12 Junho 2026
Festa do Linho celebrou a cultura biossocial do linho na Serra da Estrela com o futuro à vista

Este é um evento que se pretende manter no presente e no futuro, criando raízes sólidas no território. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
O evento reuniu a população local, visitantes, artistas, investigadores, entidades, projetos e agentes culturais, promovendo a valorização da herança material e imaterial associada ao linho. Este é um evento que se pretende manter no presente e no futuro, criando raízes sólidas no território.
Ao longo de três dias, Linhares da Beira encheu-se de vida com um programa diversificado que cruzou tradição, criação contemporânea e participação comunitária. Esta iniciativa marcou o arranque do projeto Linho a Fio.

A festa cruzou tradição, criação contemporânea e participação comunitária. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
O evento começou no dia 5 de junho com a inauguração da festa e da exposição “Mulheres Rurais - Fiadeiras do Futuro”, Cooperativa A Geradora, dando o mote para um encontro centrado no património do linho e nas suas novas leituras. A tarde levou os participantes a percorrer Linhares da Beira numa visita interpretativa, que terminou numa sessão contemplativa de yoga com as vistas serranas que rodeiam esta aldeia medieval erguida em pedra. À noite, foi tempo de uma sessão de cinema seguida de um pequeno concerto num ambiente descontraído, dinamizado pelas novas comunidades.

A exposição “Mulheres Rurais - Fiadeiras do Futuro”, preservar o saber, tecer o porvir. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Rodeados pela pedra ancestral e pela paisagem monumental, os participantes percorreram as vielas e descobriam Linhas da Beira numa visita imersiva. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Um lugar inspirador que reflete o tempo e a tradição. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Sessão contemplativa de yoga ao pôr do sol com Lita Sattva. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Sessão de cinema comunitário captou a atenção do público para ver o documentário "Várzea de Calde: Uma Aldeia Tecida a Linho". Fotografia Pedro Alves/Palombar.

O primeiro dia terminou com um concerto intimista. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
No dia 6 de junho, o foco passou para o saber-fazer. A oficina "Sementeira do Linho", dinamizada pelo projeto Linho a Fio, alinhou a manhã, enquanto o Eco-Mercado ia abrindo e convidando os visitantes que se juntavam à festa a provar os sabores locais e conhecer os ofícios da terra.
Ainda durante a manhã, num momento dedicado aos mais pequenos e partilhado em família, a Hora do Conto, dinamizada pela Tia Dulce, contadora de histórias, estimulou a imaginação e revelou novos sonhos, em torno dum imaginário ligado ao mundo rural.

Na oficina "Sementeira do Linho", os participantes puderam semear o futuro da tradição do cultivo do linho na região. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
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De semente em semente, fazemos renascer o verde nos campos e o linho no tear. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Eco-Mercado levou os visitantes a provarem os sabores locais e a conhecerem os ofícios da terra. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Tia Dulce, contadora de histórias, contou e encontou todas as gerações. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
Durante a tarde, a oficina de processamento do linho deu continuidade à partilha de conhecimento sobre a cultura do linho. Dinamizada pelo Grupo Etnográfico de Várzea de Calde, esta sessão pretendeu aproximar o público das técnicas tradicionais associadas a esta cultura ancestral.

O Grupo Etnográfico de Várzea de Calde mostrou, numa oficina, o processamento do linho. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

As mulheres são a força motriz que molda o linho e lhe dá vida. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
Numa das emblemáticas torres do Castelo de Linhares, a reflexão teve espaço na "Mesa Redonda: Regeneração dos territórios de montanha e a sua resiliência", que reuniu representantes de projetos da Palombar como o SerE+, LIFE SOS Pygargus, Linho a Fio, e do Município de Celorico da Beira, promovendo o diálogo entre ciência, prática e comunidade. A mesa-redonda foi antecedida da projeção do documentário Re.Rural - Aldeias do Futuro e do Projeto SISAL.

A "Mesa Redonda: Regeneração dos territórios de montanha e a sua resiliência" foi um momento de reflexão que abordou projetos implementados no terreno pela Palombar com forte ligação às paisagens e comunidades locais. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
Ao longo do dia, o Eco-Mercado, um espaço de artesãos, produtores locais e associações, assim como área de convívio com jogos tradicionais e zona de restauração, ia atraindo os visitantes que se juntavam à Festa do Linho.

O Eco-Mercado foi um espaço de partilha e convívio que uniu gerações. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Os jogos tradicionais também encantam as novas gerações. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
A programação cultural incluiu ainda o teatro “O peixinho que descobriu o mar”, por Pedro Giestas, dirigido ao público infantil e familiar, e terminou com o Concerto na Eira, com Pedro Horta, Diana Caramelo, Julieta Silva e o Coro do Povo, celebrando a música como expressão coletiva e identitária. A noite encerrou com o concerto de Manouchka Band, uma prestigiada banda internacional de gypsy-jazz.

O teatro infanil “O peixinho que descobriu o mar” levou os mais novos a mergulharem num mundo mágico e criativo. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

O Concerto na Eira celebrou a música como expressão coletiva e identitária. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

O concerto a céu aberto e em contacto com o território envolveu o público num ambiente único. Fotografia Pedro Alver/Palombar.

O dia 6 terminou em grande com um concerto de Manouchka Band. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
O último dia ficou marcado pelo contacto direto com a natureza, através de um percurso interpretativo dedicado às plantas espontâneas e aos seus usos tradicionais, orientado pelo Alexandre Silva, técnico do CISE – Município de Seia. A caminhada terminou num piquenique comunitário, num momento de convívio que sintetizou o espírito da festa: celebrar o território, os saberes e as pessoas.

Um percurso interpretativo marcou o fim da festa com a descoberta da paisagem e da biodiverisade da região. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

A Festa do Linho segue com o futuro à vista. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
Projeto “Linho a Fio”
O projeto “Linho a Fio” tem como objetivo revitalizar o cultivo comunitário do linho e a sua produção artesanal na Serra da Estrela, com intervenção direta em Linhares da Beira (Celorico da Beira). Implementado entre 2026 e 2027, pretende posicionar o linho como motor de regeneração ecológica e dinamização socioeconómica local, promovendo a criação de cadeias de valor sustentáveis e o reforço da coesão comunitária.
Financiado pelo Regenerative Communities Fund (RCF), um fundo europeu gerido pela ECOLISE - European Network for Community-Led Initiatives on Climate Change and Sustainability e cofinanciado pela União Europeia, o projeto segue uma abordagem comunitária e inclusiva, sendo dinamizado por um grupo local com o apoio da Palombar. Para além de oficinas práticas, iniciativas formativas e momentos celebrativos, como a Festa do Linho, as ações do projeto também incluem a criação de um núcleo comunitário de transformação e ferramentas de apoio à produção do linho.