Projeto de voluntariado da Palombar proporciona experiências polivalentes

A Palombar, através do seu projeto de voluntariado “Heritage: a common good, a common responsibility”, integrado no Serviço Voluntário Europeu (SVE) do Programa Erasmus + Juventude em Ação (JA) – Agência Nacional Portuguesa (juventude.pt), acolheu a voluntária francesa Constance Faucher, que veio para Portugal, nomeadamente para a aldeia de Uva, concelho de Vimioso, distrito de Bragança, através de uma colaboração realizada com a Associação Avril (www.associationavril.org), em França. Este projeto de voluntariado da Palombar foi financiado pelo Programa Erasmus + JA.

 Constance Faucher, voluntária SVE.

Constance Faucher, voluntária SVE.

A voluntária Constance Faucher tem 24 anos e é natural de Aixe sur Vienne, França. É licenciada em Cultura e Património Cultural, tendo também realizado um Mestrado em Turismo e Desenvolvimento do Território. As suas áreas de interesse são sobretudo a ruralidade, o património e a natureza.

No âmbito do “Heritage: a common good, a common responsibility”, a voluntária integrou vários projetos, iniciativas e atividades de proteção e conservação do património natural, cultural e construído desenvolvidos pela Palombar e pelos seus parceiros no Nordeste Transmontano.

A conservação e a proteção da natureza e da biodiversidade são uma das áreas centrais de ação da Palombar. Neste âmbito, a voluntaria pôde participar em vários projetos/atividades desenvolvidos pela associação, nomeadamente em censos de coelho e perdiz, monitorização de populações de aves, manutenção de campos de alimentação para aves necrófagas, vigilância e prevenção de incêndios florestais e manutenção/reconstrução de pombais.

 Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Os pombais, assim como os muros de pedra são ícones arquitetónicos que marcam fortemente a paisagem no Nordeste Transmontano e estão intrinsecamente ligados à comunidade rural. São também estruturas que contribuem para a proteção da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte, por exemplo, da dieta da águia-perdigueira ou águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que tem um estatuto de conservação “Em perigo”, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Já os muros de pedra são zonas de refúgio para algumas espécies, como osgas e lagartixas. Promover a sua valorização e recuperação faz parte da missão da Palombar, que pretende, através da promoção de atividades neste âmbito, permitir que os voluntários que trabalham com a associação aprendam a valorizar e preservar esse património.

Durante uma atividade de reconstrução de um pombal tradicional em Uva, no âmbito do 52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional (CTVI), e da Oficina de Construção de Muros de Pedra, a voluntária Constance Faucher teve a oportunidade de aprender com formadores especializados as técnicas usadas na construção e preservação dessas estruturas.

 Oficina de Construção de Muros de Pedra. Maio de 2018.

Oficina de Construção de Muros de Pedra. Maio de 2018.

 52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional dedicado à reconstrução de um pombal tradicional em Uva. Julho de 2018.

52.º Campo de Trabalho Voluntário Internacional dedicado à reconstrução de um pombal tradicional em Uva. Julho de 2018.

Adicionalmente, ao participar nos 53.º e 54.º CTVI dedicados à Arqueologia, durante os quais ocorreram escavações arqueológicas no Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova, Miranda do Douro, a voluntária contactou com a riqueza arqueológica da região, ficando mais sensibilizada para a necessidade de promover mais estudos e investigação nesta área, bem como para a preservação deste património ancestral.

 53.º e 54.º Campos de Trabalho Internacionais Voluntário dedicados à Arqueologia. Limpeza de espólio arqueológico. Agosto de 2018.

53.º e 54.º Campos de Trabalho Internacionais Voluntário dedicados à Arqueologia. Limpeza de espólio arqueológico. Agosto de 2018.

Constance Faucher participou ainda na atividade de observação de aves Eurobirdwatch´18 e ajudou na organização de eventos culturais como o Festival  L Burro i L Gueiteiro e o Sons&Ruralidades, tendo ainda participado de campos de trabalho enquanto monitora.

Divulgar a região do Nordeste Transmontano, através de visitas à sua rede de museus e património natural, foi também um dos objetivos do projeto, tendo sido realizado com a voluntária um passeio de barco no Rio Douro e visitas guiadas a museus e centros de interpretação da região.

 Passeio de Barco no Douro. Equipa e voluntários do Cesc-project da Palombar. Atividade integrada no CTVI Juvenil dinamizado em Peredo de Bemposta. Maio de 2018.

Passeio de Barco no Douro. Equipa e voluntários do Cesc-project da Palombar. Atividade integrada no CTVI Juvenil dinamizado em Peredo de Bemposta. Maio de 2018.

A Palombar, no âmbito do seu projeto de voluntariado, visa ainda promover relações de proximidade com a comunidade local e estimular atitudes de partilha e entreajuda. Ao estar alojada na aldeia de Uva, a voluntária teve a oportunidade de contactar com os habitantes da aldeia, na sua maioria idosos, e conhecer a sua cultura, costumes e tradições, criando, desta forma, laços e estabelecendo uma relação intergeracional e intercultural enriquecedora. 

Constance Faucher conta-nos, na primeira pessoa, a sua experiência como voluntária neste projeto polivalente da Palombar:

“Desde o dia 10 de maio de 2018 que estou a fazer Serviço Voluntário Europeu (SVE) na Palombar -  Associação de Preservação da Natureza e do Património Rural, na aldeia de Uva. Eu sempre tive a intenção de, no final dos meus estudos, viajar para o exterior. Viajar sim, mas de uma forma que fosse "útil". Entre os vários programas de mobilidade que pesquisei, descobri o SVE.

O SVE oferece aos jovens com idades entre os 17 e os 30 anos a oportunidade de participar em programas de mobilidade e ter a experiência de viver noutro país, através do serviço voluntário prestado para uma organização sem fins lucrativos (seja uma associação, comunidade, etc.). A missão voluntária pode durar de dois a 12 meses. O SVE permite descobrir outras culturas e adquirir competências úteis para a integração social e profissional.

O SVE pareceu-me ser a ferramenta que mais se adequava aos meus objetivos e à minha vontade de conhecer outros lugares, com gastos reduzidos, uma vez que a participação no SVE é gratuita para os voluntários, que têm assegurados o alojado, a alimentação e um seguro durante a sua missão.

Em França, eu fiz os meus estudos na área da cultura e do património, em estreita ligação com o desenvolvimento e a valorização das áreas rurais. Enquanto procurava uma missão do SVE na qual participar, encontrei um projeto de voluntariado com a duração de seis meses na Palombar, em Trás-os-Montes, Portugal. Integrar uma missão de voluntariado na Palombar pareceu-me imediatamente óbvio, uma vez que correspondia às minhas principais áreas de interesse (ruralidade, património, natureza, etc.) e estava ligada à minha formação universitária, além disso, iria permitir que eu descobrisse um novo país e uma outra cultura.

Assim, viajei para Portugal, para a região de Trás-os-Montes, mais especificamente para Uva, uma pequena aldeia com cerca de 50 habitantes e 60 pombais. Imediatamente gostei deste lugar, da natureza, do mosaico das paisagens, das antigas casas de pedra, dos pombais, da cultura local muito marcante e da receção calorosa dos seus habitantes.

No começo, o mais difícil foi o idioma. Eu não falava português, sabia dizer apenas "Bom dia" e "Obrigada". Foi muito frustrante não poder entender o que as pessoas diziam ou falavam. Mas, pouco a pouco, graças aos meus "professores" (amigos, moradores de Uva, etc.) aprendi português em poucos meses.

Embora o meu português ainda esteja longe de ser perfeito, o mais importante para mim foi conseguir desenrascar-me no dia-a-dia e falar com as pessoas. Aqui, eu também descobri, com grande interesse, uma cultura local forte e viva, com as suas tradições, a sua língua própria (o Mirandês), as suas danças e a sua música (especialmente a gaita de fole).

A minha experiência na Palombar deu-me a oportunidade de descobrir muitas coisas novas. Em primeiro lugar, pude conhecer parte da região de Trás-os-Montes. O território de ação da Palombar é realmente bastante extenso e permite contactar e conhecer diferentes aldeias e paisagens da região. Os lugares onde vamos trabalhar são às vezes de difícil acesso, mas também é por isso que me sinto "privilegiada" por lá estar.

Entre as muitas atividades desenvolvidas pela Palombar, tive a oportunidade de participar, nomeadamente, em ações de manutenção dos Campos de Alimentação para Aves Necrófagas (CAAN). É sempre muito impressionante ver essas grandes aves a voar logo acima de nós!

Por outro lado, pude aprender mais sobre as técnicas de construção e restauração do património rural, em particular durante uma oficina de construção de muros de pedra organizada pela associação. Num Campo de Trabalho Voluntário Internacional em Uva, participei numa atividade de recuperação de um pombal tradicional. Estes são trabalhos muito físicos, mas que dão muita satisfação quando se vê o resultado do nosso trabalho depois.

Através desta experiência, desenvolvi também uma maior consciência sobre a ligação que existe entre o património natural e cultural e as diferentes questões que surgem relativamente à sua preservação e conservação. Por exemplo, no que se refere ao pombal, além de ser um elemento do património rural e da identidade do território, a sua conservação e restauro tem também como objetivo promover a preservação da fauna local, como a águia-de-Bonelli, que se alimenta principalmente de pombos.

Agora, resta-me apenas um mês de voluntariado aqui, que eu sinto que está a passar muito rapidamente. Estes últimos cinco meses foram meses marcados por muitas descobertas, aprendizagem e também reuniões. Esta experiência de voluntariado deu-me a oportunidade de descobrir um novo território, a sua cultura, língua e pessoas, mas também, e mais importante, de ser parte ativa na vida local num ambiente rural.

Esta é uma aventura muito gratificante do ponto de vista profissional, mas também pessoal, que eu recomendo a todos aqueles que tenham a oportunidade de participar!”

Constance Faucher

 Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

Eurobirdwatch´18. Outubro de 2018.

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