24 Agosto 2026
LIFE Aegypius Return marca 13 crias de abutre-preto com GPS este ano para acompanhar nova geração

Captura de uma cria de abutre-preto. Fotografia Miguel Pires.
Graças a mais um grande esforço colaborativo, o LIFE Aegypius Return concluiu com sucesso a época de marcação de 2026. Este ano, 13 novas crias de abutre-preto (Aegypius monachus) passaram a integrar o programa de monitorização do projeto.
Os estadios finais de cada época de reprodução assinalam também o início de uma tarefa importante: a “época de marcação”. Este ano, as equipas de campo em Portugal visitaram as colónias de reprodução do abutre-preto no Douro Internacional, Tejo Internacional, Herdade da Contenda (em ambos os lados da fronteira, português e espanhol) e Vidigueira/Portel. As 13 aves marcadas em 2026 somam-se às 43 crias marcadas entre 2023 e 2025, elevando o total para 56 crias monitorizadas no âmbito do projeto.
A logística multidisciplinar dos bastidores
Todo o trabalho de campo associado à monitorização, marcação (colocação de emissores GPS/GSM), anilhagem e recolha de amostras em crias de abutre-preto exige muito mais preparação do que aquilo que aparenta à primeira vista. Para além das equipas multidisciplinares envolvidas, que incluem monitores de colónias, anilhadores e marcadores credenciados, médicos veterinários, biólogos e peritos em trabalhos verticais, existe um grande trabalho de planeamento e coordenação que acontece nos bastidores.
Nos meses que antecedem a época de marcação, as equipas locais dedicam inúmeras horas à localização de casais reprodutores, à identificação de ninhos ativos e ao acompanhamento do desenvolvimento das crias. Este trabalho permite estimar a idade de cada cria, planear as intervenções de campo e, mais tarde, avaliar o sucesso reprodutor. Idealmente, as crias de abutre-preto são marcadas quando têm entre 80 e 90 dias de idade, fase em que já estão suficientemente desenvolvidas para receber um emissor GPS/GSM em segurança.
A época de 2026 ficou marcada por condições particularmente exigentes, incluindo ondas de calor antecipadas que afetaram Portugal continental durante o mês de julho. Neste contexto, a monitorização contínua das colónias de reprodução revelou-se especialmente importante, permitindo às equipas escolher os momentos mais adequados para aceder aos ninhos, minimizar a perturbação das aves e garantir a segurança e o bem-estar tanto das crias como dos adultos.
GPS: informações que ajudam a salvar, proteger e conservar
A realização destas marcações anuais, e a valiosa informação recolhida através delas, têm desempenhado um papel fundamental no sucesso do LIFE Aegypius Return ao longo dos últimos anos. Ao equipar as crias de abutre-preto com emissores GPS/GSM, a equipa do projeto consegue acompanhar os seus percursos durante os primeiros anos de vida. Esta monitorização permite compreender melhor para onde se deslocam, onde encontram alimento, onde descansam e pernoitam, sinalizar crias em perigo e conhecer muitos outros aspetos do seu comportamento.
Cada movimento registado acrescenta uma nova peça ao puzzle, permitindo uma compreensão mais detalhada de como os jovens abutres exploram a paisagem, utilizam o território e interagem com outras colónias.
.jpg)
No entanto, o valor desta informação vai muito além do conhecimento sobre a espécie. Os dados recolhidos constituem uma ferramenta essencial para enfrentar desafios atuais da sua conservação, apoiando o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e fundamentando decisões de gestão a nível nacional.
Um dos exemplos mais recentes da forma como este trabalho de monitorização apoia a conservação é o seu contributo para a apreciação de projetos de energias renováveis em Portugal, um dos principais desafios do LIFE Aegypius Return em 2026.
Através dos dados recolhidos por GPS, foi possível identificar as áreas mais utilizadas e relevantes para o abutre-preto. Esta informação tem servido de base à elaboração de pareceres técnicos sustentados em evidência científica, contribuindo para minimizar potenciais impactos sobre a espécie e promovendo uma articulação equilibrada entre a transição energética e a conservação da biodiversidade.
Para além dos movimentos: estudo de amostras biológicas
O trabalho no terreno proporciona também ao projeto uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento sobre o abutre-preto ao nível populacional. Durante as operações de marcação, enquanto as crias são cuidadosamente retiradas dos ninhos para a colocação dos emissores GPS, a equipa aproveita para recolher um conjunto de amostras biológicas que serão utilizadas para fins científicos.
No âmbito do LIFE Aegypius Return, foi desenvolvido um protocolo de recolha de amostras biológicas em colaboração com investigadores e instituições de diferentes áreas científicas. Este trabalho abriu caminho a várias linhas de investigação de grande interesse para a saúde populacional e conservação da espécie.
Amostras como sangue, penas e zaragatoas são recolhidas e enviadas para centros de investigação especializados, onde a sua análise ajuda a responder a diversas questões fundamentais relacionadas com esta espécie. As equipas científicas têm estudado a presença de contaminantes ambientais na população, a origem genética das aves portuguesas e definido os valores de referência para parâmetros sanguíneos e bioquímicos. Outras investigações centram-se ainda nas bactérias presentes na cavidade oral/cloacal dos abutres, bem como nos parasitas internos e externos que circulam nas colónias.
.jpg)
Em conjunto, estes estudos fornecem informações importantes sobre a origem e o estado de saúde geral da população portuguesa, contribuindo para uma melhor compreensão das suas principais necessidades e ameaças.
Todas as crias recebem ainda uma anilha metálica e uma anilha colorida de PVC nas patas. Estas anilhas permitem identificar cada indivíduo ao longo de toda a sua vida, tornando possível acompanhar as suas deslocações. Sempre que uma ave anilhada é observada, seja por observadores de aves, através de fotoarmadilhagem ou em Campos de Alimentação para Aves Necrófagas, é possível rastrear a sua história, incluindo o local onde nasceu.
.jpg)
As pessoas que fazem acontecer
Todo este progresso seria impossível sem o empenho e a dedicação dos parceiros e colaboradores do projeto, cujo trabalho decorre tanto no terreno como nos bastidores. À medida que o LIFE Aegypius Return caminha para o seu último ano de implementação, o número de pessoas envolvidas em ações como esta reflete o compromisso coletivo com a conservação do abutre-preto e com a construção de um futuro promissor para a espécie.

A época de marcação de 2026 foi possível graças ao apoio e participação das seguintes entidades e colaboradores nas respetivas colónias:
Douro Internacional: Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural; IMIB – Instituto Mixto de Investigación en Biodiversidad (IMIB, CSIC-Universidad de Oviedo-Principado de Asturias); ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Junta de Castilla y León; Parque Natural de Arribes del Duero; LPN - Liga para a Proteção da Natureza; equipa veterinária do CRAS HV-UTAD – Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro); Jade Gava (École Nationale Vétérinaire de Toulouse); Vulture Conservation Foundation (VCF).
Tejo Internacional: SEPA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves; LPN; ICNF; GNR - Guarda Nacional Republicana; CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens; Alfonso Godino; Samuel Infante; Carlos Pacheco; VCF.
Vidigueira/Portel: LPN; Herdade do Monte da Ribeira, na pessoa da Eng.ª Mariana Carmona e de António Aleixo; ICNF; Jade Gava (École Nationale Vétérinaire de Toulouse); Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; VCF.
Herdade da Contenda: LPN; Herdade da Contenda; GNR; ICNF; Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; José Figueira; Maria Rossas, Carlos Cruz e Nuno Calça (CARAS – Centro de Acolhimento e Recuperação de Animais Silvestres, Évora); Junta de Freguesia de Santo Aleixo da Restauração; VCF.
Sierra Pelada, Espanha: LPN; Junta de Andalucía; Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; Maria Rossas; VCF.
Sobre o projeto
O projeto LIFE Aegypius Return é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia. O seu sucesso depende do envolvimento de todos os stakeholders relevantes, e da colaboração dos parceiros: a Vulture Conservation Foundation (VCF), beneficiário coordenador, e os parceiros locais Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Herdade da Contenda, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Liga para a Protecção da Natureza, Faia Brava – Associação de Conservação da Natureza, Fundación Naturaleza y Hombre, Guarda Nacional Republicana e Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade.
Os estadios finais de cada época de reprodução assinalam também o início de uma tarefa importante: a “época de marcação”. Este ano, as equipas de campo em Portugal visitaram as colónias de reprodução do abutre-preto no Douro Internacional, Tejo Internacional, Herdade da Contenda (em ambos os lados da fronteira, português e espanhol) e Vidigueira/Portel. As 13 aves marcadas em 2026 somam-se às 43 crias marcadas entre 2023 e 2025, elevando o total para 56 crias monitorizadas no âmbito do projeto.
A logística multidisciplinar dos bastidores
Todo o trabalho de campo associado à monitorização, marcação (colocação de emissores GPS/GSM), anilhagem e recolha de amostras em crias de abutre-preto exige muito mais preparação do que aquilo que aparenta à primeira vista. Para além das equipas multidisciplinares envolvidas, que incluem monitores de colónias, anilhadores e marcadores credenciados, médicos veterinários, biólogos e peritos em trabalhos verticais, existe um grande trabalho de planeamento e coordenação que acontece nos bastidores.
Nos meses que antecedem a época de marcação, as equipas locais dedicam inúmeras horas à localização de casais reprodutores, à identificação de ninhos ativos e ao acompanhamento do desenvolvimento das crias. Este trabalho permite estimar a idade de cada cria, planear as intervenções de campo e, mais tarde, avaliar o sucesso reprodutor. Idealmente, as crias de abutre-preto são marcadas quando têm entre 80 e 90 dias de idade, fase em que já estão suficientemente desenvolvidas para receber um emissor GPS/GSM em segurança.
A época de 2026 ficou marcada por condições particularmente exigentes, incluindo ondas de calor antecipadas que afetaram Portugal continental durante o mês de julho. Neste contexto, a monitorização contínua das colónias de reprodução revelou-se especialmente importante, permitindo às equipas escolher os momentos mais adequados para aceder aos ninhos, minimizar a perturbação das aves e garantir a segurança e o bem-estar tanto das crias como dos adultos.
GPS: informações que ajudam a salvar, proteger e conservar
A realização destas marcações anuais, e a valiosa informação recolhida através delas, têm desempenhado um papel fundamental no sucesso do LIFE Aegypius Return ao longo dos últimos anos. Ao equipar as crias de abutre-preto com emissores GPS/GSM, a equipa do projeto consegue acompanhar os seus percursos durante os primeiros anos de vida. Esta monitorização permite compreender melhor para onde se deslocam, onde encontram alimento, onde descansam e pernoitam, sinalizar crias em perigo e conhecer muitos outros aspetos do seu comportamento.
Cada movimento registado acrescenta uma nova peça ao puzzle, permitindo uma compreensão mais detalhada de como os jovens abutres exploram a paisagem, utilizam o território e interagem com outras colónias.
.jpg)
Colocação de um emissor GPS/GSM numa cria de abutre-preto (Aegypius monachus). Fotografia Miguel Pires.
Cria de abutre-preto devolvida ao ninho após a colocação de um emissor GPS/GSM. Fotografia Palombar.
No entanto, o valor desta informação vai muito além do conhecimento sobre a espécie. Os dados recolhidos constituem uma ferramenta essencial para enfrentar desafios atuais da sua conservação, apoiando o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e fundamentando decisões de gestão a nível nacional.
Um dos exemplos mais recentes da forma como este trabalho de monitorização apoia a conservação é o seu contributo para a apreciação de projetos de energias renováveis em Portugal, um dos principais desafios do LIFE Aegypius Return em 2026.
Através dos dados recolhidos por GPS, foi possível identificar as áreas mais utilizadas e relevantes para o abutre-preto. Esta informação tem servido de base à elaboração de pareceres técnicos sustentados em evidência científica, contribuindo para minimizar potenciais impactos sobre a espécie e promovendo uma articulação equilibrada entre a transição energética e a conservação da biodiversidade.
Para além dos movimentos: estudo de amostras biológicas
O trabalho no terreno proporciona também ao projeto uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento sobre o abutre-preto ao nível populacional. Durante as operações de marcação, enquanto as crias são cuidadosamente retiradas dos ninhos para a colocação dos emissores GPS, a equipa aproveita para recolher um conjunto de amostras biológicas que serão utilizadas para fins científicos.
No âmbito do LIFE Aegypius Return, foi desenvolvido um protocolo de recolha de amostras biológicas em colaboração com investigadores e instituições de diferentes áreas científicas. Este trabalho abriu caminho a várias linhas de investigação de grande interesse para a saúde populacional e conservação da espécie.
Amostras como sangue, penas e zaragatoas são recolhidas e enviadas para centros de investigação especializados, onde a sua análise ajuda a responder a diversas questões fundamentais relacionadas com esta espécie. As equipas científicas têm estudado a presença de contaminantes ambientais na população, a origem genética das aves portuguesas e definido os valores de referência para parâmetros sanguíneos e bioquímicos. Outras investigações centram-se ainda nas bactérias presentes na cavidade oral/cloacal dos abutres, bem como nos parasitas internos e externos que circulam nas colónias.
.jpg)
Colheita de amostras biológicas numa cria de abutre-preto. Fotografia Paulo Monteiro/SPEA.
Em conjunto, estes estudos fornecem informações importantes sobre a origem e o estado de saúde geral da população portuguesa, contribuindo para uma melhor compreensão das suas principais necessidades e ameaças.
Todas as crias recebem ainda uma anilha metálica e uma anilha colorida de PVC nas patas. Estas anilhas permitem identificar cada indivíduo ao longo de toda a sua vida, tornando possível acompanhar as suas deslocações. Sempre que uma ave anilhada é observada, seja por observadores de aves, através de fotoarmadilhagem ou em Campos de Alimentação para Aves Necrófagas, é possível rastrear a sua história, incluindo o local onde nasceu.
.jpg)
Anilhagem de cria de abutre-preto com anilha de PVC. Fotografia Miguel Pires.
As pessoas que fazem acontecer
Todo este progresso seria impossível sem o empenho e a dedicação dos parceiros e colaboradores do projeto, cujo trabalho decorre tanto no terreno como nos bastidores. À medida que o LIFE Aegypius Return caminha para o seu último ano de implementação, o número de pessoas envolvidas em ações como esta reflete o compromisso coletivo com a conservação do abutre-preto e com a construção de um futuro promissor para a espécie.

Parceiros e colaboradores do projeto durante as campanhas de marcação no Tejo Internacional. Fotografia VCF.
Parceiros e colaboradores do projeto durante as campanhas de marcação na Vidigueira/Portel. Fotografia VCF.
A época de marcação de 2026 foi possível graças ao apoio e participação das seguintes entidades e colaboradores nas respetivas colónias:
Douro Internacional: Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural; IMIB – Instituto Mixto de Investigación en Biodiversidad (IMIB, CSIC-Universidad de Oviedo-Principado de Asturias); ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Junta de Castilla y León; Parque Natural de Arribes del Duero; LPN - Liga para a Proteção da Natureza; equipa veterinária do CRAS HV-UTAD – Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro); Jade Gava (École Nationale Vétérinaire de Toulouse); Vulture Conservation Foundation (VCF).
Tejo Internacional: SEPA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves; LPN; ICNF; GNR - Guarda Nacional Republicana; CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens; Alfonso Godino; Samuel Infante; Carlos Pacheco; VCF.
Vidigueira/Portel: LPN; Herdade do Monte da Ribeira, na pessoa da Eng.ª Mariana Carmona e de António Aleixo; ICNF; Jade Gava (École Nationale Vétérinaire de Toulouse); Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; VCF.
Herdade da Contenda: LPN; Herdade da Contenda; GNR; ICNF; Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; José Figueira; Maria Rossas, Carlos Cruz e Nuno Calça (CARAS – Centro de Acolhimento e Recuperação de Animais Silvestres, Évora); Junta de Freguesia de Santo Aleixo da Restauração; VCF.
Sierra Pelada, Espanha: LPN; Junta de Andalucía; Carlos Pacheco; Timóteo Mendes; Maria Rossas; VCF.
Sobre o projeto
O projeto LIFE Aegypius Return é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia. O seu sucesso depende do envolvimento de todos os stakeholders relevantes, e da colaboração dos parceiros: a Vulture Conservation Foundation (VCF), beneficiário coordenador, e os parceiros locais Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Herdade da Contenda, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Liga para a Protecção da Natureza, Faia Brava – Associação de Conservação da Natureza, Fundación Naturaleza y Hombre, Guarda Nacional Republicana e Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade.