9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra promove recuperação de pombal tradicional de aldeia transmontana

A 9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra organizada pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, que teve lugar nos dias 15 e 16 de junho, promoveu a recuperação de um pombal tradicional na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, distrito de Bragança. Durante esta oficina, os participantes tiveram a oportunidade de trabalhar o xisto.

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As construções em pedra são um ícone do património rural e da paisagem transmontana. Possuem um grande valor, quer para as comunidades, quer para a conservação da biodiversidade. Além de servirem as necessidades das populações, os muros de pedra são um abrigo e refúgio para várias espécies de plantas e animais.

Apesar da sua elevada importância, atualmente, são já poucas as pessoas que sabem como construí-las ou repará-las. Foi no sentido de tentar combater esse esquecimento e de transmitir a riqueza e o potencial destas técnicas construtivas que a Palombar organizou esta oficina.

POMBAIS TRADICIONAIS: um património rural único, um promotor da biodiversidade

Os pombais tradicionais são um ícone rural omnipresente na região de Trás-os-Montes que pontilham a paisagem, despertando a curiosidade de quem percorre as terras transmontanas. Estas estruturas têm um valor cultural, arquitetónico e ecológico fundamentais e o seu restauro e manutenção são essenciais para assegurar a conservação do património rural e natural desta região.

Os pombais tradicionais são um património emblemático desta região e estão fortemente associados à comunidade rural, que outrora usava os pombos juvenis (borrachos) para alimentação, sendo esta uma fonte adicional de proteína para os habitantes locais. Já o estrume dos pombos, considerado de elevado valor fertilizante e denominado por “pombinho”, era/é usado para fertilizar os solos agrícolas. Ter muitos pombais também era sinónimo de riqueza. Os pombais assumem um papel fundamental no sistema sócio-ecológico.

Estas são também estruturas que contribuem de forma significativa para a conservação da biodiversidade, visto que os pombos fazem parte da dieta de várias espécies de aves de rapina ameaçadas em Portugal, como é o caso da águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), do açor (Accipiter gentilis) e do falcão-peregrino (Falco peregrinus), entre outras. Asseguram, assim, o sucesso reprodutor destas espécies e o aumento das suas populações.