos, bem como às entidades que deram todo o apoio à realização do curso, nomeadamente a Câmara Municipal de Vimioso, Vales de Vimioso, PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso e Bombeiros Voluntários de Vimioso.

Açor beneficia da recuperação de pombais tradicionais no Nordeste Transmontano

O açor (Accipiter gentilis), uma espécie com estatuto de conservação “Vulnerável” de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal devido à sua população reduzida (inferior a 1 000 indivíduos maturos), tem beneficiado da recuperação e manutenção de pombais tradicionais promovidas pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural no Nordeste Transmontano, por iniciativa própria, ou no âmbito de projetos nos quais é parceira, nomeadamente no projeto LIFE Rupis, e ainda no Grupo Nordeste.

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Um exemplar desta espécie foi observado no dia 6 de fevereiro, num dos pombais recuperados e geridos pela Palombar no concelho de Mogadouro, distrito de Bragança. O açor é um predador essencialmente ornitófago e os pombos (Columba livia) são uma presa muito frequente na sua dieta, assim como de outras espécies de aves de rapinas ameaçadas no território nacional, nomeadamente do falcão-peregrino (Falco peregrinus) e da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que é alvo de conservação do projeto LIFE Rupis, entre outras.

A recuperação de pombais tradicionais, a sua repovoação com pombos saudáveis, bem como a sua manutenção e controlo sanitário, tem sido uma área de atuação central da Palombar, que tem como objetivo associar o restauro do património arquitetónico rural à conservação da Natureza e da biodiversidade.

A Palombar considera que estas estruturas têm um valor cultural e ecológico fundamental e único, pelo que devem ser preservadas, de modo a permanecerem funcionais. O pombal tradicional é um elemento icónico indissociável da paisagem transmontana e essencial ao aumento da disponibilidade de alimento para várias espécies selvagens ameaçadas.

Nos últimos anos, a associação tem recuperado dezenas de pombais tradicionais em Trás-os-Montes e assegurado o seu repovoamento e manutenção, que são indispensáveis para garantir que estas estruturas sejam viáveis e cumpram a sua função ecológica de promover a conservação da biodiversidade. Tão importante quanto recuperar os pombais tradicionais, é mantê-los ao longo do tempo e este tem sido precisamente um dos trabalhos centrais da associação.  

O exemplar de açor observado pelos técnicos da Palombar no passado dia 6 de fevereiro estava dentro de um dos pombais geridos pela associação. Esta é uma situação que não deve ocorrer e que representa uma problemática com a qual a Palombar se tem confrontado e procurado solucionar, no âmbito da gestão de pombais tradicionais.

Os pombos, que são fundamentais para assegurar a preservação de várias espécies de aves ameaçadas, idealmente, deverão ser caçados fora dos pombais e as aves predadoras não devem ter acesso ao interior dessas estruturas. De resto, a problemática da predação de pombos dentro dos pombais coloca-se não só em relação às aves, como também a pequenos mamíferos, como doninhas e fuinhas.

De forma a solucionar este problema, a Palombar tem adotado várias medidas para evitar a entrada de predadores (quer por via aérea, quer por via terrestre) dentro dos pombais tradicionais.

No que se refere às aves, a principal medida implementada tem sido reduzir o tamanho das entradas dos pombais. Tradicionalmente, os pombais já têm entradas mais pequenas exatamente para evitar que espécies de aves de rapina possam entrar nessas estruturas, contudo, ainda assim, algumas aves de menor porte conseguem aceder ao seu interior, pelo que é necessário diminuir ainda mais essas entradas até ao limite que permita a entrada dos próprios pombos.

Relativamente aos pequenos mamíferos, a associação tem assegurado a preservação das abas dos pombais (para dificultar a entrada no seu interior), a manutenção e a qualidade do reboco (para tornar mais uniforme a parede dos pombais e dificultar a sua escalada), bem como a limpeza de matos e a poda de árvores num raio à volta do pombal (para evitar que os animais usem arbustos para treparem), de modo a impedir que pequenos mamíferos possam entrar no seu interior.

A recuperação e manutenção de pombais tradicionais tem já dado provas confirmadas de que é uma medida fundamental para aumentar a disponibilidade alimentar para várias espécies de aves de rapina ameaçadas em Portugal, assegurando, desta forma, o seu sucesso reprodutor e o aumento das suas populações. Esta continuará a ser, desta forma, uma área central de atuação da Palombar.

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Palombar lança website do projeto ‘ConnectNatura’ em prol da conservação das aves necrófagas

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural acaba de lançar o website do seu projeto 'ConnectNatura' (www.connectnatura.pt). Esta plataforma foi criada com o objetivo de divulgar o projeto, dar a conhecer de forma aprofundada as espécies de aves necrófagas alvo de conservação, alertar para as ameaças que enfrentam estes animais, promover um maior conhecimento e sensibilização para a importância destas aves e atualizar toda a informação sobre a implementação do projeto.

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O 'ConnectNatura' é financiado pelo Fundo Ambiental - Ministério do Ambiente e tem como parceiro o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

José Pereira, presidente da Palombar, destaca que este projeto “veio reforçar e alargar o trabalho que a associação tem desenvolvido nos últimos anos no âmbito da conservação das aves necrófagas, enquadrado num outro projeto transfronteiriço, o LIFE Rupis (www.rupis.pt), e é fundamental para criar condições de retorno e/ou fixação destas espécies em duas Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000”.

Sublinha ainda que o “website do projeto é uma ferramenta importante de educação e sensibilização para as questões relacionadas com a conservação das aves necrófagas em Portugal, sendo fundamental para aumentar o conhecimento sobre a importância destas espécies, bem como sobre as ameaças que enfrentam, com o objetivo de promover a sua proteção e uma melhor aceitação social das mesmas”.

O projeto 'ConnectNatura' visa criar condições para recuperar e reforçar as populações de aves necrófagas em duas Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000, classificadas ao abrigo da Diretiva Aves, e que estão localizadas no norte de Portugal, nomeadamente as ZPE ‘Serra do Gerês’ e ‘Montesinho/Nogueira’. Estas duas ZPE estão também inseridas em Sítios de Importância Comunitária (SIC), mais especificamente os SIC ‘Peneda/Gerês’ e ‘Montesinho/ Nogueira’.

As ZPE abrangidas pelo projeto ConnectNatura integram ainda a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP), apresentando o estatuto de Parque Nacional, no caso da Serra do Gerês, e Parque Natural, no que se refere a Montesinho.

A Rede Natura 2000 é uma rede de áreas designadas para conservar os habitats e as espécies selvagens raras, ameaçadas ou vulneráveis no espaço da União Europeia. Resulta da aplicação de duas Diretivas comunitárias distintas: a Diretiva Aves, relativa à conservação das aves selvagens, e a Diretiva Habitats, relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e flora selvagens.

As medidas a implementar no âmbito deste projeto serão dirigidas a espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos).

Britango e grifo.

Britango e grifo.

As ações previstas têm como objetivo melhorar as condições de alimentação e de aceitação social, de forma a reverter as tendências populacionais negativas e a promover o retorno e/ou a fixação dessas aves nesses territórios, os quais constituem áreas de presença histórica. Para além disto, o projeto contribuirá para reforçar a conectividade entre populações, através de corredores entre áreas da Rede Natura 2000, e para restaurar cadeias tróficas ancestrais.

Outras espécies de aves parcialmente necrófagas, como o milhafre-real (Milvus milvus), que também apresenta um estatuto de conservação desfavorável no nosso país (sobretudo a sua população residente) e o milhafre-preto (Milvus migrans) também serão beneficiadas pelas ações que serão implementadas no terreno.

Em Portugal, as espécies de aves necrófagas, em particular as espécies-alvo deste projeto, apresentam, no geral, um estatuto de conservação delicado, encontrando-se numa situação populacional desfavorável, o que reflete a importância da implementação deste projeto de conservação da Palombar.

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Petição lançada a nível europeu quer impor regras às multinacionais e assegurar direitos dos cidadãos

Dezenas de associações, organizações não governamentais, entidades e movimentos sociais de defesa dos cidadãos, do comércio justo e do ambiente lançaram, no dia 22 de janeiro, a nível europeu, a petição “Direitos para as pessoas, regras para as multinacionais – STOP ISDS”, que tem como principal objetivo acabar com os privilégios dos grandes grupos económicos transnacionais que colocam em causa os direitos dos cidadãos, o meio ambiente e o funcionamento dos Estados democráticos e defender os direitos das populações.

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A petição exige que a União Europeia (UE) e todos os seus Estados-membros deixem de celebrar quaisquer novos acordos de comércio e investimento que incluam mecanismos ISDS (Investor-State Dispute Settlement) ou similares e que os atuais acordos que incluem estes mecanismos devem ser renegociados ou cessar a sua vigência.

O documento exorta ainda a UE a envolver-se de forma construtiva no Tratado que está a ser discutido no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre empresas transnacionais e Direitos Humanos.

 O que é o ISDS?

O ISDS (Investor-State Dispute Settlement/“Resolução de Diferendos entre Investidores e Estados”) é um mecanismo de resolução de litígios entre investidores estrangeiros e Estados, um instrumento de direito internacional privado que é incorporado em acordos e tratados realizados entre países e empresas transnacionais. Existe à margem dos tribunais nacionais e coloca em causa a soberania dos povos e a democracia.

Este instrumento está disponível exclusivamente para investidores estrangeiros processarem os Estados, os quais se submetem livremente a este mecanismo, através de acordos de investimento que assina. Ou seja, são os próprios Estados, através dos seus governos, que outorgam às multinacionais esses direitos e meios especiais, limitando o seu próprio poder legislativo e colocando em risco os recursos e os direitos dos cidadãos.

Ao abrigo deste mecanismo altamente benéfico para as multinacionais e prejudiciais para o Estado, as empresas contornam as justiças nacionais e “escapam” a julgamentos e condenações quando em causa estão, por exemplo, ilícitos laborais, crimes ambientais, usurpação de poder, ações lesivas para o Estado, etc. Esta ferramenta permite às empresas exigir indemnizações multimilionárias sempre que consideram que medidas democraticamente adotadas pelos Estados podem diminuir os seus lucros.

Em causa está, desta forma, um mecanismo exclusivo criado à margem da Lei de cada país para os investidores processarem os Estados e tirarem proveito disso. Quando as multinacionais acionam este mecanismo, muitas vezes os Estados são prejudicados porque entram num sistema de disputa processual muito dispendioso (pode custar milhões de euros), burocrático e obscuro que acaba quase sempre por decidir a favor das grandes empresas.

Quando há litígio, a decisão não é tomada por um tribunal público e legitimado, mas sim por tribunais arbitrais privados, compostos por três árbitros escolhidos pelas partes e que podem assumir rotativamente o papel de acusação, defesa ou de decisão. As sessões são secretas, muitas vezes realizadas em quartos de hotel, e não é possível recorrer das decisões, não existindo uma instância de recurso.

Este é um mecanismo que coloca em causa não só os Direitos Humanos, como também o Ambiente, visto que as empresas transnacionais atuam não só ao nível dos recursos humanos, como também exploram os recursos naturais.

Há ainda outros mecanismos similares, mas com nomes distintos, como o ICS (Investment Court System/"Sistema de Tribunais de Investimento") ou o MIC (Multilateral Investment Court/"Tribunal Multilateral de Investimento").

O ISDS começou a ser incluído em acordos de investimento entre países a partir dos finais de 1960, com o objetivo de proteger os investimentos privados em países ditatoriais ou corruptos, mas foi a partir de 1990 que aumentaram de forma exponencial os processos ISDS, sendo hoje conhecidos mais de 560 casos a nível mundial.

Atualmente, há centenas de processos ISDS a decorre em vários países a nível europeu e mundial que estão a colocar em causa a soberania das populações, os Direitos Humanos e o Planeta. Os governos não devem celebrar, em nome dos cidadãos, acordos que incluam mecanismos ISDS!

Há que dizer BASTA!

A Palombar diz STOP ISDS, pelos Direitos Humanos, pelo Ambiente!

Assine já a petição aqui!

Voluntariado na Palombar em Trás-os-Montes: “Fazer parte desta dinâmica é gratificante e dá sentido ao conceito de serviço cívico: servir as comunidades”

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural acolheu a voluntária francesa Juliette Verduzier, entre os dias 23 de julho de 2018 e 23 de janeiro de 2019, ao abrigo do projeto de voluntariado intitulado "Promoção e Valorização do Património Rural e Ambiental em Portugal", desenvolvido em parceria com a associação Union Rempart, em França, no âmbito do Serviço Cívico Francês.

Juliette Verduzier

Juliette Verduzier

Juliette Verduzier é licenciada em Design, tem 21 anos, e as suas principais áreas de interesse são a natureza, a ruralidade, as artes, a vida comunitária e as construções ecológicas. Durante a sua missão de voluntariado na Palombar, a voluntária residiu na aldeia de Uva (Vimioso), distrito de Bragança, e participou em vários projetos de dinamização e conservação do mundo rural, nomeadamente em iniciativas de recuperação e manutenção do património construído, campos de trabalho voluntário com foco em escavações arqueológicas, monitorização de fauna silvestre, recolha de memórias locais, vigilância de incêndios, manutenção de viveiros e atividades culturais organizadas pela associação.

No âmbito do festival L Burro i L Gueiteiro de 2018, Juliette Verduzier esteve integrada na equipa de logística do evento e teve a possibilidade de contactar com as comunidades e a cultura locais. “Quando cheguei, estava a decorrer este festival, que me proporcionou uma entrada festiva no mundo transmontano, onde pude colaborar através da instalação de barracas, participar em caminhadas com burros e descobrir a música da gaita de fole”, descreve a voluntária num testemunho que escreveu sobre a sua experiência em Portugal.

Juliette Verduzier foi também monitora nos 53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI), dedicados à escavação arqueológica, que se realizaram entre os dias 20 de agosto e 14 de setembro de 2018, no Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova (Miranda do Douro). Deu apoio nas atividades de escavações arqueológicas e coordenou grupos nas atividades de lazer. Estes CTVI tiveram como parceiros a Câmara Municipal de Miranda do Douro, a Junta de Freguesia de Miranda do Douro e também a Union Rempart. “Esta foi uma experiência muita enriquecedora em que pude aprender novas valências”, afirmou.

53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional

53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional

53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional

53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional

A voluntária realizou uma recolha de memórias dos habitantes locais sobre os pombais tradicionais, através do registo de testemunhos orais. Ajudou igualmente em trabalhos de recuperação, manutenção e repovoamento dessas estruturas arquitetónicas, nomeadamente em Miranda do Douro, realizados pela equipa da Palombar. “Gostei particularmente de aprender sobre técnicas tradicionais de construção e de descobrir a sabedoria local que estas revelam. Compreendi ainda a importância de recuperar os pombais tradicionais, dando-lhes uma nova utilidade. A Palombar utiliza esses pombais como uma ‘ferramenta’ de conservação da águia-de-Bonelli, que se alimenta de pombos”, disse Juliette.

Recuperação de um pombal tradicional em Miranda do Douro.

Recuperação de um pombal tradicional em Miranda do Douro.

Com proprietária de pombais tradicionais.

Com proprietária de pombais tradicionais.

A missão voluntária na Palombar também incluiu a participação em ações de monitorização da fauna selvagem, através da colocação de máquinas de fotoarmadilhagem, censos de perdiz e coelho-bravo, bem como a manutenção de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN). “Durante a minha missão, acompanhei vários técnicos da Palombar durante diversos trabalhos realizados na região de Trás-os-Montes, nomeadamente em atividades de monitorização de espécies de animais no campo. Descobri, ao mesmo tempo, a diversidade das paisagens transmontanas: a sua fauna e flora, sobre as quais aprendi muito com as preciosas explicações dadas pelos biólogos da equipa”, sublinhou a voluntária.

Esteve ainda envolvida na vigilância de incêndios e na manutenção de sementeiras no viveiro florestal da Palombar. Durante a missão de voluntariado, “fui sensibilizada para questões relacionadas com a falta de água e com os incêndios, problemas que não temos na minha região em França”, destacou Juliette Verduzier.

Participou também no intercâmbio ‘Melhores Práticas para um Futuro Ético e Sustentável através do Turismo Rural’, promovido pelo Centro de Acolhimento do Burro e pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino. Este projeto de intercâmbio sobre boas práticas de turismo ético e sustentável foi financiado pelo programa Erasmus+ Juventude em Ação e teve como parceiros o Linking Tourism & Conservation (Noruega) e a Cryosanabria (Espanha). Decorreu entre os dias 8 e 20 de novembro de 2018 e contou com participantes de várias nacionalidades.

A voluntária desenvolveu, adicionalmente, um Projeto Individual, que consistiu na criação de conteúdos e produtos de design direcionados para a divulgação dos trabalhos de recuperação e manutenção dos pombais tradicionais e da sua ecologia, bem como para a consciencialização sobre os perigos subjacentes ao uso de venenos para matar animais.

Desenho para GIF sobre pombais.

Desenho para GIF sobre pombais.

Desenho para GIF sobre uso de veneno.

Desenho para GIF sobre uso de veneno.

A jovem francesa afirmou que a missão de voluntariado na Palombar foi muito “enriquecedora” e ajudou a “desenvolver capacidades pessoais e a ganhar independência”. Destacou ainda que estar presente ativamente numa comunidade em Trás-os-Montes foi uma forma de “lutar contra a desertificação rural” e que “fazer parte desta dinâmica é gratificante e dá sentido ao conceito de serviço cívico: servir as comunidades”.

Leia na íntegra o testemunho de Juliette Verduzier sobre a sua missão de voluntariado na Palombar em Trás-os-Montes.

 TESTEMUNHO

Depois de terminar a minha licenciatura em Design (interior, cenografia e paisagismo), senti a necessidade de experimentar outras formas de aprender fora da Escola Superior onde estudei, no terreno mais concreto, a fazer coisas diferentes.  

Ao procurar por novas experiências, descobri o Serviço Cívico Francês e a missão, em Portugal, proposta pela Union Rempart, em parceria com a Palombar, intitulada "Promoção e Valorização do Património Rural e Ambiental em Portugal". Pareceu-me a oportunidade perfeita para participar ativamente em iniciativas de recuperação do património rural e atuar realmente no terreno, bem como para perceber melhor as dinâmicas do mundo rural, que me interessam muito, estando inserida numa comunidade.

Cheguei à aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança, no dia 23 de julho de 2018, em pleno verão, ou seja, no período do ano mais ativo da associação. A Palombar organiza, todos os anos, o festival itinerante L Burro i L Gueiteiro, em parceria com a AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino. Quando cheguei, estava a decorrer este festival, que me proporcionou uma entrada festiva no mundo trasmontano, onde pude colaborar através da instalação de barracas, participar em caminhadas com burros e descobrir a música da gaita de fole. 

O verão é também a altura do ano em que decorrem os Campos de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI) organismos pela Palombar e nos quais participei como animadora. O programa dos CTVI em que participei incluía escavar ruínas romanas e visitar a região de Trás-os-Montes com grupos internacionais. No âmbito dos CTVI, fiquei responsável, pela primeira vez, pela coordenação de um grupo de pessoas, tendo sido esta uma experiência muita enriquecedora em que pude aprender novas valências.

Durante a minha missão, gostei particularmente de aprender sobre técnicas tradicionais de construção e de descobrir a sabedoria local que estas revelam. Os pombais (que dão origem ao nome da associação Palombar, que significa pombal em Mirandês) são um símbolo do uso eficiente e sustentável dos recursos naturais, nomeadamente da terra. Foi importante para mim criar ilustrações que revelam para que servem os pombais, bem como o valor deste património local. Também participei na recolha de memórias dos donos de pombais, os quais explicaram a utilidade dessas estruturas no passado.

Compreendi ainda a importância de recuperar os pombais tradicionais, dando-lhes uma nova utilidade. A Palombar utiliza esses pombais como uma ‘ferramenta’ de conservação da águia-de-Bonelli, que se alimenta de pombos. Além de recuperar e manter essas estruturas, a associação repovoa-os com pombos saudáveis, alimenta-os, e cuida também da sua saúde. Aproveita ainda o estrume produzido pelos pombos, que é transformado em fertilizante. 

No âmbito da minha missão, acompanhei vários técnicos da Palombar durante diversos trabalhos realizados na região de Trás-os-Montes, nomeadamente em atividades de monitorização de espécies de animais no campo. Descobri, ao mesmo tempo, a diversidade das paisagens transmontanas: a sua fauna e flora, sobre as quais aprendi muito com as preciosas explicações dadas pelos biólogos da equipa, as suas terras cultivadas, até mesmo em lugares muito inacessíveis, e o seu horizonte sem fim. Nesta paisagem onde predomina a agricultura familiar de subsistência, há um ritmo de vida marcado por diferentes colheitas e produções da terra.

Viver nesse “mundo”, conhecer as suas gentes, aprender a sua língua e descobrir o seu modo de vida proporcionou-me uma imensa alegria. Esse processo de adaptação a uma outra cultura é muito enriquecedor e permite desenvolver capacidades pessoais e ganhar independência.

Fui muito bem acolhida pela população local. Senti, todos os dias, que os habitantes de Uva estavam contentes por ver pessoas novas na sua aldeia, sobretudo jovens. A minha presença em Uva, assim como a de outros voluntários e de toda a equipa da Palombar, ajuda muito a dinamizar e a dar vida à aldeia, bem como a lutar contra a desertificação rural. Fazer parte desta dinâmica é gratificante e dá sentido ao conceito de serviço cívico: servir as comunidades.

 Juliette Verduzier, 18 de dezembro de 2018

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Abutre-preto devolvido à Natureza volta a “abraçar” a liberdade no distrito de Bragança

Um exemplar de abutre-preto (Aegypius monachus) foi devolvido à Natureza esta quarta-feira, 23 de janeiro, no Miradouro do Carrascalinho, na freguesia de Lagoaça e Fornos, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, por vários técnicos e especialistas em fauna selvagem.

Abutre-preto ( Aegypius monachus ).

Abutre-preto (Aegypius monachus).

A devolução desta ave à Natureza só foi possível depois de a espécie ter passado por um processo de recuperação que envolveu várias entidades. O animal juvenil foi encontrado muito debilitado fisicamente no início de outubro de 2018 no centro de Valongo, junto a uma rotunda numa zona urbana, um local improvável, tendo sido levado para o Parque Biológico de Gaia, no concelho de Vila Nova de Gaia, onde foi primeiramente acolhido. Posteriormente, foi transferido para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS/HV/UTAD), em Vila Real.

A ave terminou o seu processo de recuperação no Centro de Interpretação Ambiental e Recuperação Animal (CIARA), em Felgar, Torre de Moncorvo. Antes de ser libertado, e para assegurar o seu seguimento e monitorização, foi colocado neste abutre-preto uma anilha e um transmissor GPS fornecido pela Vulture Conservation Foundation (VCF).

A marcação de aves com transmissores GPS permite conhecer em detalhe o movimento destes animais e obter um volume de informação muito grande e pormenorizado. Através da marcação das aves com estes dispositivos, tem sido possível realizar avanços significativos no que se refere ao conhecimento das rotas de migração das espécies estudadas, principalmente de aves que efetuam grandes movimentos migratórios. Estes dispositivos permitem ainda identificar locais em que ocorrem elevadas taxas de mortalidade das aves, como, por exemplo, linhas elétricas, onde os animais morrem muitas vezes por colisão e/ou eletrocussão. O uso de transmissores GPS permite também obter um conhecimento mais profundo das diversas espécies de aves e respetivas populações, como as suas rotas migratórias, longevidade, mortalidade, territorialidade, comportamento alimentar, entre outros aspetos. Todas estas informações são essenciais para promover a sua conservação.

De forma a aproveitar este momento único de devolução de um animal no seu meio natural para sensibilizar para a sua importância e papel fundamental nos ecossistemas, no âmbito da ação E3 do projeto LIFE Rupis, uma turma do 4.º ano do agrupamento de escolas de Mogadouro, com 20 alunos, foi convidada a presenciar a libertação da ave. O transporte dos alunos até ao Miradouro do Carrascalinho foi assegurado pela Câmara Municipal de Mogadouro. 

Alunos do 4.º ano do agrupamento de escolas de Mogadouro.

Alunos do 4.º ano do agrupamento de escolas de Mogadouro.

Também estiveram presentes representantes de várias entidades e associações que trabalham na área da conservação e proteção da biodiversidade, nomeadamente da Palombar, da ATNatureza, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)/Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), em representação do projeto LIFE Rupis, do CRAS/HV/UTAD, do Parque Biológico de Gaia, do CIARA, da Associação de Municípios do Baixo Sabor e da Oriolus. A comunicação social também marcou presença, nomeadamente a RTP e a SIC. No total, presenciaram a devolução do animal à Natureza cerca de 50 pessoas.

Participantes de várias entidades.

Participantes de várias entidades.

Sobre o abutre-preto

O abutre-preto (Aegypius monachus) é uma ave de grandes dimensões, apresentando uma envergadura que pode atingir os 3 metros. Mesmo a uma grande altura, é possível ver a sua grande silhueta escura a planar nos céus. Tem um estatuto de conservação “Criticamente em Perigo” no território nacional, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Esta ave prefere viver em locais longínquos próximos a matagais arborizados, principalmente junto a encostas bastante íngremes em áreas montanhosas ou em vales de rios. Tem hábitos alimentares quase exclusivamente necrófagos. Carcaças de médio e grande porte de ovelhas, cabras, vacas, cervídeos e coelhos fazem parte da sua dieta. O abutre-preto alimenta-se sozinho ou em pequenos grupos e pode regressar à mesma carcaça durante vários dias.

Esta espécie faz ninhos quase exclusivamente em árvores e pode nidificar sozinha ou em colónias. A relação entre o casal pode durar para a toda a vida e ambos os progenitores cuidam da cria. Somente um ovo é posto por cada época reprodutiva, que ocorre entre fevereiro e início de março.

O abutre-preto está presente no Parque Natural do Douro Internacional. Em 2012, foi registado um casal nidificante da espécie nesta região, onde se estabeleceu e permanece desde então. Esta ave costuma também ser avistada no Parque Nacional da Peneda-Gerês e no Parque Natural de Montesinho, sozinho ou juntamente com bandos de grifos.

O abutre-preto beneficia de ações do projeto LIFE Rupis e é uma das espécies-alvo de conservação do projeto ConnectNatura (www.connectnatura.pt) da Palombar.

Sobre o LIFE Rupis

O LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, com a duração de quatro anos (2015 – 2019), cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia.

O projeto LIFE Rupis é coordenado pela Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves (SPEA) e conta com vários parceiros nacionais e internacionais, entre os quais a Palombar.

O projeto, que decorre em território português e espanhol, mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) Douro Internacional e Vale do Águeda e na Zona de Especial Protección para las Aves (ZEPA) Arribes del Duero, pretende implementar ações que visam reforçar as populações de duas espécies prioritárias da Diretiva Aves nesta região, nomeadamente o britango (Neophron percnopterus) e a águia-perdigueira (Aquila fasciata), através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor.

As ações do LIFE Rupis beneficiam também outras espécies com estatuto de conservação igualmente desfavorável como é o caso do abutre-preto (Aegypius monachus) e do milhafre-real (Milvus milvus). As populações destas espécies encontram-se em declínio, estando globalmente ameaçadas, em particular na Península Ibérica.

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Uso de veneno: o feitiço vira-se contra o feiticeiro

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Certo dia, o sr. António ficou danado porque uma raposa, mais uma vez, assaltou-lhe o galinheiro. Revoltado com a maldita, decide acabar de vez com o problema e envenená-la. No dia seguinte, vai ver ansioso se o plano resultou. Ao aproximar-se do local onde deixou o veneno, observa a bonita pelagem da raposa, que se encontra estendida no chão, e enche-se de satisfação. Entretanto, ao chegar mais perto do animal, verifica que este não foi o único a morrer. Um abutre, um britango e o cão da sua filha também foram vítimas do veneno. O sr. António percebeu, desta forma, que o veneno é “cego” e não atua de forma seletiva, podendo matar vários animais, inclusive os seus. O “feitiço” que lançou virou-se contra ele.

GIF | Juliette Verduzier Texto | Luís Queirós, Uliana de Castro e Juliette Verduzier

VENENO

 O que é?

Qualquer substância com características tóxicas que, dependendo da dose e do modo de utilização, seja capaz de causar danos e/ou a morte de um organismo vivo.

O uso de venenos está completamente proibido pelas legislações nacional e europeia e é uma prática irresponsável que pode ter consequências muito graves para a biodiversidade e para a saúde pública.

Porquê e para quê se utiliza?

A principal motivação para o uso de venenos é a eliminação de animais considerados prejudiciais a atividades humanas como a caça, a pecuária ou a agricultura. No entanto, o uso de venenos é um método não seletivo, que pode afetar muitas espécies para as quais não é dirigido, incluindo animais domésticos e espécies ameaçadas de extinção.

VENENO: uma ameaça à Biodiversidade.

O uso ilegal de iscos envenenados, associado à falta de controlo sobre a venda de venenos e à utilização de muitas substâncias tóxicas, comercializadas legalmente no mercado, são fatores que geram um forte impacto negativo na fauna.

As espécies mais vulneráveis ao uso de venenos são aquelas que têm hábitos alimentares necrófagos e que, por se alimentarem de animais mortos, acabam por serem vítimas de envenenamento em cadeia. Os abutres são o grupo de espécies potencialmente mais afetado pelo uso destas substâncias.

O envenenamento constitui um fator de mortalidade não natural de grande relevância, dado que produz um impacto dentro da área de distribuição regular das espécies afetadas e pode contribuir de forma significativa para a diminuição das suas populações no nosso território ou mesmo para o seu desaparecimento.

VENENO: um risco para a Saúde Pública.

A falta de controlo eficaz e a facilidade com que é possível adquirir venenos que já foram proibidos em Portugal há vários anos podem provocar consequências nefastas que vão muito além da fauna silvestre.

Muitas das substâncias utilizadas em venenos podem persistir no meio ambiente por meses ou anos e assim entrar na cadeia alimentar por via indireta. A contaminação de fontes de água utilizadas para consumo humano ou rega também é uma ameaça muito real.

Os venenos também afetam espécies de caça que são consumidas habitualmente pelos humanos, como os javalis. Corremos, portanto, o risco de incluir na nossa alimentação estas substâncias altamente tóxicas, o que pode provocar sérios problemas de saúde a quem as consome.

O Programa Antídoto

O Programa Antídoto é uma iniciativa que pretende combater o uso ilegal de venenos, procurando conhecer a dimensão do problema e as suas consequências, de forma a implementar medidas para as solucionar ou minimizar.

 Os objetivos do Programa Antídoto são:

· Conhecer a dimensão real do uso de venenos em Portugal;

· Conhecer as causas, motivações e problemas que estão na origem do uso de venenos;

· Contribuir para a resolução do problema, promovendo boas práticas agropecuárias e cinegéticas;

· Avaliar o impacto do uso de venenos nas populações de animais silvestres;

· Estabelecer medidas de controlo do uso de substâncias tóxicas;

· Combater a atual impunidade face a casos de envenenamento;

· Contribuir para a educação acerca do uso de venenos;

· Promover a conservação de várias espécies e respetivos ecossistemas.

 O que fazer quando encontrar um animal envenenado?

1. Contacte imediatamente as autoridades competentes. Mesmo que o animal já se encontre morto, a utilização de venenos constitui um crime que deve ser reportado. SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana – 21 750 30 80 Linha SOS Ambiente – 808 200 520

2. Permaneça no local até as autoridades chegarem.

3. Não toque no animal e não deixe que outras pessoas se aproximem. Os cadáveres e amostras devem ser recolhidos apenas pelas autoridades.

AR diz não à proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias e deixa decisão nas mãos da DGAV

Portugal perdeu esta sexta-feira, 11 de janeiro, uma oportunidade de dar o exemplo em matéria de conservação da natureza e salvaguarda da saúde pública. A Assembleia da República (AR) decidiu hoje não proibir o diclofenac, um medicamento veterinário fatal para abutres e águias.

Com esta decisão, que contraria uma resolução da própria Assembleia em abril de 2018, mantém-se viva uma séria de ameaça a várias espécies protegidas e à saúde pública no país. Evitar o sério risco que este fármaco representa continua, assim, nas mãos da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que tem em apreciação um pedido de comercialização já há mais de dois anos.

Grifo ( Gyps fulvus )

Grifo (Gyps fulvus)

José Pereira, presidente da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, considera que "a decisão de não proibir a comercialização do diclofenac para uso veterinário é incompreensível, tendo em conta que já existem evidências científicas robustas de que este medicamento é fatal para abutres e águias" e salienta "que os procedimentos mitigadores do seu impacto nas aves necrófagas são falíveis".

"Esta decisão pode colocar em causa todo o trabalho que tem sido desenvolvido por diversas associações e entidades em prol da conservação das aves necrófagas com estatuto de conservação desfavorável em Portugal, porque continua a colocar em risco estas aves que são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas", acrescenta ainda.

“Não se percebe como é que não é proibida uma substância que é perigosa e para a qual existem alternativas seguras”, diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). “Infelizmente, contra o bom senso e a precaução valeram os interesses políticos e a força dos números”, acrescenta.

A DGAV está desde 2016 a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac. Exige-se agora à DGAV que, tendo em consideração o melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, não aprove este pedido de comercialização, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas e o consequente impacto na saúde pública em Portugal.

Ao não proibir o diclofenac, os deputados falharam nas suas obrigações para com o povo português e descuraram os compromissos assumidos a nível internacional, de conservação da natureza. Ao não proibir este fármaco perigoso, Portugal arrisca-se – caso a DGAV autorize medicamentos contendo diclofenac - a deixar de ser um refúgio para espécies protegidas como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial-ibérica, que estão ameaçadas a nível europeu e mundial, e das quais existem populações importantes no nosso país.

Existem outros anti-inflamatórios e analgésicos que são inócuos para estas aves, e que poderiam ser usados mesmo que o diclofenac fosse proibido.

“O resultado da votação de hoje deixa-nos perplexos e muito entristecidos. Portugal acabou de perder uma excelente oportunidade para dar um exemplo a toda a Europa”, diz Iván Ramírez, diretor de Conservação da BirdLife Europe & Central Asia.

Desde 2014 que as Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac. A decisão de hoje contraria esta resolução, abrindo a porta a que o diclofenac venha a ser usado na atividade pecuária nacional.

“Estamos desiludidos com esta decisão, que não serve nem as aves nem as pessoas, e pela qual podemos todos vir a pagar caro. Os abutres têm um papel importantíssimo no controlo de doenças nos nossos campos – sem eles, corremos o risco de enfrentar graves problemas de saúde pública”, diz Joaquim Teodósio. “Resta-nos agora esperar que a DGAV decida a favor da saúde dos nossos campos", conclui.

Mais informações:

Nota de imprensa da BirdLife International alertando para os perigos do diclofenac.

Peritos em abutres pedem proibição global do diclofenac veterinário:.

Moção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) apelando à proibição do diclofenac para uso veterinário.

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Assembleia da República debate proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias

A Assembleia da República vai discutir, no próximo dia 10 de janeiro, duas propostas de projeto de Lei, submetidas pelo Partido Ecologista Os Verdes (Projeto de Lei n.º 885/XIII/3.ª) e pelo PAN - Pessoas, Animais e Natureza (Projeto de Lei n.º 1056/XIII/4.ª), no sentido de proibir a comercialização e uso em Portugal de medicamentos veterinários que utilizem na sua formulação o diclofenac. Caso esta substância – à qual existem alternativas seguras – seja autorizada e utilizada em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador em várias espécies protegidas de aves necrófagas e também nos ecossistemas onde desempenham um importante papel de controlo de doenças.

Britango ( Neophron percnopterus ) e grifo ( Gyps fulvus ).

Britango (Neophron percnopterus) e grifo (Gyps fulvus).

O diclofenac, que na pecuária é usado essencialmente como anti-inflamatório e analgésico, foi responsável pelo declínio dramático e abrupto dos abutres do sub-continente Indiano, que quase os levou à extinção. Em Portugal, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está atualmente a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac.

As Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA) portuguesas consideram que, face ao melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, o pedido de comercialização não pode ser aprovado, e a comercialização e uso destes medicamentos deve ser definitivamente proibida, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas em Portugal. De salientar, ainda, a existência de várias alternativas eficazes a este fármaco que têm muito menor impacto nas aves, pelo que o tratamento dos animais domésticos é perfeitamente possível sem recorrer ao uso do diclofenac e pôr em risco os ecossistemas nacionais.

Desde 2014 que ONGA nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária.

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac.

De acordo com a ampla informação científica existente e como referem os alertas já feitos por diversas organizações nacionais e internacionais, o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias, ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac. Em abutres do género Gyps (como o grifo) e em algumas espécies de águia do género Aquila, a substância provoca insuficiência renal aguda que rapidamente leva à morte. Na Índia, bastou que menos de 1% das carcaças disponíveis para os abutres tivessem sido tratadas com diclofenac para causar a redução das populações de três espécies de abutres em mais de 97%, o que levou a que este fármaco tenha sido banido no subcontinente indiano no ano de 2006. Daí para cá tem-se registado uma notável recuperação das populações indianas de abutres.

Portugal possui importantes populações de abutres e de grandes águias com hábitos necrófagos: o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Os abutres em particular desempenham um papel único nos nossos ecossistemas, limpando as nossas paisagens de cadáveres de animais mortos, e por isso limitando a transmissão de doenças.  A maioria destas espécies tem efetivos muito reduzidos, tendo algumas delas estatutos de conservação muito desfavoráveis em Portugal e no resto do mundo. E todas elas estão protegidas por lei em Portugal e na Europa. Tendo em conta os potenciais impactos do diclofenac nestas espécies, os seus hábitos alimentares e a suas reduzidas populações, caso o diclofenac seja autorizado e utilizado em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador nestas aves e também nos ecossistemas onde ocorrem, em consequência do seu importante papel ecológico.

Abutre-preto ( Aegypius monachus )

Abutre-preto (Aegypius monachus)

A autorização do diclofenac em Portugal para uso pecuário poderá também colocar em causa de forma irremediável o compromisso e esforço nacionais de conservação das aves necrófagas, desperdiçando uma oportunidade de o Estado Português reiterar o seu empenho relativamente aos objetivos de conservação da natureza e sustentabilidade ambiental a nível nacional e da União Europeia.

Recorde-se que a Convenção Sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem (CMS ou Convenção de Bona), adotou uma resolução na Conferência das Partes em 2014 (Resolução 11.15 da COP11 da CMS), com o voto favorável de Portugal, que inclui a recomendação legislativa de “proibir o uso do diclofenac veterinário para o tratamento pecuário e substitui-lo por alternativas seguras e já disponíveis, tais como o meloxicam”.

A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) aprovou também uma moção no âmbito do Congresso Mundial de Conservação realizado em setembro de 2016, em que “Apela aos Governos que implementem urgentemente as recomendações da resolução 11.15 da CMS”, incluindo a referente à proibição do uso do diclofenac veterinário.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), parceiro nos vários projetos de conservação de aves necrófagas em Portugal, reconheceu já a sua preocupação face à potencial utilização do diclofenac ao nível da pecuária, assim como os riscos que daí advêm para a conservação das populações nacionais de aves necrófagas. A preocupação de todas as organizações envolvidas na preservação destas espécies está evidente na proposta de Plano Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas em Portugal, que aguarda ainda aprovação final e implementação.

As organizações subscritoras ficam na expectativa de que as propostas em discussão no dia 10 sejam aprovadas na Assembleia da República, fazendo deste dia um marco positivo para as aves, ecossistemas e saúde pública nacional.

Mais informações

Nota de imprensa da BirdLife International alertando para os perigos do diclofenac.

Peritos em abutres pedem proibição global do diclofenac veterinário.

Moção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) apelando à proibição do diclofenac para uso veterinário.

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"Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais" aprovada pela ONU é passo histórico para proteção e preservação das comunidades rurais

A Terceira Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, no dia 17 de dezembro de 2018, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a "Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais".

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural congratula-se com a aprovação desta declaração, que constitui um passo histórico para a proteção e preservação das comunidades rurais e das suas formas de vida.

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A associação tem precisamente como missão dinamizar o mundo rural, assegurando a proteção e a preservação do seu património natural e construído, com foco na transmissão do conhecimento e numa abordagem pedagógica e de cooperação.

José Pereira, presidente da Palombar, considera que a aprovação desta Declaração “tem uma importância histórica porque defende, a nível internacional e nas mais altas instâncias, os direitos dos camponeses e das populações rurais, bem como a conservação e a proteção da sua identidade e cultura, ao mesmo tempo que reconhece o papel fulcral das comunidades rurais para a promoção da biodiversidade, para a soberania alimentar, para a coesão territorial e para o desenvolvimento dos países”.

A nova Declaração assume-se como uma ferramenta crucial para a defesa dos direitos dos camponeses e das populações rurais e reconhece a contribuição das comunidades rurais e dos povos indígenas para o desenvolvimento sustentável e para a biodiversidade.

Os direitos específicos reconhecidos pela Declaração incluem o direito à alimentação adequada, à terra e à água. O documento também defende a necessidade de respeitar a identidade cultural e o conhecimento tradicional da população rural, bem como de assegurar a proteção social e garantir a igualdade de género nas áreas rurais.

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A Declaração obteve 119 votos a favor, 7 votos contra e 49 abstenções e recebeu apoio principalmente dos países africanos, da América Latina e da Ásia. Países como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e o Reino Unido, entre outros, votaram contra. Os Estados da Europa, na sua maioria, abstiveram-se. Portugal foi um dos países que votou a favor da "Declaração dos Direitos dos Camponeses e outras pessoas que vivem em Zonas Rurais".

A declaração está disponível na íntegra aqui.

Palombar contribui para censo europeu de inverno do milhafre-real

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai contribuir para a realização do censo europeu do milhafre-real (Milvus milvus) invernante, que decorre entre os dias 1 de janeiro e 3 de fevereiro.

O objetivo do censo é realizar a contagem dos dormitórios conhecidos de maior dimensão e promover a recolha de mais dados sobre dormitórios e outras concentrações de milhafre-real em todo o país. 

Milhafre-real ( Milvus milvus )

Milhafre-real (Milvus milvus)

O censo é realizado em diversos países da Europa, sob a coordenação da Liga para a Proteção das Aves (LPO, na sigla em francês), em França. Em Portugal, é organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), em parceria com outras associações e entidades, e decorre no território continental.

Os primeiros censos de milhafres-reais invernantes foram realizados em janeiro de 2015, tendo contado, já nesse primeiro ano, com o contributo da Palombar.

O milhafre-real (Milvus milvus) é uma ave de rapina pouco abundante no território nacional. Está presente sobretudo na faixa fronteiriça oriental, distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. A população invernante ocorre nessas mesmas áreas, mas também de uma forma dispersa por todo o sul do país.

A sua população residente em Portugal tem um estatuto de conservação "Criticamente em Perigo", já a população invernante tem um estatuto "Vulnerável", segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

É uma ave que prefere habitats florestais associados a zonas agro-silvo-pastoris. A espécie é monogâmica e nidifica em árvores, normalmente de grande porte, e coloca entre um a três ovos. Ambos os progenitores cuidam das crias. Pode ocupar ninhos de outras aves de rapina florestais e também reutiliza ninhos de anos anteriores.

Relativamente à sua alimentação, tanto caça presas vivas, como também tem hábitos necrófagos. Animais silvestres de pequeno porte (micromamíferos, aves, peixes e invertebrados), cadáveres de animais e os restos e desperdícios urbanos integram a sua dieta.

Atualmente, o milhafre-real está sujeito a várias ameaçadas no território nacional, como o abate a tiro, o uso de veneno e a redução da disponibilidade alimentar, entre outras.

Esta é uma das espécies-alvo de conservação do projeto ConnectNatura da Palombar.

LIFE Rupis: populações das principais presas da águia-perdigueira mantêm-se estáveis no período 2016-2017

As populações das principais presas da águia-perdigueira (Aquila fasciata), mantiveram-se relativamente estáveis entre o período 2016-2017, de acordo com dados provisórios do Relatório de Progresso da Ação D3 do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, relativa à monitorização das populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), perdiz-vermelha (Alectoris rufa) e pombo-das-rochas (Columba livia).

Águia-perdigueira ( Aquila fasciata)

Águia-perdigueira (Aquila fasciata)

Os resultados das campanhas de monitorização já realizadas no âmbito da Ação D3, bem como os dados de comparação com os resultados obtidos no contexto da Ação A4 (estudo de base realizado em 2016 para estimar a abundância inicial de presas da águia-perdigueira na área de intervenção do projeto LIFE Rupis), mostram que a situação populacional geral das principais espécies de presas da Aquila fasciata no Parque Natural do Douro Internacional está estável, embora o tamanho das suas populações ainda seja atualmente reduzido. No entanto, estão já a ser implementadas medidas na área do projeto para tentar reverter este cenário pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, pela ATNatureza – Associação Transumância e Natureza, pela Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León e pela JCyL - Junta de Castilla y León, parceiros do LIFE Rupis, para aumentar as populações dessas espécies presas, nomeadamente a gestão do habitat da perdiz-vermelha e do coelho-bravo (parcelas com sementeiras e clareiras) e o repovoamento de pombais tradicionais com pombos-das-rochas, cujos efeitos ainda não foram passíveis de avaliar no âmbito deste relatório.

Os dados indicam também que a abundância do coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas não é homogénea em toda a área do Parque Natural do Douro Internacional e do Parque Natural Arribes del Duero, bem como dentro dos territórios da águia-perdigueira. Essas espécies estão relativamente bem distribuídas em toda a área do projeto, estando presentes em níveis sub-ótimos de abundância em vários locais e/ou possuem um padrão de distribuição fragmentado (por exemplo, o coelho-bravo).

Ficha de campo utilizada na monitorização das populações de lagomorfos.

Ficha de campo utilizada na monitorização das populações de lagomorfos.

A abundância relativa de latrinas de coelho-bravo (usada como indicador da abundância de coelhos) foi muito baixa na maioria das áreas amostradas, sugerindo uma reduzida disponibilidade desta espécie para a águia-perdigueira na área do projeto.

No que se refere à perdiz-vermelha, foi registada a sua presença em todos os territórios amostrados, porém a sua abundância relativa foi sobretudo baixa no Parque Natural do Douro Internacional. No geral, os resultados obtidos no lado português foram semelhantes aos reportados pelo parceiro espanhol no Parque Natural Arribes del Duero.

Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).

Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).

Relativamente ao pombo-das-rochas, cujos censos avaliaram tanto a sua população selvagem quanto a feral, também esteve presente em todos os territórios monitorizados, mas a sua abundância foi muito variável em toda a área do Douro Internacional. Esta espécie mostrou ser relativamente abundante em determinados territórios, enquanto noutros a sua presença foi escassa.

No geral, as populações de coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas permaneceram relativamente estáveis entre os anos de amostragem (ações A4 e D3) nos Parques Naturais do Douro Internacional e Arribes del Duero, apesar das flutuações interanuais e de algumas alterações locais na sua abundância. É necessário, contudo, dar continuidade, nos próximos anos, à realização de censos para avaliar de forma mais robusta e aprofundada o tamanho e a dinâmica das suas populações.

A situação atual das principais espécies de presas da águia-perdigueira em alguns territórios indicam que há necessidade de continuar a implementar ações específicas no terreno, nomeadamente promover a recuperação e a gestão de pombais tradicionais, a fim de aumentar a abundância de pombos-das-rochas (ação C4) e assegurar a gestão de habitats para a recuperação de populações de perdiz e coelho-bravo (ação C5), bem como fomentar uma adequada gestão cinegética dessas espécies.

Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

O relatório mostrou ainda que é preciso implementar medidas para avaliar 1) o efeito das ações de gestão do habitat já implementadas sobre a abundância de presas selvagens e 2) o efeito da disponibilidade de presas para a população, a dinâmica e o desempenho reprodutivo da águia-perdigueira na área do projeto. Tais análises devem integrar dados tanto do lado português quanto espanhol. No que se refere ao ponto 1), as amostragens para estimar a abundância de coelho-bravo e perdiz no ano de 2018 (ou seja, segundo ano de implementação da ação D3) foram delineadas com esse propósito. Os resultados estarão disponíveis em breve e farão parte de um relatório futuro. Relativamente ao ponto 2), a avaliação da disponibilidade de presas também deve incluir a abundância de outras espécies relevantes na dieta da águia-perdigueira, como a pega-azul (Cyanopica cyanus), o pombo-torcaz (Columba palumbus), o estorninho-malhado (Sturnus vulgaris) e várias espécies da família Turdidae.

O “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, entre Portugal e Espanha, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região do Parque Natural do Douro Internacional, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto LIFE Rupis tem como parceiros: a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a ATNatureza - Associação Transumância e Natureza, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Na região transfronteiriça do vale do Douro, área de intervenção do projeto LIFE Rupis, o número de casais de águia-perdigueira permaneceu estável na última década (13–14 casais reprodutores desde 2006), no entanto, o seu sucesso reprodutor diminuiu de 8 crias voadoras, em 2006, para apenas 4, em 2013. Um dos principais objetivos do projeto LIFE Rupis é inverter esta tendência.

Os baixos valores de sucesso reprodutor da espécie verificados na região têm sido associados, em parte, à reduzida disponibilidade de espécies como o coelho-bravo, a perdiz-vermelha e o pombo-das-rochas. Estas são as principais espécies de presas da águia-perdigueira na Península Ibérica, tanto durante a época de reprodução, como no período não reprodutivo, como atestam vários estudos já realizados.

As populações dessas espécies de presas diminuíram drasticamente em muitas regiões da Península Ibérica como resultado de mudanças no uso do solo, surtos de doenças e/ou gestão inadequada da caça, gerando consequências negativas para uma grande comunidade de predadores vertebrados, incluindo a águia-perdigueira.

A relativa escassez das suas principais presas em muitas áreas do vale do Douro forçou as águia-perdigueira a diversificaram a sua alimentação e a procurarem outras fontes de alimento como passeriformes de médio a grande porte e répteis (as quais poderão representar presas sub-ótimas em termos energéticos).

A gestão e a conservação eficazes das principais presas da águia-perdigueira são, portanto, cruciais para a viabilidade populacional desta ave de rapina no vale do Douro. Diversas ações focadas na recuperação e no reforço das populações dessas espécies na região são de importância fulcral no contexto do projeto LIFE Rupis, com vista a aumentar a disponibilidade de presas para a águia-perdigueira.

As ações direcionadas para assegurar a melhoria da qualidade do habitat do coelho-bravo e da perdiz-vermelha (ações C5 e C6), por um lado, e para promover a recuperação de pombais tradicionais e repovoamento com pombo-das-rochas (ação C4), por outro, são algumas das ações de conservação/gestão que já estão a ser implementadas.

Adicionalmente, será realizada ainda uma avaliação da distribuição e abundância das principais presas da águia-perdigueira (ações A4 e D3) e a monitorização das suas tendências populacionais (ação D3), medidas que são fundamentais para aferir sobre o estado dessas populações na área do projeto, bem como para avaliar o sucesso das ações de conservação/gestão realizadas.

O Relatório de Progresso completo da Ação D3 do projeto ‘LIFE Rupis’ pode ser consultado aqui.

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Voluntariado internacional recupera e descobre património arquitetónico e arqueológico do Nordeste Transmontano

O que um povo constrói e transmite de geração em geração está intrinsecamente ligado às artes e ofícios, são artefactos da História que marcam um território, a sua cultura e as suas gentes. É isto que importa conservar e manter vivo. E esta é exatamente uma das missões da Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural: preservar o património edificado e as técnicas tradicionais de construção, assegurando a conservação dos recursos e a transmissão do conhecimento, através de uma abordagem pedagógica e de cooperação que resulte no enriquecimento dos indivíduos e na dinamização do mundo rural.

Para cumprir esse desígnio, a Palombar organizou, ao longo de 2018, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, os Campos de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI), que tiveram como objetivo principal promover o restauro e a conservação do património construído e a descoberta da riqueza arqueológica da região do Nordeste Transmontano.

Durante o ano de 2018, foram realizados os 51.º, 52.º, 53.º e 54.º Campos de Trabalho Voluntário Internacional, que decorreram em Algoso (concelho de Vimioso), Uva (concelho de Vimioso) e Aldeia Nova (concelho de Miranda do Douro), respetivamente.

O 51.º CTVI teve como objetivo recuperar o telhado de uma curriça nas encostas do Rio Angueira, em Algoso, e decorreu entre os dias 16 e 27 de abril de 2018. Neste campo de trabalho, que resultou de uma parceira realizada com a Union Rempart, em França, e a União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, participaram oito jovens voluntários franceses, estudantes dos 2.º e 3.º anos do curso de Arquitetura.

A curriça é uma estrutura simples construída com pedras e que se localiza sobretudo no meio dos montes. Servia outrora para guardar o gado pequeno ou para a pernoita de animais e/ou pessoas. É um ícone arquitetónico que está associado ao mundo rural e às suas atividades. 

No âmbito da participação nesta iniciativa, os (as) voluntários (as) tiveram a oportunidade de aprender com o formador Manuel Gomes o processo de reparação de um telhado, desde a recolha, seleção e limpeza das madeiras e telhas à construção e colocação da estrutura de madeira de suporte ao telhado e posterior assentamento das vigas, dos caibros, das ripas e, finalmente, das telhas.

O grupo de voluntários foi sempre acompanhado e coordenado no terreno por três monitores da Palombar. Os participantes puderam também desfrutar de momentos de lazer, durante os quais conheceram e exploraram de forma mais ampla as paisagens, cultura e tradições transmontanas.

O 52.º CTVI, que se realizou entre os dias 2 e 13 de julho de 2018, foi dedicado à recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva. Este campo de trabalho também foi realizado em parceria com a Union Rempart e com a União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva.

Participaram no campo de trabalho cinco voluntários, quatro de França e um de Itália. Nuno Martins foi o formador que transmitiu aos participantes as técnicas tradicionais de construção de um pombal tradicional.

Durante a atividade, foi recuperada a parede de um pombal, tendo sido rebocada também uma parede externa do quintal da casa dos voluntários, também na aldeia de Uva, com a técnica do reboco tradicional feito à base de areia e cal. Os voluntários pintaram ainda o exterior de um pombal tradicional.

Os pombais tradicionais são um património emblemático da região do Nordeste Transmontano. Pontilham a paisagem com a sua alva singeleza e estão fortemente associados à comunidade rural, que outrora usava os pombos juvenis (borrachos) para alimentação, sendo esta uma fonte adicional de proteína para os habitantes locais. Já o estrume dos pombos, considerado de elevado valor fertilizante e denominado por “pombinho” pelos aldeões, era usado para fertilizar os solos agrícolas.

Os pombais são também estruturas que contribuem para a proteção da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte, por exemplo, da dieta da águia-perdigueira ou águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que tem um estatuto de conservação “Em perigo”, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Ao promover a sua reconstrução e conservação, estamos a contribuir não só para manter vivo o património ancestral construído, como também para proteger a biodiversidade local.

Os 53.º e 54.º CTVI realizaram-se em simultâneo, entre os dias 20 de agosto a 14 de setembro, no Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova. Estes CTVI tiveram como parceiros a Câmara Municipal de Miranda do Douro, a Junta de Freguesia de Miranda do Douro e também a Union Rempart.

No total, participaram nestes CTVI 14 voluntários de cinco nacionalidades: argelina, brasileira, francesa, italiana e portuguesa. Os trabalhos de escavação arqueológica realizados no Castro de São João das Arribas foram coordenados por Susana Cosme e dirigidos por Mónica Salgado e Pedro Pereira. Integraram o grupo de voluntários estudantes de arqueologia e outros voluntários sem experiência em arqueologia, mas com interesse na área. 

Durante estes CTVI, os participantes aprenderam os procedimentos e técnicas associados às escavações arqueológicas, como limpeza das zonas a escavar; decapagem: escavação, remoção de terras e recolha de espólio arqueológico; lavagem de espólio arqueológico; montagem de quadrículas e aprendizagem e levantamento do sistema de cotas.

O Castro de São João das Arribas está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910, e DG n.º 136, de 23-06-1910. A zona deste Castro consiste num “povoado fortificado assente sobre um promontório, cujo sistema defensivo é composto por duas linhas de muralha e um torreão, o colo de acesso é protegido por muralha e provavelmente um fosso. Os vestígios de romanização são abundantes e incluem um elevado número de epígrafes. Corresponde ao local onde ergue atualmente o pequeno santuário de São João das Arribas”, descreve o site Rota da Terra Fria Transmontana. Esta é uma zona de elevado interesse arqueológico e de uma riqueza paisagística única em Portugal, com vista para o Rio Douro e o desenho íngreme e vertiginoso das suas arribas.   

Em todos os campos de trabalho, além das atividades associadas à reconstrução/recuperação do património arquitetónico e arqueológico, os voluntários também estiveram envolvidos na manutenção e logística dos campos de trabalho, momentos que visaram fomentar o sentimento de partilha e entreajuda, essenciais à vida comunitária.

No âmbito da realização dos CTVI, foram ainda organizadas visitas a centros, museus e locais icónicos do Nordeste Transmontano, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a região e o seu património natural, cultural e edificado, e ainda de enriquecer esta experiência única, proporcionando aos voluntários o contacto direto com as comunidades locais e o intercâmbio geracional e cultural.

Assim, foram realizadas visitas ao Centro Interpretativo dos Pombais Tradicionais (na sede da Palombar, em Uva, Vimioso); Centro de Valorização do Burro de Miranda (AEPGA- Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, em Atenor, Miranda do Douro); Centro de Acolhimento do Burro de Miranda (AEPGA, em Pena Branca, Miranda do Douro); Museu da Terra de Miranda, Concatedral e centro histórico de Miranda do Douro; Ecomuseu Terra Mater e Fraga de l Puio (em Picote, Miranda do Douro); Castelo de Algoso (em Algoso, Vimioso) e Minas de Santo Adrião (em Vimioso/Miranda do Douro).

Os voluntários puderam ainda participar na Feira do Naso (Santuário do Naso, na Póvoa, Miranda do Douro), em sessões de observação de aves, banhos no Rio Angueira, entre outras atividades.

A Palombar agradece a todos os parceiros e formadores que estiveram envolvidos na organização dos CTVI e, principalmente, aos (às) voluntários (as) que participaram nos campos, que são quem lhes dão vida e sentido. Acreditamos que só com a participação e envolvimento de todos (as) seremos capazes de manter vivo e dinâmico a nosso património cultural, natural e construído.

Palombar destaca importância de aliar o turismo à conservação da Natureza e à valorização das comunidades rurais em seminário sobre Turismo Sustentável

A Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural participou, no dia 13 de novembro, no seminário “Turismo Sustentável ao Serviço da Conservação da Natureza e das Comunidades Rurais”, organizado pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino e pelo Centro de Acolhimento do Burro.

José Pereira, presidente da Palombar, falou, no âmbito da participação da associação neste evento, sobre a importância de promover um turismo sustentável e ético que esteja intrinsecamente relacionado com a conservação da Natureza e do património rural.

José Pereira - presidente da Palombar

José Pereira - presidente da Palombar

Destacou também que o turismo não pode ser visto apenas a partir de uma ótica economicista, mas, acima de tudo, tem de ser estruturado com base na valorização, proteção e conservação dos ecossistemas e das comunidades locais.

“O turismo ético e responsável deve estar ao serviço das comunidades e da biodiversidade, criando uma relação frutífera que contribua não apenas para gerar riqueza, mas, sobretudo, para promover e preservar as culturas e tradições locais e o património natural, sem os quais a própria atividade turística deixa de ter sentido”, afirmou o presidente Palombar.

José Pereira sublinhou o papel da Palombar enquanto agente dinamizador da proteção da biodiversidade no Nordeste Transmontano e da conservação do património rural edificado. Através da atuação dos seus técnicos especializados em fauna selvagem, a Palombar, no âmbito de vários projetos de conservação da Natureza e da sua missão, tem promovido a preservação de várias espécies com estatuto de conservação delicado em Portugal, como é o caso do britango (Neophron percnopterus) e da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), bem como contribuído para a preservação de técnicas tradicionais de construção, nomeadamente através da recuperação de pombais tradicionais.

José Pereira - presidente da Palombar

José Pereira - presidente da Palombar

A Palombar também é responsável pela criação, em parceria com a Câmara Municipal de Vimioso, do Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT), em 2014, ano em que a Antiga Escola Primária de Uva (Vimioso) foi reaproveitada e transformada no CIPT e sede da associação. O CIPT foi criado com o objetivo de dar a conhecer os pombais tradicionais existentes na região e, ao mesmo tempo, ser um espaço de partilha de conhecimento das técnicas de construção do património rural. O CIPT visa disseminar o conhecimento sobre este tipo de construção e ser o ponto de partida para a descoberta dos pombais e do seu valor cultural, arquitetónico e ecológico. Durante a visita, é também possível fazer um percurso pela aldeia de Uva, que possui mais de 40 pombais tradicionais, de modo a conhecer de perto estas estruturas arquitetónicas únicas que pontilham a paisagem com a sua alva singeleza, bem como saber mais sobre a sua utilidade.

A atividade da Palombar, que se cruza com o turismo de Natureza e rural, pretende também contribuir para promover o turismo sustentável, ético e responsável, em prol da Natureza e das comunidades locais.

O seminário “Turismo Sustentável ao Serviço da Conservação da Natureza e das Comunidades Rurais”, que decorreu no Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), em São Joanico, Vimioso, realizou-se no âmbito do projeto ‘Melhores Práticas para um Futuro Ético e Sustentável através do Turismo Rural´, promovido pelo Centro de Acolhimento do Burro e pela AEPGA.

Este projeto de intercâmbio sobre boas práticas de turismo ético e sustentável é financiado pelo programa Erasmus+ Juventude em Ação e tem como parceiros o Linking Tourism & Conservation (Noruega) e a Cryosanabria (Espanha).

O seminário de entrada livre pretendeu “ser um espaço de reflexão sobre os desafios e oportunidades do turismo ao serviço das comunidades rurais”, tendo contado com a participação de instituições dinâmicas no setor do turismo no Nordeste Transmontano.

Mixomatose: registados primeiros casos da doença em lebres em Portugal

A mixomatose, uma doença viral que tem contribuído para dizimar milhares de coelhos selvagens em Portugal nos últimos anos, ameaça agora também as populações de lebres no território nacional.

Em novembro deste ano, foram registados os primeiros dois casos de mixomatose em lebres em Portugal, confirmados por análise laboratorial, segundo indicou o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária em boletins informativos publicados no seu website.

Lebre-ibérica ( Lepus granatensis )

Lebre-ibérica (Lepus granatensis)

A doença já tinha sido amplamente reportada nos últimos meses na lebre-ibérica (Lepus granatensis) em várias Comunidades Autónomas em Espanha, sobretudo em zonas de caça na Andaluzia, Castilla-La Mancha, Extremadura, Madrid e Múrcia. Mais de 140 casos de lebres com mixomatose foram já confirmados no país vizinho. A doença tem afetado ainda a lebre-europeia (Lepus europaeus), especialmente no Reino Unido.

“No âmbito da vigilância sanitária do Projeto +Coelho, que decorre desde agosto de 2017, foi confirmado no Laboratório de Virologia do INIAV, em Oeiras, por testes moleculares, o diagnóstico de mixomatose numa lebre caçada no dia 28 de outubro de 2018, em zona de caça do concelho de Évora”, informou o instituto num boletim informativo. O animal, uma fêmea adulta com boa condição corporal, apresentava conjuntivite purulenta, edema das pálpebras e das regiões anal e vulvar. Este é o primeiro caso de mixomatose registado em lebre-ibérica em Portugal, confirmado em laboratório.

Segundo indicou o INIAV, a doença nesta lebre foi notificada à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), autoridade nacional para as doenças dos animais. Apesar de não ter importância para a saúde pública, a mixomatose é uma doença de declaração obrigatória.

O segundo caso de mixomatose em lebre-ibérica em Portugal foi também confirmado pelo INIAV, através de análise laboratorial. Os técnicos do instituto deram um diagnóstico positivo para mixomatose a uma lebre encontrada morta em zona de caça do concelho de Beja, no dia 3 de novembro de 2018. Tratou-se de um macho adulto, com boa condição corporal, que apresentava conjuntivite e lesões nodulares nas pálpebras e focinho.

A mixomatose é uma doença típica de coelhos selvagens, podendo também afetar coelhos domésticos, causada pelo vírus myxoma, que é transmitido por contacto direto, indireto ou por vetores, como insetos ou parasitas, os quais, quando entram em contacto com um coelho infetado, tornam-se agentes de transmissão viral.

Pulgas e mosquitos são normalmente os principais vetores da patologia, que regista picos sobretudo durante o verão, quando a população de vetores é maior e está mais ativa.

A eliminação de milhares de coelhos selvagens pela mixomatose, mas também pela doença hemorrágica viral, gerou um forte impacto sobre populações de espécies predadoras que se alimentam destes lagomorfos, como aves de rapina com estatuto de conservação delicado, nomeadamente a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), e o caso emblemático do lince-ibérico (Lynx pardinus). Agora, a doença ameaça também as populações de lebre-ibérica, que é igualmente uma espécie-presa de muitos animais selvagens com estatuto de conservação delicado no território nacional.

Para fazer face à incidência e à prevalência desta doença viral e fatal, é fundamental promover a monitorização das populações de lagomorfos de modo a detetar a existência de animais doentes e travar os processos de contaminação, assegurando, desta forma, condições higieno-sanitárias para as espécies afetadas por esta patologia e outras.

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural tem desenvolvido, nos últimos anos, ações de monitorização de populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) na região de Trás-os-Montes, através, por exemplo, da sua participação no projeto SOS Coelho coordenado pelo CIBIO-InBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e pela ANPC - Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça.

Este projeto teve como objetivo principal combater a doença hemorrágica viral (DHV) dos coelhos e estudar as suas causas e mecanismos de ação, mas também outras doenças víricas que afetam a espécie, como é o caso da mixomatose, através da criação de uma rede de epidemiovigilâcia para assegurar o controlo sanitário das populações de coelho-bravo.

 Também no âmbito do projeto LIFE Rupis (www.rupis.pt) e do Grupo Nordeste, a Palombar monitoriza populações de lagomorfos (coelho-bravo e lebres) em várias zonas do Nordeste Transmontano, bem como implementa medidas que visam assegurar o aumento das suas populações, com indivíduos saudáveis, através da criação de sementeiras, clareiras e pontos de água.

Atividade ‘Novembro pela Floresta´ sensibiliza para importância das árvores autóctones

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceria com a AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, organizou, nos dias 17 e 18 de novembro, a atividade ‘Novembro pela Floresta’, que teve como objetivo promover a sensibilização da comunidade para a importância das árvores autóctones, nomeadamente para a recolha e preservação das suas sementes.

Bolotas

Bolotas

Participaram na atividade 17 voluntários de sete nacionalidades diferentes (portuguesa, francesa, espanhola, norueguesa, alemã, polaca e salvadorenha). De destacar que o mais jovem participante tinha 5 anos e o mais velho 66 anos, o que é revelador do caráter intergeracional desta iniciativa, que promoveu a educação ambiental com foco na importância das árvores e arbustos típicos de Portugal. Durante a atividade, os voluntários tiveram a oportunidade de recolher sementes de espécies arbustivas e de árvores ribeirinhas.

Grupo de participantes

Grupo de participantes

Saída para recolha de sementes.

Saída para recolha de sementes.

Foi explicado aos participantes os cuidados a ter na recolha e acondicionamento de sementes, tendo sido também realizado um pequeno percurso pela emblemática aldeia de Uva, ladeada por pombais tradicionais.

Explicação sobre árvores autóctones.

Explicação sobre árvores autóctones.

Durante o percurso, algumas árvores autóctones foram apresentadas ao grupo e foi ainda explicado o método mais adequado para a recolha de sementes. Os participantes também puderam fazer uma visita ao viveiro florestal da Palombar.

Percurso na aldeia de Uva.

Percurso na aldeia de Uva.

Sementes de sobreiro (Quercus suber), azinheira (Quercus rotundifolia), carvalho-negral (Quercus pyrenaica), freixo (Fraxinus angustifolia), pilriteiro (Crataegus monogyna), abrunho (Prunus spinosa) e roseira brava (Rosa canina) foram recolhidas pelos voluntários no âmbito desta atividade.

Essas sementes serão plantadas no viveiro da Palombar e, posteriormente, as plântulas vão ser usadas em diversas atividades de educação ambiental e reflorestamento, em escolas e em várias zonas da região.

Queremos agradecer a todos os (as) voluntários (as) que participaram nesta atividade em prol da floresta autóctone. Só com o contributo de todos (as) conseguimos preservar de forma eficaz e sustentada a biodiversidade e os ecossistemas locais.

Fruto da roseira brava.

Fruto da roseira brava.

Abrunho.

Abrunho.

O que são as árvores autóctones e por que são tão importantes?

As árvores autóctones são árvores originárias do próprio território. Assim, a floresta autóctone portuguesa é toda a floresta formada por árvores originárias do nosso país. Carvalhos, medronheiros, castanheiros, azinheiras e sobreiros são exemplos de algumas árvores autóctones de Portugal.

Bosque de carvalho-negral.

Bosque de carvalho-negral.

As florestas autóctones estão mais adaptadas às condições do solo e do clima do território, sendo mais resistentes a pragas, doenças, longos períodos de seca ou de chuva intensa, em comparação com espécies introduzidas.

São também importantes lugares de refúgio e reprodução para um grande número de espécies de animais autóctones que estão em risco de extinção; ajudam ainda a manter a fertilidade do solo e o equilíbrio ecológico.

As florestas autóctones são fundamentais para regular melhor o ciclo hidrológico e a qualidade da água e, apesar de registarem um crescimento mais lento, quando bem desenvolvidas, são normalmente mais resistentes aos incêndios florestais.

As florestas autóctones são, por isso, essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas locais!

Plante árvores e arbustos autóctones, contribua para a preservação da biodiversidade!

REN apoia projeto LIFE Rupis com concessão de gestão de terrenos e pombais tradicionais

A REN – Rede Elétrica Nacional SA passou a apoiar o projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), e do qual a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural é parceira.

A REN assinou um acordo de cooperação com a SPEA e com a Palombar, no âmbito do qual terrenos e pombais tradicionais pertencentes à REN serão geridos por aquelas duas entidades, de forma a aumentar o alimento disponível para aves ameaçadas como é o caso da águia-perdigueira.

Pombal tradicional

Pombal tradicional

Na última década, a população de águia-perdigueira registou um declínio de 40% no norte do país. Para inverter esta tendência, o projeto LIFE Rupis que tem como objetivo principal reforçar as populações de águia-perdigueira (e também de britango), através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor. 

A REN vai disponibilizar, desta forma, seis pombais tradicionais e terrenos na zona do Douro Internacional, nomeadamente em Lagoaça e Bruçó, de forma a que a SPEA e a Palombar possam assegurar a implementação de medidas de gestão de habitat e de fomento de espécies presa da águia-perdigueira, nomeadamente pombos, perdizes e coelhos.

Francisco Parada, responsável da área de Qualidade, Ambiente e Segurança da REN, afirma, citado num comunicado, que “esta parceria é mais um exemplo da estratégia que a REN tem vindo a desenvolver em matéria de biodiversidade, articulando com diferentes parceiros a implementação das melhores práticas na preservação e gestão de habitats, em particular quando estão associadas a espécies de aves ameaçadas”.

Pombal tradicional repovoado com pombos.

Pombal tradicional repovoado com pombos.

José Pereira, presidente da Palombar, sublinha a importância deste acordo de cooperação firmado com a REN e destaca que “os ativos cedidos estão localizados em áreas de presença das espécies-alvo do projeto bastante sensíveis, e que as ações de conservação do LIFE Rupis que aí serão implementadas, nomeadamente a gestão e o repovoamento dos pombais tradicionais com populações de pombos saudáveis, assim como a gestão do habitat através da instalação de sementeiras e limpeza de matos, irão fomentar o aumento das espécies-presa e consequentemente a disponiblidade alimentar para a águia-perdigueira e para o britango”.

Já Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA e do projeto LIFE Rupis, citado numa nota de imprensa, considera que “é imprescindível que empresas como a REN assumam um papel proativo na conservação da natureza, e é fundamental que conservacionistas e empresas trabalhem juntos em prol do desenvolvimento sustentável que é do interesse de todos”.

O LIFE Rupis (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço entre Portugal e Espanha, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela SPEA, o projeto LIFE Rupis tem mais oito parceiros: a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a Associação Transumância e Natureza (ATN), o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Douro Internacional

Douro Internacional

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Projeto POR UMA GOTA apresenta concurso de ideias "Uso eficiente da água numa exploração agrícola" na EPA Carvalhais/Mirandela  

O consórcio SACR – Sensibilização Activa da Comunidade Rural, composto pela AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, apresentou esta terça-feira, 30 de outubro, na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela (EPADRCM), no distrito de Bragança, o concurso de ideias "Uso eficiente da água numa exploração agrícola".

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

 O concurso é uma iniciativa que integra o projeto "POR UMA GOTA - Pelo uso eficiente da água" (www.porumagota.pt | www.facebook.com/projetoporumagota), desenvolvido pelo consórcio SACR e financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente, e tem como público-alvo os estudantes dos cursos profissionais Técnico/a de Produção Agropecuária e Técnico/a Vitivinícola da EPADRCM. O projeto segue as recomendações do Programa Nacional Para o Uso Eficiente da Água (PNUEA).

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, destacou “a importância estratégica deste concurso para a sensibilização dos futuros agricultores das comunidades rurais do Nordeste Transmontano no que se refere à relevância e valor fulcral dos recursos hídricos”.

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, apresenta o concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Miguel Nóvoa, membro da direção da AEPGA, apresenta o concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

“O concurso será preponderante para que os jovens possam desenvolver o seu espírito crítico, descobrir e utilizar ferramentas que contribuam para um uso eficiente da água, poupança energética e sustentabilidade ambiental”, sublinhou o responsável.

O concurso tem como objetivo sensibilizar a comunidade estudantil local para o uso e a gestão eficiente da água e estimular a sua criatividade na busca de soluções inovadoras nesta área.

Para participar no concurso, os estudantes deverão desenvolver um plano original e inovador de gestão eficiente dos recursos hídricos numa exploração agrícola e que tenha potencial para ser implementado num projeto-piloto. O prazo para a apresentação de candidaturas ao concurso decorre entre os dias 25 de outubro e 25 de novembro.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

Apresentação do concurso de ideias “Uso eficiente da água numa exploração agrícola” na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais/Mirandela.

A água é um recurso natural estratégico para a região de Trás-os-Montes, do qual dependem fortemente os setores produtivos, especialmente o setor primário (agricultura e pecuária), a população, os ecossistemas, a fauna e a flora. O Nordeste Transmontano é uma zona do país eminentemente rural, florestal e agrícola, sendo que o setor agrícola é o que mais água gasta e desperdiça em Portugal.

A água é fundamental ao desenvolvimento económico e social, bem como à sustentabilidade do mundo rural, que está centrado sobretudo na exploração dos recursos naturais. Os recursos hídricos são também essenciais para assegurar a proteção da biodiversidade e o necessário equilíbrio entre as atividades humanas e a conservação da Natureza.

A água é um recurso natural limitado, por isso esgotável. As alterações climáticas, assim como o uso ineficiente e o desperdício, estão a afetar negativamente os recursos hídricos e a promover a escassez de água e a seca severa em Portugal, com forte impacto no setor agrícola.

Trás-os-Montes é uma das regiões mais afetadas pela falta de água no país. O uso desregrado, insustentável e ineficiente da água promove o seu rápido esgotamento, por isso é fundamental assegurar a utilização eficiente da água no setor agrícola, bem como a sua gestão eficaz.

Implementar medidas que promovam a sensibilização para o uso e a gestão eficiente deste recurso natural na agricultura, como também no meio doméstico, é, desta forma, não só uma necessidade estratégica, como um imperativo ambiental. 

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Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai avançar em breve com a implementação do projeto “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000”.

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O projeto da Palombar ConnectNatura é financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e tem como parceiro o ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O seu objetivo é criar condições para recuperar e reforçar as populações de aves necrófagas em duas Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000, classificadas ao abrigo da Diretiva Aves, e que estão localizadas no norte de Portugal, nomeadamente as ZPE ‘Serra do Gerês’ e ‘Montesinho/Nogueira’. Estas duas ZPE estão também inseridas em Sítios de Importância Comunitária (SIC).

As ZPE abrangidas pelo projeto ConnectNatura integram ainda a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP), apresentando o estatuto de Parque Nacional, no caso da Serra do Gerês, e Parque Natural, no que se refere a Montesinho.

Parque Natural de Montesinho

Parque Natural de Montesinho

O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado em maio de 1971, foi a primeira área protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional, reconhecido internacionalmente com idêntica classificação, desde a sua criação, por parte da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido à riqueza do seu património natural e cultural, sendo um dos últimos redutos do país onde se encontram ecossistemas no seu estado natural, com reduzida ou nula influência humana, integrados numa paisagem humanizada.

A natureza e a orientação do seu relevo, as variações de altitude e as influências atlântica, mediterrânica e continental traduzem-se na variedade e riqueza do coberto vegetal, nomeadamente, matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, abundante vegetação bordejando as linhas de água, campos de cultivo e pastagens.

As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal algo de comparável.

O PNPG é território de espécies emblemáticas como o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Micromamíferos diversos, como a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), diversidade de répteis e anfíbios e uma fauna ictiológica que inclui a truta-do-rio (Salmo truta) e outras espécies de peixes enriquecem também o quadro zoológico.

O Parque Natural de Montesinho (PNM) foi classificado pela primeira vez em agosto de 1979. Este Parque possui uma elevada diversidade biológica, resultante da diversidade de habitats que ocorrem nesta área de montanha. Com mais de 110 espécies de aves nidificantes, é uma área importante para as aves de rapina, como a águia-real (Aquila chrysaetos).

Estão referenciadas para o PNM 70% das espécies de mamíferos terrestres ocorrentes em território nacional, apresentando cerca de 10% destas espécies um estatuto de conservação desfavorável, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

De destacar ainda a presença de uma das mais importantes populações de lobo-ibérico (Canis lupus signatus) em Portugal. As principais presas silvestres deste grande carnívoro, nomeadamente o veado (Cervus elaphus), o corço (Capreolus capreolus) e o javali (Sus scrofa) são também mamíferos abundantes nesta região.

Este parque possui também uma diversidade de vegetação que pode ser observada em percursos de poucos quilómetros, encontrando-se carvalhais, soutos, sardoais (bosques de azinheira), bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais, lameiros, etc.

As medidas a implementar no âmbito deste projeto serão dirigidas a espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos).

Tendo como base a experiência e o trabalho desenvolvido pela Palombar no âmbito do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, as ações previstas têm como objetivo melhorar as condições de alimentação e de aceitação social, de forma a reverter as tendências populacionais negativas e a promover o retorno e/ou a fixação dessas aves nesses territórios, os quais constituem áreas de presença histórica.

Para além disto, o projeto contribuirá para reforçar a conectividade entre populações/núcleos populacionais, através de corredores entre áreas da Rede Natura 2000, e para restaurar cadeias tróficas ancestrais.

No âmbito do projeto ConnectNatura, a Palombar vai aumentar a disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, através da reativação e/ou construção de campos de alimentação, bem como através da criação de áreas de alimentação no interior de explorações pecuárias. Estas medidas contribuirão para expandir a rede de campos/áreas de alimentação para aves necrófagas no norte de Portugal, favorecendo, desta forma, a existência de um continuum espacial (ou espaços de conectividade) com disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, criando, assim, condições para o seu retorno e/ou fixação em novos territórios, em particular nas áreas de implementação do projeto.

É também um dos objetivos específicos do projeto ConnectNatura desenvolver ações de educação e sensibilização em escolas e para o público em geral, de modo a melhorar o seu conhecimento sobre as espécies-alvo, bem como ações direcionadas a grupos de interesse relevantes (caçadores, criadores de gado, agricultores, setor turístico), de forma a torná-los agentes ativos na conservação das espécies.

Adicionalmente, pretende-se valorizar os territórios, criando e disseminando o conhecimento e a experiência adquirida na aplicação de boas práticas ao nível da conservação da natureza.

Outras espécies de aves parcialmente necrófagas, como o milhafre-real (Milvus milvus), que também apresenta um estatuto de conservação desfavorável no nosso país (sobretudo a sua população residente) e o milhafre-preto (Milvus migrans) também serão beneficiadas pelas ações que serão implementadas no terreno.

Em Portugal, as espécies de aves necrófagas, em particular as espécies-alvo deste projeto, apresentam, no geral, um estatuto de conservação delicado, encontrando-se numa situação populacional desfavorável, o que reflete a importância da implementação deste projeto de conservação da Palombar.

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