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10 Abril 2026

2.ª Edição do Spreitar L Cielo aliou Astronomia, Natureza e Fotografia para explorar o espaço e a paisagem

2.ª Edição do Spreitar L Cielo aliou Astronomia, Natureza e Fotografia para explorar o espaço e a paisagem

O mais jovem participante do Spreitar L Cielo espreita uma rela-comum. Fotografia Luís Almeida.

A Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural foi uma das entidades que organizou a 2.ª edição do Spreitar L Cielo, em conjunto com a AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e o Município de Vimioso. O evento, dedicado à valorização da Natureza e da Astronomia, decorreu nos dias 21 e 22 de março de 2026 no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso. Esta edição reuniu mais de 50 participantes numa programação que aliou Biodiversidade, Astronomia e Tecnologia, reforçando a importância de compreender o espaço e a paisagem através de novas ferramentas e perspetivas, numa das regiões do país mais favoráveis à observação astronómica.

Este ano, o evento contou com uma novidade: uma reflexão aprofundada sobre o papel da tecnologia na forma como conhecemos e interpretamos o mundo natural, um tema para o qual a equipa Palombar contribuiu, através das oficinas de fotografia de Natureza.


Pedro Alves, fotógrafo e técnico de Biologia da Conservação da Palombar orientou as atividades sobre Fotografia de Natureza. Fotografia Luís Almeida.


A Fotografia de Natureza como ponte entre ciência, ética e observação


A participação da Palombar nesta edição do Spreitar L Cielo ficou marcada pelas atividades dedicadas à fotografia, orientadas por Pedro Alves, técnico de Biologia da Conservação da associação. As oficinas, desdobradas entre teoria e prática, foram um dos momentos centrais do evento, revelando aos participantes formas responsáveis, criativas e práticas de como observar e registar a vida selvagem.

Conhecimentos técnicos permitiram captar imagens plenas de cor, luz e vida. Fotografia Pedro Alves/Palombar.

Iniciação à Fotografia de Vida Selvagem: técnica, ética e histórias por trás das imagens


A sessão teórica de sábado, dia 21 de março, explorou em profundidade a prática fotográfica aplicada ao registo da biodiversidade. Pedro Alves guiou o grupo por temas essenciais como: as definições e configurações fundamentais de uma máquina fotográfica; a seleção apropriada de locais de observação; a leitura da paisagem e a consequente utilização de iluminação externa; e ainda a relação entre fotógrafo, fauna e comunidades locais.

Sessão teórica explorou em profundidade a prática fotográfica aplicada ao registo da biodiversidade. Fotografia AEPGA.


No final, foram revelados segredos, truques e histórias por trás das imagens, utilizando como base o portefólio profissional do formador. Um dos temas principais que guiou a sessão foi a forma como cada fotografia resulta de uma ligação consciente com o ser vivo fotografado, baseada no respeito e na paciência necessários para garantir a ética na prática fotográfica de vida selvagem.


Os participantes aprenderam várias técnicas e formas de explorar a paisagem e as espécies com responsabilidade e ética. Fotografia Luís Almeida.


Foram abordadas boas práticas fundamentais para minimizar perturbações na fauna selvagem e para compreender os comportamentos das espécies antes de fotografar.

Interpretação da paisagem através da fotografia

A atividade prática de domingo, 22 de março, permitiu aos participantes transpor para o terreno todo o conhecimento adquirido no dia anterior. A sessão decorreu numa antiga pedreira em processo de renaturalização, um espaço singular, rico em texturas, contrastes e vida escondida.

Sessão prática decorreu numa antiga pedreira em processo de renaturalização. Fotograifa Luís Almeida.


O percurso passou por um conjunto de charcas temporárias onde a biodiversidade se fez notar de forma particularmente vibrante. A observação atenta permitiu encontrar: rela‑comum (Hyla molleri), desde adultos camuflados na vegetação até girinos nas águas paradas; girinos de sapo‑corredor (Epidalea calamita) escondidos entre folhas submersas; larvas de escaravelhos-aquáticos (Dytiscidae), rápidas e discretas; e ainda uma lagarta de traça (Chondrostega vandalicia), exibindo cores vivas que facilmente sobressaíam na paisagem e na imagem.

Girino de sapo-corredor (Epidalea calamita). Quando o preto e o branco revelam, de forma mais profunda, a essência do início da vida. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Lagarta de traça (Chondrostega vandalicia), com texturas únicas e cores deslumbrantes. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Pedro Alves numa charca temporária rica em biodiversidade. Fotograifa Luís Almeida.


Estas pequenas, mas grandes descobertas permitiram a exploração de técnicas específicas, como a fotografia em aquário, que é bastante útil para captar organismos aquáticos com nitidez e detalhe. Com o apoio técnico constante de Pedro Alves, da Palombar e de Joana Pereira, da AEPGA, todos os participantes conseguiram experimentar, ajustar e aprimorar a sua abordagem fotográfica.

Outras atividades do programa

O evento teve um programa diversificado e integrou várias outras atividades, como uma Visita Guiada ao PINTA, que permitiu explorar as exposições permanentes e a Rede Natura 2000, bem como o Observatório de Astronomia; e Caça à Exploração Espacial, uma oficina de jogos e enigmas que estimulou o raciocínio, a criatividade e a reflexão sobre a forma como vemos e interpretamos o cosmos.

Caça à Exploração Espacial: a oficina que dinamizou jogos com enigmas para explorar o universo. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


Houve ainda uma atividade dedicada à Introdução à Astronomia e Observação do Céu Noturno, com sessões teórica e prática que permitiram compreender conceitos fundamentais e observar o Céu em condições privilegiadas, numa das regiões com menor poluição luminosa do país.

Olhar para o céu e compreender a terra: tecnologia com propósito

O Céu, outrora visto como algo distante e intocável, é hoje fortemente influenciado pela atividade humana. Numa atualidade marcada pela desconexão com o mundo natural, a poluição luminosa, as rotas aéreas, os satélites e outras missões espaciais moldam a paisagem celeste e transformam o modo como a vemos e compreendemos.


O PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso tem um espaço dedicado ao conhecimento astronómico e à observação espacial. Fotografia Pedro Alves/Palombar.


O evento procurou refletir sobre esta relação em mudança, promovendo um reencontro entre o público, o Céu noturno e o património natural. A segunda edição do Spreitar L Cielo destacou como a tecnologia, desde telescópios a câmaras fotográficas, pode apoiar o conhecimento e a imersão na observação, de forma a reforçar a ligação das pessoas aos ecossistemas naturais e celestes.