Palombar adere à Plataforma Transgénicos Fora

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural aderiu, no dia 30 de setembro de 2018, à Plataforma Transgénicos Fora (PTF). O processo de integração da Palombar na PTF foi formalizado durante uma reunião que teve lugar na Herdade da Tapada da Tojeira, em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

 O que é a Plataforma Transgénicos Fora?

A Plataforma Transgénicos Fora (www.stopogm.net) “defende uma agricultura sustentável orientada para a proteção da biodiversidade e do direito dos povos à soberania sobre o seu património genético comum”, refere a entidade no seu website oficial. A PTF é composta por várias associações e inúmeros voluntários.

Integram a PTF pessoas que, em nome individual ou enquanto representantes de associações e outras entidades, querem contribuir ativamente para a luta contra os transgénicos, uma luta que deve ser de todos.

logo_PTF_TransgenicosFora.jpg

O que são os transgénicos?

Os transgénicos são organismos geneticamente modificados (OGM) com recurso à engenharia genética, num processo em que se adiciona um ou mais genes a determinado organismo/estrutura orgânica provenientes de outras espécies. O organismo transgénico vai adquirir novas características e transmiti-las a toda a sua descendência.

peramini.png

“Os transgénicos são, desta forma, organismos criados artificialmente em laboratório e que estão associados, segundo vários estudos científicos já realizados, a vários perigos desnecessários em várias áreas: perigos de saúde para as pessoas, desequilíbrios para a Natureza e impactos para a agricultura convencional e biológica devido à contaminação e aparecimento de novas pragas, além de prejuízos para a economia pelo aumento do controlo corporativo sobre a alimentação – entre outros. Muitos são os riscos e impactos que já se conhecem sem que haja qualquer vantagem para a saúde ou o ambiente”, alerta a PTF.

“Ao longo de mais de uma década de intervenção, a PTF conseguiu trazer para a opinião pública portuguesa a informação especializada e sistemática que faltava sobre os riscos dos transgénicos, sobretudo através de ações públicas, debates, seminários e trabalho de intervenção política. Também por isso, a Plataforma impôs-se como parceiro credível e incontornável junto de órgãos de decisão públicos e privados. Nestes anos, foram muitas as iniciativas e vitórias”, destaca ainda a organização.

Por que aderimos à PTF?

A Palombar, no âmbito da sua missão de preservar o património rural e natural e as práticas agrícolas ancestrais assentes na agricultura tradicional, sustentável e biológica, e de promover e conservar a biodiversidade, tomou a decisão de aderir à PTF por considerar que os organismos transgénicos são uma ameaça às práticas agrícolas tradicionais, nomeadamente às variedades de espécies de culturas locais, à sustentabilidade da agricultura no meio rural, aos ecossistemas e à biodiversidade. Os transgénicos representam ainda um risco para a saúde humana e animal.

Como os transgénicos ameaçam a biodiversidade, os ecossistemas, a agricultura tradicional e a saúde humana e animal?

Os organismos transgénicos, nomeadamente as sementes geneticamente modificadas com o objetivo de produzir culturas alegadamente mais produtivas e rentáveis, estão a afetar, de forma progressiva e significativa, a agricultura em vários países, gerando um impacto em toda a cadeia trófica, bem como nos ecossistemas e na biodiversidade.

De acordo com vários peritos nacionais e internacionais, um dos principais perigos da agricultura transgénica é a redução da diversidade das sementes naturais.

Através do vento, da chuva, da ação das aves e dos insetos, o pólen das plantas transgénicas é transportado para culturas convencionais. Devido a esse processo de contaminação, as sementes naturais convencionais podem desaparecer por causa do seu cruzamento com as transgénicas.

O possível desaparecimento de sementes naturais pode provocar grandes prejuízos para a Natureza, os animais e os humanos, visto que só as variedades de sementes naturais permitem poupar o solo do desgaste ao longo do tempo, ao mesmo tempo que podem ser cultivadas durante longos períodos temporais, sem afetar o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade.

Essas sementes são também indispensáveis à soberania dos agricultores e levam anos e até gerações a serem aprimoradas geneticamente pela Natureza. São ainda seguras para o consumo humano, assegurando, desta forma, a segurança alimentar.

Por outro lado, as sementes geneticamente modificadas exigem o uso de uma grande quantidade de fertilizantes químicos para poderem prosperar, bem como de pesticidas e agrotóxicos, que prejudicam a saúde humana e animal, tendo ainda consequências nefastas para o ambiente, contaminando, por exemplo, os recursos hídricos, os solos e vários outros ecossistemas.

Protegidas por patentes de grandes indústrias, como a Monsanto, as sementes transgénicas são mais caras e controladas por essas indústrias que as desenvolvem e vendem aos agricultores tradicionais. Muitas vezes, os agricultores têm de recorrer a empréstimos financeiros para adquirir tais sementes, o que condiciona a sua autonomia económica e produtiva.

Além disso, muitos dos fertilizantes, agrotóxicos e pesticidas usados nas culturas com sementes transgénicas só podem ser comprados a produtores específicos de determinadas sementes, devido às patentes e aos processos de produção altamente controlados e condicionados.

Os efeitos do uso de fertilizantes químicos, pesticidas e agrotóxicos sobre a saúde humana e animal estão já bem documentados, existindo evidência científica robusta dos danos que podem causar aos organismos.

O caso do glifosato

Um dos exemplos mais mediáticos e conhecidos em Portugal é o do glifosato, o herbicida mais usado no país, sobretudo na agricultura. O glifosato está classificado, desde 2015, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como “potencialmente cancerígeno” para humanos, tendo sido comprovado que causa cancro em animais de laboratório.

Um estudo que contou com a participação de 26 voluntários portugueses, das regiões Norte e Centro do país, detetou a presença do herbicida glifosato na urina de todos os participantes, sendo que a concentração média foi de 26,2 mg/l por pessoa, cerca de "20 vezes superior" às que são encontradas, por exemplo, em cidadãos na Suíça e na Alemanha. As conclusões deste estudo foram apresentadas na reportagem transmitida pela RTP 1 intitulada “Erva Daninha”.

A presença de níveis tão elevados de glifosato na urina daqueles voluntários é um indicador de que quer a cadeia trófica, quer os ecossistemas, nomeadamente os sistemas aquíferos, em Portugal, estarão fortemente contaminados por este herbicida.

O glifosato foi desenvolvido pela multinacional Monsanto nos anos 70 e é um herbicida não seletivo, por isso mata qualquer tipo de planta.

Os transgénicos são resistentes ao glifosato. Uma plantação transgénica pode ser, desta forma, pulverizada com herbicidas como o glifosato sem que a cultura morra, só as ervas, o que se traduz nas altas concentrações de herbicidas, prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, nestes produtos, nomeadamente em alimentos como a soja e o milho, por exemplo. O uso intensivo de herbicidas também contamina os solos e os sistemas aquíferos.

No nosso país, os transgénicos são usados sobretudo para produzir ração para animais, mas também há alimentos para consumo humano que contêm transgénicos, como alguns óleos vegetais e bolachas. Os transgénicos acabam, de uma forma ou de outra, por serem consumidos pela população portuguesa, nomeadamente através da ingestão de carne. Além disso, há também algumas sementes transgénicas cujo cultivo é autorizado em Portugal.

Atualmente, a comunidade científica ainda tem muitas dúvidas sobre a segurança do consumo de alimentos transgénicos pelo ser humano e pelos animais, havendo mais indícios de que podem ser prejudiciais. Vários estudos, documentários e análises já realizados apontam nesse sentido.

Há alternativas

O uso de transgénicos representa, desta forma, uma ameaça, a vários níveis, para a Natureza, os animais e as pessoas. Os transgénicos ameaçam a biodiversidade porque contaminam as sementes naturais, podendo levar à sua alteração irreversível e extinção enquanto produtos da Natureza; contaminam os ecossistemas, por serem culturas cujo cultivo exige o uso de grandes quantidades de produtos químicos prejudiciais, afetando também a saúde humana e animal e retiram ainda soberania e autonomia aos agricultores locais, pelo facto de as empresas que produzem sementes transgénicas assumirem o controlo sobre a sua produção, venda e práticas de cultivo.

A Palombar considera, por isso, que dizer não aos transgénicos e preservar e fomentar a agricultura tradicional e biológica é fundamental para proteger o património rural e natural, para assegurar a sustentabilidade e a conservação da biodiversidade, dos ecossistemas, bem como a segurança alimentar, a saúde humana e animal e ainda a autonomia dos agricultores locais.

É fundamental também promover diferentes práticas agrícolas sustentáveis e protetoras da biodiversidade como, por exemplo, a agroecologia, que se refere à uma abordagem da agricultura desde uma perspetiva ecológica, e a permacultura, que consiste no planeamento e gestão de comunidades humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos de várias áreas, principalmente, das ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia.

A Palombar, além de ter uma horta que segue os princípios da agricultura biológica, promove a plantação de espécies autóctones e também tem a preocupação de contribuir para o desenvolvimento do meio rural e da agricultura tradicional e sustentável, através da compra de sementes a agricultores locais que seguem práticas de cultivo com foco na sustentabilidade e proteção da biodiversidade. Essas sementes são usadas, por exemplo, para fazer sementeiras, criadas no âmbito de projetos de conservação da Natureza, e que servem de alimento a vários animais selvagens.

Por tudo isso, a Palombar considera que é preciso dizer: Transgénicos Fora!

Logo Palombar.png