14 Maio 2026
1.ª Oficina Colaborativa do projeto SerE+ reuniu vários setores para pensar os Serviços dos Ecossistemas da Serra da Estrela

1.ª Oficina Colaborativa alinhou convergências e identificou desafios. Fotografia Município de Seia.
A sessão contou com a participação de 23 representantes de diversos setores, entre os quais apicultura, agricultura, pastorícia, turismo, setor cultural, arquitetura e paisagismo, investigação científica, administração pública e outras atividades ligadas à natureza e aos recursos do território.
A oficina foi acompanhada por uma equipa multidisciplinar de 12 moderadores e investigadores da Palombar, CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, pelo Município de Seia, do CE3C - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, da EDB-CSIC - Estación Biológica de Doñana e do CESOP - Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa.

Participação de representantes de vários setores de atividades foi essencial para dar robustez à abordagem e linha de ação do projeto. Fotografia Município de Seia.
Da ciência à participação cidadã: pensar os Serviços dos Ecossistemas de forma colaborativa
A oficina, que teve a duração de quatro horas, foi organizada em três momentos principais: apresentação do projeto e dos conceitos-chave, dinâmica de trabalho em grupo e sessão plenária final.
O processo destacou-se pela forma como os conceitos científicos foram traduzidos para uma abordagem acessível, participativa e apelativa, numa lógica de gamificação, permitindo aos participantes explorar o território de forma prática e estruturada.
A dinâmica desenvolvida visou traduzir de forma quantitativa as perceções dos participantes, garantindo que a opinião de todos seria considerada de forma equitativa.
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Foram usadas ferramentas de gamificação nas dinâmicas de grupo para envolver os participantes de forma apelativa e prática. Fotografia Município de Seia.

Cinco grupos trabalharam dois painéis temáticos. Fotografia Município de Seia.
Trabalho em grupo: identificar prioridades e mapear o território
Os participantes foram distribuídos em cinco grupos, trabalhando em dois painéis temáticos complementares. No Painel 1, foram identificados e priorizados os principais Serviços dos Ecossistemas, bem como as ameaças e necessidades de intervenção.
O Painel 1 teve como foco os Serviços de Ecossistemas da Serra da Estrela. Fotografia Município de Seia.
Já no Painel 2, os grupos trabalharam diretamente sobre o mapa da área de estudo - correspondente à área total dos seis municípios que integram o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) - assinalando áreas prioritárias para conservação, restauro ecológico e valorização dos serviços identificados, tanto dentro como fora dos limites do Parque.
O Painel 2 centrou-se no mapa da área de estudo e definição de zonas prioritárias para promover o restauro ecológico. Fotografia Município de Seia.
Resultados preliminares: convergências claras e desafios identificados
A análise inicial dos contributos revelou uma forte convergência entre os diferentes grupos, apesar da diversidade de perfis representados. Entre os temas mais frequentemente destacados surgiram questões relacionadas com os incêndios rurais - tanto ao nível dos principais serviços de regulação providenciados pelas ecossistemas naturais, como das suas principais ameaças - o fornecimento de água para consumo - como principal serviço de provisão - e o papel dos ecossistemas naturais para o futuro das novas gerações, refletindo preocupações amplamente partilhadas no território.
A diversidade de opiniões foi mais visível ao abordar as prioridades de ação, destacando-se questões relacionadas com a conservação e restauro de habitats naturais e a integração dos serviços de ecossistemas como instrumentos de gestão do território, mas também questões relativas a atividades económicas da região, como o fortalecimento da agricultura e pastorícia sustentáveis e a compensação financeira dos proprietários pelos serviços de ecossistemas prestados pelo território.
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Contributos mostraram grande convergência entre os diferentes grupos, apesar da diversidade de setores representados. Fotografia CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela.
Finalmente, a identificação de áreas prioritárias fora do Parque Natural da Serra da Estrela mostrou-se mais desafiante, sugerindo um menor reconhecimento ou menor proteção desses espaços.
Apesar de os participantes revelarem, em muitos casos, um conhecimento e sensibilidade prévios sobre a temática dos Serviços dos Ecossistemas, a sessão evidenciou a capacidade de gerar consensos alargados entre setores distintos, um aspeto considerado particularmente relevante pela equipa organizadora.
Próximos passos: reforçar a participação e aprofundar a análise
Na sequência desta primeira oficina, será disponibilizada uma versão online do inquérito aplicado, permitindo alargar a participação e recolher contributos adicionais até ao final de maio de 2026.
O ciclo de oficinas do projeto SerE+ continuará com mais duas sessões: uma dedicada à valoração dos Serviços dos Ecossistemas em função dos usos do solo, e outra focada na validação e refinamento dos mapas produzidos, consolidando os resultados obtidos num processo colaborativo entre ciência e território. Nestas duas últimas sessões, serão ainda discutidas opções de políticas públicas que possam valorizar economicamente os serviços de ecossistemas no território da serra da Estrela e de os integrar de forma efetiva na economia regional.

Será disponibilizada brevemente uma versão online do inquérito realizado durante a oficina, de forma a aumentar a participação e reunir contributos adicionais. Fotografia Município de Seia.
Sobre o projeto
O SerE+ - Rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela é um projeto coordenado pela Palombar, em parceria com o CE3C - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Município de Seia/CISE e o CSIC - Estación Biológica de Doñana.
O projeto tem como objetivo identificar e valorizar os serviços que os ecossistemas proporcionam, apoiar a conservação da natureza e contribuir para uma gestão mais sustentável e resiliente da Serra da Estrela face aos desafios climáticos e territoriais.
É apoiado pelo Programa Promove da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI e com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e decorrerá no período 2025 - 2028.