Milhafre-real ou rabo-de-bacalhau, uma espécie emblemática do Nordeste Transmontano, é alvo do primeiro censo da sua população invernante

O milhafre-real (Milvus milvus) está classificado como uma das aves de rapina mais ameaçadas de Portugal: a sua população reprodutora tem um estatuto de conservação Criticamente Em Perigo e a população invernante tem estatuto Vulnerável (Cabral 2005). É uma espécie residente e parcialmente migratória em Portugal continental, cuja população invernante é substancialmente superior à população reprodutora devido à presença dos indivíduos oriundos do norte da Europa (Cabral 2005).

Com um estatuto de conservação tão desfavorável e sendo esta uma espécie beneficiária do projecto Life Rupis (LIFE14 NAT/PT/000855), é urgente e fundamental acompanhar a sua evolução em território nacional e em especial na região do Nordeste Transmontano.

Desta forma, desde 2015 que a Palombar assumiu o compromisso e tem colaborado activamente no censo da população invernante de milhafre-real, promovido e coordenado a nível nacional pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e que conta com a colaboração de várias entidades nacionais e voluntários que têm reunido esforços para a sua concretização. O censo é feito anualmente, durante o mês de Janeiro, através da prospecção e detecção de dormitórios da espécie e da respectiva contagem de indivíduos. Os objectivos são estimar a população invernante de milhafre-real em Portugal continental e recolher dados sobre dormitórios e outras concentrações que permitam identificar as áreas mais importantes para a espécie durante o Inverno.

O milhafre-real tem presença assídua no Nordeste Transmontano e tem por hábito agrupar-se em dormitórios comunais durante o Inverno, que podem reunir apenas alguns indivíduos ou chegar a ter algumas centenas de aves. Normalmente estão próximos das fontes de alimento disponíveis durante esta época do ano, em árvores grandes isoladas ou pequenos bosques ou florestas, frequentemente próximos de povoações e caminhos rurais.

A identificação destes locais de aglomeração de indivíduos é fundamental e de muita utilidade para definir diferentes acções de conservação. No entanto, e apesar desta espécie ocorrer na região durante todo o ano, o conhecimento sobre estes locais é limitado devido à baixa densidade populacional da espécie e à grande extensão da região, o que aumenta consideravelmente a dificuldade em localizar os dormitórios.

É de realçar a importância de colaborações activas entre diferentes agentes e entidades da região na detecção destes dormitórios. A estreita cooperação e troca de informações entre os técnicos da Palombar e os técnicos do ICNF do Parque Natural do Douro Internacional foi fulcral para o sucesso do trabalho desenvolvido durante a época de censo. Nestes três anos (2015 a 2017) foram identificados e contabilizados no planalto mirandês três dormitórios com cerca de 20 a 25 indivíduos cada, mais um possível dormitório onde apenas se contou um animal. A detecção destes locais é feita através da realização de percursos exploratórios e de observação em pontos estacionários. No mapa, estão reflectidos os resultados obtidos até ao momento:

A Palombar continuará a fomentar e a valorizar a cooperação entre as diferentes entidades da região e a desenvolver um esforço contínuo de censo e monitorização de milhafre-real nos próximos anos, no sentido de conhecer cada vez melhor a situação actual da população desta espécie em território nacional. Comprometemo-nos a desenvolver um trabalho contínuo e dedicado em prol desta e de outras espécies emblemáticas.

Consulte aqui o relatório do primeiro censo de milhafre-real desenvolvido em 2015.