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11 Agosto 2026

Festa dos Pombais 2026: Uva voltou a celebrar o património, a cultura e a natureza numa edição memorável

Festa dos Pombais 2026: Uva voltou a celebrar o património, a cultura e a natureza numa edição memorável

Uma festa única, uma fusão entre arte, cultura e tradição para celebrar a paisagem rural e a sua identidade. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

A aldeia transmontana de Uva, no concelho de Vimioso, acolheu, nos dias 3 e 4 de julho, a 4.ª edição da Festa dos Pombais, um evento que continua a afirmar-se como uma celebração única do património rural, da cultura, da paisagem e das tradições do Nordeste Transmontano.

Durante dois dias, habitantes, visitantes, artistas e outros participantes de várias regiões do país reuniram-se numa festividade marcada pelo encontro entre comunidade, arte e natureza.

Com um programa diversificado e distribuído por vários espaços emblemáticos da aldeia, a Festa dos Pombais voltou a dar destaque aos pombais tradicionais de Uva, património vernacular que inspira o próprio nome do evento e que constitui um dos mais singulares conjuntos arquitetónicos da região.

Dois dias de cultura, tradição e arte

A edição de 2026 teve início na noite de sexta-feira com o espetáculo teatral "Os Anjos Nus", da Peripécia Teatro, integrado no projeto ContoContigo. A interpretação do conto de António Manuel Pires Cabral levou o público a refletir sobre a crença, a tradição e a condição humana, num momento que marcou a abertura oficial da festa.


Neste espetáculo teatral, os coletores de histórias Baltasar e Belmira reinventaram narrativas sobre o sagrado e o profano e colacaram todos a refletir sobre a nosso ser e estar no mundo. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


No dia seguinte, logo pela manhã, dezenas de participantes juntaram-se ao Passeio Interpretativo aos Pombais Tradicionais, promovido pela Palombar, numa visita guiada que permitiu conhecer melhor a história, a arquitetura e a importância ecológica destas estruturas que moldam a paisagem cultural de Uva.

Ao longo do dia, os visitantes tiveram ainda oportunidade de participar em oficinas criativas e experimentais. A oficina "À Volta do Hipericão", dinamizada por Joana Vitória Martins, explorou os usos tradicionais desta planta aromática e medicinal, enquanto o laboratório de serigrafia U_NICK™_CAMPO COMUM, conduzido por Fernando Travassos e Gil Mac, convidou o público a estampar peças de roupa e a experimentar processos artísticos ligados ao reaproveitamento de materiais.


O biólogo Américo Guedes da Palombar conduziu os participantes por uma visita imersiva sobre os pombais tradicionais. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Neste atelier experimental, explorámos a versatilidade do hipericão e mostrámos o valor das plantas aromáticas e medicinais para a nossa saúde e bem-estar. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


No laboratório de serigrafia, demos uma nova vida a peças de roupa usadas, com arte e criatividade. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
 

Histórias, performances e reflexão sobre o território

A programação da tarde foi marcada por várias performances artísticas. Os "Trocadores de Histórias", da 5.ª Oficina, devolveram à aldeia o encanto da tradição oral, através de narrativas ancestrais contadas de forma irreverente e participativa, num espaço também ele com histórias: o Curral do Tio Emílio, outrora lugar de ofícios... já foi carpintaria, barbearia e acolheu outras lides que exigem punho firme, é agora recinto de vida e tradição da Festa dos Pombais, cedido gentilmente pelos herdeiros do Tio cuja memória queremos manter viva.

Na Curralada, a performance "Veredas", de David Silva, propôs uma experiência sensorial centrada na memória, na paisagem e nas sonoridades do território, enquanto a performance artística "Adonde hai lhobos hai bida", do projeto Futuros Partilhados, desafiou o público a refletir sobre a coexistência entre humanos e grandes carnívoros, revisitando criticamente práticas e imaginários associados ao lobo no Planalto Mirandês. Houve também espaço para uma arruada que deu voz ao lobo nas ruas da aldeia, com mensagens de conexão.

Estas iniciativas reforçaram uma das marcas distintivas da Festa dos Pombais: a capacidade de cruzar património, arte contemporânea, saberes tradicionais e reflexão sobre os desafios atuais do mundo rural.

Os "Trocadores de Histórias" contaram narrativas e partilharam vivências no Curral do Tio Emílio, um espaço que também guarda saberes, histórias e tradições. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Na performance "Veredas", enveredámos pelos caminhos das sonoridades experimentais, com a paisagem como pano de fundo, onde tudo é incerto e possível. Fotografia José Farinha.
 


A performance artística "Adonde hai lhobos hai bida", do projeto Futuros Partilhados, promoveu uma reflexão coletiva sobre a coexistência entre humanos e não humanos, entre lobos e humanidade. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
 


Arruada pelas ruas e vielas da aldeia deu voz ao lobo para criar zonas de conexão. Conseguimos colocar-nos no lugar do outro? Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Mercado, artesanato e saberes locais


Ao início da tarde, abriu o tradicional Mercado de Artesanato & Gastronomia, ponto de encontro privilegiado para quem procurou conhecer produtos locais, artesanato regional e sabores característicos da região.

Durante todo o evento, as ruas de Uva mantiveram-se animadas com a presença dos Gaiteiros Sons das Arribas, responsáveis por várias arruadas, e pelos Jogos Tradicionais, dinamizados pela Associação de Jogos Populares do Distrito de Bragança e pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, proporcionando momentos de convívio intergeracional e valorização do património cultural imaterial.


Mercado de Artesanato e Gastronomia revelou os sabores e artes locais. Fotografia Pedro Alves/Palombar.



Gaiteiros Sons das Arribas marcaram sempre o ritmo da festa. Fotografia Pedro Alves/Palombar.
 


Jogos Tradicionais uniram e animaram gerações. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Concertos com raízes e identidade transmontana


Um dos momentos mais aguardados da programação aconteceu ao final da tarde, no Pombal Aberto, com o concerto das Alma de Esteva. O trio, formado por Joana Lopes, Joana Cardoso Pereira e Fátima Gigante, apresentou um repertório inspirado nas tradições musicais portuguesas, revisitando cantigas populares através de harmonias vocais e arranjos contemporâneos.

A animação noturna prosseguiu no palco principal com os Batucada, projeto musical que cruza a tradição transmontana da gaita-de-foles e da percussão com sonoridades eletrónicas e influências urbanas, proporcionando um concerto vibrante que reuniu públicos de todas as idades.

Já pela meia-noite, o encerramento da festa ficou a cargo de DJ Charley's Horse, que trouxe à aldeia uma seleção musical eclética, experimental e dançante, mantendo a energia da celebração até altas horas da madrugada.

O grupo Alma de Esteva atuou no Pombal Aberto num concerto intimista marcado pela tradição, identidade e contemporaneidade. Fotografia Pedro Alves/Palombar.



Os Batucada não deixaram ninguém com os pés no chão com sonoridades cheias de ritmo e batuque. Fotografia Pedro Alves/Palombar. 
 


O DJ Charley's Horse colocou todos a mexer depois das 12 badaladas e trouxe sons experimentais ecléticos e cheios de energia. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Para o ano, a festa continua e cá vos esperamos! Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Sobre a Festa dos Pombais


Organizada pela União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva e pela Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, em colaboração com o Município de Vimioso e com o apoio da Comissão de Festas de Uva 2026/2027, a iniciativa volta a demonstrar como a valorização do património local pode ser um motor de dinamização comunitária, cultural e territorial.