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29 Julho 2026

Palombar alerta para poluição luminosa e dá importantes contributos em evento sobre biodiversidade noturna na Serra da Estrela

Palombar alerta para poluição luminosa e dá importantes contributos em evento sobre biodiversidade noturna na Serra da Estrela

Poluição luminosa tem aumentado em Portugal e afetado espécies de fauna noturna. Fotografia DR.

A Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural participou, no dia 18 de julho, no evento “Metade da magia é quando acaba o dia”, organizado pela AAPeD - Associação dos Amigos das Penhas Douradas para celebrar os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela e que esteve focado na biodiversidade noturna, bem como no impacto da poluição luminosa sobre a fauna, os ecossistemas e a saúde humana. Nesta iniciativa, que teve lugar na vila serrana de Manteigas, a Palombar alertou para os efeitos negativos da poluição luminosa sobre espécies de fauna com hábitos noturnos, sobre os habitats e a sociedade, dando importantes contributos para mitigar este problema. Dinamizámos ainda uma sessão de monitorização de morcegos.

A biodiversidade noturna da Serra da Estrela e as suas fragilidades

A bióloga e investigadora da Palombar Helena Raposeira apresentou, neste evento, uma palestra com o tema “A biodiversidade noturna da Serra da Estrela e as suas fragilidades”, integrada na mesa redonda “A Noite em Debate”, que incluiu ainda comunicações de Anabela Simões, diretora do Departamento Regional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade do Centro, do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; Raul Cerveira Lima, investigador na área da poluição luminosa; Biscaia Fraga, médico e presidente da AAPeD e Federico Neiman, diretor do Observatório Astronómico de Travancinha.

Mesa redonda “A Noite em Debate”. Fotografia DR.


Quando a luz se torna um problema


A poluição luminosa - caracterizada pelo excesso ou uso inadequado de iluminação artificial no espaço e no tempo que interferem nos níveis naturais de escuridão - provoca alterações impactantes na biodiversidade, em particular, nos padrões de atividade e de alimentação de várias espécies, diminuindo o tempo disponível da fauna noturna e crepuscular para se alimentarem, mas também aumentando a fragmentação dos habitats e o risco de predação. Estes fatores comprometem o sucesso reprodutor de muitas espécies e a sua sobrevivência.

Por outro lado, a população humana encontra-se, no seu dia a dia, exposta à luz artificial em 90% do ciclo circadiano, o que provoca diversos problemas de saúde, como alterações do ciclo biológico, inibindo a produção de melatonina e afetando a qualidade do sono que, por sua vez, causa fadiga, ansiedade e depressão. Deste modo, a exposição excessiva à luz artificial contribui para aumentar o risco de AVC, de obesidade e uma tendência maior para diabetes tipo II.

Poluição luminosa tem aumentado em Portugal

A poluição luminosa tem aumentado significativamente nos últimos anos em Portugal, em todo o território, que apresenta dos piores índices a nível europeu, para os quais a instalação massiva de luz LED branca e de alta potência tem contribuído dramaticamente.

Urge combater a poluição luminosa e restaurar condições de menor luminosidade

É, por isso, urgente restaurar as condições de menor luminosidade, que deveriam rondar a iluminância de 1 - 2 lx e não uma iluminância de 10 a 20 lx, o que corresponde a 10 a 20 vezes mais do que a necessária. Outras medidas passam pela utilização de luz de cor quente < 2700k, direcionar as luminárias apenas para os locais estritamente necessários, usar sensores de movimento e temporizadores, e fazer uma avaliação prévia dos impactos de projetos de iluminação próximos de áreas de alto valor natural ou áreas protegidas, como, por exemplo, evitar a utilização de iluminação junto de abrigos de animais selvagens.


Mapa da radiância ascendente (Raw VIIRS satellite upward radiance) obtido a partir do sensor VIIRS, representando a intensidade da luz artificial emitida para a atmosfera e detetada pelo satélite. Fonte: DarkSkySites (www.darkskysites.com), com base em dados do VIIRS/NASA.


Sessão de monitorização de morcegos: não vimos, mas ouvimos (e ouvir é tão importante quanto ver)

Durante o evento, a Palombar dinamizou ainda uma sessão de monitorização de morcegos durante a noite, que foi orientada pelos biólogos e investigadores da associação Pedro Horta e Helena Raposeira.

A sessão foi muito participada e foram muitas as perguntas de um grupo que esteve sempre atento e interessado em descobrir mais sobre as espécies de morcegos que ocorrem em Portugal e a sua importância.


Registados sons de oito espécies de morcegos. Fotografia DR.


Nesta sessão, nenhum morcego foi capturado nas redes de neblina utilizadas nas monitorizações, mas as suas ecolocalizações e chamamentos sociais foram registados pelos detetores de ultrassons. Para quem estuda estes seres noturnos, ouvir é tão importante quanto ver. Registámos os sons de oito espécies de morcegos: morcego-arboricola-pequeno (Nyctalus leisleri), morcego-hortelão (Eptesicus serotinus/isabellinus), morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus), morcego-de-Kuhl (Pipistrellus kuhlii), morcego-pigmeu (Pipistrellus pygmaeus), morcego-rabudo (Tadarida teniotis), morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e morcego-de-savi (Hypsugo savii).