Açor beneficia da recuperação de pombais tradicionais no Nordeste Transmontano

O açor (Accipiter gentilis), uma espécie com estatuto de conservação “Vulnerável” de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal devido à sua população reduzida (inferior a 1 000 indivíduos maturos), tem beneficiado da recuperação e manutenção de pombais tradicionais promovidas pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural no Nordeste Transmontano, por iniciativa própria, ou no âmbito de projetos nos quais é parceira, nomeadamente no projeto LIFE Rupis, e ainda no Grupo Nordeste.

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Um exemplar desta espécie foi observado no dia 6 de fevereiro, num dos pombais recuperados e geridos pela Palombar no concelho de Mogadouro, distrito de Bragança. O açor é um predador essencialmente ornitófago e os pombos (Columba livia) são uma presa muito frequente na sua dieta, assim como de outras espécies de aves de rapinas ameaçadas no território nacional, nomeadamente do falcão-peregrino (Falco peregrinus) e da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), que é alvo de conservação do projeto LIFE Rupis, entre outras.

A recuperação de pombais tradicionais, a sua repovoação com pombos saudáveis, bem como a sua manutenção e controlo sanitário, tem sido uma área de atuação central da Palombar, que tem como objetivo associar o restauro do património arquitetónico rural à conservação da Natureza e da biodiversidade.

A Palombar considera que estas estruturas têm um valor cultural e ecológico fundamental e único, pelo que devem ser preservadas, de modo a permanecerem funcionais. O pombal tradicional é um elemento icónico indissociável da paisagem transmontana e essencial ao aumento da disponibilidade de alimento para várias espécies selvagens ameaçadas.

Nos últimos anos, a associação tem recuperado dezenas de pombais tradicionais em Trás-os-Montes e assegurado o seu repovoamento e manutenção, que são indispensáveis para garantir que estas estruturas sejam viáveis e cumpram a sua função ecológica de promover a conservação da biodiversidade. Tão importante quanto recuperar os pombais tradicionais, é mantê-los ao longo do tempo e este tem sido precisamente um dos trabalhos centrais da associação.  

O exemplar de açor observado pelos técnicos da Palombar no passado dia 6 de fevereiro estava dentro de um dos pombais geridos pela associação. Esta é uma situação que não deve ocorrer e que representa uma problemática com a qual a Palombar se tem confrontado e procurado solucionar, no âmbito da gestão de pombais tradicionais.

Os pombos, que são fundamentais para assegurar a preservação de várias espécies de aves ameaçadas, idealmente, deverão ser caçados fora dos pombais e as aves predadoras não devem ter acesso ao interior dessas estruturas. De resto, a problemática da predação de pombos dentro dos pombais coloca-se não só em relação às aves, como também a pequenos mamíferos, como doninhas e fuinhas.

De forma a solucionar este problema, a Palombar tem adotado várias medidas para evitar a entrada de predadores (quer por via aérea, quer por via terrestre) dentro dos pombais tradicionais.

No que se refere às aves, a principal medida implementada tem sido reduzir o tamanho das entradas dos pombais. Tradicionalmente, os pombais já têm entradas mais pequenas exatamente para evitar que espécies de aves de rapina possam entrar nessas estruturas, contudo, ainda assim, algumas aves de menor porte conseguem aceder ao seu interior, pelo que é necessário diminuir ainda mais essas entradas até ao limite que permita a entrada dos próprios pombos.

Relativamente aos pequenos mamíferos, a associação tem assegurado a preservação das abas dos pombais (para dificultar a entrada no seu interior), a manutenção e a qualidade do reboco (para tornar mais uniforme a parede dos pombais e dificultar a sua escalada), bem como a limpeza de matos e a poda de árvores num raio à volta do pombal (para evitar que os animais usem arbustos para treparem), de modo a impedir que pequenos mamíferos possam entrar no seu interior.

A recuperação e manutenção de pombais tradicionais tem já dado provas confirmadas de que é uma medida fundamental para aumentar a disponibilidade alimentar para várias espécies de aves de rapina ameaçadas em Portugal, assegurando, desta forma, o seu sucesso reprodutor e o aumento das suas populações. Esta continuará a ser, desta forma, uma área central de atuação da Palombar.

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