Uso de veneno: o feitiço vira-se contra o feiticeiro

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Certo dia, o sr. António ficou danado porque uma raposa, mais uma vez, assaltou-lhe o galinheiro. Revoltado com a maldita, decide acabar de vez com o problema e envenená-la. No dia seguinte, vai ver ansioso se o plano resultou. Ao aproximar-se do local onde deixou o veneno, observa a bonita pelagem da raposa, que se encontra estendida no chão, e enche-se de satisfação. Entretanto, ao chegar mais perto do animal, verifica que este não foi o único a morrer. Um abutre, um britango e o cão da sua filha também foram vítimas do veneno. O sr. António percebeu, desta forma, que o veneno é “cego” e não atua de forma seletiva, podendo matar vários animais, inclusive os seus. O “feitiço” que lançou virou-se contra ele.

GIF | Juliette Verduzier Texto | Luís Queirós, Uliana de Castro e Juliette Verduzier

VENENO

 O que é?

Qualquer substância com características tóxicas que, dependendo da dose e do modo de utilização, seja capaz de causar danos e/ou a morte de um organismo vivo.

O uso de venenos está completamente proibido pelas legislações nacional e europeia e é uma prática irresponsável que pode ter consequências muito graves para a biodiversidade e para a saúde pública.

Porquê e para quê se utiliza?

A principal motivação para o uso de venenos é a eliminação de animais considerados prejudiciais a atividades humanas como a caça, a pecuária ou a agricultura. No entanto, o uso de venenos é um método não seletivo, que pode afetar muitas espécies para as quais não é dirigido, incluindo animais domésticos e espécies ameaçadas de extinção.

VENENO: uma ameaça à Biodiversidade.

O uso ilegal de iscos envenenados, associado à falta de controlo sobre a venda de venenos e à utilização de muitas substâncias tóxicas, comercializadas legalmente no mercado, são fatores que geram um forte impacto negativo na fauna.

As espécies mais vulneráveis ao uso de venenos são aquelas que têm hábitos alimentares necrófagos e que, por se alimentarem de animais mortos, acabam por serem vítimas de envenenamento em cadeia. Os abutres são o grupo de espécies potencialmente mais afetado pelo uso destas substâncias.

O envenenamento constitui um fator de mortalidade não natural de grande relevância, dado que produz um impacto dentro da área de distribuição regular das espécies afetadas e pode contribuir de forma significativa para a diminuição das suas populações no nosso território ou mesmo para o seu desaparecimento.

VENENO: um risco para a Saúde Pública.

A falta de controlo eficaz e a facilidade com que é possível adquirir venenos que já foram proibidos em Portugal há vários anos podem provocar consequências nefastas que vão muito além da fauna silvestre.

Muitas das substâncias utilizadas em venenos podem persistir no meio ambiente por meses ou anos e assim entrar na cadeia alimentar por via indireta. A contaminação de fontes de água utilizadas para consumo humano ou rega também é uma ameaça muito real.

Os venenos também afetam espécies de caça que são consumidas habitualmente pelos humanos, como os javalis. Corremos, portanto, o risco de incluir na nossa alimentação estas substâncias altamente tóxicas, o que pode provocar sérios problemas de saúde a quem as consome.

O Programa Antídoto

O Programa Antídoto é uma iniciativa que pretende combater o uso ilegal de venenos, procurando conhecer a dimensão do problema e as suas consequências, de forma a implementar medidas para as solucionar ou minimizar.

 Os objetivos do Programa Antídoto são:

· Conhecer a dimensão real do uso de venenos em Portugal;

· Conhecer as causas, motivações e problemas que estão na origem do uso de venenos;

· Contribuir para a resolução do problema, promovendo boas práticas agropecuárias e cinegéticas;

· Avaliar o impacto do uso de venenos nas populações de animais silvestres;

· Estabelecer medidas de controlo do uso de substâncias tóxicas;

· Combater a atual impunidade face a casos de envenenamento;

· Contribuir para a educação acerca do uso de venenos;

· Promover a conservação de várias espécies e respetivos ecossistemas.

 O que fazer quando encontrar um animal envenenado?

1. Contacte imediatamente as autoridades competentes. Mesmo que o animal já se encontre morto, a utilização de venenos constitui um crime que deve ser reportado. SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana – 21 750 30 80 Linha SOS Ambiente – 808 200 520

2. Permaneça no local até as autoridades chegarem.

3. Não toque no animal e não deixe que outras pessoas se aproximem. Os cadáveres e amostras devem ser recolhidos apenas pelas autoridades.